CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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terça-feira, 24 de julho de 2012

Exu: A Dialética da Religiosidade Africana que reflete na Religião Afro-Brasileira.



O que é dialética?


A dialética vem do grego e do latim (dialectica e dialectice). 


É um método que se assenta na contradição e contraposição de ideias, gerando outras ideias a partir de argumentação. 


Literalmente significa “caminho entre as ideias”, a arte do diálogo. 


De acordo com os intelectuais a dialética se fundamenta na filosofia ocidental e oriental. 


Percebamos então que: existem segundo a cosmovisão ocidental dois nomes de filósofos fundadores da dialética Zenão de Eleia (490-430 a.C.) e Sócrates (469-399 a.C.). Diz-se que os métodos dialéticos mais conhecidos são os de Hegel (1770-1831). 


Contudo concordando com Ngoenha (1993)[1]quando faz analisa as correntes filosóficas explicitando que a filosofia ocidental descarta a filosofia africana.  


Ora, se os filósofos gregos estudavam na biblioteca da cidade de Alexandria, e essa era uma importante cidade egípcia, logo a filosofia nasce no Egito, na África com filósofos africanos. Os filósofos ocidentais que beberam na fonte da filosofia africana.


A África sendo o berço da humanidade, naturalmente não teria sobrevivido até a colonização sem tradição e filosofia. 


Munanga (2009)[2], Ki-zerbo (2006)[3], Luz (2000)[4], Altuna(1985)[5], Obenga(2004)[6] afirmam que existe uma filosofia, ou seja, uma cosmovisão africana que concluímos ser banto e ioruba. 


As duas fazem parte do cenário brasileiro e estão imbricadas nas religiões de matriz africana. 


Existe uma unidade na diversidade de acordo com os autores acima, o que caracteriza o continente africano: religiosidade, energia vital (para nós da religião de matriz africana chamamos de axé) e valorização da natureza; circularidade, o que explica dançarmos o candomblé numa roda e jogarmos capoeira também numa roda. 


Nesse espaço célebre a hierarquia respeita a antiguidade, ou seja, quem é mais velho no santo ou na capoeira, o mestre. 


O poder não passa pela posse financeira.


A filosofia tradicional africana não contempla a contradição (bem x mau) / (céu x inferno). 


Essas dois adjetivos se inseriram na realidade africana a partir do islamismo, catolicismo e na atualidade com o neo-pentencostalismo. 


A filosofia africana crê que o mundo deva ser equilibrado. 


Esse equilíbrio segundo a filosofia egípcia é Maat[7]. 


O mau e bem são energias que nos circundam, e a energia negativa (que não é a personificação da imagem do demônio, nem do satanás), é a causa do desequilíbrio. 


Logo, nessa cosmovisão os humanos podem direcionar bem ou mal as energias, causando bem ou mal para si e para os outros. 


Por que a filosofia Ubuntu, consiste em ‘existimos por que os outros existem’, e esses outros, são todos os seres animais, vegetais e minerais. 


Certamente a energia negativa provoca desequilíbrio e resulta nas nossas faltas. 


Essas faltas podem ser perdoadas, amenizadas e promover equilíbrio e são corrigidas por meio das oferendas a Deus, através dos Oirxás e Ancestrais.


A vida deve ser vivida agora, e a felicidade deve fazer parte da vida, vida essa que está respeitando um ciclo entre dois mundos o material Aiyê e o espiritual Orun. 


Somos todos/as energia, que num movimento circular retorna à sua origem: Deus. 


A morte é um rito de passagem para a vida espiritual, logo, a morte inexiste. Morrer é, não deixar descendentes. 


A religião tradicional africana é uma religião de vida e não de sacrifícios, nem de morte. Por essa razão dançamos e cantamos quando celebramos. A energia está na música e no som dos tambores, a nossa voz é o tambor!


Nessa religião existem: Deus entidade inquestionável; os seres divinizados (orixás), entidade representantes dos fenômenos da natureza e os ancestrais (eguns)[8]. 


Dentre os orixás existe um, o EXU, ele  me fez pensar na filosofia e na dialética. 


Por que esse orixá é tudo que há na natureza humana, amor, ódio, graça, sensatez, insensatez, humor, logo cada homem e mulher possui um EXU! 


O que é o EXU??


BIBLIOGRAFIA ELETRÔNICA


Disponível em . Acesso em 29 jan, 2012. 15:27.


Dicponível em:


[1] NGOENHA, Severino Elias. Filosofia Africana: das independências às liberdades. Maputo: Edições Paulistas. 1993.


[2] KABENGELE, Munanga. Negritude: usos e sentidos. Coleção Cultura Negra e Identidade. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2009.


[3] Ki-ZERBO, Joseph. Para Quando África? Entrevista com René Holenstein. Tradução Carlos Aboim de Brito. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.


[4] LUZ, Marco Aurélio de Oliveira. Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira. 2a Edição. Salvador: EDUFBA. 2000.


[5] ALTUNA, Pe. Raul Ruiz de Assúa. Cultura Tradicional Banto. Lunada: Secretariado Arquidiocesano de Pastoral. 1985.


[6] OBENGA. Teòphile. African Philosophy – The Pharaonic Period: 2780-330 BC. Dakar: Per Ankh, 2004.


[7] Op. cit.


[8] Os mortos. Esses são homenageados nos cultos dos Egunguns, masculinos e Geledés, femininos. Informações fundamentadas poderão ser encontradas em: SANTOS. Juana Elben. Os Nagô e a  Morte: Padè, Asèsè e o Culto do Egun na Bahia. Tradução Universidade Federal da Bahia. 13ª Edição. Petrópolis: Vozes. 2008. 


[9] Os mortos. Esses são homenageados nos cultos dos Egunguns, masculinos e Geledés, femininos. 


Informações fundamentadas poderão ser encontradas em: SANTOS. 


Juana Elben. Os Nagô e a  Morte: Padè, Asèsè e o Culto do Egun na Bahia. 


Tradução Universidade Federal da Bahia. 13ª Edição. Petrópolis: Vozes. 2008. 


Por Rosivalda Barreto



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

DIREITOS E DEVERES DOS POVOS DE TERREIRO

A PALESTRA DIREITOS E DEVERES DS POVOS DE TERREIRO ACONTECEU NO DIA 26 DE JULHO DE 2011, ÀS 19h 45 min NO CENTRO DE CULTURA ADONIAS FILHO/CAFF, NA CIDADE DE ITABUNA/BA.



DR ANDIRLEI NASCIMENTO
PRESIDENTE OAB
SUBSECÇÃO ITABUNA




A PALESTRA FOI UMA SOLICITAÇÃO DE LIDERANÇAS RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA, ATRAVÉZ DE SUAS ENTIDADES REPRESENTATIVAS NA CIDADE, O PONTO DE CULTURA/ACAI E A ASSOCIAÇÃO GRAPIUNA DE ENTIDADES RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA/AGREMA, NA BUSCA POR INFORMAÇÕES REFERENTES AOS DIREITOS E DEVERES DESTES COLETIVOS PERANTE A LEI.


PROFERIDA PELA OAB/SUBSECÇÃO ITABUNA, O PRESIDENTE, DR ANDIRLEI NASCIMENTO FEZ A ABERTURA, SEGUIDO DA DRª JUREMA CINTRA, VICE PRESIDENTE E A DRª ZUEINE S. SANTOS, DEFENSORA PÚBLICA. ESTES DISCORRERAM ACERCA DO PAPEL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL PERANTE A SOCIEDADE, DA LEGISLAÇÃO REFERENTE AOS POVOS TRADICIONAIS DE MATRIZ AFRICANA E RESPONDERAM QUESTIONAMENTOS PARA UM PÚBLICO DA MAIS DE 100 PESSOAS, ENTRE MILITANTES DO MOVIMENTO NEGRO, COMUNICADORES, LIDERANÇAS DE MOVIMENTOS SOCIAIS, ADVOGADOS, SACERDOTES E ADEPTOS DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA DA CIDADE DE ITABUNA E REGIÃO.






BABALORIXÁ RUY DO CARMO PÓVOAS









IYÁLORIXÁ MÃE VANDA/PRESIDENTE PONTO DE CULTURA/ACAI


O BABALORIXÁ RUY DO CARMO PÓVOAS, SUGERIU A ELABORAÇÃO DE UMA CARTILHA CONTENDO A LEGISLAÇÃO ACERCA DOS DIREITOS CONSTITUCIONAIS E DE CARTAS INTERNACIONAIS EM QUE O BRASIL SEJA SIGNATÁRIO PARA DISTRIBUIÇÃO NOS TERREIROS, IDÉIA QUE CONTOU COM O APOIO DA PLATÉIA E FOI MANTIDA COMO ENCAMINHAMENTO PELOS PRESENTES.


ESTIVERAM PRESENTES OGÃNS, EKEDIS, IYAWÒS, EBOMIS E LIDERANÇAS DE TERREIROS/TEMPLOS ENGAJADOS NA LUTA POR JUSTIÇA SOCIAL E POLÍTICAS PÚBLICAS DE REGISTRO, PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DA CULTURA AFRO BRASILEIRA NA REGIÃO GRAPIUNA.


MÃE VANDA DE OYA


MÃE ZUEINE DE OXUN


MÃE ALBA DE OXOSSE


MÃE LUÍZA DE OXUN


MÃE SÔNIA DE OYA


PAI RUY DE OXALÁ


PAI DIAGONÃN DE XANGÔ


PAI EDAMI DE OXUMARÈ


PAI JOSEVALDO DE OGUN


PAI GENIVALDO DE IFÁ


PAI ROBERTO DE OXOSSE (UNA)


PAI JÚNIOR DE OXUN (PAU BRASIL)


MILITANTES


CHICO DO MNU


EGNALDO DO GRUPO AFRO ENCANTARTE


LOIOLA DO GRUPO HUMANUS


CLÁUDIO LYRIO DO CINE MOCAMBA


COMUNICADORES


VAL CABRAL


CLEONICE ALMEIDA


SONIA AMORIM

O EVENTO FOI UMA PRODUÇÃO DO PONTO DE CULTURA ASSOCIAÇÃO DO CULTO AFRO ITABUNENSE, PROJETO CULTURA EM AÇÃO/CONVÊNIO 022/2008/SECULT/BA / PROGRAMA PONTOS DE CULTURA DA BAHIA/ PROGRAMA MAIS CULTURA/MinC. PARCERIA COM A AGREMA E O CINE MOCAMBA

Lula Dantas


Coordenador Ponto de Cultura/Associação do Culto Afro Itabunense


G 08 Rep. Litoral Sul/Comissão de Comunicação/BA


CNPdC/Colegiado Matriz Africana/Colegiado da Bahia/Sub Comissão de Comunicação


Associação Grapiúna de Entidades de Matriz Africana/Comissão de Comunicação


Fórum de Agentes, Gestores e Empreendedores Culturais do Litoral Sul/Ba
73 3612 0175
9111 7096

CULTURA COMO DIREITO HUMANO

Na integralidade que permeia o ser humano, a expressão cultural é uma necessidade humana que muitas vezes é negada ao excluído. Ao afirmar que cultura é um direito humano, assinalamos que ela não é apenas uma ferramenta que sirva para chegar a algum lugar, mas que é tão fundamental quanto o direito a expressão política livre ou o direito a educação. Impele-nos também a buscar ações e atividades que expressem de forma concreta esta afirmação.


Fonte: http://www.cdhep.org.br/Cultura-como-direito.php

sexta-feira, 4 de março de 2011

O candomblé é uma religião africana trazida para o Brasil


O candomblé é uma religião africana trazida para o Brasil no período em que os negros desembarcaram para serem escravos.


Nesse período, a Igreja Católica proibia o ritual africano e ainda tinha o apoio do governo que julgava o ato como criminoso, por isso os escravos cultuavam seus Orixás, Inquices e Vodus omitindo-os em santos católicos.


Os orixás para o candomblé são os deuses supremos.

Possuem personalidade e habilidades distintas bem como preferências ritualísticas.

Estes também escolhem as pessoas que utilizam para incorporar no ato do nascimento podendo compartilhá-lo com outro orixá caso necessário.


Os rituais do candomblé são realizados em templos chamados casas, roças ou terreiros que podem ser de linhagem matriarcal quando somente as mulheres podem assumir a liderança, patriarcal quando somente homens podem assumir a liderança ou mista quando homens e mulheres podem assumir a liderança do terreiro.

A celebração do ritual é feita pelo pai-de-santo ou mãe-de-santo, que inicia o despacho do Exu. Em ritmo de dança o tambor é tocado e os filhos-de-santo começam a invocar seus orixás para que os incorporem.

O ritual tem no mínimo duas horas de duração.


O candomblé não pode ser igualado à umbanda, pois são diferentes.

No candomblé, não há incorporação de espíritos já que os orixás que são incorporados são divindades da natureza enquanto na umbanda as incorporações são feitas através de espíritos encarnados ou desencarnados em médiuns de incorporação.

Existem pessoas que praticam o candomblé e a umbanda, mas o fazem em dias, horários e locais diferentes.


INÉDITO: IANSÃ NÃO É SANTA BÁRBARA

Iyalorixás e assumem a crença como uma religião independente da católica



Daqui para frente, os filhos de gente de Santo não vão mais aprender sua tradição dos Orixás em sincretismo com a religião católica.

As iyas e babalorixás da Bahia não querem, também, permitir mais que sua religião seja tratada como folclore, seita, animismo ou religião primitiva, "como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade".

Querem também dar um basta à utilização de seus trajes, e rituais, em concursos oficiais ou de propaganda turística.

Esta posição assumida por algumas das mais respeitadas mães de Salvador - Stella de Oxossi, Mãe Menininha do Gantois, Tete de Yansã, Olga do Alaketo e Nicinha do Bogum - deverá repercutir intensamente na comunidade local, uma cidade que cresceu vendo o culto de candomblé sendo sincretizado com o catolicismo. "Já imaginaram o Senhor do Bomfim sem Oxalá?" Serena, Mãe Stella de Oxossi, - uma das mais respeitadas ialorixás da Bahia, sempre avessa a publicidades e a imprensa, falou com exclusividade ao Jornal da Bahia, explicando:


"Os Santos e imagens católicos têm seus valores. Nós não estamos a fim de deixar de acreditar, por exemplo, em Santa Bárbara. Um espírito elevado, sem dúvida. Mas sabemos que Iansã é uma outra energia, não é Sta. Bárbara. Religião não se impõe, depende da consciência de cada um. Mas queremos respeito com o Candomblé. Não tem nada a ver, por exemplo, arriar-se comida de Iansã nos pés da imagem de Sta. Bárbara. Não tem sentido. A comida é de Iansã, é outra energia, completamente diferente do que é Sta. Bárbara, entende?"

Pensamento Livre

Mãe Stella participou ativamente da recente Conferência Mundial da Tradição dos Orixás. Ela não tem dúvida de que esta atitude deverá ter ressonância entre a população. Sobre o que a Igreja Católica vai dizer? Ela responde: "O Pai de Santo que tiver coerência com seus princípios não vai mais sincretizar, mas vai passar para seus filhos os nossos conhecimentos. Quanto ao que pode dizer a Igreja, o culto, o pensamento é livre.


Respeito muito D. Avelar, mas cada um deve ter sua consciência. Essa coisa de mandar na consciência das pessoas, neste fim de século, não é mais possível". E diz mais: "Também não estamos forçando todo mundo a acreditar no Candomblé". Para concluir: - O Candomblé não é incompatível com a religião Católica. Mas é vice-versa. Aí, fica com cada pessoa e sua consciência, de dizer que é de Ogum, o que não quer dizer que acabe sua fé em Santo Antônio. Apenas , como disse, são energias diferentes. Vice-versa.


Mãe Stella tem plena sabedoria do que ocorre com os ritos/magias da crença nos Orixás. Salvador é considerado polo turístico pelo governo. E o Candomblé sua mais forte expressão popular. O que pode acontecer, por exemplo, com o carnaval da Bahia? Ela discorda profundamente da utilização de trajes-símbolos sagrados. - Sair vestido de santo ou usando símbolos é pura falta de respeito, uma profanação com nossa religião. Como ficam as saídas para as ruas do Filhos de Gandhy ou mesmo da versão mais moderna do Afoxé, o Badauê? Mãe Stella não entra no mérito ("são afoxés, alegria do carnaval") mas, absolutamente não concorda com a "profanação dos Orixás". Profanar, aqui, significa levar para fora do terreiro preceitos e segredos do culto. - Não há porque ficar enganando.


Precisamos ser respeitados como religião e não como faz a imprensa, por exemplo, daqui de Salvador, que inclui nossas casas de culto nas colunas de folclore. - Já passamos do tempo de ter que esconder nossa religião. Nossos antepassados, para não serem massacrados foram levados ao sincretismo. É isto que queremos parar de fazer. Outro aspecto da conversa com Mãe Stella: os artistas, os estudiosos, enfim, a crescente aproximação da intelectualidade para beber na fonte e depois utilizar o aprendizado, seja nas artes ou nas teses acadêmicas, sem nada reverter para o Candomblé. Ela responde: "Os sabidos que andam pelos Candomblés não estão agindo certo. Não sou contra um pintor pintar Xango, mas quando ele começa a utilizar-se disso para ganhar muito dinheiro, para profanar, está errado. Isto tende a desaparecer, com o crescimento de nossa consciência dentro de nossas casas".


Durante a II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás, Mãe Stella propôs ação concreta: o ensino da língua yorubá e o ensino da tradição dos Orixás, "e não somente da religião católica pois se você perguntar para a criança de que religião ele é, vai dizer "católica" e na verdade é filha de gente de Santo, mas ela tem medo, ensinaram errado para ela". Como seria a concretização de sua idéia? Mãe Stella espera que "as autoridades tomem as providências para satisfazer o desejo de toda uma Comunidade". O que compete às Iyas e Babalorixás, eles já deram a partida. Esta vigorosa carta divulgada ontem traz no seu âmago um grito de liberdade: Ma beru, Olorum wa pelu awon omorisa. Em outras palavras, quer dizer: "Não tenha medo, Deus está com todos os Filhos de Orixá".


Daqui para a frente, os filhos de gente de Santo rompem, decididamente, com quase cinco séculos de silêncio, imposto desde a chegada das masmorras e dos pelourinhos, para fazer uma só voz com Mãe Stella: - Já passamos do tempo de ter de esconder nossa religião.


Cartas abertas ao público:



Ao público e ao povo do Candomblé,

As Iyas e Babalorixás da Bahia, coerentes com as posições assumidas na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura, realizada durante o período de 17 a 23 de Julho de 1983, nesta cidade, tornam público que depois disso ficou claro ser nossa crença uma religião e não uma seita sincretizada.


Não podemos pensar, nem deixar que nos pensem como folclore, seita animismo, religião primitiva como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade, seja por parte de opositores, detratores: muros pichados, artigos escritos - "Candomblé é coisa do Diabo", "Práticas africanas primitivas ou sincréticas", seja pelos trajes rituais utilizados em concursos oficiais e símbolos litúrgicos consumidos na confecção de propaganda turística e ainda nossas casas de culto, nossos templos, incluidos, indicados, na coluna do folclore dos jornais baianos.

Assinaram:


- Menininha do Gantois, Iyalorixá do Axé Ilé Iya Omin Iyamassé


- Stella de Oxossi, Iyalorixá do, Ilé Axé Opô Afonjá



- Tete de Iansã, Iyalorixá do Ilé Nassô Oká



- Olga de Alaketo, Iyalorixá do, Ilé Maroia Lage



- Nicinha do Bogum, Iyalorixá do Xogodô Bogum Malê Ki-Rundo

Ao Público e ao Povo do Candomblé

Vinte e sete de julho passado deixamos pública nossa posição à respeito do fato de nossa religião não ser uma seita, uma prática animista primitiva consequentemente rejeitamos o sincretismo como fruto da nossa religião desde que ele foi criado pela escravidão à qual foram submetidos nossos antepassados.


Falamos também do grande massacre, do consumo que tem sofrido nossa religião. Eram fundamentos que podiam ser exibidos, mostrados, pois não mais eramos escravos, nem dependemos de senhores que nos orientem. Os jornais não publicaram na íntegra, aproveitaram para notícias e reportagens. Quais os peixes colhidos por esta rede lançada? Os do sensacionalismo por parte da imprensa, onde apenas os aspectos do sincretismo e suas implicações turísticas (lavagem do Bonfim, etc) eram notados, por outro lado apareceram a submissão, a ignorância, o medo e ainda a "atitude de escravo" por parte de alguns adeptos até mesmo Iyalorixás, representantes de associaões "afro", buscando serem aceitas por autoridades políticas e religiosas. Candomblé não é uma questão de opinião.


É uma realidade religiosa que só pode ser realizada dentro de sua pureza de propósitos e rituais. Quem assim não pensa, já de há muito está desvirtuado, e por isso podem continuar sincretizando, levando Iaos ao Bonfim, rezando missas, recebendo os pagamentos, as gorjetas para servir ao polo turístico baiano, tendo acesso ao poder, conseguindo empregos, etc. Não queremos revolucionar nada, não somos políticos, somos religiosos daí nossa atitude ser de distinguir, explicar, diferençar o que nos enriquece, nos aumenta, tem a ver com nossa gente, nossa tradição e o que se desgarra dela, mesmo que isto esteja escondido na melhor das aparências. Enfim, reafirmamos nossa posição de julho passado, deixando claro que de nada adiantam pressões políticas, da imprensa, do consumo, do dinheiro, pois o que importa não é o lucro pessoal, a satisfação da imaturidade e do desejo de aparecer, mas sim a manutenção da nossa religião em toda a sua pureza e verdade, coisa que infelizmente nesta cidade, neste país vem sendo cada vez mais ameaçada pelo poder econômico, cultural, político, artístico e intelectual.


Vemos que todas as incoerências surgidas entre as pessoas do Candomblé que querem ir à lavagem do Bonfim carregando suas quartinhas, que querem continuar adorando Oyá e Sta. Bárbara, como dois aspectos da mesma moeda, são resíduos, marcas da escravidão econômica, cultural e social que nosso povo ainda sofre. Desde a escravidão que preto é sinônimo de pobre, ignorante, sem direito a nada a não ser saber que não tem direito; é um grande brinquedo dentro da cultura que o estigmatiza, sua religião também vira brincadeira. Sejamos livres, lutemos contra o que nos abate e nos desconsidera, contra o que só nos aceita se nós estivermos com a roupa que nos deram para usar. Durante a escravidão o sincretismo foi necessário para a nossa sobrevivência, agora em suas decorrências e manifestações públicas: gente de santo, Iyalorixás, realizando lavagem nas igrejas, saindo das camarinhas para as missas etc, nos descaracteriza como religião, dando margem ao uso da mesma como coisa exótica, folclore, turismo. Que nossos netos possam se orgulhar de pertencer à religião de seus antepassados, que ser preto, negro, lhes traga de volta a Africa e não a escravidão. Esperamos que todo o povo do Candomblé, que as pequenas casas, as grandes casas, as médias, as personagens antigas e já folcloricas, as consideradas Iyalorixás, ditas dignas representantes do que se propõem, antes de qualquer coisa considerem sobre o que estão falando, o que estão fazendo, independente do resultado que esperam com isto obter.


Corre na Bahia a idéia de que existem quatro mil terreiros; quantidades nada expressam em termos de fundamentos religiosos embora muito signifiquem em termos de popularização, massificação. Antes o pouco que temos do que o muito emprestado. Deixamos também claro que nosso pensamento religioso não pode ser expressado através da Federação dos Cultos Afros ou outras entidades congêneres, nem por políticos, Ogãs, Obás ou quaisquer outras pessoas que não os signatários desta. Todo este nosso esforço é por querer devolver ao culto dos Orixás, à religião africana a dignidade perdida durante a escravidão e processos decorrentes da mesma: alienação cultural, social e econômica que deram margem ao folclore, ao consumo e profanação da nossa religião.

Assinaram:

- Menininha do Gantois - Iyalorixá do Axé Ilé Iya Omin Iyamassé

- Stella de Oxossi - Iyalorixá do Ilé Axé Opô Afonjá

- Tete de Yansã - Iyalorixá do Ilé Nasso Oke

- Olga de Alaketo - Iyaloriá do Ilé Maroia Lage

- Nicinha do Bogum - Iyalorixá do Zogodô Bogum Malê Ki-Rundo

Jornal da Bahia Salvador, 12 de agosto de 1983

Perda da Religião Tradicional Africana no mundo







A profanação do culto tradicional africano pelos poderes europeus ocidentais afetou seriamente as culturas tradicionais de pessoas africanas onde destruíram muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais, que eram considerados em sua maioria nada além pelos cristãos europeus como valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura.



O Cristianismo Europeu não reconhecia o Deus dos Africanos, como o mesmo Deus de seus ensinamentos, apesar da Religião Tradicional Africana constar a existência de um Deus Alto Supremo, criador de todas as coisas, o Grande Criador. Eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e o deles.



Essa é a visão do Deus do culto tradicional africano.



Um Deus Supremo e criador que era rei, Onipotente, Onisciente, o Grande Juiz, Compassivo, Santo e Invisível, Imortal e Transcendente. Ele é então o fabricante e tudo em céu e em terra deve a origem deles/delas a Ele só. Ele é o Grande rei acima de todos os Reis e não pode ser comparado a nada. Ele é acima de tudo majestade e divindade. Ele mora em todos os lugares. Assim Ele é onipotente porque Ele pode fazer todas as coisas e nada pode ser feito nem ser criado além de Ele. Ele está atrás de todas as realizações. Ele só pode falar e realizar as palavras dele. Então não há nenhum quarto para fracasso. Ele é Absoluto, todo o modo Onisciente, toda a vista e todo Instruído. Ele sabe todas as coisas e assim nenhum segredo se esconde dele.





Mas permeia entre o visível e o invisível...



O Deus da Religião Tradicional africana também é ritualmente e eticamente um Deus Santo. Ele está completo e absoluto. Ele nunca é envolvido em qualquer injustiça ou imoralidade.



Ele criou as divindades (orixás) para equilibra, positivar o ser humano no mundo.



Para os africanos eles são o limite entre céu e terra, entre vida e morte, entre o usual e o mundo do espírito.



Na vida privada e pública dos ritos religiosos africanos, convicções e rituais são consideradas uma parte integrante de vida.



O sagrado e o secular é difundido no pessoal total do africano individual. A Vida não é dividida em compartimentos ou divisões. Assim não há nenhum tempo especial por adoração, para todos os dias e todas as horas são tempo de adoração.



Todos esses valores foram omitidos e sacrificados pela própria colonização dos europeus em seu total perante o domínio do cristianismo que se arrasta para muitos na ignorância ainda hoje no saber dentro da própria religiosidade afro brasileira, onde vêem Orixá com um Deus, e na verdade são os caminhos que nos são dado para um mundo melhor..onde o próprio culto de Orixá teria que ser de monoteísta ( de um Deus só), tudo pelo não reconhecimento do “ Criador de tudo ( Olodumare) pelos Cristãos...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O CANDOMBLÉ, NOSSA FILOSOFIA DE VIDA !

No começo não havia separação entre o Orum, o Céu dos orixás, e o Aiê, a Terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras.



Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas.

O céu imaculado do Orixá fora conspurcado.

O branco imaculado de Obatalá se perdera.

Oxalá foi reclamar a Olorum.



Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu da Terra.

Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida.

E os orixás também não podiam vir à Terra com seus corpos.

Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados.

Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.

Os orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados.

Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo que os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.

Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.

Foi a condição imposta por Olodumare.

Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum um novo encargo: preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.

Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.

De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.

Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou seus corpos.

Pintou suas cabeças com pintinhas brancas, como as pintas das penas da conquém, como as penas da galinha-d’angola.

Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços, enfeitou-as com jóias e coroas.

O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.

Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros, e nos pulsos, dúzias de dourados indés.

O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.

Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orixás.

Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e o orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.

Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara.

As iaôs eram as noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar.

Estavam prontas para os deuses.

Os orixás agora tinham seus cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê, podiam cavalgar o corpo das devotas.

Os humanos faziam oferendas aos orixás, convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs. Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.

E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás, enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê, os orixás dançavam e dançavam e dançavam.

Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.

Os orixás estavam felizes.

Na roda das feitas, no corpo das iaôs, eles dançavam e dançavam e dançavam.

Estava inventado o candomblé.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O QUE É CANDOMBLÉ ?

                                                                   CANDOMBLÉ :
                                                                              
da nação do Ketu, NÃO é Umbanda e muito menos, Magia Negra. É uma religião trazida para o Brasil pelos negros que vieram da África como escravos e que cultuavam os seus ORIXÁS.



Este culto dos ORIXÁS remonta de muitos séculos, talvez sendo um dos mais antigos cultos religiosos de toda a história da humanidade.
O objetivo principal deste culto é o EQUILIBRIO entre o ser humano e os ORIXÁS.

A maior característica do ALTO CANDOMBLÉ da Nação Ketu é que a religião de ORIXÁ tem por base ensinamentos que DEVEM ser passados de geração a geração de forma oral. Ou seja, não existem anotações, fórmulas mágicas, etc... Ou o “iniciado” aprende e desenvolve sua espiritualidade junto aos Orixás, ou então é melhor nem fazer uso dos BÚZIOS CONSAGRADOS.

ORIXÁ significa - ORI = COROA / XÁ = LUZ

Ou seja, a palavra ORIXÁ quer dizer “Coroa Iluminada”, “Espírito de Luz”.
É o princípio mais evoluído existente em nosso sistema, manifestado através das forças da natureza.

O Alto Candomblé é uma religião dinâmica, mas ao contrário da imaginação de muitos, devido à sua variedade de deuses é essencialmente monoteísta, crê em um único Deus e criador, Olorún (“olo” = dono, senhor; “orun” = céu, espaço celeste sagrado), que criou o céu e a terra, os orixás e o homem.

O Orún sua moradia e dos Araorún, todos os ancestrais e elementais divinizados; o Aiyé, moradia dos Araiyé, os seres humanos, os animais, vegetais, minerais e toda forma da natureza.



Os Orixás, elementais da natureza por excelência, seus guardiões e fiscais, energia indispensável para toda a sobrevivência, com função dupla: reger e cuidar da natureza em si e da natureza humana.




O Homem, objeto principal da sua criação, para de tudo usufruir dentro dos critérios do seu CRIADOR.



A teologia Yorubana, só faz referência ao Orún e ao Aiyé.


Em momento algum, em qualquer circunstância, o faz sobre as palavras - inferno e pecado - as leis, a lógica, o bom senso e os ensinamentos permeiam a conduta das pessoas, até porque estes são termos posteriores à criação do homem pela teologia Yorubana.


No Alto candomblé nada se inventa, tudo se aprende, o “saber” e o “conhecimento” só vem com o Tempo, Ensinamento, Humildade, AXÉ, Merecimento e Compreensão; já a sua prática tende a adaptar-se, ao Crescimento e Modernidade do mundo, professando a sua religião através dos seus rituais.

terça-feira, 2 de março de 2010

*** Orixá exige mesmo a iniciação de uma pessoa ???
































A iniciação no Orixá vem por dois caminhos: um pelo amor e outro pela dor.

Pelo Amor é quando a pessoa identifica-se com a religião e quer iniciar-se para fazer parte mais profundamente dos mistérios do culto !

a vivência de vidas passadas por nós ou algum menbro de nossa familia também determinam o ingresso na religião, se a pessoa tiver uma herança espiritual de algum menbro da familia que era do Orixá ela irá retomar essa missão !
Pela dor é quando uma pessoa escolhe se curar de alguma mazela no candomblé, ou quando ela fala besteiras e tem uma cobrança de suas palavras com o Orixá !!!!





















segunda-feira, 1 de março de 2010

***** Candomblé, seita, religião ou filosofia de vida ?
















Até alguns anos atrás ouvia meus mais velhos em  Salvador referir-se como seita, uma memória antiga da discriminação, uma forma pejorativa de referir-se a uma manifestação religiosa e até mesmo cultural:
sei.ta

sf (lat secta) 1 ant Qualquer escola filosófica, cujas doutrinas ou métodos divergiam dos seguidos geralmente. Rotular como religião:

re.li.gião
sf (lat religione) 1 Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino.


 Para o candomblé é algo limitado pois tem a conciência de interação plena e cotidiana de uma vivência em sociedade baseada na inter-relação de Deus e seres humanos convivendo instantâneamente dentro de suas vidas, um fenômeno sócio-religioso e humanizando seus Deuses, dessa forma entramos no conceito de filosofia de vida, ou seja, várias maneiras de viver e conviver no mundo físico e espiritualista uma forma de viver interagindo diretamente com a natureza, com o homem parte desta e não senhor absoluto do universo