CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A traição do Carneiro contra Oya



Olódúmarè : A mão que abençoa jamais pode amaldiçoar (Ogbè Ọ̀sá)

O texto a seguir foi retirado da tradição Cubana do Odù Ogbè Ọ̀sá. 

É um pataki sobre a traição do carneiro contra Oya, fato que definiu uma relação com abrangência sobre toda a religião.

O significado é muito rico e não se pode deixar de refletir sobre o seu conteúdo. 

Como toda metáfora, mais do que a estória que define a separação entre Oya e Carneiro, esse texto diz que uma mão que já abençoou uma outra jamais poderá amaldiçoar. 

Não se deve levantar a mão, ou acender uma vela que não seja para o bem de uma pessoa que o abençoou um dia. 

Isso define de uma forma muito definitiva a relação que deve existir entre pessoas nessa religião. 

É muito comum pessoas que foram muito ligadas se desentenderem e depois ficarem trocando issultos e feitiços.

Infelizmente essa é a grande ética que existe nos membros dessa religião. 

Contudo se a relação entre duas pessoas já foi maior do que apenas amizade se estamos lidando com filhos e padrinhos ou com filhos e babalorixás, então, jamais nem um nem outro deve levantar sua mão. 

Deixe para Olódúmarè resolver essa questão no julgamento dele.

Oya e o Carneiro foram uma vez os melhore amigos. 

Ela confiava a ele todo os seus pensamentos, seus medos e seus segredos. 

Até quando ela não tinha como contar com um Orixá, lá estava o Carneiro para ajudar e ela o amava acima de todas a coisas.

Os inimigos de Oya colocaram um prêmio por sua cabeça; Suas andanças pelo mundo causam problemas para eles e eles colocaram um prêmio por sua cabeça. 

O Carneiro ouviu rumores dos seus anseios, mas como a estória foi passando entre todos na terra, a estória mudou. 

O que o Carneiro ouviu foi que Olorun, ele mesmo, queria destruir Oya, e ele estava oferecendo o presente da imortalidade para aquele que a trouxesse ao seu palácio.

Em cobiça o Carneiro foi até Olorun e disse-lhe. "pai, eu tenho ouvido sobre seu ódio por Oya e eu posso trazê-la aqui para você. 

Eu posso enganá-la e você poderá ter a cabeça dela como você quiser".

Olorun ficou abalado. ele, também, tinha ouvido que Oya tinha grande inimigos que queriam a sua morte. 

Ele também tinha ouvida que entre todas as coisas sobre a face da terra a que ela mais amava era o carneiro. 

"- e como, Olorun perguntou, você será capaz de trazê-la para mim?".

"- É simples meu Pai", ele disse. " 

Oya confia em mim a sua vida, nós somos os melhores amigos que existe. 

Eu a trarei à você assim que você concordar em me dar o prêmio que ofereceu por ela" .

"- E o que poderia isso ser, carneiro?".

"- A vida eterna. Isto foi o que você prometeu, não é?"

Olorun ao ouvir isso ficou furioso, mas sua face estava calma. 

"- Carneiro, ele disse, traga Oya para mim e eu lhe darei o que deseja, vida eterna. 

Falhe e no lugar da cabeça de Oya eu irei ter a sua".

Ele dispensou o carneiro; tão logo o animal deixou seu palácio, Olorun transportou a si mesmo para a casa de Oya.

"- Oya, ele alertou-a, você tem muitos inimigos que desejam a sua cabeça. 

Mas, nenhum deles pode trair você como seu melhor amigo. 

O carneiro está vindo para entregar você nas mãos deles. 

Você não pode deixá-lo te destruir" .

"- Pai, ela disse desacreditando, certamente você está brincando. 

Ele é meu melhor amigo, aquele no qual eu acredito acima de todas as coisas".

"- Isto é verdade, Oya. 

Ele irá oferecer a você um lugar seguro e ao invés disso ele a trará até mim. 

Para, você ver, o carneiro acredita que eu quero a sua cabeça, e ele me veio hoje oferecer trazer você até mim. 

Em troca da sua cabeça ele quer a vida eterna".

A raiva soou como um sino dentro de Oya, tomando conta de si e fazendo o seu sangue ferver. 

Olorun estava além da mentira, mas o carneiro era o seu maior amigo. 

Ele sabia todos os seus segredos. 

Os relâmpagos brilhavam em seus olhos quando ela disse: "- Eu irei destruí-lo!".

"- Não Oya" ele a acalmou com sua voz gentil. "amigos jamais podem trair amigos e você não pode maldizer a quem um dia você abençoou. 

Quando o carneiro vir para trair você, você vá com ele. 

Mas antes coloque seus 9 ides de cobre em uma caixa. 

Assim que você chegar nos muros do meu palácio, sacuda a caixa vigorosamente e um enorme redemoinho ira descer do céu e tirar com segurança do caminho. 

Meus guardas irão prender o carneiro nos muros do palácio e eu mesmo irei puní-lo por esta traição. 

Ele sabe que o custo da falha e grande e eu mesmo irei tirar a sua cabeça com minhas mãos."

Olorun parou por um momento e então ele abraçou Oya. 

" Minha filha, os seres mortais fazem coisas estranhas devido a cobiça. 

Mas o carneiro sabe que você o ama. 

Talvez mesmo agora ele esteja repensando este seu plano vil. 

Talvez ele não venha. 

Talvez ela não trai você."

Ouve então ou ruidoso barulho na porta de Oya. 

"- É ele, disse Olorun, "Eu preciso ir", E sua figura se desmanchou no ar.

Oya abriu a porta, e o carneiro, agitado e desesperado por dentro, "Minha amiga", ele disse com sua voz embargada, " - seus inimigos estão vagando na floresta e são muitos. 

Ele irão vir aqui para matar você. Venho comigo e eu irei levá-la a um lugar seguro".

Ela controlou sua raiva e rapidamente disse "- Eu preciso pegar uma coisa primeiro" .

" Não temos tempo!"

MAs antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa Oya estava em seu quarto. Ela colocou nove idé de cobre em uma caixa, como Olorun disse e montou nas costas do carneiro. 

" Certamente isto não está acontecendo, ela pensou, talvez... o carneiro esteja me pegando para levar longe de Olorun". 

Em um instante o Carneiro estava correndo pela floresta com Oya nas suas costas. 

O caminho familiar não deixou dúvida para Oya e ela finalmente acreditou que ele a estava levando para Olorun. 

Os portões do palácio cresceram na frente deles e Oya como Olorun havia instruido, sacudiu a caixa vigorosamente. 

Um imenso tornado desceu e levou Oya com ele para os céus, longe da visão do carneiro. Ele congelou. 

Assim que o tornado se foi ele foi rodeado pelos guardas de Olorun que o trouxeram diante do trono.

CARNEIO, gritou o normalmente gentil Olorun, " Você se envolveu em grandes crimes hoje. 

Você buscou destruir sua melhor amiga, aquela que o amava acima de todas as coisas. Você pensou que eu queria a cabeça de Oya. 

Eu a amo asim como amo todas as minhas crianças na terra. Oya tem muitos inimigos, isto é verdade, mas nunca eu fui o seu inimigo. Eu jamais poderia trair aquilo que eu uma vez abençoei.

A ira de Olorun cresceu e encheu a enorme sala.

 " Pelo motivo de você estar desejando entregar uma de minhas mais amadas filhas nas mão frias da morte, eu sentencio você carneiro à morte. 

Sua cabeça é minha assim como todas a cabeças pertencem a mim. 

Eu irei tomar a sua cabeça agora!.

Eu foi assim que o carneiro encontrou a morte devido à sua traição a Oya. 

Sua cabeça foi enviada aos inimigos de Oya como um sinal de Olorun que ele mesmo jamais iria tolerar que qualquer coisa fosse feito à ela. 

Os inimigos de Oya fugiram e ela nunca mais foi traída novamente.

Desde esta traição, Oya jamais estará na mesma sala com o carneiro que foi uma vez o seu melhor amigo, seu confidente e tentou destruí-la. 

Por causa desta estória, os filhos de Oya jamais coroarão filhos de Yemanjá e Xango e também estes Orixás poderão coroar filhos de Oya. 

O motivo não é uma guerra entre eles, mas o fato deles comerem carneiro. 

Assim em qualquer sala que exista uma Oya não poderá haver um assento cujo Orixá tenha comido carneiro.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A LENDA DE OXUMARÉ




Numa terra longínqua, muito além das águas salgadas, existe um reino encantado chamado África, onde o homem vive em total harmonia com a natureza. 

Alguns desses homens são considerados deuses e fazem parte do culto yorubá. 


Esses deuses são também chamados de orixás e cada um possui símbolos ligados à natureza. 


Neste artigo, falaremos sobre o orixá Oxumaré (Ossumaré), dono de Iká, rei da nação Jeje, príncipe das cores, o primeiro babalaô de toda a Terra, a serpente que segura o mundo. Seus símbolos são as serpentes (Dã) e o arco-íris (iká). 


Seu metal é a prata e o ouro. Seus dias de culto são as terças-feiras. Suas cores são o amarelo e o preto ou verde e preto.


Oxumaré viveu no antigo Dahomé (que depois passou a se chamar Mahi), e era filho do rei da Estola das Cores Brilhantes e de Nanã (Senhora do Barro). 


Era forte, muito ágil e possuidor de grande sabedoria, porém, não tinha grandes bens materiais. 


Por isso foi trabalhar para o rei de Oyó, chamado Xangô (Sangô). 


As funções de Oxumaré em Oyó eram recolher as chuvas que caíam na Terra e retorná-las para as nuvens, e dirigir as forças que produzem o movimento. Esse trabalho ficava mais fácil quando ele se transformava em serpente. 


Ele envolvia a Terra para que não se separasse, pois seria uma grande catástrofe caso isso acontecesse. 


Quando Oxumaré assumia a forma de serpente, ninguém sabia dizer se era uma serpente macho ou fêmea, o que lhe dava segurança para disfarçar e fugir de alguns inimigos que entravam em seu caminho. 


Oxumaré usava periodicamente a versão macho da serpente, quando era chamado de Becém; outras vezes, quando assumia as características femininas, era chamado de Freqüém. 


Esses nomes, no entanto, variam de acordo com a nação em que o orixá esteja sendo cultuado, a exemplo de Keto, que é Oxumaré e Ewá Oxumaré proporcionava riqueza e prosperidade às pessoas, mas nunca recebia nada das mesmas. 


Os seus feitos correram mundo e, um dia, chegaram aos ouvidos do rei Olofim, da aldeia Ifé, que logo se interessou em conhecê-lo.

Olofim, ao ver o poder de Oxumaré, passou a explorar também seus serviços, consultando-o três vezes por semana. 

Oxumaré sabia decifrar os sonhos com precisão e clareza e tinha também o dom da visão, o que lhe permitia prever o futuro. 


A fama de Oxumaré foi ouvida pela rainha Olocum, que resolveu chamá-lo para saber o que poderia ser feito para curar o seu filho, que, nas fortes crises que tinha, rolava no chão como se fosse um animal e, às vezes, sobre fogareiros em brasa, como se estivesse possuído. 


Oxumaré viu aquela triste cena, mas não se apavorou. 


Cuidou do infante com tanto zelo e carinho, que o mesmo ficou curado. 


A rainha ficou tão satisfeita, que, para agradecer, deu a Oxumarê muitos presentes e cobriu-lhe com o mais belo e mais puro azul existente em seu reino.



Voltando ao reino de Ifé, Oxumaré brilhava como o próprio céu em suas vestes azuis, o que fez com que o rei Olofim ficasse enciumado e se revoltasse com a rainha Olocum. Então, o rei presenteou Oxumaré com tudo em dobro do que a rainha tinha lhe dado e vestiu-o com o mais belo vermelho que havia em seu reino.



Oxumaré ficou rico, mas nem sequer poderia imaginar o que ainda mais teria. 


Um dia, fora chamando diante do Rei dos Reis, dos Grandes Soberanos, Criador de Toda a Vida, Senhor Olodumaré, que sofria de um mal nos olhos. 


Oxumaré lhe curou a visão, e o velho ficou tão satisfeito que não quis mais que ele retornasse à Terra.


Conta-se que depois que Oxumaré foi para o céu, ninguém foi colocado em seu lugar, cumprindo a missão que Xangô lhe designara. 


Então, devido ao acúmulo de serviço, caiu uma forte chuva na África, matando muitas pessoas e animais. Sentindo-se culpado por toda aquela desgraça, Oxumaré começou a se lamentar. 


Olodumaré, ao ver o amigo naquele total desespero, socorreu-lhe e, para recompensá-lo por sua bondade e preocupação com os seres da Terra, transformou-o na mais bela cortina de cores. 


Assim, nosso deus-serpente se transforma não só em lindas Dã, mas também no belo arco-íris que surge no céu depois das fortes chuvas, trazendo riqueza e prosperidade para os filhos da Terra. 


Isto significa que nunca mais Oxumaré deixou de zelar pela Terra, fazendo com que seus filhos se sintam seguros, e garantindo que nunca mais a Terra se desvaneça em águas.


Os devotos do deus Oxumarê depositam na terra o cordão umbilical de seus filhos, plantando sobre ele uma palmeira, que deve ser devidamente cuidada, pois dela dependerá a saúde e o sucesso da criança. 


Este velho costume significa a integração do homem à natureza.


Babado da prosperidade: Cozinhe duas batatas-doces com a casca. 


Descasque-as e amasse-as com um garfo até virar uma massa. 


Misture nessa massa um pouco de mel para dar liga. 


Com ela, faça uma flor de 14 pétalas, moldando-as com uma colher, mas deixando o meio livre como se fosse um lago. 


Coloque em cada ponta uma moeda corrente. 


No meio (o lago), coloque uma gema de ovo crua. 


Salpique por cima de todo o prato (que deve ser de louça branca) amendoins torrados, limpos e triturados. 


Leve à beira de um poço, lago ou de uma represa e ofereça à Oxumaré, pedindo ao mesmo que lhe dê saúde e prosperidade. 


Acenda uma vela branca ao lado do prato e reze a Oxumare. 


Em seguida, grite por Oxumaré, dizendo Arrobôboia Oxumaré!!!, e faça seu pedido.



terça-feira, 24 de julho de 2012

Exu: A Dialética da Religiosidade Africana que reflete na Religião Afro-Brasileira.



O que é dialética?


A dialética vem do grego e do latim (dialectica e dialectice). 


É um método que se assenta na contradição e contraposição de ideias, gerando outras ideias a partir de argumentação. 


Literalmente significa “caminho entre as ideias”, a arte do diálogo. 


De acordo com os intelectuais a dialética se fundamenta na filosofia ocidental e oriental. 


Percebamos então que: existem segundo a cosmovisão ocidental dois nomes de filósofos fundadores da dialética Zenão de Eleia (490-430 a.C.) e Sócrates (469-399 a.C.). Diz-se que os métodos dialéticos mais conhecidos são os de Hegel (1770-1831). 


Contudo concordando com Ngoenha (1993)[1]quando faz analisa as correntes filosóficas explicitando que a filosofia ocidental descarta a filosofia africana.  


Ora, se os filósofos gregos estudavam na biblioteca da cidade de Alexandria, e essa era uma importante cidade egípcia, logo a filosofia nasce no Egito, na África com filósofos africanos. Os filósofos ocidentais que beberam na fonte da filosofia africana.


A África sendo o berço da humanidade, naturalmente não teria sobrevivido até a colonização sem tradição e filosofia. 


Munanga (2009)[2], Ki-zerbo (2006)[3], Luz (2000)[4], Altuna(1985)[5], Obenga(2004)[6] afirmam que existe uma filosofia, ou seja, uma cosmovisão africana que concluímos ser banto e ioruba. 


As duas fazem parte do cenário brasileiro e estão imbricadas nas religiões de matriz africana. 


Existe uma unidade na diversidade de acordo com os autores acima, o que caracteriza o continente africano: religiosidade, energia vital (para nós da religião de matriz africana chamamos de axé) e valorização da natureza; circularidade, o que explica dançarmos o candomblé numa roda e jogarmos capoeira também numa roda. 


Nesse espaço célebre a hierarquia respeita a antiguidade, ou seja, quem é mais velho no santo ou na capoeira, o mestre. 


O poder não passa pela posse financeira.


A filosofia tradicional africana não contempla a contradição (bem x mau) / (céu x inferno). 


Essas dois adjetivos se inseriram na realidade africana a partir do islamismo, catolicismo e na atualidade com o neo-pentencostalismo. 


A filosofia africana crê que o mundo deva ser equilibrado. 


Esse equilíbrio segundo a filosofia egípcia é Maat[7]. 


O mau e bem são energias que nos circundam, e a energia negativa (que não é a personificação da imagem do demônio, nem do satanás), é a causa do desequilíbrio. 


Logo, nessa cosmovisão os humanos podem direcionar bem ou mal as energias, causando bem ou mal para si e para os outros. 


Por que a filosofia Ubuntu, consiste em ‘existimos por que os outros existem’, e esses outros, são todos os seres animais, vegetais e minerais. 


Certamente a energia negativa provoca desequilíbrio e resulta nas nossas faltas. 


Essas faltas podem ser perdoadas, amenizadas e promover equilíbrio e são corrigidas por meio das oferendas a Deus, através dos Oirxás e Ancestrais.


A vida deve ser vivida agora, e a felicidade deve fazer parte da vida, vida essa que está respeitando um ciclo entre dois mundos o material Aiyê e o espiritual Orun. 


Somos todos/as energia, que num movimento circular retorna à sua origem: Deus. 


A morte é um rito de passagem para a vida espiritual, logo, a morte inexiste. Morrer é, não deixar descendentes. 


A religião tradicional africana é uma religião de vida e não de sacrifícios, nem de morte. Por essa razão dançamos e cantamos quando celebramos. A energia está na música e no som dos tambores, a nossa voz é o tambor!


Nessa religião existem: Deus entidade inquestionável; os seres divinizados (orixás), entidade representantes dos fenômenos da natureza e os ancestrais (eguns)[8]. 


Dentre os orixás existe um, o EXU, ele  me fez pensar na filosofia e na dialética. 


Por que esse orixá é tudo que há na natureza humana, amor, ódio, graça, sensatez, insensatez, humor, logo cada homem e mulher possui um EXU! 


O que é o EXU??


BIBLIOGRAFIA ELETRÔNICA


Disponível em . Acesso em 29 jan, 2012. 15:27.


Dicponível em:


[1] NGOENHA, Severino Elias. Filosofia Africana: das independências às liberdades. Maputo: Edições Paulistas. 1993.


[2] KABENGELE, Munanga. Negritude: usos e sentidos. Coleção Cultura Negra e Identidade. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2009.


[3] Ki-ZERBO, Joseph. Para Quando África? Entrevista com René Holenstein. Tradução Carlos Aboim de Brito. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.


[4] LUZ, Marco Aurélio de Oliveira. Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira. 2a Edição. Salvador: EDUFBA. 2000.


[5] ALTUNA, Pe. Raul Ruiz de Assúa. Cultura Tradicional Banto. Lunada: Secretariado Arquidiocesano de Pastoral. 1985.


[6] OBENGA. Teòphile. African Philosophy – The Pharaonic Period: 2780-330 BC. Dakar: Per Ankh, 2004.


[7] Op. cit.


[8] Os mortos. Esses são homenageados nos cultos dos Egunguns, masculinos e Geledés, femininos. Informações fundamentadas poderão ser encontradas em: SANTOS. Juana Elben. Os Nagô e a  Morte: Padè, Asèsè e o Culto do Egun na Bahia. Tradução Universidade Federal da Bahia. 13ª Edição. Petrópolis: Vozes. 2008. 


[9] Os mortos. Esses são homenageados nos cultos dos Egunguns, masculinos e Geledés, femininos. 


Informações fundamentadas poderão ser encontradas em: SANTOS. 


Juana Elben. Os Nagô e a  Morte: Padè, Asèsè e o Culto do Egun na Bahia. 


Tradução Universidade Federal da Bahia. 13ª Edição. Petrópolis: Vozes. 2008. 


Por Rosivalda Barreto



domingo, 6 de março de 2011

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA: A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS


INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA:

A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS



Publicado em: 10/10/2010

1. INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA POR PARTE DOS NEOPENTECOSTAIS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS



Intolerância Religiosa é um termo que denomina a incompreensão, a falta de reconhecimento e respeito por uma determinada religião. Pode-se atribuir como causa diversos fatores como: religiosos, etnocentristas ou simplesmente por falta de conhecimento e informação. Cabe ao presente artigo discutir a intolerância religiosa como fruto de divergência religiosa, ressaltando a perseguição da Igreja Universal do Reino de Deus aos Umbandistas.



Atualmente a lei 11.635 referendada em 27 de dezembro de 2007 pelo Ministro Gilberto Gil e sancionada pelo Presidente Luis Inácio da Silva, estabeleceu o dia 21 de janeiro como o dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa.
Aponta-se como provável causa da escolha por essa data, o aniversario de falecimento da Mãe Gilda de Ogum, mãe-de-santo que sofreu um infarto fulminante após ver seu nome e imagem atrelados a uma reportagem do Jornal Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus em uma matéria intitulada "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes" e ter seu terreiro invadido por fiéis neopentecostais.



É sabido que o Brasil é um dos países mais ricos em diversidades étnicas, constituído por uma pluralidade cultural e religiosa, mas que ainda possui uma dificuldade imensa em conviver com o diferente. Convivemos com o preconceito, tentamos maquia-lo, porém fica nítido que ainda participamos do branqueamento da história, em negar, ou melhor, recusar-se a aceitar a presença da influencia negra e de suas religiões.



No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz afro-brasileiros – a Umbanda em especial - a grande maioria das pessoas são influenciadas pelo senso comum de que a Umbanda é coisa do mal, primitiva e pagã. Aponta-se para tal repudio diversos fatores, porém o que nos chama mais atenção é a crueldade na qual o Bispo Edir Macedo descreve a Umbanda.



Em seu livro publicado pela Editora Gráfica Universal Ltda., no ano de 1990 intitulado "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" O Bispo Macedo faz uma analise preconceituosa, distorcida e ofensiva sobre a Umbanda e suas entidades.

O que nos chama mais atenção para o conteúdo de tal livro, é a influencia que ele exerce sobre os "seguidores" de tal religião. Ele insufla seus fiéis a serem preconceituosos e a desrespeitar os umbandistas.



"... o bispo Macedo tem desencadeado uma verdadeira guerra santa contra toda obra do diabo. Neste livro, denuncia as manobras satânicas através do kardecismo, da umbanda, do candomblé e outras seitas similares; coloca a descoberto as verdadeiras intenções dos demônios que se fazem passar por orixás, exus, erês, e ensina a fórmula para que a pessoa se liberte do seu domínio."



Mesmo tido como um país laico, o Brasil desenvolve uma espécie de mecanismo para recusar religiões de matrizes africanas. Ao longo do período colonial os negros escravos foram proibidos de cultuar seus deuses e impostos à catequese, durante o estado novo observa-se uma grande repressão aos terreiros que ao mesmo tempo em que eram reprimidos também eram explorados, pois para atuarem precisavam pagar altos impostos.



Segundo a Constituição Federal de 1988 em seu 5° artigo observa-se uma grande conquista, pois estabeleceu que todos são iguais perante a lei, garantindo aos residentes no Brasil liberdade, igualdade e segurança.

Cita também a liberdade que o cidadão brasileiro terá para exercer cultos religiosos, garantindo proteção aos locais de culto e liturgia.

"Art. 5°. Todos são iguais perante a lei. [...]

VI. É inviolável a liberdade de consciência e crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Sendo assim conclui-se que a liberdade religiosa tem respaldo constitucional. Porém a realidade é outra. Diariamente observamos atos de preconceito religioso, mas no que concerne a Umbanda pouco se tem feito para evitar. No livro Candomblé – Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa de Rafael Soares, alguns casos citados para ilustrar o grau assustador que o desrespeito e o preconceito aos candomblecistas e umbandistas chamam a atenção:

"Encontradas em orelhão do Shopping Iguatemi, de Salvador, BA, frases que comparam Senhor do Bonfim e Oxalá ao Diabo.A ialorixá Jacira Ribeiro dos Santos, do Terreiro Axé Abassá de Ogum, em Itapuã foi agredida fisicamente e verbalmente por dois evangélicos da Assembléia de Deus."

Como se observa, o dia em que haverá respeito à liberdade religiosa que o cidadão possui garantida por lei está longe. Um exemplo prático de desrespeito é o livro que o Bispo Edir Macedo escreveu, e que consequentemente incitou seus fieis a serem preconceituosos será usado para elucidar a intolerância religiosa a Umbanda por parte dos evangélicos.

"Sempre desejei colocar em um livro toda a verdade sobre os orixás, caboclos e os mais diversos guias, os quais vivem enganando as pessoas e, fazendo delas "cavalos", "burrinhos" ou "aparelhos", quando Deus as criou para serem a Sua imagem e semelhança."



Para quem não possui conhecimento sobre a ideologia umbandista, quem desconhece o significado dos rituais e para quem não sabe o que é e quem são os orixás, as palavras usadas para denominar a Umbanda na concepção de

Edir Macedo pode até ser palpáveis, ainda mais quando mais de 2 milhoes de pessoas o enxerga como ídolo e simbolo de pureza.

Primeiramente associar um Orixá ao demonio para um umbandista, soa como comparar Nossa Senhora Aparecida ao Diabo para um catolico. O desrespeito ao primeiro é o mesmo que o segundo. Um orixá é um deus que representa um elemento da natureza, segundo Patrícia Birman são divindades africanas relacionados com determinados domínios da terra. Não existe nada de diabólico como prega muitas pessoas.

Segundo Vagner Gonçalves os cultos afro-brasileiros, por serem religiões de transe, de sacrifício animal e de culto aos espíritos tem sido associados a certos estereótipos como "magia negra", isso pode ser explicadas pelo fato dessas religiões serem originarias de segmentos marginalizados da nossa sociedade: "coisa de negro". A Umbanda é a síntese do encontro da cultura e da religião de três povos: índios, negros e brancos. A soma das crenças destes três deu base para a doutrina da Umbanda, mais tarde somada a preceitos espíritas da corrente kardecista.

"O povo brasileiro herdou, das práticas religiosas dos índios nativos e dos escravos oriundos da África, algumas "religiões" que vieram mais tarde a ser reforçadas com doutrinas espiritualistas, esotéricas e tantas outras que tiveram mestres como Franz Anton Mesmer, Allan Kardec e outros médiuns famosos. Houve, com o decorrer dos séculos, um sincretismo religioso, ou seja, uma mistura curiosa e diabólica de mitologia africana, indígena brasileira, espiritismo e cristianismo, que criou ou favoreceu o desenvolvimento de cultos fetichistas como a umbanda, a quimbanda e o candomblé."

Edir Macedo parte do pressuposto etnocentrista que as demais doutrinas religiosas são pagas. Somente a doutrina seguida pela Universal do Reino de Deus é a certa. Ao longo de seu livro os orixas são comparados a demonios de forma continua.

"No candomblé, Oxum, Iemanjá, Ogum e outros demônios são verdadeiros deuses (...) Na umbanda, os deuses são os orixás, (...)Na realidade, orixás, caboclos e guias, sejam lá quem forem, tenham lá o nome mais bonito, não são deuses. (...)são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo."

Ao longo de seu livro além de ironizar as mães e pais de santo, os orixás, o culto religioso, fica nitido o desejo de Macedo de insuflar seus fieis contra o povo umbandista. Macedo discreve possiveis formas de contrair um demonio, tais como a convivencia com um umbandista, até a comida feita por um. Algo além do preconceito é a acusação de que a comida feita pelas baianas seriam nocivas a saúde. Fato que sabemos que é inócuo.

"Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas baianas estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago. Quase todas essas baianas são filhas-de-santo ou mães-de-santo que "trabalham" a comida para terem boa venda."

A idéia da possessão também é discutida no livro de Macedo. Sempre de uma forma distorcida e preconceituosa, ele a descreve como "estado em que uma pessoa é possuída por espíritos imundos", mas na verdade trata-se de uma mudança radical, que segundo Patrícia Birman coloca em cheque várias idéias preconcebidas que cultivamos na nossa cultura. Possessão é o contato com o sobrenatural, em poucas palavras, uma pessoa recebe em seu corpo o espírito de outra. Uma vez possuída a pessoa age sobre a vontade do espírito que a tomou. A pessoa possuída se torna irreconhecível. Observe:

"A idéia de possessão não está vinculada somente aos cultos afro-brasileiros. Aqui, em nosso país, esse fenômeno se apresenta em muitos cultos distintos que seguem princípios religiosos variados,"

Até mesmo uma lista de sintomas que indicam que a pessoa está possuída o Bispo Edir Macedo tratou de formular. Esta lista possui 10 sintomas como: nervosismo, dores de cabeça constantes, insônia, medo, desmaios ou ataques, desejo de suicídio, doenças que os médicos não descobrem as causas, visões de vultos ou audição de vozes, vícios e depressão.

Tento formulado os sintomas de como a possessão se manifesta, Macedo faz outra afirmação que deixa nítido o preconceito e o desrespeito:

"O diabo tem tentado confundir o povo e até certo ponto tem sido bem-sucedido. O Brasil, por exemplo, tem mais de um terço da sua população nas suas garras. São mais de 40 milhões de espíritas que estão enganados e precisam conhecer a verdade só revelada por Jesus. O que sobra da população brasileira, ora vive consultando os "guias" nos terreiros, ora vive amedrontada e escondida. Poucos são os que têm a coragem de entregar a Cristo suas vidas e se alistarem na luta contra o diabo e seus demônios."
Edir Macedo afirma que o diabo anda pelas ruas a espera de uma vitima. Um suposto auxiliar da criatura maligna induz os bons a frequentarem os terreiros, para que lá recebam o demonio. Para ele o fato de se entrar em um terreiro, ou mesmo conviver com um umbandista é motivo suficiente para estar possuido por um demonio. Segundo Macedo "Essa religião tão popular no Brasil é uma fábrica de loucos e uma agência onde se tira o passaporte para a morte e uma viagem para o inferno".

Desde o inicio dos tempos, cada sociedade buscou entender o homem e sua origem. A busca pelo entendimento de como a humanidade e tudo que está a sua volta se formou, foi sempre uma duvida em todas as sociedades, e cada uma delas desenvolveram um mito. Segundo a tradição cristã, por exemplo, foi Deus quem criou tudo; já para os africanos foi Olorun o criador do mundo, e ao criar os seus orixas terminaria de criar tudo o que existe na natureza.

Na concepção umbandista, cada individuo tem um orixá, que possui a necessidade de ser alimentado. Ao identificar o orixá, determina-se que tipo de oferenda é a correta. Exemplo: se uma pessoa possui como orixá Iemanjá, é errôneo oferecer a ela cachaça numa encruzilhada, já que esta é a preferência dos Exus. É o orixá que determina fatos que aconteceram na vida de uma pessoa, assim como o comportamento desta. Essa personalidade segue as características de seu orixá.

Ao descrever o que são as oferendas, e como elas são feitas, Macedo resume a oferenda a um orixá como pacto com o demônio para conseguir algo em troca. Em poucas palavras a define assim:

"Muitas pessoas estão hoje nas mãos dos espíritos demoníacos devido à impaciência. (...) Quiseram a solução rápida, a resposta imediata; não se preocuparam com o meio correto para alcançá-las. Conclusão: acabaram perturbadas, doentes e endemoninhadas. É aí que entra a umbanda, quimbanda, candomblé (...), que são os principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria. Os "trabalhos" e "despachos" são exigências dos demônios e podem ser os mais variados possíveis, indo de comidas e bebidas até os mais diversos presentes. (...) Todos os trabalhos e despachos têm uma única finalidade: satisfazer ao "santo" para conseguir favores, a curto prazo. É feito um negócio entre a pessoa e o demônio."



Segundo a crença umbandista, os orixás interferem na nossa vida, por isso os rituais são feitos especialmente para homenageá-los. As oferendas oferecidas a eles são os despachos feitos em locais que imaginam que os orixás possam estar. Exemplo: as oferendas oferecidas a Iemanjá – por ela ser uma divindade das águas salgadas – são feitas no mar ou nas praias.

Ao longo de seu livro Macedo discreve sua igreja como o lugar perfeito para manter-se em contato com Deus, reduz as praticas umbandistas e esotericas a atividades satanicas, cujo o único intuito é causar o mal. Mas vale lembrar que o homem que tanto prega a Deus, ao longo de sua carreira o que mais vem demonstrando é o desrespeito as demais religioes. Um artigo da revista VEJA mostra o grau da intolerancia religiosa que Edir Macedo incita em seus fieis:

"A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa entregou ontem ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Martin Uhomoibai, e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial relatório que diz existir uma "ditadura religiosa" promovida pelos neopentecostais no Brasil. O documento aponta a Igreja Universal do Reino de Deus como propagadora da intolerância religiosa no país, incitando a perseguição, o desrespeito e a "demonização", especialmente da umbanda e do candomblé."

Se o preconceito não estivesse presente nas falas de Edir Macedo, provavelmente não veríamos lastimável fato. Constantemente seu nome está ligado a episódios dramáticos de preconceito. Seu livro "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" foi tão preconceituoso, que sua venda foi suspensa.

"A juíza Nair Cristina de Castro, da 4ª Vara da Justiça Federal da Bahia, determinou na noite de quarta-feira (9) a suspensão da venda do livro "Orixás, Caboclos e Guias Deuses ou Demônios?"escrito pelo bispo Edir Macedo, (...) A ação civil pública contra a venda do livro foi movida pelos procuradores Sidney Madruga e Cláudio Gusmão, que consideraram a obra "degradante, injuriosa, preconceituosa e discriminatória" em relação às religiões afros-candomblé, umbanda e quimbanda."

Sendo assim, fica nítido que o mau exemplo dado por um líder religioso como Edir Macedo só faz aumentar o preconceito contra as religiões de matrizes afro, e anula quaisquer possibilidades de erradicar a intolerância religiosa. Em uma sociedade cujo homem desfruta do livre arbítrio, o que deve predominar é o respeito à pluralidade e as diversas formas de manifestações divinas.

Episódios tristes diariamente chamam nossa atenção no que concerne ao preconceito que os adeptos das religiões afros sentem. Terreiros constantemente são invadidos por fiéis das igrejas neopentecostais da Universal do Reino de Deus. Tal preconceito reflete nas ruas, nas escolas e em locais públicos como hospitais.

Temos que o Brasil considerado como um país laico deveria oferecer liberdade religiosa a todos, mas podemos observar que tal direito restringe-se somente aos papéis, pois aqueles que seguem uma doutrina diferente daquelas predominantes ficam sujeitos a serem rechaçados e ironizados, como é o caso dos milhares de adeptos das religiões afro que acabam por serem denominados por macumbeiros, palavra de significado deturpado, pois na realidade significa antigo instrumento musical de percussão.

Ao longo da historia observa-se diversas formas de se explicar Deus, seja de forma politeísta ou não. Cada sociedade deve ter o direito de expressar suas crenças, assim como todo cidadão também, ainda mais quando existe um respaldo jurídico como no Brasil. Independente de credo ou etnia o importante é manter o respeito à diversidade cultural.



NOTAS



 Religião formada no Brasil (...) por uma seleção de valores doutrinários e rituais, feitos a partir da fusão dos cultos africanos congo-angola, já influenciado pelo nagô, com a Pajelança (...) sofrendo ainda influencias dos malês islamizados, do catolicismo e do espiritismo(...)(CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 242)



Edir Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1945, é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que possui cerca de dois milhões de fieis. Nasceu em uma família católica, e por muitos anos também foi. Sabe-se que por muito tempo também freqüentou terreiros umbandistas, para depois tornar-se evangélico. Até que em 1977 fundou sua própria igreja – Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje além de Bispo, também é proprietário da emissora Rede Record e escritor evangélico.

 MACEDO, Edir, Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demonios? Ed. Grafica Universal, 1990, p. 3-4.
 Constituição da Republica Federativa do Brasil.Disponível em: . Acesso em: 10 junho. 2010, 16:30:30.
 OLIVEIRA, Rafael Soares. Candomblé Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa. 2° ed. Rio de Janeiro, Koinonia, 2007, p.10.
Apud MACEDO... p.6
Apud Ibid., p. 8.
 Etnocentrismo é a visão de mundo que um grupo de pessoas, ou uma sociedade, possui de outra. Muito mais que uma visão de mundo, é uma opinião sobre a cultura daquele povo, vista a partir de um julgamento, utilizando-se a cultura de seu povo como padrão. Trata-se da dificuldade em aceitarmos a diferença.
 Apud Ibid., p. 9-10.
 Apud Ibid., p. 31.
 BIRMAN, Patrícia, O que é Umbanda. São Paulo, Coleção Primeiros Passos, Ed. Abril Cultural/ Brasiliense, 1985, p. 8.
Apud MACEDO... p. 52.
"Olorun Deus Supremo dos iorubas, criador do mundo, mas que não tem altares nem sacerdotes. Criou o homem e a mulher, grosseiramente, de barro. Mandou seu filho Obatalá fazer os detalhes (membros e feições) e insuflou-lhes vida. Encarregou Obatalá (Oxalá) de dirigir o mundo e as criaturas." (CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 192)
 Apud Macedo... p. 77.
Escrito pelo colunista Reinaldo Azevedo
 Comissão vai á ONU acusar Igreja Universal de intolerância religiosa: Revista Veja, 2009. Disponível em:. Acesso em: 11 junho. 2010, 10:15:30.
Juíza suspende venda de livro do bispo Edir Macedo: Folha Online, 2005. Disponível em: . Acesso em 11 junho. 2010, 19:45:30.

sábado, 5 de março de 2011

A profanação do Candomblé no carnaval

Comissão de frente de uma Escola de samba com integrantes representando o Orixá Xangô


(Entrevista concedida a Clécio Max - Jornal A Tarde)


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


C.M. - Outra posição adoptada pela senhora, que também contou com o apoio de Yalorixás como Menininha do Gantois, Olga de Alaketo e Nicinha do Bogum, na mesma época, foi o combate à profanação do culto, criticando a exploração dos trajes, ornamentos e ritmos rituais do Candomblé durante o Carnaval de Salvador. Por quê?




Mãe Stella - O que se observava é que os espectáculos eram financiados por algumas pessoas que não tinham o mínimo conhecimento da pureza do Candomblé.


Estavam fora da realidade e confundiam o Axé com plumas e paetês.


Em 1993, voltei a defender, juntamente com representantes de outros terreiros, esta posição, quando surgiu a proposta de se utilizar o tema na decoração do Carnaval de Salvador.


sexta-feira, 4 de março de 2011

INÉDITO: IANSÃ NÃO É SANTA BÁRBARA

Iyalorixás e assumem a crença como uma religião independente da católica



Daqui para frente, os filhos de gente de Santo não vão mais aprender sua tradição dos Orixás em sincretismo com a religião católica.

As iyas e babalorixás da Bahia não querem, também, permitir mais que sua religião seja tratada como folclore, seita, animismo ou religião primitiva, "como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade".

Querem também dar um basta à utilização de seus trajes, e rituais, em concursos oficiais ou de propaganda turística.

Esta posição assumida por algumas das mais respeitadas mães de Salvador - Stella de Oxossi, Mãe Menininha do Gantois, Tete de Yansã, Olga do Alaketo e Nicinha do Bogum - deverá repercutir intensamente na comunidade local, uma cidade que cresceu vendo o culto de candomblé sendo sincretizado com o catolicismo. "Já imaginaram o Senhor do Bomfim sem Oxalá?" Serena, Mãe Stella de Oxossi, - uma das mais respeitadas ialorixás da Bahia, sempre avessa a publicidades e a imprensa, falou com exclusividade ao Jornal da Bahia, explicando:


"Os Santos e imagens católicos têm seus valores. Nós não estamos a fim de deixar de acreditar, por exemplo, em Santa Bárbara. Um espírito elevado, sem dúvida. Mas sabemos que Iansã é uma outra energia, não é Sta. Bárbara. Religião não se impõe, depende da consciência de cada um. Mas queremos respeito com o Candomblé. Não tem nada a ver, por exemplo, arriar-se comida de Iansã nos pés da imagem de Sta. Bárbara. Não tem sentido. A comida é de Iansã, é outra energia, completamente diferente do que é Sta. Bárbara, entende?"

Pensamento Livre

Mãe Stella participou ativamente da recente Conferência Mundial da Tradição dos Orixás. Ela não tem dúvida de que esta atitude deverá ter ressonância entre a população. Sobre o que a Igreja Católica vai dizer? Ela responde: "O Pai de Santo que tiver coerência com seus princípios não vai mais sincretizar, mas vai passar para seus filhos os nossos conhecimentos. Quanto ao que pode dizer a Igreja, o culto, o pensamento é livre.


Respeito muito D. Avelar, mas cada um deve ter sua consciência. Essa coisa de mandar na consciência das pessoas, neste fim de século, não é mais possível". E diz mais: "Também não estamos forçando todo mundo a acreditar no Candomblé". Para concluir: - O Candomblé não é incompatível com a religião Católica. Mas é vice-versa. Aí, fica com cada pessoa e sua consciência, de dizer que é de Ogum, o que não quer dizer que acabe sua fé em Santo Antônio. Apenas , como disse, são energias diferentes. Vice-versa.


Mãe Stella tem plena sabedoria do que ocorre com os ritos/magias da crença nos Orixás. Salvador é considerado polo turístico pelo governo. E o Candomblé sua mais forte expressão popular. O que pode acontecer, por exemplo, com o carnaval da Bahia? Ela discorda profundamente da utilização de trajes-símbolos sagrados. - Sair vestido de santo ou usando símbolos é pura falta de respeito, uma profanação com nossa religião. Como ficam as saídas para as ruas do Filhos de Gandhy ou mesmo da versão mais moderna do Afoxé, o Badauê? Mãe Stella não entra no mérito ("são afoxés, alegria do carnaval") mas, absolutamente não concorda com a "profanação dos Orixás". Profanar, aqui, significa levar para fora do terreiro preceitos e segredos do culto. - Não há porque ficar enganando.


Precisamos ser respeitados como religião e não como faz a imprensa, por exemplo, daqui de Salvador, que inclui nossas casas de culto nas colunas de folclore. - Já passamos do tempo de ter que esconder nossa religião. Nossos antepassados, para não serem massacrados foram levados ao sincretismo. É isto que queremos parar de fazer. Outro aspecto da conversa com Mãe Stella: os artistas, os estudiosos, enfim, a crescente aproximação da intelectualidade para beber na fonte e depois utilizar o aprendizado, seja nas artes ou nas teses acadêmicas, sem nada reverter para o Candomblé. Ela responde: "Os sabidos que andam pelos Candomblés não estão agindo certo. Não sou contra um pintor pintar Xango, mas quando ele começa a utilizar-se disso para ganhar muito dinheiro, para profanar, está errado. Isto tende a desaparecer, com o crescimento de nossa consciência dentro de nossas casas".


Durante a II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás, Mãe Stella propôs ação concreta: o ensino da língua yorubá e o ensino da tradição dos Orixás, "e não somente da religião católica pois se você perguntar para a criança de que religião ele é, vai dizer "católica" e na verdade é filha de gente de Santo, mas ela tem medo, ensinaram errado para ela". Como seria a concretização de sua idéia? Mãe Stella espera que "as autoridades tomem as providências para satisfazer o desejo de toda uma Comunidade". O que compete às Iyas e Babalorixás, eles já deram a partida. Esta vigorosa carta divulgada ontem traz no seu âmago um grito de liberdade: Ma beru, Olorum wa pelu awon omorisa. Em outras palavras, quer dizer: "Não tenha medo, Deus está com todos os Filhos de Orixá".


Daqui para a frente, os filhos de gente de Santo rompem, decididamente, com quase cinco séculos de silêncio, imposto desde a chegada das masmorras e dos pelourinhos, para fazer uma só voz com Mãe Stella: - Já passamos do tempo de ter de esconder nossa religião.


Cartas abertas ao público:



Ao público e ao povo do Candomblé,

As Iyas e Babalorixás da Bahia, coerentes com as posições assumidas na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura, realizada durante o período de 17 a 23 de Julho de 1983, nesta cidade, tornam público que depois disso ficou claro ser nossa crença uma religião e não uma seita sincretizada.


Não podemos pensar, nem deixar que nos pensem como folclore, seita animismo, religião primitiva como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade, seja por parte de opositores, detratores: muros pichados, artigos escritos - "Candomblé é coisa do Diabo", "Práticas africanas primitivas ou sincréticas", seja pelos trajes rituais utilizados em concursos oficiais e símbolos litúrgicos consumidos na confecção de propaganda turística e ainda nossas casas de culto, nossos templos, incluidos, indicados, na coluna do folclore dos jornais baianos.

Assinaram:


- Menininha do Gantois, Iyalorixá do Axé Ilé Iya Omin Iyamassé


- Stella de Oxossi, Iyalorixá do, Ilé Axé Opô Afonjá



- Tete de Iansã, Iyalorixá do Ilé Nassô Oká



- Olga de Alaketo, Iyalorixá do, Ilé Maroia Lage



- Nicinha do Bogum, Iyalorixá do Xogodô Bogum Malê Ki-Rundo

Ao Público e ao Povo do Candomblé

Vinte e sete de julho passado deixamos pública nossa posição à respeito do fato de nossa religião não ser uma seita, uma prática animista primitiva consequentemente rejeitamos o sincretismo como fruto da nossa religião desde que ele foi criado pela escravidão à qual foram submetidos nossos antepassados.


Falamos também do grande massacre, do consumo que tem sofrido nossa religião. Eram fundamentos que podiam ser exibidos, mostrados, pois não mais eramos escravos, nem dependemos de senhores que nos orientem. Os jornais não publicaram na íntegra, aproveitaram para notícias e reportagens. Quais os peixes colhidos por esta rede lançada? Os do sensacionalismo por parte da imprensa, onde apenas os aspectos do sincretismo e suas implicações turísticas (lavagem do Bonfim, etc) eram notados, por outro lado apareceram a submissão, a ignorância, o medo e ainda a "atitude de escravo" por parte de alguns adeptos até mesmo Iyalorixás, representantes de associaões "afro", buscando serem aceitas por autoridades políticas e religiosas. Candomblé não é uma questão de opinião.


É uma realidade religiosa que só pode ser realizada dentro de sua pureza de propósitos e rituais. Quem assim não pensa, já de há muito está desvirtuado, e por isso podem continuar sincretizando, levando Iaos ao Bonfim, rezando missas, recebendo os pagamentos, as gorjetas para servir ao polo turístico baiano, tendo acesso ao poder, conseguindo empregos, etc. Não queremos revolucionar nada, não somos políticos, somos religiosos daí nossa atitude ser de distinguir, explicar, diferençar o que nos enriquece, nos aumenta, tem a ver com nossa gente, nossa tradição e o que se desgarra dela, mesmo que isto esteja escondido na melhor das aparências. Enfim, reafirmamos nossa posição de julho passado, deixando claro que de nada adiantam pressões políticas, da imprensa, do consumo, do dinheiro, pois o que importa não é o lucro pessoal, a satisfação da imaturidade e do desejo de aparecer, mas sim a manutenção da nossa religião em toda a sua pureza e verdade, coisa que infelizmente nesta cidade, neste país vem sendo cada vez mais ameaçada pelo poder econômico, cultural, político, artístico e intelectual.


Vemos que todas as incoerências surgidas entre as pessoas do Candomblé que querem ir à lavagem do Bonfim carregando suas quartinhas, que querem continuar adorando Oyá e Sta. Bárbara, como dois aspectos da mesma moeda, são resíduos, marcas da escravidão econômica, cultural e social que nosso povo ainda sofre. Desde a escravidão que preto é sinônimo de pobre, ignorante, sem direito a nada a não ser saber que não tem direito; é um grande brinquedo dentro da cultura que o estigmatiza, sua religião também vira brincadeira. Sejamos livres, lutemos contra o que nos abate e nos desconsidera, contra o que só nos aceita se nós estivermos com a roupa que nos deram para usar. Durante a escravidão o sincretismo foi necessário para a nossa sobrevivência, agora em suas decorrências e manifestações públicas: gente de santo, Iyalorixás, realizando lavagem nas igrejas, saindo das camarinhas para as missas etc, nos descaracteriza como religião, dando margem ao uso da mesma como coisa exótica, folclore, turismo. Que nossos netos possam se orgulhar de pertencer à religião de seus antepassados, que ser preto, negro, lhes traga de volta a Africa e não a escravidão. Esperamos que todo o povo do Candomblé, que as pequenas casas, as grandes casas, as médias, as personagens antigas e já folcloricas, as consideradas Iyalorixás, ditas dignas representantes do que se propõem, antes de qualquer coisa considerem sobre o que estão falando, o que estão fazendo, independente do resultado que esperam com isto obter.


Corre na Bahia a idéia de que existem quatro mil terreiros; quantidades nada expressam em termos de fundamentos religiosos embora muito signifiquem em termos de popularização, massificação. Antes o pouco que temos do que o muito emprestado. Deixamos também claro que nosso pensamento religioso não pode ser expressado através da Federação dos Cultos Afros ou outras entidades congêneres, nem por políticos, Ogãs, Obás ou quaisquer outras pessoas que não os signatários desta. Todo este nosso esforço é por querer devolver ao culto dos Orixás, à religião africana a dignidade perdida durante a escravidão e processos decorrentes da mesma: alienação cultural, social e econômica que deram margem ao folclore, ao consumo e profanação da nossa religião.

Assinaram:

- Menininha do Gantois - Iyalorixá do Axé Ilé Iya Omin Iyamassé

- Stella de Oxossi - Iyalorixá do Ilé Axé Opô Afonjá

- Tete de Yansã - Iyalorixá do Ilé Nasso Oke

- Olga de Alaketo - Iyaloriá do Ilé Maroia Lage

- Nicinha do Bogum - Iyalorixá do Zogodô Bogum Malê Ki-Rundo

Jornal da Bahia Salvador, 12 de agosto de 1983

* Mistura Profana



Sincretismo - Mistura Profana



No sincretismo brasileiro,


o catolicismo se mesclou


a ritos indígenas, cultos


afro-brasileiros e espiritismo kardecista


Católica fervorosa e organizadora de uma festa do Divino que dura 15 dias, Maria Celeste Santos, a dona Celeste, é figura de destaque em São Luís do Maranhão. Quando o papa João Paulo II visitou a cidade, em outubro de 1991, ela foi escolhida para lhe entregar uma bandeja de prata em nome da população. Na época, porém, circulou pela cidade o boato de que o presente havia sido oferecido à Sua Santidade pelo vodum Averequetê, que teria se incorporado em dona Celeste durante a solenidade. Embora não comente o episódio, ela sempre assumiu que é consagrada a Averequetê.

Além de católica praticante, dona Celeste é também uma das líderes espirituais da Casa das Minas, um terreiro fundado em 1840 para cultuar os voduns, divindades africanas trazidas para o Brasil pelos escravos.



dona Celeste


A fusão de doutrinas aparentemente antagônicas não é uma exclusividade de dona Celeste. Por todo o País, o sincretismo prolifera em terreno fértil, em especial entre católicos e seguidores de cultos afro-brasileiros. Os últimos somam mais de dois milhões de praticantes. Segundo o escritor Reginaldo Prandi, especialista em sociologia das religiões, no Brasil o sincretismo se forma no século XIX, quando os escravos deixaram o confinamento das senzalas e passaram a viver nas cidades. “Eles já haviam experimentado uma assimilação intensa do catolicismo e começaram então a reconstituir suas religiões”, diz Prandi.



Um fator fundamental na formação do sincretismo é que, de acordo com as tradições africanas, divindades conhecidas como orixás governavam determinadas partes do mundo. No catolicismo popular, os santos também tinham esse poder. “Iansã protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara protege contra raios e tempestades. Como as duas trabalham com raios, houve o cruzamento”, explica Prandi. Cultuados nas duas mais populares religiões afro-brasileiros – a umbanda e o candomblé – cada orixá corresponde a um santo católico (leia quadro). Ocorrem variações regionais. Um exemplo é Oxóssi, que é sincretizado na Bahia com São Jorge mas no Rio de Janeiro representa São Sebastião.



Além dos orixás, os escravos vindos da África reverenciavam os voduns e entidades conhecidas como inquices, entidades ancestrais. A adoração aos voduns, contudo, não proliferou no Brasil. Seus seguidores ficaram restritos ao Maranhão, enquanto os inquices sequer foram trazidos, pois seriam presos à terra e, aqui, acabaram substituídos pelos índios. “Os caboclos da umbanda são, na verdade, os antigos habitantes da terra que ocuparam o lugar dos inquises”, relata Prandi.



O professor Antônio Flávio Pierucci, do departamento de sociologia da USP, afirma que a umbanda é a mais sincrética das religiões afro-brasileiras, tendo acentuado seu lado ocidentalizado com o kardecismo e continuando cada vez mais híbrida. “Sua tendência mais recente é a incorporação dos elementos mágicos da chamada Nova Era”, completa. Em alguns terreiros, portanto, o frequentador pode receber um indicação de Floral de Bach junto com o passe. São os reflexos de uma mescla que tem legitimidade social. Não é à toa que no maior país católico do mundo, a passagem do ano é uma festa profana, com brasileiros de todas as origens sociais vestidos de branco, fazendo suas oferendas para Iemanjá.



Fonte: revista "Isto É"