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domingo, 6 de março de 2011

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA: A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS


INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA:

A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA UNIVESAL DO REINO DE DEUS AOS UMBANDISTAS



Publicado em: 10/10/2010

1. INTOLERÂNCIA RELIGIOSA A UMBANDA POR PARTE DOS NEOPENTECOSTAIS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS



Intolerância Religiosa é um termo que denomina a incompreensão, a falta de reconhecimento e respeito por uma determinada religião. Pode-se atribuir como causa diversos fatores como: religiosos, etnocentristas ou simplesmente por falta de conhecimento e informação. Cabe ao presente artigo discutir a intolerância religiosa como fruto de divergência religiosa, ressaltando a perseguição da Igreja Universal do Reino de Deus aos Umbandistas.



Atualmente a lei 11.635 referendada em 27 de dezembro de 2007 pelo Ministro Gilberto Gil e sancionada pelo Presidente Luis Inácio da Silva, estabeleceu o dia 21 de janeiro como o dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa.
Aponta-se como provável causa da escolha por essa data, o aniversario de falecimento da Mãe Gilda de Ogum, mãe-de-santo que sofreu um infarto fulminante após ver seu nome e imagem atrelados a uma reportagem do Jornal Folha Universal da Igreja Universal do Reino de Deus em uma matéria intitulada "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes" e ter seu terreiro invadido por fiéis neopentecostais.



É sabido que o Brasil é um dos países mais ricos em diversidades étnicas, constituído por uma pluralidade cultural e religiosa, mas que ainda possui uma dificuldade imensa em conviver com o diferente. Convivemos com o preconceito, tentamos maquia-lo, porém fica nítido que ainda participamos do branqueamento da história, em negar, ou melhor, recusar-se a aceitar a presença da influencia negra e de suas religiões.



No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz afro-brasileiros – a Umbanda em especial - a grande maioria das pessoas são influenciadas pelo senso comum de que a Umbanda é coisa do mal, primitiva e pagã. Aponta-se para tal repudio diversos fatores, porém o que nos chama mais atenção é a crueldade na qual o Bispo Edir Macedo descreve a Umbanda.



Em seu livro publicado pela Editora Gráfica Universal Ltda., no ano de 1990 intitulado "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" O Bispo Macedo faz uma analise preconceituosa, distorcida e ofensiva sobre a Umbanda e suas entidades.

O que nos chama mais atenção para o conteúdo de tal livro, é a influencia que ele exerce sobre os "seguidores" de tal religião. Ele insufla seus fiéis a serem preconceituosos e a desrespeitar os umbandistas.



"... o bispo Macedo tem desencadeado uma verdadeira guerra santa contra toda obra do diabo. Neste livro, denuncia as manobras satânicas através do kardecismo, da umbanda, do candomblé e outras seitas similares; coloca a descoberto as verdadeiras intenções dos demônios que se fazem passar por orixás, exus, erês, e ensina a fórmula para que a pessoa se liberte do seu domínio."



Mesmo tido como um país laico, o Brasil desenvolve uma espécie de mecanismo para recusar religiões de matrizes africanas. Ao longo do período colonial os negros escravos foram proibidos de cultuar seus deuses e impostos à catequese, durante o estado novo observa-se uma grande repressão aos terreiros que ao mesmo tempo em que eram reprimidos também eram explorados, pois para atuarem precisavam pagar altos impostos.



Segundo a Constituição Federal de 1988 em seu 5° artigo observa-se uma grande conquista, pois estabeleceu que todos são iguais perante a lei, garantindo aos residentes no Brasil liberdade, igualdade e segurança.

Cita também a liberdade que o cidadão brasileiro terá para exercer cultos religiosos, garantindo proteção aos locais de culto e liturgia.

"Art. 5°. Todos são iguais perante a lei. [...]

VI. É inviolável a liberdade de consciência e crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Sendo assim conclui-se que a liberdade religiosa tem respaldo constitucional. Porém a realidade é outra. Diariamente observamos atos de preconceito religioso, mas no que concerne a Umbanda pouco se tem feito para evitar. No livro Candomblé – Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa de Rafael Soares, alguns casos citados para ilustrar o grau assustador que o desrespeito e o preconceito aos candomblecistas e umbandistas chamam a atenção:

"Encontradas em orelhão do Shopping Iguatemi, de Salvador, BA, frases que comparam Senhor do Bonfim e Oxalá ao Diabo.A ialorixá Jacira Ribeiro dos Santos, do Terreiro Axé Abassá de Ogum, em Itapuã foi agredida fisicamente e verbalmente por dois evangélicos da Assembléia de Deus."

Como se observa, o dia em que haverá respeito à liberdade religiosa que o cidadão possui garantida por lei está longe. Um exemplo prático de desrespeito é o livro que o Bispo Edir Macedo escreveu, e que consequentemente incitou seus fieis a serem preconceituosos será usado para elucidar a intolerância religiosa a Umbanda por parte dos evangélicos.

"Sempre desejei colocar em um livro toda a verdade sobre os orixás, caboclos e os mais diversos guias, os quais vivem enganando as pessoas e, fazendo delas "cavalos", "burrinhos" ou "aparelhos", quando Deus as criou para serem a Sua imagem e semelhança."



Para quem não possui conhecimento sobre a ideologia umbandista, quem desconhece o significado dos rituais e para quem não sabe o que é e quem são os orixás, as palavras usadas para denominar a Umbanda na concepção de

Edir Macedo pode até ser palpáveis, ainda mais quando mais de 2 milhoes de pessoas o enxerga como ídolo e simbolo de pureza.

Primeiramente associar um Orixá ao demonio para um umbandista, soa como comparar Nossa Senhora Aparecida ao Diabo para um catolico. O desrespeito ao primeiro é o mesmo que o segundo. Um orixá é um deus que representa um elemento da natureza, segundo Patrícia Birman são divindades africanas relacionados com determinados domínios da terra. Não existe nada de diabólico como prega muitas pessoas.

Segundo Vagner Gonçalves os cultos afro-brasileiros, por serem religiões de transe, de sacrifício animal e de culto aos espíritos tem sido associados a certos estereótipos como "magia negra", isso pode ser explicadas pelo fato dessas religiões serem originarias de segmentos marginalizados da nossa sociedade: "coisa de negro". A Umbanda é a síntese do encontro da cultura e da religião de três povos: índios, negros e brancos. A soma das crenças destes três deu base para a doutrina da Umbanda, mais tarde somada a preceitos espíritas da corrente kardecista.

"O povo brasileiro herdou, das práticas religiosas dos índios nativos e dos escravos oriundos da África, algumas "religiões" que vieram mais tarde a ser reforçadas com doutrinas espiritualistas, esotéricas e tantas outras que tiveram mestres como Franz Anton Mesmer, Allan Kardec e outros médiuns famosos. Houve, com o decorrer dos séculos, um sincretismo religioso, ou seja, uma mistura curiosa e diabólica de mitologia africana, indígena brasileira, espiritismo e cristianismo, que criou ou favoreceu o desenvolvimento de cultos fetichistas como a umbanda, a quimbanda e o candomblé."

Edir Macedo parte do pressuposto etnocentrista que as demais doutrinas religiosas são pagas. Somente a doutrina seguida pela Universal do Reino de Deus é a certa. Ao longo de seu livro os orixas são comparados a demonios de forma continua.

"No candomblé, Oxum, Iemanjá, Ogum e outros demônios são verdadeiros deuses (...) Na umbanda, os deuses são os orixás, (...)Na realidade, orixás, caboclos e guias, sejam lá quem forem, tenham lá o nome mais bonito, não são deuses. (...)são espíritos malignos sem corpo, ansiando por achar um meio para se expressarem neste mundo, não podendo fazê-lo antes de possuírem um corpo."

Ao longo de seu livro além de ironizar as mães e pais de santo, os orixás, o culto religioso, fica nitido o desejo de Macedo de insuflar seus fieis contra o povo umbandista. Macedo discreve possiveis formas de contrair um demonio, tais como a convivencia com um umbandista, até a comida feita por um. Algo além do preconceito é a acusação de que a comida feita pelas baianas seriam nocivas a saúde. Fato que sabemos que é inócuo.

"Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas baianas estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago. Quase todas essas baianas são filhas-de-santo ou mães-de-santo que "trabalham" a comida para terem boa venda."

A idéia da possessão também é discutida no livro de Macedo. Sempre de uma forma distorcida e preconceituosa, ele a descreve como "estado em que uma pessoa é possuída por espíritos imundos", mas na verdade trata-se de uma mudança radical, que segundo Patrícia Birman coloca em cheque várias idéias preconcebidas que cultivamos na nossa cultura. Possessão é o contato com o sobrenatural, em poucas palavras, uma pessoa recebe em seu corpo o espírito de outra. Uma vez possuída a pessoa age sobre a vontade do espírito que a tomou. A pessoa possuída se torna irreconhecível. Observe:

"A idéia de possessão não está vinculada somente aos cultos afro-brasileiros. Aqui, em nosso país, esse fenômeno se apresenta em muitos cultos distintos que seguem princípios religiosos variados,"

Até mesmo uma lista de sintomas que indicam que a pessoa está possuída o Bispo Edir Macedo tratou de formular. Esta lista possui 10 sintomas como: nervosismo, dores de cabeça constantes, insônia, medo, desmaios ou ataques, desejo de suicídio, doenças que os médicos não descobrem as causas, visões de vultos ou audição de vozes, vícios e depressão.

Tento formulado os sintomas de como a possessão se manifesta, Macedo faz outra afirmação que deixa nítido o preconceito e o desrespeito:

"O diabo tem tentado confundir o povo e até certo ponto tem sido bem-sucedido. O Brasil, por exemplo, tem mais de um terço da sua população nas suas garras. São mais de 40 milhões de espíritas que estão enganados e precisam conhecer a verdade só revelada por Jesus. O que sobra da população brasileira, ora vive consultando os "guias" nos terreiros, ora vive amedrontada e escondida. Poucos são os que têm a coragem de entregar a Cristo suas vidas e se alistarem na luta contra o diabo e seus demônios."
Edir Macedo afirma que o diabo anda pelas ruas a espera de uma vitima. Um suposto auxiliar da criatura maligna induz os bons a frequentarem os terreiros, para que lá recebam o demonio. Para ele o fato de se entrar em um terreiro, ou mesmo conviver com um umbandista é motivo suficiente para estar possuido por um demonio. Segundo Macedo "Essa religião tão popular no Brasil é uma fábrica de loucos e uma agência onde se tira o passaporte para a morte e uma viagem para o inferno".

Desde o inicio dos tempos, cada sociedade buscou entender o homem e sua origem. A busca pelo entendimento de como a humanidade e tudo que está a sua volta se formou, foi sempre uma duvida em todas as sociedades, e cada uma delas desenvolveram um mito. Segundo a tradição cristã, por exemplo, foi Deus quem criou tudo; já para os africanos foi Olorun o criador do mundo, e ao criar os seus orixas terminaria de criar tudo o que existe na natureza.

Na concepção umbandista, cada individuo tem um orixá, que possui a necessidade de ser alimentado. Ao identificar o orixá, determina-se que tipo de oferenda é a correta. Exemplo: se uma pessoa possui como orixá Iemanjá, é errôneo oferecer a ela cachaça numa encruzilhada, já que esta é a preferência dos Exus. É o orixá que determina fatos que aconteceram na vida de uma pessoa, assim como o comportamento desta. Essa personalidade segue as características de seu orixá.

Ao descrever o que são as oferendas, e como elas são feitas, Macedo resume a oferenda a um orixá como pacto com o demônio para conseguir algo em troca. Em poucas palavras a define assim:

"Muitas pessoas estão hoje nas mãos dos espíritos demoníacos devido à impaciência. (...) Quiseram a solução rápida, a resposta imediata; não se preocuparam com o meio correto para alcançá-las. Conclusão: acabaram perturbadas, doentes e endemoninhadas. É aí que entra a umbanda, quimbanda, candomblé (...), que são os principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria. Os "trabalhos" e "despachos" são exigências dos demônios e podem ser os mais variados possíveis, indo de comidas e bebidas até os mais diversos presentes. (...) Todos os trabalhos e despachos têm uma única finalidade: satisfazer ao "santo" para conseguir favores, a curto prazo. É feito um negócio entre a pessoa e o demônio."



Segundo a crença umbandista, os orixás interferem na nossa vida, por isso os rituais são feitos especialmente para homenageá-los. As oferendas oferecidas a eles são os despachos feitos em locais que imaginam que os orixás possam estar. Exemplo: as oferendas oferecidas a Iemanjá – por ela ser uma divindade das águas salgadas – são feitas no mar ou nas praias.

Ao longo de seu livro Macedo discreve sua igreja como o lugar perfeito para manter-se em contato com Deus, reduz as praticas umbandistas e esotericas a atividades satanicas, cujo o único intuito é causar o mal. Mas vale lembrar que o homem que tanto prega a Deus, ao longo de sua carreira o que mais vem demonstrando é o desrespeito as demais religioes. Um artigo da revista VEJA mostra o grau da intolerancia religiosa que Edir Macedo incita em seus fieis:

"A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa entregou ontem ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Martin Uhomoibai, e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial relatório que diz existir uma "ditadura religiosa" promovida pelos neopentecostais no Brasil. O documento aponta a Igreja Universal do Reino de Deus como propagadora da intolerância religiosa no país, incitando a perseguição, o desrespeito e a "demonização", especialmente da umbanda e do candomblé."

Se o preconceito não estivesse presente nas falas de Edir Macedo, provavelmente não veríamos lastimável fato. Constantemente seu nome está ligado a episódios dramáticos de preconceito. Seu livro "ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS: Deuses ou Demônios?" foi tão preconceituoso, que sua venda foi suspensa.

"A juíza Nair Cristina de Castro, da 4ª Vara da Justiça Federal da Bahia, determinou na noite de quarta-feira (9) a suspensão da venda do livro "Orixás, Caboclos e Guias Deuses ou Demônios?"escrito pelo bispo Edir Macedo, (...) A ação civil pública contra a venda do livro foi movida pelos procuradores Sidney Madruga e Cláudio Gusmão, que consideraram a obra "degradante, injuriosa, preconceituosa e discriminatória" em relação às religiões afros-candomblé, umbanda e quimbanda."

Sendo assim, fica nítido que o mau exemplo dado por um líder religioso como Edir Macedo só faz aumentar o preconceito contra as religiões de matrizes afro, e anula quaisquer possibilidades de erradicar a intolerância religiosa. Em uma sociedade cujo homem desfruta do livre arbítrio, o que deve predominar é o respeito à pluralidade e as diversas formas de manifestações divinas.

Episódios tristes diariamente chamam nossa atenção no que concerne ao preconceito que os adeptos das religiões afros sentem. Terreiros constantemente são invadidos por fiéis das igrejas neopentecostais da Universal do Reino de Deus. Tal preconceito reflete nas ruas, nas escolas e em locais públicos como hospitais.

Temos que o Brasil considerado como um país laico deveria oferecer liberdade religiosa a todos, mas podemos observar que tal direito restringe-se somente aos papéis, pois aqueles que seguem uma doutrina diferente daquelas predominantes ficam sujeitos a serem rechaçados e ironizados, como é o caso dos milhares de adeptos das religiões afro que acabam por serem denominados por macumbeiros, palavra de significado deturpado, pois na realidade significa antigo instrumento musical de percussão.

Ao longo da historia observa-se diversas formas de se explicar Deus, seja de forma politeísta ou não. Cada sociedade deve ter o direito de expressar suas crenças, assim como todo cidadão também, ainda mais quando existe um respaldo jurídico como no Brasil. Independente de credo ou etnia o importante é manter o respeito à diversidade cultural.



NOTAS



 Religião formada no Brasil (...) por uma seleção de valores doutrinários e rituais, feitos a partir da fusão dos cultos africanos congo-angola, já influenciado pelo nagô, com a Pajelança (...) sofrendo ainda influencias dos malês islamizados, do catolicismo e do espiritismo(...)(CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 242)



Edir Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 18 de fevereiro de 1945, é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que possui cerca de dois milhões de fieis. Nasceu em uma família católica, e por muitos anos também foi. Sabe-se que por muito tempo também freqüentou terreiros umbandistas, para depois tornar-se evangélico. Até que em 1977 fundou sua própria igreja – Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje além de Bispo, também é proprietário da emissora Rede Record e escritor evangélico.

 MACEDO, Edir, Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demonios? Ed. Grafica Universal, 1990, p. 3-4.
 Constituição da Republica Federativa do Brasil.Disponível em: . Acesso em: 10 junho. 2010, 16:30:30.
 OLIVEIRA, Rafael Soares. Candomblé Diálogos fraternos para superar a intolerância religiosa. 2° ed. Rio de Janeiro, Koinonia, 2007, p.10.
Apud MACEDO... p.6
Apud Ibid., p. 8.
 Etnocentrismo é a visão de mundo que um grupo de pessoas, ou uma sociedade, possui de outra. Muito mais que uma visão de mundo, é uma opinião sobre a cultura daquele povo, vista a partir de um julgamento, utilizando-se a cultura de seu povo como padrão. Trata-se da dificuldade em aceitarmos a diferença.
 Apud Ibid., p. 9-10.
 Apud Ibid., p. 31.
 BIRMAN, Patrícia, O que é Umbanda. São Paulo, Coleção Primeiros Passos, Ed. Abril Cultural/ Brasiliense, 1985, p. 8.
Apud MACEDO... p. 52.
"Olorun Deus Supremo dos iorubas, criador do mundo, mas que não tem altares nem sacerdotes. Criou o homem e a mulher, grosseiramente, de barro. Mandou seu filho Obatalá fazer os detalhes (membros e feições) e insuflou-lhes vida. Encarregou Obatalá (Oxalá) de dirigir o mundo e as criaturas." (CACCIATORE, Olga Gudolle,1977, pag. 192)
 Apud Macedo... p. 77.
Escrito pelo colunista Reinaldo Azevedo
 Comissão vai á ONU acusar Igreja Universal de intolerância religiosa: Revista Veja, 2009. Disponível em:. Acesso em: 11 junho. 2010, 10:15:30.
Juíza suspende venda de livro do bispo Edir Macedo: Folha Online, 2005. Disponível em: . Acesso em 11 junho. 2010, 19:45:30.

sexta-feira, 4 de março de 2011

* Mistura Profana



Sincretismo - Mistura Profana



No sincretismo brasileiro,


o catolicismo se mesclou


a ritos indígenas, cultos


afro-brasileiros e espiritismo kardecista


Católica fervorosa e organizadora de uma festa do Divino que dura 15 dias, Maria Celeste Santos, a dona Celeste, é figura de destaque em São Luís do Maranhão. Quando o papa João Paulo II visitou a cidade, em outubro de 1991, ela foi escolhida para lhe entregar uma bandeja de prata em nome da população. Na época, porém, circulou pela cidade o boato de que o presente havia sido oferecido à Sua Santidade pelo vodum Averequetê, que teria se incorporado em dona Celeste durante a solenidade. Embora não comente o episódio, ela sempre assumiu que é consagrada a Averequetê.

Além de católica praticante, dona Celeste é também uma das líderes espirituais da Casa das Minas, um terreiro fundado em 1840 para cultuar os voduns, divindades africanas trazidas para o Brasil pelos escravos.



dona Celeste


A fusão de doutrinas aparentemente antagônicas não é uma exclusividade de dona Celeste. Por todo o País, o sincretismo prolifera em terreno fértil, em especial entre católicos e seguidores de cultos afro-brasileiros. Os últimos somam mais de dois milhões de praticantes. Segundo o escritor Reginaldo Prandi, especialista em sociologia das religiões, no Brasil o sincretismo se forma no século XIX, quando os escravos deixaram o confinamento das senzalas e passaram a viver nas cidades. “Eles já haviam experimentado uma assimilação intensa do catolicismo e começaram então a reconstituir suas religiões”, diz Prandi.



Um fator fundamental na formação do sincretismo é que, de acordo com as tradições africanas, divindades conhecidas como orixás governavam determinadas partes do mundo. No catolicismo popular, os santos também tinham esse poder. “Iansã protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara protege contra raios e tempestades. Como as duas trabalham com raios, houve o cruzamento”, explica Prandi. Cultuados nas duas mais populares religiões afro-brasileiros – a umbanda e o candomblé – cada orixá corresponde a um santo católico (leia quadro). Ocorrem variações regionais. Um exemplo é Oxóssi, que é sincretizado na Bahia com São Jorge mas no Rio de Janeiro representa São Sebastião.



Além dos orixás, os escravos vindos da África reverenciavam os voduns e entidades conhecidas como inquices, entidades ancestrais. A adoração aos voduns, contudo, não proliferou no Brasil. Seus seguidores ficaram restritos ao Maranhão, enquanto os inquices sequer foram trazidos, pois seriam presos à terra e, aqui, acabaram substituídos pelos índios. “Os caboclos da umbanda são, na verdade, os antigos habitantes da terra que ocuparam o lugar dos inquises”, relata Prandi.



O professor Antônio Flávio Pierucci, do departamento de sociologia da USP, afirma que a umbanda é a mais sincrética das religiões afro-brasileiras, tendo acentuado seu lado ocidentalizado com o kardecismo e continuando cada vez mais híbrida. “Sua tendência mais recente é a incorporação dos elementos mágicos da chamada Nova Era”, completa. Em alguns terreiros, portanto, o frequentador pode receber um indicação de Floral de Bach junto com o passe. São os reflexos de uma mescla que tem legitimidade social. Não é à toa que no maior país católico do mundo, a passagem do ano é uma festa profana, com brasileiros de todas as origens sociais vestidos de branco, fazendo suas oferendas para Iemanjá.



Fonte: revista "Isto É"



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

* Lista de federações e associações de umbanda e candomblé





Federações, Associações e orgãos representativos das religiões afro-brasileiras, são orgãos representativos importantes para Umbanda, Candomblé e todas as Religiões afro-brasileiras.



As religiões afro-brasileiras, Candomblé, Umbanda e outros cultos afro., devido á sua expansão e actual divulgação pelo Brasil, Portugal, América do Sul, Europa e Africa, encontram-se representadas por federações, associações, nucleos, grupos, etc., que tutelam, legalizam e representam os dirigentes espirituais e suas casas de culto, assim como seus filhos espirituais (seguidores). Aqui estão representados alguns dos mais importantes e conhecidos orgãos representativos:



Fauers - Federação Afro-Umbandista e Espiritualista no Rio Grande do Sul

Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira.

Conselho Nacional da Umbanda do Brasil.

Superior Orgão de Umbanda do Estado de São Paulo.

Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo.

Federação Internacional de Estudos das Tradições Religiosas e Culto aos Ancestrais Afro-Brasileiros.

Federação Brasileira de Umbanda.

União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil.

Organização Federativa de Umbanda e Candomblé.

Federação de Umbanda do Brasil.

União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros.

Superior Orgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro.

Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira(yorùbá).

Federação Europeia de Umbanda e Cultos Afro.



PORTUGAL & EUROPA



Federação do Culto Afro-Brasileira - Portugal.

APCAB - Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira(yorùbá)

FEUCA - Federação Europeia de Umbanda e Cultos Afro.




BRASIL



FAUERS - Federação Afro-Umbandista e Espiritualista no RS

INTECAB - Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira

CONUB - Conselho Nacional da Umbanda do Brasil

SOUESP - Superior Orgão de Umbanda do Estado de São Paulo

FUCESP - Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo

FIETRECA - Federação Internacional de Estudos das Tradições Religiosas e Culto aos Ancestrais Afro-Brasileiros

FBU - Federação Brasileira de Umbanda

UTUCB - União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil

PRIMADO DE UMBANDA - Organização Federativa Nacional, de caráter religioso e iniciático

PRIMADO DO BRASIL - Organização Federativa de Umbanda e Candomblé

FUB - Federação de Umbanda do Brasil

UUCAB - União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros

SOI - Superior Orgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afro.

APAACABE - Associação de Proteção ao Amigos do Culto Afro Brasileiro e Espírita



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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A ORIGEM DAS PALAVRAS UMBANDA E QUIMBANDA

UMBANDA



É nosso dever, trazer para nossos irmãos umbandistas, esclarecimentos sobre os cultos afro-brasileiros; é o que fazemos através de nossas Pesquisas Ecléticas.



Muitos têm compreendido o termo de origem da palavra Umbanda ao contrário da fonte verdadeira na qual se originou.



Pois bem. Quem está com a palavra sobre essa explicação é o saudoso Tata Ti Inquice, Tancredo, eu apenas transcrevo o tema.



Esse vocábulo, Umbanda, tem sua origem no substantivo feminino do segundo gênero (Banda). Banda tem origem no dialeto Banto, e quer dizer lugar, cidade; o vocábulo (Umbanda) nasceu do nosso linguajar, porque o sentido real de banda é, todos vindos de diversos lugares ou reunidos daqueles lugares.



Pelo entrosamento do dialeto Banto e o idioma falado no Brasil (português), surgiu o impulso do conjunto e traços culturais estreitamente ligados entre si, formando a palavra Um – Banda, pois Um é o adjetivo único, contínuo, singular, indivisível, e juntando este ao substantivo, expressou-se dentro nosso linguajar, a palavra Umbanda.



O dialeto, os costumes morais e as crenças religiosas deram os traços marcantes e culturais no nosso linguajar, pelo fenômeno da acomodação e os complexos das palavras em nosso idioma devido à essa aculturação.



Portanto uma coisa é certa, nosso idioma recebeu dentro do seu conteúdo gramatical, grandes influências dos dialetos africanos.



QUIMBANDA



Com esse vocábulo,Quimbanda, acontece a mesma incompreensão sobre o seu termo de origem.



Muitos chegam a afirmar que Quimbanda é o lado negativo da Umbanda; e para ser mais claro, dizem, onde se pratica a magia negra.



Como nós já sabemos a magia não tem cor, nem é branca, nem é negra; magia é só uma. O bem ou o mal está na intenção de cada um, pois se é verdade que podemos pensar positiva ou negativamente, verdade é que tudo que desejarmos ao próximo, receberemos em dobro.



Entretanto este substantivo feminino, Quimbanda, não sofreu influência do nosso linguajar; ele acha-se dentro do nosso conteúdo gramatical, da mesma maneira real que surgiu de sua verdadeira fonte de origem, que é o Quimbundo*.



Então Quimbanda tem sua fonte de origem no Quimbundo que é uma mistura de dialetos africanos, criado pelo governo para ser ensinado nas escolas das colônias portuguesas, afim de que todos angolenses se entendessem entre si nas regiões tribais de Angola e Moçambique.



Baseado nesta estrutura vejamos: quim ou kim, quer dizer em linguagem africana, médico ou grão-sacerdote dos cultos Bantos. Banda quer dizer lugar ou cidade.



Resumindo, chegamos à conclusão de que em nosso idioma, quimbandeiro quer dizer Grão-sacerdote dos cultos Bantos, vindos de Angola, Moçambique e Benguela.



* Língua banta dos bundos ou ambundos (Angola, África); ambundo, andongo, bundo, dongo, luanda, quindongo, e língua de Angola.



ALQUIMIA



A Alquimia é filha da Cabala, assim sendo, vamos buscar nela alguma coisa sobre a geração humana.



Desnecessário seria explicar que o umbigo é uma cicatriz, vestígio da nossa – união com a Mãe Terra.



Este sinal, que tanto o homem como a mulher tem no seu organismo externo, poder-se-ia dizer que, este é o verdadeiro apêndice de igualdade entre os dois sexos. Os Mestres alquimistas, dizem que o umbigo é a ilha do mar do ventre, que é regido pelas águas. É o oásis intermediário entre os dois mamilos da mulher, e o externo do homem, e o jardim de Vênus ou dos Espérides que existe tanto no homem como na mulher.



Contudo sendo a Alquimia o estudo secreto mais adiantado do nível das leis cabalísticas de afinidade sobre a geração humana, que aqui divulgo para elevar os conhecimentos de seguidores da Umbanda, e por isso, não possa dar nenhuma explicação mais detalhada até chegar o momento certo, posso porém adiantar que o umbigo é a porta pela qual aparecem os Elementais na água, na terra, no fogo e no ar do nosso microcosmo.



O homem primitivo não era dotado desse sinal (umbigo) pelo menos no lugar onde o temos hoje, mas tinha algo em seu Chacra Frontal que muito parecia com o nosso umbigo atual.



As mulheres pitris tinham o seu filho em uma frondosa vegetação, onde hoje temos o nosso umbigo e o Chacra.



Depois, por autodefesa, foram exercendo uma verdadeira absorção do seu sentido de maternidade, de maneira que o filho fosse gerado internamente, sendo o umbigo o seu lugar de expulsão durante o parto.



Este porém, nunca esteve completamente fechado, servindo como via respiratória para o feto.



Por estes fatos se pode observar toda a metamorfose sofrida por esta parte do nosso organismo, isto é, olhos, nariz e útero, peças de inestimável valor no nosso conjunto fisiológico.



O mistério de nossa anatomia oculta, esta representado por três nós a saber:



1o O nó físico – umbigo

2o O nó psíquico – o ânus

3o O espiritual – no grande artelho do pé esquerdo, onde se fecha a nossa aura.



Estes representam os três círculos mágicos e se manifestam dentro dessa relação que representa o homem, o demoníaco e o Divino.



Os ocultistas, os iniciados e os agnósticos sabem que o macho e a fêmea voltarão a se fundir novamente no grande andrógino, no dia em que se abra outra vez o umbigo da mulher, para nele penetrar completamente o homem.



O umbigo fala, pois é a boca do nosso sexto corpo.



Certo tipo de sibilas e adivinhos, colocavam o ouvido esquerdo sobre o umbigo das vestais do templo e interpretavam em símbolos e mensagens os barulhos de seus ventres.



Os sacerdotes e sacerdotisas do Sol, pintavam no ventre (em ouro, os homens e em prata, as mulheres), um sol de raios refulgentes cujo centro era o próprio umbigo.



E não estaria completa esta enumeração se não nos referíssemos àquele maravilhoso cerimonial do aquelarre medieval, realizado em um altiplano do bosque onde existisse uma árvore com o tronco oco e furado a uma certa altura, para que servisse como caverna e altar onde se manifestaria a potestade do demônio.



A Alquimia mostra como era o nosso antecessor, o grande andrógino. Era uma criação da vida sexual e se bastava a si mesmo para procriar; não tinha porém umbigo, pois nascia unido por um cordão duplo, que se ajustava ao Chacra Frontal e ao Coronário, com os quais tinha a sua comunicação mãe-pai. Disto se depreende que o umbigo é o primeiro símbolo do homem fracionado em suas duas metades, fêmea e macho, e ao mesmo tempo a peça de engrenagem de ambos. Nos atos do coito primitivo e quase instintivo, não saberíamos dizer se existia a união dos umbigos.



Bibliografia:

TECNOLOGIA OCULTISTA DA UMBANDA

Tancredo da Silva Pinto