CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os Nomes de Deus


OLORUN, OLODUMARE, OLOFIN
 - OS NOMES DE DEUS.




Segundo a filosofia religiosa africana, O Criador encontra-se em plano tão superior em relação aos seres humanos e, é de tal forma inexplicável e incompreensível, que inútil seria manter-se um culto específico em sua honra e louvor, já que o Absoluto não pode ser alcançado pelo ser humano em decorrência de suas limitações e imperfeições.


Olorun é o nome mais comumente usado para designar a Divindade Suprema, e esta preferência de uso está ligada à sua aceitação por parte dos islamitas e dos cristãos, que adotaram-no como sinônimo, tanto de Alá, quanto de Jeová.


O termo é fácil de ser analisado e traduzido, uma vez que se compõe de duas palavras apenas: "Ol" de Oni ( dono, senhor, chefe ) e "Orun" ( céu, mundo onde habitam os espíritos mais elevados), formando "Olorun" - Chefe, Proprietário ou Senhor do Céu .


O termo "Olodumare" propõe uma idéia mais completa e de maior significado filosófico. Desmembrando a palavra, encontramos os seguintes componentes: "Ol", "Odú" e "Mare", que passamos a analisar separadamente.


O prefixo "Ol" resulta da substituição, pelo "l" das letras "n" e "i" da palavra "Oni" ( dono, senhor, chefe ), prefixo utilizado, modificado, ou em sua forma original, para designar o domínio de alguém sobre alguma coisa (propriedade, profissão, força, aptidão, etc.). Ex.: "Olokun" - Senhor dos Oceanos.


O termo intermediário "Odu", possui diversos significados, dependendo das diferentes entonações na sua pronúncia, que no caso é "ôdu" e que reunido ao prefixo "ol", resulta em "Olodu", cujo significado é: "Aquele que possui o cetro ou a autoridade ", ou ainda: "Aquele que é portador de excelentes atributos, que é superior em pureza, grandeza, tamanho e qualidade".



A última palavra componente "mare" é, por sua vez, o resultado do acoplamento de dois termos "ma" e "re", imperativo que significa: "não prossiga", "não vá ". A advertência contida no termo, faz referência à incapacidade do ser humano, inerente à sua própria limitação, de decifrar o supremo e sagrado mistério que envolve a existência da Divindade.


Olofin é também uma das designações da Divindade suprema. Quando em extrema aflição, os nagôs costumam solicitar o auxílio divino, invocando os três nomes: Olorun! Olofin! Olodumare!


domingo, 6 de março de 2011

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA: A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS


INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA:

A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS



Publicado em: 10/10/2010

1. INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA POR PARTE DOS NEOPENTECOSTAIS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS



Intolerância Religiosa é um termo que denomina a incompreensão, a falta de reconhecimento e respeito por uma determinada religião. Pode-se atribuir como causa diversos fatores como: religiosos, etnocentristas ou simplesmente por falta de conhecimento e informação. Cabe ao presente artigo discutir a intolerância religiosa como fruto de divergência religiosa, ressaltando a perseguição da Igreja Universal do Reino de Deus aos Umbandistas.



Atualmente a lei 11.635 referendada em 27 de dezembro de 2007 pelo Ministro Gilberto Gil e sancionada pelo Presidente Luis Inácio da Silva, estabeleceu o dia 21 de janeiro como o dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa.
Aponta-se como provável causa da escolha por essa data, o aniversario de falecimento da Mãe Gilda de Ogum, mãe-de-santo que sofreu um infarto fulminante após ver seu nome e imagem atrelados a uma reportagem do Jornal Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus em uma matéria intitulada "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes" e ter seu terreiro invadido por fiéis neopentecostais.



É sabido que o Brasil é um dos países mais ricos em diversidades étnicas, constituído por uma pluralidade cultural e religiosa, mas que ainda possui uma dificuldade imensa em conviver com o diferente. Convivemos com o preconceito, tentamos maquia-lo, porém fica nítido que ainda participamos do branqueamento da história, em negar, ou melhor, recusar-se a aceitar a presença da influencia negra e de suas religiões.



No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz afro-brasileiros – a Umbanda em especial - a grande maioria das pessoas são influenciadas pelo senso comum de que a Umbanda é coisa do mal, primitiva e pagã. Aponta-se para tal repudio diversos fatores, porém o que nos chama mais atenção é a crueldade na qual o Bispo Edir Macedo descreve a Umbanda.



Em seu livro publicado pela Editora Gráfica Universal Ltda., no ano de 1990 intitulado "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" O Bispo Macedo faz uma analise preconceituosa, distorcida e ofensiva sobre a Umbanda e suas entidades.

O que nos chama mais atenção para o conteúdo de tal livro, é a influencia que ele exerce sobre os "seguidores" de tal religião. Ele insufla seus fiéis a serem preconceituosos e a desrespeitar os umbandistas.



"... o bispo Macedo tem desencadeado uma verdadeira guerra santa contra toda obra do diabo. Neste livro, denuncia as manobras satânicas através do kardecismo, da umbanda, do candomblé e outras seitas similares; coloca a descoberto as verdadeiras intenções dos demônios que se fazem passar por orixás, exus, erês, e ensina a fórmula para que a pessoa se liberte do seu domínio."



Mesmo tido como um país laico, o Brasil desenvolve uma espécie de mecanismo para recusar religiões de matrizes africanas. Ao longo do período colonial os negros escravos foram proibidos de cultuar seus deuses e impostos à catequese, durante o estado novo observa-se uma grande repressão aos terreiros que ao mesmo tempo em que eram reprimidos também eram explorados, pois para atuarem precisavam pagar altos impostos.



Segundo a Constituição Federal de 1988 em seu 5° artigo observa-se uma grande conquista, pois estabeleceu que todos são iguais perante a lei, garantindo aos residentes no Brasil liberdade, igualdade e segurança.

Cita também a liberdade que o cidadão brasileiro terá para exercer cultos religiosos, garantindo proteção aos locais de culto e liturgia.

"Art. 5°. Todos são iguais perante a lei. [...]

VI. É inviolável a liberdade de consciência e crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Sendo assim conclui-se que a liberdade religiosa tem respaldo constitucional. Porém a realidade é outra. Diariamente observamos atos de preconceito religioso, mas no que concerne a Umbanda pouco se tem feito para evitar. No livro Candomblé – Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa de Rafael Soares, alguns casos citados para ilustrar o grau assustador que o desrespeito e o preconceito aos candomblecistas e umbandistas chamam a atenção:

"Encontradas em orelhão do Shopping Iguatemi, de Salvador, BA, frases que comparam Senhor do Bonfim e Oxalá ao Diabo.A ialorixá Jacira Ribeiro dos Santos, do Terreiro Axé Abassá de Ogum, em Itapuã foi agredida fisicamente e verbalmente por dois evangélicos da Assembléia de Deus."

Como se observa, o dia em que haverá respeito à liberdade religiosa que o cidadão possui garantida por lei está longe. Um exemplo prático de desrespeito é o livro que o Bispo Edir Macedo escreveu, e que consequentemente incitou seus fieis a serem preconceituosos será usado para elucidar a intolerância religiosa a Umbanda por parte dos evangélicos.

"Sempre desejei colocar em um livro toda a verdade sobre os orixás, caboclos e os mais diversos guias, os quais vivem enganando as pessoas e, fazendo delas "cavalos", "burrinhos" ou "aparelhos", quando Deus as criou para serem a Sua imagem e semelhança."



Para quem não possui conhecimento sobre a ideologia umbandista, quem desconhece o significado dos rituais e para quem não sabe o que é e quem são os orixás, as palavras usadas para denominar a Umbanda na concepção de

Edir Macedo pode até ser palpáveis, ainda mais quando mais de 2 milhoes de pessoas o enxerga como ídolo e simbolo de pureza.

Primeiramente associar um Orixá ao demonio para um umbandista, soa como comparar Nossa Senhora Aparecida ao Diabo para um catolico. O desrespeito ao primeiro é o mesmo que o segundo. Um orixá é um deus que representa um elemento da natureza, segundo Patrícia Birman são divindades africanas relacionados com determinados domínios da terra. Não existe nada de diabólico como prega muitas pessoas.

Segundo Vagner Gonçalves os cultos afro-brasileiros, por serem religiões de transe, de sacrifício animal e de culto aos espíritos tem sido associados a certos estereótipos como "magia negra", isso pode ser explicadas pelo fato dessas religiões serem originarias de segmentos marginalizados da nossa sociedade: "coisa de negro". A Umbanda é a síntese do encontro da cultura e da religião de três povos: índios, negros e brancos. A soma das crenças destes três deu base para a doutrina da Umbanda, mais tarde somada a preceitos espíritas da corrente kardecista.

"O povo brasileiro herdou, das práticas religiosas dos índios nativos e dos escravos oriundos da África, algumas "religiões" que vieram mais tarde a ser reforçadas com doutrinas espiritualistas, esotéricas e tantas outras que tiveram mestres como Franz Anton Mesmer, Allan Kardec e outros médiuns famosos. Houve, com o decorrer dos séculos, um sincretismo religioso, ou seja, uma mistura curiosa e diabólica de mitologia africana, indígena brasileira, espiritismo e cristianismo, que criou ou favoreceu o desenvolvimento de cultos fetichistas como a umbanda, a quimbanda e o candomblé."

Edir Macedo parte do pressuposto etnocentrista que as demais doutrinas religiosas são pagas. Somente a doutrina seguida pela Universal do Reino de Deus é a certa. Ao longo de seu livro os orixas são comparados a demonios de forma continua.

"No candomblé, Oxum, Iemanjá, Ogum e outros demônios são verdadeiros deuses (...) Na umbanda, os deuses são os orixás, (...)Na realidade, orixás, caboclos e guias, sejam lá quem forem, tenham lá o nome mais bonito, não são deuses. (...)são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo."

Ao longo de seu livro além de ironizar as mães e pais de santo, os orixás, o culto religioso, fica nitido o desejo de Macedo de insuflar seus fieis contra o povo umbandista. Macedo discreve possiveis formas de contrair um demonio, tais como a convivencia com um umbandista, até a comida feita por um. Algo além do preconceito é a acusação de que a comida feita pelas baianas seriam nocivas a saúde. Fato que sabemos que é inócuo.

"Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas baianas estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago. Quase todas essas baianas são filhas-de-santo ou mães-de-santo que "trabalham" a comida para terem boa venda."

A idéia da possessão também é discutida no livro de Macedo. Sempre de uma forma distorcida e preconceituosa, ele a descreve como "estado em que uma pessoa é possuída por espíritos imundos", mas na verdade trata-se de uma mudança radical, que segundo Patrícia Birman coloca em cheque várias idéias preconcebidas que cultivamos na nossa cultura. Possessão é o contato com o sobrenatural, em poucas palavras, uma pessoa recebe em seu corpo o espírito de outra. Uma vez possuída a pessoa age sobre a vontade do espírito que a tomou. A pessoa possuída se torna irreconhecível. Observe:

"A idéia de possessão não está vinculada somente aos cultos afro-brasileiros. Aqui, em nosso país, esse fenômeno se apresenta em muitos cultos distintos que seguem princípios religiosos variados,"

Até mesmo uma lista de sintomas que indicam que a pessoa está possuída o Bispo Edir Macedo tratou de formular. Esta lista possui 10 sintomas como: nervosismo, dores de cabeça constantes, insônia, medo, desmaios ou ataques, desejo de suicídio, doenças que os médicos não descobrem as causas, visões de vultos ou audição de vozes, vícios e depressão.

Tento formulado os sintomas de como a possessão se manifesta, Macedo faz outra afirmação que deixa nítido o preconceito e o desrespeito:

"O diabo tem tentado confundir o povo e até certo ponto tem sido bem-sucedido. O Brasil, por exemplo, tem mais de um terço da sua população nas suas garras. São mais de 40 milhões de espíritas que estão enganados e precisam conhecer a verdade só revelada por Jesus. O que sobra da população brasileira, ora vive consultando os "guias" nos terreiros, ora vive amedrontada e escondida. Poucos são os que têm a coragem de entregar a Cristo suas vidas e se alistarem na luta contra o diabo e seus demônios."
Edir Macedo afirma que o diabo anda pelas ruas a espera de uma vitima. Um suposto auxiliar da criatura maligna induz os bons a frequentarem os terreiros, para que lá recebam o demonio. Para ele o fato de se entrar em um terreiro, ou mesmo conviver com um umbandista é motivo suficiente para estar possuido por um demonio. Segundo Macedo "Essa religião tão popular no Brasil é uma fábrica de loucos e uma agência onde se tira o passaporte para a morte e uma viagem para o inferno".

Desde o inicio dos tempos, cada sociedade buscou entender o homem e sua origem. A busca pelo entendimento de como a humanidade e tudo que está a sua volta se formou, foi sempre uma duvida em todas as sociedades, e cada uma delas desenvolveram um mito. Segundo a tradição cristã, por exemplo, foi Deus quem criou tudo; já para os africanos foi Olorun o criador do mundo, e ao criar os seus orixas terminaria de criar tudo o que existe na natureza.

Na concepção umbandista, cada individuo tem um orixá, que possui a necessidade de ser alimentado. Ao identificar o orixá, determina-se que tipo de oferenda é a correta. Exemplo: se uma pessoa possui como orixá Iemanjá, é errôneo oferecer a ela cachaça numa encruzilhada, já que esta é a preferência dos Exus. É o orixá que determina fatos que aconteceram na vida de uma pessoa, assim como o comportamento desta. Essa personalidade segue as características de seu orixá.

Ao descrever o que são as oferendas, e como elas são feitas, Macedo resume a oferenda a um orixá como pacto com o demônio para conseguir algo em troca. Em poucas palavras a define assim:

"Muitas pessoas estão hoje nas mãos dos espíritos demoníacos devido à impaciência. (...) Quiseram a solução rápida, a resposta imediata; não se preocuparam com o meio correto para alcançá-las. Conclusão: acabaram perturbadas, doentes e endemoninhadas. É aí que entra a umbanda, quimbanda, candomblé (...), que são os principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria. Os "trabalhos" e "despachos" são exigências dos demônios e podem ser os mais variados possíveis, indo de comidas e bebidas até os mais diversos presentes. (...) Todos os trabalhos e despachos têm uma única finalidade: satisfazer ao "santo" para conseguir favores, a curto prazo. É feito um negócio entre a pessoa e o demônio."



Segundo a crença umbandista, os orixás interferem na nossa vida, por isso os rituais são feitos especialmente para homenageá-los. As oferendas oferecidas a eles são os despachos feitos em locais que imaginam que os orixás possam estar. Exemplo: as oferendas oferecidas a Iemanjá – por ela ser uma divindade das águas salgadas – são feitas no mar ou nas praias.

Ao longo de seu livro Macedo discreve sua igreja como o lugar perfeito para manter-se em contato com Deus, reduz as praticas umbandistas e esotericas a atividades satanicas, cujo o único intuito é causar o mal. Mas vale lembrar que o homem que tanto prega a Deus, ao longo de sua carreira o que mais vem demonstrando é o desrespeito as demais religioes. Um artigo da revista VEJA mostra o grau da intolerancia religiosa que Edir Macedo incita em seus fieis:

"A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa entregou ontem ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Martin Uhomoibai, e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial relatório que diz existir uma "ditadura religiosa" promovida pelos neopentecostais no Brasil. O documento aponta a Igreja Universal do Reino de Deus como propagadora da intolerância religiosa no país, incitando a perseguição, o desrespeito e a "demonização", especialmente da umbanda e do candomblé."

Se o preconceito não estivesse presente nas falas de Edir Macedo, provavelmente não veríamos lastimável fato. Constantemente seu nome está ligado a episódios dramáticos de preconceito. Seu livro "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" foi tão preconceituoso, que sua venda foi suspensa.

"A juíza Nair Cristina de Castro, da 4ª Vara da Justiça Federal da Bahia, determinou na noite de quarta-feira (9) a suspensão da venda do livro "Orixás, Caboclos e Guias Deuses ou Demônios?"escrito pelo bispo Edir Macedo, (...) A ação civil pública contra a venda do livro foi movida pelos procuradores Sidney Madruga e Cláudio Gusmão, que consideraram a obra "degradante, injuriosa, preconceituosa e discriminatória" em relação às religiões afros-candomblé, umbanda e quimbanda."

Sendo assim, fica nítido que o mau exemplo dado por um líder religioso como Edir Macedo só faz aumentar o preconceito contra as religiões de matrizes afro, e anula quaisquer possibilidades de erradicar a intolerância religiosa. Em uma sociedade cujo homem desfruta do livre arbítrio, o que deve predominar é o respeito à pluralidade e as diversas formas de manifestações divinas.

Episódios tristes diariamente chamam nossa atenção no que concerne ao preconceito que os adeptos das religiões afros sentem. Terreiros constantemente são invadidos por fiéis das igrejas neopentecostais da Universal do Reino de Deus. Tal preconceito reflete nas ruas, nas escolas e em locais públicos como hospitais.

Temos que o Brasil considerado como um país laico deveria oferecer liberdade religiosa a todos, mas podemos observar que tal direito restringe-se somente aos papéis, pois aqueles que seguem uma doutrina diferente daquelas predominantes ficam sujeitos a serem rechaçados e ironizados, como é o caso dos milhares de adeptos das religiões afro que acabam por serem denominados por macumbeiros, palavra de significado deturpado, pois na realidade significa antigo instrumento musical de percussão.

Ao longo da historia observa-se diversas formas de se explicar Deus, seja de forma politeísta ou não. Cada sociedade deve ter o direito de expressar suas crenças, assim como todo cidadão também, ainda mais quando existe um respaldo jurídico como no Brasil. Independente de credo ou etnia o importante é manter o respeito à diversidade cultural.



NOTAS



 Religião formada no Brasil (...) por uma seleção de valores doutrinários e rituais, feitos a partir da fusão dos cultos africanos congo-angola, já influenciado pelo nagô, com a Pajelança (...) sofrendo ainda influencias dos malês islamizados, do catolicismo e do espiritismo(...)(CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 242)



Edir Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1945, é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que possui cerca de dois milhões de fieis. Nasceu em uma família católica, e por muitos anos também foi. Sabe-se que por muito tempo também freqüentou terreiros umbandistas, para depois tornar-se evangélico. Até que em 1977 fundou sua própria igreja – Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje além de Bispo, também é proprietário da emissora Rede Record e escritor evangélico.

 MACEDO, Edir, Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demonios? Ed. Grafica Universal, 1990, p. 3-4.
 Constituição da Republica Federativa do Brasil.Disponível em: . Acesso em: 10 junho. 2010, 16:30:30.
 OLIVEIRA, Rafael Soares. Candomblé Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa. 2° ed. Rio de Janeiro, Koinonia, 2007, p.10.
Apud MACEDO... p.6
Apud Ibid., p. 8.
 Etnocentrismo é a visão de mundo que um grupo de pessoas, ou uma sociedade, possui de outra. Muito mais que uma visão de mundo, é uma opinião sobre a cultura daquele povo, vista a partir de um julgamento, utilizando-se a cultura de seu povo como padrão. Trata-se da dificuldade em aceitarmos a diferença.
 Apud Ibid., p. 9-10.
 Apud Ibid., p. 31.
 BIRMAN, Patrícia, O que é Umbanda. São Paulo, Coleção Primeiros Passos, Ed. Abril Cultural/ Brasiliense, 1985, p. 8.
Apud MACEDO... p. 52.
"Olorun Deus Supremo dos iorubas, criador do mundo, mas que não tem altares nem sacerdotes. Criou o homem e a mulher, grosseiramente, de barro. Mandou seu filho Obatalá fazer os detalhes (membros e feições) e insuflou-lhes vida. Encarregou Obatalá (Oxalá) de dirigir o mundo e as criaturas." (CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 192)
 Apud Macedo... p. 77.
Escrito pelo colunista Reinaldo Azevedo
 Comissão vai á ONU acusar Igreja Universal de intolerância religiosa: Revista Veja, 2009. Disponível em:. Acesso em: 11 junho. 2010, 10:15:30.
Juíza suspende venda de livro do bispo Edir Macedo: Folha Online, 2005. Disponível em: . Acesso em 11 junho. 2010, 19:45:30.

terça-feira, 2 de março de 2010

( Mistérios, será que os Deuses existem ? )







Deus existe?


Há 100 anos, a ciência tinha certeza de que descobriria sozinha os mistérios do universo. Hoje, ela busca na religião respostas para grandes questões.

Existe uma luz no fim do túnel? Eu sinceramente espero que sim. Afinal, faz várias semanas - meses talvez - que estou perdido nesse labirinto escuro.



Eu não sei o que fiz para merecer tamanho castigo. De todos os trabalhos que poderiam me dar nesta vida de jornalista, não deve ter abacaxi mais cascudo que esse: uma reportagem sobre Deus... e justo numa revista científica!



Mecânica quântica e matemática do caos a gente até entende - com a ajuda de um bom professor, claro. Deus é outra história. É o infinito imponderável: aquilo que não dá para se pensar nem imaginar. É o infinito inefável: aquilo que não dá para se falar. Ou pelo menos essa é a maneira mais segura de abordar - e encerrar - o assunto sem cair no ridículo nem ofender ninguém.




Mas são os próprios cientistas que não param de falar em Deus. Os últimos dez anos em especial viram nascer um novo filão literário dedicado a discutir o Divino - aquele mesmo, um Criador Onipotente e Onisciente! - à luz da física e da matemática, da química e da biologia.



O culpado, ao que tudo indica, é o físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton na ultra-prestigiosa Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos negros. Hawking, todo mundo sabe, realizou um milagre digno do Grande Arquiteto Celestial ao vender mais de dez milhões de cópias de um tratado de cosmologia e astrofísica, denso o suficiente para fritar o cérebro do público leigo. Publicado em 1988, Uma Breve História do Tempo tornou-se o mais inesperado best seller da história e até filme virou - não sem antes deixar no ar, bem no parágrafo final, uma sedutora insinuação de casamento entre ciência e religião:



"Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos... Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus."




Aviso importante: Hawking nunca se declarou religioso e usa essa idéia mais como uma frase de efeito, uma metáfora do conhecimento total do Universo. Mas não demorou para outro cientista inglês do alto escalão, o físico Paul Davies, extrair todo um livro - e mais um sucesso comercial de arromba! - levando ao pé da letra as palavras do colega. Acolhido com uma chuva de prêmios destinados à divulgação científica, A Mente de Deus (1992) passa em revista a história da ciência e da filosofia para afirmar, com convicção, que tudo no cosmo revela intenção e consciência. Como o próprio Davies resumiu em uma entrevista: "Acredito que as leis da natureza são engenhosas e criativas, facilitando o desenvolvimento da riqueza e da diversidade na natureza. A vida é apenas um aspecto disso. A consciência é outro. Um ateu pode aceitar essas leis como um fato bruto, mas para mim elas sugerem algo mais profundo e intencional."



Estava dada a deixa para uma verdadeira enxurrada de físicos-teólogos atacar o assunto em dezenas de publicações semelhantes, como Ian Barbour, Arthur Peacocke, Hugh Ross, Frank Tipler e Gerald Schroeder. Dessa turma, o mais ativo é o também inglês John Polkinghorne, colega de Hawking no departamento de Física de Cambridge, que - depois de 25 anos de carreira acadêmica brilhante - largou tudo para se ordenar pastor anglicano e escrever seus livros de "cristianismo quântico".



"Eu não abandonei a física porque estava desiludido com ela, muito pelo contrário: continuo acompanhando o assunto com o máximo interesse. Só não faço mais pesquisa científica. Mas boa parte dos meus livros consiste em ensinar física quântica aos leigos", disse ele à SUPER. "Acredito que precisamos de ambas as perspectivas, a científica e a religiosa, para compreender esse mundo admirável em que vivemos."



Alguma transformação radical deve ter ocorrido para que a crença em Deus, assunto que havia se tornado tabu em laboratórios e universidades, renascesse com tanta força. Cem anos atrás, a ciência se projetava como a própria imagem do progresso e da civilização: decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Era como se estivéssemos em um trem, atravessando planícies ensolaradas, com uma visão cada vez mais ampla de tudo que nos cercava. Nós mesmos havíamos nos tornado os senhores do universo. Ninguém necessitava mais de fantasias como "providência divina". Conceitos desse tipo - e entidades sobrenaturais em geral - passaram a ser considerado ou uma infantilização neurótica (Freud) ou um meio das classes dominantes subjugarem os pobres e oprimidos (Nietzche e Marx).



De repente, sumiram de vista as planícies, a luz do sol e os próprios trilhos do trem. Um terremoto, depois outro, haviam nos atirado dentro de um túnel escuro, onde as velhas certezas voltavam a se converter em mistérios. Esses dois cataclismas eram justamente a física quântica e a matemática do caos.



"Ambas teorias mostravam que existe uma imprevisibilidade inevitável espalhada por toda a natureza. Não acho que isso deva ser interpretado como uma infeliz ignorância de nossa parte e sim como sinal de que os processos físicos são muito mais abertos do que a mecânica de Newton sugeria. Quando falo 'abertos', estou querendo dizer que existem outros princípios causais em ação, acima e além das trocas de energia que a física descreve", afirma Polkinghorne.



O físico brasileiro Ricardo Galvão, da Universidade de São Paulo - que se diz "bastante religioso" - completa o quadro: "A partir das equações da mecânica de Newton e da teoria do eletromagnetismo de Maxwell, a ciência clássica dava a impressão de que, conhecendo essas leis matemáticas, conseguiríamos descrever todo o Universo. É o que se chama de conceito determinístico, segundo o qual se acreditava que, conhecendo as condições iniciais de um evento ou sistema, poderíamos prever toda sua evolução futura. Mas já no final do século passado, o matemático e físico francês Henri Poincaré (1854-1912) tocou no problema de que essas condições iniciais nunca são bem conhecidas. Ele mostrou que mesmo a mecânica de Newton não era determinística no sentido que se pensava. Aí, veio a mecânica quântica e introduziu o conceito de que é impossível se conhecer simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula. Esse é o Princípio da Incerteza de Heisenberg, que realmente derrubou aquela atitude científica do tipo 'conhecemos tudo e podemos prever o futuro' ".



Foi justamente o Princípio da Incerteza que fez Einstein soltar, em protesto, sua frase mais famosa: "Deus não joga dados!". A imprevisibilidade quântica era demais para ele aceitar. Einstein, como se sabe, falava o tempo todo em Deus - até o dia em que o encostaram na parede e perguntaram se ele acreditava mesmo no Dito Cujo. "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos", respondeu o criador da teoria da relatividade, citando o filósofo holandês do século XVII para quem Deus e o Universo seriam a mesma "substância". Tal entidade, para Spinoza, só poderia ser acessível à mente humana em dois de seus infinitos atributos: o pensamento consciente e o mundo das coisas materiais.



A definição de Einstein decepcionou muita gente - John Polkinghorne, inclusive - por excluir o que costuma se chamar de "Deus pessoal". Assim, até um ateu convicto como Carl Sagan aceita a divindade. "A idéia de Deus como um gigante barbudo de pele branca, sentado no Céu, é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que rege o Universo, então claramente existe um Deus. Só que é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!", disse o famoso astrônomo americano.



Sagan foi um dos raros cientistas a se declarar ateu. A grande maioria prefere o termo "agnóstico", criado em 1869 pelo biólogo inglês Thomas Huxley - apelidado "buldogue de Darwin" pela sua incansável defesa da teoria da evolução em um dos maiores conflitos da história entre ciência e religião. Há uma grande diferença entre as duas posições: dizer-se ateu é recusar a existência de um Deus, enquanto o agnóstico ("sem conhecimento", em grego) admite que nada sabe sobre dimensões sobrenaturais no Universo - e que o mais provável é que seja impossível superar tal ignorância. É essa combinação exemplar de humildade e a diplomacia - nada a ver com o cão-de-guarda que usaram para batizar Huxley! - que define até hoje a postura de quase todos os cientistas não-religiosos.



Mesmo assim, o americano Allan Sandage - um dos astrônomos mais respeitados mundialmente, hoje com 74 anos - considerava-se ateu com todas as letras, até os 50 anos. Sua conversão ao cristianismo veio de repente, provocada pelo "simples desespero de não conseguir responder só com a razão perguntas como 'por que existe algo ao invés de nada?'."



"Foi o meu trabalho que me levou à conclusão de que o mundo é muito mais complicado do que pode ser explicado pela ciência. Só através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência", afirma ele. "A ciência torna explícita a incrível ordem natural, as interconexões em vários níveis entre as leis da física e as reações químicas encontradas nos processos biológicos da vida. Por que será que os elétrons têm todos a mesma carga e a mesma massa? A ciência só pode responder questões bem específicas, do tipo 'o que?', 'quando?' e 'como?'. O seu método de investigação, por mais poderoso que seja, não pode responder ao 'por que?'."



Enxergar Deus na inteligência com que a natureza se organiza - manifesta através de leis matemáticas - não é só a porta de entrada da religião para contemporâneos como Sandage e John Polkinghorne, como uma tradição que vem desde a própria a raiz do conhecimento científico. Nem o ateísmo confesso de Bertrand Russell - lógico, matemático e filósofo reconhecido como um dos pensadores mais brilhantes do século XX - o impediu de valorizar essa linha peculiar de devoção: "A combinação de matemática e teologia, que começou com Pitágoras, caracterizou a a filosofia religiosa na Grécia Antiga, na Idade Média e chegou à modernidade com Kant. Tanto em Platão como em Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza e Leibniz há essa ligação íntima entre religião e razão, entre aspiração moral e admiração lógica do que é atemporal."



Para quem compartilha desse espírito pitágorico, o melhor retrato de Deus já não está nas pinturas de Miguelângelo e sim nas fractais - aquelas imagens geradas por equações matemáticas que estão entre as mais incríveis descobertas relacionadas à teoria do caos. Essa nova geometria, até então oculta na natureza, apareceu - entre as décadas de 60 e 70 - tanto nos estudos de variações climáticas realizadas pelo metereologista Edward Lorenz, quanto nas estatísticas visualizadas em computador pelo matemático Benoit Mandelbrot. O que as fractais tanto mostram que, para alguns, adquire um caráter de revelação divina? Que processos aparentemente irregulares como a ramificação de uma árvore, ou o recorte de uma costa marinha, seguem um desenho-padrão que, por sua vez, obedece uma fórmula matemática.



Mais ou menos na mesma época - começo dos anos 70 - um jovem físico chamado Fritjof Capra estava sentado na praia quando teve uma espécie de êxtase místico, provocado pela visão das ondas em sincronia com sua respiração. O resultado dessa sua experiência está em O Tao da Física, best seller que, apesar de desprezado pela comunidade científica, ajudou a lançar o movimento new age, explorando paralelos entre a física quântica e as principais religiões orientais: hinduísmo, budismo e taoísmo. Não faltam no livro citações dos próprios Werner Heisenberg e Niels Bohr - dois dos pais da mecânica quântica - sobre as afinidades entre suas descobertas e a visão de mundo contida nestas tradições religiosas.



O conceito chinês do tao, destacado no título do livro - algo como fluxo ou ritmo universal - não espelha apenas a "dança cósmica" que Capra vê na física quântica. Pode igualmente ser associado aos padrões da natureza revelados nas fractais. Mas sua inspiração inicial mostra uma das principais limitações da ciência nesse tipo de comparação: ela não pode depender de experiências pessoais e instranferíveis, como o transe de Capra à beira-mar. O físico Guimarães Ferreira, da Unicamp - outro cientista brasileiro religioso - acredita que esse é um bom motivo para não se misturar as duas coisas: "Deus é um Ser que gosta de ser pessoal", diz ele. "É muito mais fácil encontrá-lo em nossas experiências de vida do que no laboratório. O maior pensador do mundo ocidental, Santo Agostinho, já dizia que é mais fácil achar Deus dentro de si do que no mundo exterior."



No outro extremo está o físico Frank Tipler, crente de que a ciência pode - e deve - ser utilizada para provar a existência de Deus, como princípio criador, organizador, onisciente, onipotente etc, como rezam as escrituras. Tipler escreveu todo um livro, The Physics of Immortality (1994), apresentando a versão mais radical de uma visão compartilhada com mais cautela por John Polkinghorne, Paul Davies e os cientistas que apóiam o chamado princípio antrópico - a mais surpreendente teoria dos últimos tempos. Para eles, o modo como o caos espontaneamente gera ordem e todo o cosmo parece conspirar a favor da existência de vida revela atributos divinos como consciência e intenção. A vida, assim, deve ser vista como nada menos que um milagre; e a vida consciente, um milagre maior ainda. O princípio antrópico postula que o Universo foi criado da maneira que nós o percebemos justamente para ser observado por criaturas inteligentes (nós mesmos!) e que é nossa conciência que seleciona uma realidade entre todas as probabilidades quânticas. Não custa lembrar que Brandon Carter, que apresentou pela primeira vez o princípio antrópico em 1973, não é nenhum guru aloprado e sim um cientista respeitadíssimo entre seus pares por suas pesquisas na linha-de-frente da nova física.



Tem mais: a teoria mais aceita para explicar a origem do Universo - a explosão de uma bola de energia - também vale para esses estudiosos como sinal de uma criação intencional e inteligente. Como diz o próprio astrônomo que batizou essa teoria de Big Bang, o inglês Fred Hoyle: "Uma explosão num depósito de ferro velho não faz com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional!"



E o que teria existido, então, antes do Big Bang? Os físicos são unânimes em dizer que é impossível saber. Enquanto houver mistérios intransponíveis para a mente humana, idéias de divindade não só sobrevivem, como proliferam - e até são atualizadas cientificamente. Quando Stephen Hawking fala de uma "teoria completa" que nos permitiria conhecer a "mente de Deus", está se referindo à busca principal da física no século XX: um modelo que unifique a teoria da relatividade, que explica o movimento dos corpos celestes, e a mecânica quântica, que descreve o outro extremo: energia e matéria no nível subatômico. Aqui reside um dos mais chocantes enigmas quânticos: ondas de energia podem se comportar como partículas de matéria e vice-versa.



A própria mente humana - acreditam psiquiatras, neurologistas e companhia - guarda talvez mais mistérios que o Universo lá fora. Como afirma o físico brasileiro Newton Bernardes, da Unicamp, sem nenhuma crença religiosa: "A ciência depende da linguagem. A religião, não. Ela está no campo do indizível e aí temos que abandonar a razão: só resta a fé. Mas pode existir, sim, conhecimento sem linguagem. Essa é uma limitação da ciência."



Enquanto isso, no Instituto de Física Aplicada da USP, Ricardo Galvão pondera a localização exata de um conhecimento sem linguagem: a criatividade, presente tanto nas artes como na ciência mais exata. "A própria teoria da relatividade, é difícil imaginar como o Einstein chegou a ela - não foi por dedução. Idéias científicas precisam ser formuladas matematicamente, mas na hora surgem muitas vezes de um estalo." E de onde, então, vêm essas magias chamadas intuição e inspiração? Existem hipóteses, é claro, como o inconsciente de Freud. Mas, por enquanto, só Deus sabe!

segunda-feira, 1 de março de 2010

***** Candomblé, seita, religião ou filosofia de vida ?
















Até alguns anos atrás ouvia meus mais velhos em  Salvador referir-se como seita, uma memória antiga da discriminação, uma forma pejorativa de referir-se a uma manifestação religiosa e até mesmo cultural:
sei.ta

sf (lat secta) 1 ant Qualquer escola filosófica, cujas doutrinas ou métodos divergiam dos seguidos geralmente. Rotular como religião:

re.li.gião
sf (lat religione) 1 Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino.


 Para o candomblé é algo limitado pois tem a conciência de interação plena e cotidiana de uma vivência em sociedade baseada na inter-relação de Deus e seres humanos convivendo instantâneamente dentro de suas vidas, um fenômeno sócio-religioso e humanizando seus Deuses, dessa forma entramos no conceito de filosofia de vida, ou seja, várias maneiras de viver e conviver no mundo físico e espiritualista uma forma de viver interagindo diretamente com a natureza, com o homem parte desta e não senhor absoluto do universo