CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Religiões africanas ficam de fora de centro ecumênico na Vila Olímpica



Em agosto e setembro, o Rio de Janeiro vai receber mais de 10 mil atletas olímpicos e 4 mil paralímpicos provenientes de mais de 200 países, trazendo na bagagem também incontáveis maneiras de cultuar o sagrado.

O Comitê Organizador dos jogos diz que é impossível atender a todas, mas, pelo menos, um espaço ecumêmico está garantido para aqueles que contam com uma ajuda da fé para superar seus limites. 

O centro inter-religioso da Vila Olímpica será coordenado pelo padre Leandro Lenin, ligado à Arquidiocese do Rio de Janeiro.

As cinco religiões que terão espaço dentro do centro são o cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduismo e budismo, com vinte e quatro capelões voluntários de diferente vertentes.

Apesar da justificativa demográfica na escolha, o babalawo Ivanir dos Santos, presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, acredita que as religiões de matriz africana não deveriam ter ficado de fora. 

O centro vai funcionar das 7h às 22h,  promovendo cerimônicas conforme os rituais de cada religião em três idiomas: português,  espanhol e inglês.

O espaço terá ainda um ambiente de convivência e uma sala para aconselhamento particular aos atletas. 


Fonte: EBC Radioagência Nacional




quinta-feira, 30 de junho de 2016

Entre lixo, oferendas e o coração.



O FUNDO DA FOLIA continua realizando regularmente suas ações de limpeza do fundo do mar na orla de Salvador. 

Em meio ao lixo recolhido, temos encontrado diversos objetos usados em oferendas religiosas. Veio a reflexão: que atitude tomar em relação a estes objetos?

                                                     Presente em meio ao lixão submarino.

O projeto ficou dividido. Alguns acham que não devemos realizar a coleta por receio de “retaliações espirituais”, por consideração aos devotos ou apenas por desconhecimento do assunto. Preferem nem tocar nos “presentes”, deixando-os ao sabor das ondas, mesmo que representem riscos aos banhistas a exemplo de louças e vidros quebrados.

Oferendas quebradas.

Entretanto, a maioria acredita na necessidade da coleta com sua destinação adequada por respeito às entidades religiosas. Pensam na importância da ação para a natureza que além de ser a fonte de todas as crenças, agoniza por imediata proteção e melhores cuidados.

Em rápida busca pela internet descobri diversas abordagens sobre o tema. Religiosos e simpatizantes de várias doutrinas, em maioria, acham necessários os rituais com pouco ou nenhum impacto negativo.

Objetos que podem machucar banhistas.



Uma das correntes, por exemplo, sugere o uso de orgânicos como folhas para montar os invólucros e frutas como alimentos. Que se pode usar flores, perfumes e bebidas sem que as embalagens façam parte da oferta. Que tudo que não for orgânico desperta, inclusive, a tristeza da Rainha dos Mares.

Outra corrente, mais radical, condena até o uso de orgânicos. Alega que o poder da espiritualidade está na fé e não na oferta de quaisquer bens. Que a essência das religiões reside nas orações e nos cânticos de agradecimento com pedidos de boas vibrações para tudo e para todos. E o oceano é o elemento de conexão com o mundo imaterial devendo estar sempre limpo e saudável.

Trabalho intenso!

Penso que o uso de orgânicos seja um avanço embora simpatize com a ala mais radical. Estou certo que é possível harmonizar as vontades humanas com as necessidades da natureza, as bênçãos dos Orixás e demais forças de outras religiões.

Entendo que Iemanjá, por exemplo, não precisa dos frascos das alfazemas, dos plásticos que arrumam as flores, dos pregos que armam os cestos, dos pratos, garrafas, velas, colares, espelhos e adereços que, com o melhor dos desígnios, são lançados ao oceano em grande volume.

Vale aumentar o foco nas orações e nos cantos, e reduzir as obrigações com ofertas materiais. Além de praias limpas e rituais sustentáveis haverá resultados positivos em favor da educação e cultura das pessoas da nossa terra. Estou certo que os deuses vão amar!

Vidros, metais, plásticos…

Assim, pelo entendimento da maioria, seguimos com a nobre missão de limpeza do fundo do mar das nossas praias coletando todos os tipos de resíduos poluentes, inclusive os das oferendas.

Uma missão que nos foi confiada por alguma força do bem, como um ato voluntário de solidariedade coletiva, cujo desígnio primordial é cuidar carinhosamente dos belos jardins ainda saudáveis da casa de Iemanjá.

É isso que fazemos, com o coração!











FONTE:https://bbmussi.wordpress.com/2015/12/28/entre-lixo-oferendas-e-o-coracao/




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Diversidade religiosa é tema de roda de conversa na Defensoria Pública

Objetivo foi debater sobre o respeito à diversidade religiosa a partir das situações de intolerância ocorridas no Estado


Objetivo foi debater sobre o respeito à diversidade religiosa a partir das situações de intolerância ocorridas no Estado. Foto: DPE/TO
Integrantes do COERDR – Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa, e seguidores de diversas orientações religiosas participaram nesta segunda-feira, 20, de uma roda de conversa com objetivo de debater sobre o respeito à diversidade religiosa a partir das situações de intolerância religiosa ocorridas no Estado, no auditório da Defensoria Pública, em Palmas. A Instituição é membro do COERDR, por meio NDDH – Núcleo Especializado de Direitos Humanos da DPE-TO.

A Roda de Conversa trouxe como foco o debate sobre religiões de origem abraâmicas, e na ocasião representantes dos seguimentos religiosos trouxeram alguns aspectos históricos das religiões, construções e crenças, entre eles, Rosangela Bazaia e El Shaimah, da religião Islâmica, o pastor Ricardo Vargas Mora, da Igreja Presbiteriana, que falou sobre o Cristianismo, e Heber Renato Paula Pires, que falou sobre a religião Judaica. “Foi boa oportunidade onde nós expusemos nossos pontos de vistas, falamos sobre nossas religiões e mostramos que não existem diferenças”, destacou a Rosangela Bazaia.

Após as explanações dos convidados, os participantes puderam interagir, fazendo perguntas e comentários sobre o que foi exposto, e ainda pontuando sobre as religiões que seguem.

Essa foi a primeira roda de conversa e a ideia do Comitê é realizar outras com palestrantes de outras orientações religiosas. Para o NDDH, é muito importante a participação da sociedade civil e de órgãos públicos no fortalecimento e na elaboração de diretrizes e políticas públicas estaduais, que visem assegurar os Direitos Humanos.

COERDR

O COERDR – Comitê Estadual de Respeito à Diversidade Religiosa do Tocantins (CEDR/TO) foi instituído pela Portaria nº 259, de 03 de junho de 2015, da Sedeps – Secretaria Estadual de Defesa e Proteção Social, atualmente Secretaria de Cidadania e Justiça. Trata-se de um órgão consultivo, deliberativo, propositivo, fiscalizador e de caráter permanente que objetiva favorecer a promoção do direito à diversidade religiosa, o combate à intolerância e a proteção contra violações de direitos humanos por motivação religiosa no Estado do Tocantins, para a construção de uma sociedade pluralista e democrática, para a construção de uma cultura de paz fundada no reconhecimento e respeito às diferenças crenças e convicções. A Defensoria Pública do Estado do Tocantins compõe membro do Comitê, por intermédio do NDDH – Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos Humanos, que conta ainda com  a participação de outras instituições e órgãos públicos e movimentos sociais. Com informações DPE/TO.

Extraído do site do Jornal JM Notícia / Palmas – TO
http://www.jmnoticia.com.br/2016/06/22/diversidade-religiosa-e-tema-de-roda-de-conversa-na-defensoria-publica/


A FELICIDADE E ÓRISÀNLÁ



Eu fui consultar um Bàbáláwó, em busca da minha felicidade.

Ele falou para que eu fizesse uma oferenda, e, que depois eu deveria ir até uma encruzilhada, pois lá eu encontraria o Senhor da alegria, a criança querida de OLÓDÙMARÈ, e que Ele poderia me dizer aonde eu encontraria a minha felicidade.

Fiz minha oferenda, coloquei minha roupa branca e comecei minha jornada.

Conheci ÈSÙ na encruzilhada, rodando com suas cabaças a balançar, e dando uma boa gargalhada.

Perguntei se ele sabia onde morava a felicidade, ÈSÙ então me mandou seguir pela estrada; pois lá eu encontraria o Senhor de todos os caminhos, ÈSÙ também me disse que ÒGÚN era ÀSÍWÁJÚ (aquele que vai à frente dos outros) e que Ele poderia me ajudar.
Fui seguindo a estrada, na beira da mata, e, no meio dela com suas duas espadas, apareceu o senhor do ferro ÒGÚN.

Ele disse-me que eu iria encontrar o que eu estava procurando, se eu seguisse pela mata fechada e procurasse por ÒSÓÒSÌ. o grande caçador.
Entrei na mata, e já estava quase desistindo de achar ÒSÓÒSÌ; de tanto que já havia caminhado, mas eis que apareceu um Faisão em minha frente.

Era, sem dúvidas, um belo animal.

O belo animal, então, transformou-se em um grande e forte homem negro.

Era ÒSÓÒSÌ; e Ele me pediu para entrar mais fundo na floresta, procurando por ÒSÓNYÌN, o senhor das EWÈ.

Achei ÒSÓNYÌN, e Ele me falou para ir procurar OBÀLÙWÀIYÉ o rei e senhor da terra árida no ILÉ IKÙ, e, Este por sua vez mandou-me procurar a Rainha dos Ventos no majestoso bambuzal que havia bem próximo donde eu estava.  .

Encontrei OYA, e Ela pediu-me para ir até a montanha mais alta daquela floresta, procurar porSÀNGÓ, seu marido o grande rei de OYO, que soltava fogo pela boca e eterno defensor da justiça.

Chegando à montanha,SÀNGÓ veio ao meu encontro e assim guiou-me até um maravilhoso rio com sua exuberante cachoeira, onde, segundo Ele, eu encontraria outros cinco ÒRÌSÀ que poderiam me ajudar.
Diante das águas cristalinas e doces, encontrei OBÀ no rio com seu escudo e sua espada, sempre protegendo o lado de seu rosto aonde falta uma das suas orelhas.

Encontrei também na cachoeira ÒSÚN, que é a mãe das águas doces com seus adornos de ouro, junto com seu filho o príncipe LÒGÚN ODE e ÓSÙMÀRÈ no céu.

Também, encontrei YEWÀ na beira da lagoa aonde o sol iluminava com seus rios todo o lugar.

Eles me pediram para ir procurar pela maior e mais velha árvore na floresta.

Lá fui eu novamente, entrando pela floresta, mas dessa vez à procura de ÌROKÓ.

Deparei-me, então, com a árvore mais frondosa de todas e moradia dos antepassados,

ÌROKÓ mandou-me ir para a praia, a procurar por YEMONJA.

Ele também me disse que, por mais cansada que eu estivesse minha jornada estava no fim.
Caminhei e caminhei, até chegar à beira do mar com suas areias brancas, as ondas estavam calmas e às vezes fortes em seu ir e vir para banhar a areia, quando vi a Mãe dos filhos peixes YEMONJA.

Ela pediu-me para que eu fosse até o pântano e procurar pela anciã que vestia roxo.

Fui até o pântano, aonde NÀNÁ veio me acolher, Ela então me disse para eu ir até o reino de IFÓN, que ficava depois dos campos brancos de ÒSOGIÁN.

Saí do pântano, e estava passando pelos campos de ÒSOGIÁN, quando Ele surgiu em minha frente.

Sua altivez e bravura assustaram-me, mas Ele me disse que não havia nada a temer, e que Ele me guiaria até eu chegar ao que eu estava procurando.
Junto com ÒSOGIÁN, fui até o reino de IFÒN.

Chegando ao portão daquele grande reino, ÒSOGIÁN me falou para que eu fosse até os jardins mais belos do reino, que eu seria guiado por ÌBEJÌ até o castelo de ÒSÀLÚFÓN.

Andando pelas ruas do reino e o que vi deixou-me encantada, pessoas vivendo com prosperidade, amor, saúde, harmonia e muita felicidade.
Chegando aos jardins do reino, dois meninos vieram me recepcionar.

Antes que eu pudesse desviar, um pedaço de bolo me atingiu bem no rosto.

Estes meninos ajudaram-me a limpar meu rosto, e, em seguida conduziram-me até o castelo de ÒRÌSÀNLÁ.
O velho Senhor ÒRÌSÀ Fun Fun, estava sentado em seu trono branco, rodeado por todos os ÒRÌSÀ pelos quais eu havia passado.
Vendo-os ali eu fiquei brava e disse:

“Se Todos já estão aqui, por que não me trouxeram direto para cá? Por que me fizeram andar tanto, me cansar de tanto procurar, se podiam trazer-me aqui rápido?”.
ÉSÙ de prontidão, me respondeu:
“Ora, e quem disse que sua vida seria fácil? Você acha que, só por sermos ÒRÌSÀ, podemos dar ou fazer tudo o que pedes facilmente para ti?”

E assim dizendo ÉSÙ soltou uma gargalhada.

– “Não fale assim com ela, LÉGÁRA, disse a bela OYA”.

-“Ela é apenas um Ser Humano”.

– “Todos eles desejam que muitas coisas aconteçam sem esforço ou merecimento, todos os seres humanos querem sempre ser mimados por Nós”.

Com a ajuda de seu OPASORO, ÒSÀLÚFÓN levantou-se e disse-me:
– “Você, minha filha, andou por todo o tipo de lugar; enfrentou o caminho de ÒGÚN, as matas de ODE e ÒSÓNYÍN a casa dos mortos de OBÀLUWÀIYÉ, os ventos de OYA, as altas montanhas de SÀNGÓ, a cachoeira de ÒSÚN e o rio de OBÁ, a chuva e o movimento do grande sábio ÓSÙMÀRÈ, foi até o reino de YEMONJA, aos pântanos de NÀNÁ, conversou com ÌROKÓ que pertence à hierarquia dos ÒRÌSÀ Fun Fun, tudo isso em busca da felicidade, Parabéns!”

Agora vou lhe mostrar aonde esta à felicidade que tanto deseja, aproxime-se, por favor.
Aproximei-me daquele senhor velho e franzino, vestido todo de branco, com seu ALÀADÉ de contas brancas reluzentes, e, decorado com vários ÌGBÍN.

Assim que me aproximei o suficiente, ÒSÀLÚFÓN ergueu seu OPASORO e disse-me:
– “A felicidade que você tanto procurou e quer esteve sempre contigo o tempo todo, minha filha”.

-“Ela esta dentro de você mesma, em seu ORÍ.”.

OBÀTÁLÁ apontando o seu OPASORO para o lado esquerdo de meu peito falou novamente: ”Aqui estou contigo, todos Nós estamos contigo, mas para isto aconteça precisamos de sua FÉ, RESPEITO, DEDICAÇÃO, COMPREENÇÃO, CARINHO E AMOR”

Kì OYA súre fun olorí ré.

Ìyá Angela ty OYA


domingo, 24 de abril de 2016

Iya Ibeji, a mãe dos gêmeos

Iya Ibeji, a mãe dos gêmeos – 



A tradição nagô-yorubá ocupa papel destacado na cultura brasileira. 

Para uma adequada aproximação e entendimento da cultura africano-brasileira, temos de estar preparados para uma leitura de símbolos. 

Para tanto, é preciso compreender o valor da estética como parte intrínseca de uma comunicação de participação direta, interdinâmica e intergrupal, que exige a presença de seus integrantes num aqui e agora, e a maneira como a arte procede a elaboração de conhecimentos.
A noção de odara, em língua yorubá expressa uma dimensão em que o bom e o belo são uma coisa só, o técnico e o estético são inseparáveis.

Na civilização tradicional africana, especificamente na cultura nagô, o sagrado está integrado nas ações cotidianas. A religião acompanha a vida; o aiyê, esse mundo, e o orun, o além, estão inter-relacionados pela noção de axé, força circulante entre esses mundos de que trata a liturgia e que movimenta a existência e garante o existir. A forma de vinculação humana, a sociabilidade nesse contexto, se constitui pela linguagem estética que o mais das vezes magnifica o sagrado, pois a religião, o religare, a pulsão ou o desejo de estar juntos, fortalecidos num corpo comunitário, forma o egbe, a comunidade envolvida pelos valores sagrados transcendentes. 

Assim, nesse contexto os códigos e repertórios compõem e expressam uma visão sagrada de mundo.

Por exemplo, quando nas relações hierárquicas o mais novo pede bênção ao mais antigo, ele diz “otun ba mi”, o mais antigo pode responder, “eleda mi gbe iin o”, o meu orixá criador o proteja. Portanto, o poder individual do mais antigo, o seu axé, caracteriza-se por sua dimensão sagrada, transcendente, o seu eleda, fortalecido ao longo de sua trajetória sacerdotal.

Da mesma forma que a literatura — os itans, as histórias ou contos em geral pertencem ao sacerdócio oracular de ifá, ou erindinlogun; os orikis, poemas, e korin, as cantigas, são combinação de versos com música percussiva em que os toques ou ritmos classificam, significam e acompanham as ações rituais —, a dança é composta de gestos que simbolizam os poderes e princípios das entidades, bem como seus trajes, paramentos e emblemas. A culinária litúrgica também simboliza as características de determinada entidade, executada através da iya bassê, sacerdotisa que está preparada pela elaboração da comida ritual, iyanlé, conforme as regras da tradição. Nesse contexto, cor, odor, sabor, textura e composição ou apresentação simbolizam; e, para apreender os significados, são chamados a atuar os cinco sentidos, tato, paladar, olfato, visão e audição.

Na tradição religiosa nagô dois cultos se complementam: o culto aos ancestres e ancestrais, e o culto aos orixás, as forças cósmicas que governam a natureza do universo no qual nos integramos.


Já houve quem aludisse à cultura tradicional africana como “floresta dos símbolos”. A própria noção de floresta, ibo, se refere a um espaço sagrado onde habitam espíritos, inclusive ancestrais, e onde ocorrem diversos ritos iniciáticos. As esculturas obedecem às delimitações dos valores estéticos da arte, isto é, elas são símbolos, representação de idéias, noções ou conceitos da tradição cultural.
Elas estão presentes na decoração de palácios ou fazem parte das instituições religiosas. Nesse caso elas têm uma dimensão transcendente, pois se destacam do plano material para atuar no espiritual. As esculturas podem estar presentes nos altares, ojubo, ou como parte dos paramentos que compõem as entidades nos festivais rituais.

A leitura dos símbolos se caracteriza por vários planos. O primeiro, que já significa, diz respeito à qualidade da matéria, ou substância, da escultura. Nós nos referiremos à madeira, que faz parte do atributo de determinados orixás. Basta dizer que, de acordo com a tradição, para cada ser humano que criava, Oxalá, orixá que representa o princípio masculino mais antigo da criação, criava uma árvore. Assim as árvores estão relacionadas à ancestralidade masculina.

As árvores ocupam uma presença importante no mundo sagrado: ramos e folhas podem representar filhos, descendência, ancestralidade masculina que garante a continuidade da vida por infindas gerações. Algumas são relacionadas ao culto aos ancestrais masculinos, e também estão presentes na simbologia do orixá Xangô.

As esculturas componentes do panteão do orixá Xangô são de madeira. Ele é o alaafin, o senhor do palácio, o rei, patrono das dinastias, da realeza de Oyó, capital política da tradição, que protege as comunidades e garante sua expansão, com muitos filhos em sucessivas gerações.


Convém dizer ainda da importância do grupo de escultores. Alguns são de famílias dedicadas a essa atividade por várias gerações e, portanto, muito respeitados nas sociedades tradicionais, não só pela técnica e estética adquirida ao longo dos anos, mas também pelo conhecimento da simbologia.
Iya Ibeji, a Mãe dos Gêmeos e o poder feminino

Os poderes e princípios femininos na tradição cultural nagô só se realizam pelo processo de interação e complementação com os princípios masculinos. Devemos acrescentar que o inverso também ocorre.
O mistério da continuidade ininterrupta da vida nesse mundo se processa pela concepção e gestação.
Os Ibeji, os gêmeos, literalmente nascidos dois, ibi+eji, e mais os da gestação subseqüente, denominados Taiyo ou Tayewo, Kehinde e Dou ou Eta-Òkò, fazem parte da constelação de entidades do panteão do orixá Xangô e de sua relação com o orixá Oxum.

Oxum é Iya mi akoko, Mãe ancestral suprema, que representa os poderes de fecundidade e fertilidade feminina.

Na escultura Iya Ibeji, temos uma recriação da simbologia da tradição referente ao mistério e poder feminino que, através da maternidade, garantem a continuidade da vida. A escultura de nossa autoria destaca a imagem de uma jovem mãe sentada, com duas crianças apoiadas em suas coxas, uma à direita, outra à esquerda. Seus braços se estendem às crianças em atitude de apoio. 

As crianças, por sua vez — uma com a mão direita, outra com a mão esquerda — seguram os seios pronunciados, representação da propriedade do poder feminino de transformar seu corpo em alimento e alento aos recém-nascidos. Com a outra mão, cada criança segura um abebe, emblema em forma ovalada, parecendo um leque com espelho, simbolizando a vaidade feminina, mas que expressa, sobretudo, o poder de fertilidade feminina, útero, ventre fecundado.

Outro abebe se destaca também na imagem esculpida de um ovoventre fecundado, caracterizando a continuidade das gestações. Contornando esse abebe, pequenas partículas de luminescências douradas aludem ao ouro, metal de infinda durabilidade, e de cor característica da entidade.
Abaixo, contornando a escultura, a imagem de águas correntes, símbolo do poder da fertilidade feminina, alusão ao corrimento sanguíneo dos ciclos menstruais que conotam o insondável mistério da feminilidade.
A audição do som ritmado das águas correntes indica que Oxum é a entidade patrona da música. O ijexá é seu ritmo por excelência. Uma célebre história narra a competição entre Oxum e Obá pala predileção de Xangô, envolvendo a orelha como símbolo de feminilidade, aqui combinada com a culinária. Na escultura, brincos pendentes nas orelhas ressaltam esse aspecto. Na parte de trás da escultura, destaca-se a figura de dois pássaros. Os pássaros e os grandes pássaros, assim como os peixes, fazem parte da simbologia das Iya-mi, nossas mães ancestrais. Penas ou escamas representam filhos descendentes desprendidos do corpo do pássaro mítico.
Uma história conta que no início dos tempos, Olorun, Deus, enviou sete pássaros ao mundo. Três pousaram na árvore do bem, três na árvore do mal, e um costuma voar de uma para outra árvore.
Na escultura, os pássaros ancestrais voltados para o poente são guardiões do mistério e do poder feminino.


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Marco Aurélio Luz é Doutor em Comunicação, escultor e escritor, autor do livro “Agadá: dinâmica da civilização africana brasileira”, dentre outros.
*imagens retiradas do livro Princesas Africanas

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Exú



Arquétipos:

Seus filhos são sensuais, dominadores e inteligentes. 

Gostam da vida cercada de barulho, muitas pessoas e romances de todo tipo. 

Adoram festas e não se prendem a ninguém, são muito impulsivos. 

Mas se amam alguém, dão sua vida se for preciso, sem pensar em nada. 

Gostam de ajudar e trabalhar, mas podem se tornar vingativos e extremamente cruéis.



quinta-feira, 3 de março de 2016

Omiero (água de calma).



Tratamento com folhas frescas.

- Duração: 
Quatro (4) semanas, um banho para cada semana, ou melhor, uma vez por semana.

Sábado: Yemanjá.

Domingo: Oxalá.

- Orixá regente:
Yemanjá para mulheres.
Oxalá para homens.

- Fase lunar:
A combinar.
De acordo com cada situação, cada fase lunar atua diretamente na função do tratamento, do objetivo e cada folha usada .

- Horário:
Matutino: para folhas de Yemanjá.
Noturno: para folhas de Oxalá.
(O banho de higiene é aconselhável toma-lo com o sabonete especial de acordo a cada situação.)

Cada folha e cada essência, tem função particular para cada tratamento, cada pessoa é um Universo singular.

- Procedimento do banho de folhas:

Após tomar o banho de higiene, entre em uma bacia, mentalize Yemanjá ou Oxalá, converse em voz baixa, quase sussurro, desabafe, agradeça e jogue lentamente na cabeça o banho de folhas frescas, sinta a energia das folhas entrar em seus poros, fazer parte de sua energia, do seu corpo físico, do seu Ser, sinta a VIDA das folhas re-estabelecendo toda a sua vitalidade, limpando o seu corpo, aguarde um puco para começar a se enxugar com uma toalha branca ou azul clara, vista uma roupa clara, recolha o resto do banho de folhas em um vasilhame limpo para que possa devolver para a natureza o que tomou dela.

Obs.:
Despache imediatamente o resto do banho em um lugar oposto de sua residência ou do local onde o banho foi feito, escolha a mais frondosa árvore sem espinhos, peça licença a árvore para transformar toda negatividade em positividade, em vida, saúde, sucesso, amor. prosperidade e felicidade, saia e não olhe para traz.

Mantenha acesa uma vela azul clara para Yemanjá ( mulheres), e branca para Oxalá (Homens ).


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

NÃO ENTRE PELA PORTA DOS FUNDOS NO CANDOMBLÉ !!!


Yemanjá: fiéis aderem aos presentes biodegradáveis para preservar meio ambiente



Mesmo com a chuva que cai na praia da paciência, na manhã dessa terça feira, devotos de Yemanjá não param de chegar com suas oferendas. 

Nos balaios há flores, cereais e frutos. Todos os produtos que poderiam ser consumidos pelos peixes.


Esse ano, os baianos preferiram não lançar às águas os tradicionais presentes como os espelhos e os frascos de alfazema, como forma de preservar o meio ambiente. 

Quem aderiu à prática garante que não há de se perder a tradição. “Invés do frasco de alfazema, jogamos apenas o perfume. 

Yemanjá gosta que seus filhos lhe presenteiem de qualquer forma. Inclusive, considera orações e canções os presentes mais bonitos. 

Não precisamos sujar as águas para isso”, explicou a baiana Maria Célia Almeida.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de se preservar as praias e, ao mesmo tempo, motivar a entrega de presentes biodegradáveis durante a festa de Yemanjá, a Secretaria Cidade Sustentável (Secis) lançou a campanha Balaio Verde. 

Faixas e banners com frases incentivando a prática da entrega de oferendas biodegradáveis estão distribuídos em pontos onde acontecem os festejos. 

Além disso, no Rio Vermelho uma equipe da Secis atua na praia instruindo quem escolhe por entregar presentes que causam impactos ao meio ambiente.

Durante os dias que antecederam as homenagens à orixá, a campanha ofereceu dicas simples de oferendas biodegradáveis para um balaio mais sustentável, sem deixar de lado o incentivo pela tradição. 

Entre elas: flores 100% naturais; pentes de madeira;  fitas e adereços de fibra natural; e a preferência  pelas bonecas de pano.

A saída, de fato, do presente de Iemanjá, de acordo com os fundamentos do candomblé, é no dia 30 de janeiro.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

21 de Janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa..


Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Na data, entidades atentam sobre a necessidade de respeitar a diversidade religiosa e reduzir os casos de crimes de ódio.

Entidades brasileiras celebram, nesta quarta-feira (21), o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. 

A data foi instituída em 2007 depois da morte da sacerdotisa do candomblé Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda. 

Após ter a casa e o terreiro invadidos por grupos de outra religião e o marido agredido, a iyalorixá morreu em decorrência de um infarto. 

Atualmente, o dia é uma oportunidade para atentar sobre a necessidade de se respeitar a diversidade religiosa e, assim, reduzir os casos de crimes de ódio no País.

Somente em 2014, o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), recebeu 149 denúncias de discriminação por motivação religiosa. 

A maioria, 26,17%, foram do Rio de Janeiro e, 19,46%, de São Paulo. 

O número representa uma redução em comparação com 2013, quando foram recebidas 228 ligações ao todo.

Entre as religiões mais discriminadas estão as de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. 

O mesmo balanço mostra que 35,39% das vítimas de discriminação por motivação religiosa eram negros, enquanto 21,35% eram brancos e, 0,56%, indígenas. 

Esses dados mostram que a intolerância religiosa também está ligada à discriminação racial.

Mãe Gilda – No dia 21 de janeiro de 2000 a mãe de santo sofreu um infarto após ser acusada de charlatanismo pelo jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). 

O veículo foi publicado com a seguinte manchete: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. 

A partir daí, grupos de outra religião invadiram a casa dela, agrediram seu marido e depredaram o terreiro que ficava no local.

Da Redação, Agência PT de Notícias com informações do Portal Brasil