CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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sábado, 30 de abril de 2011

* Povo Iorubá na África de hoje


A Iorubalândia é uma região africana que compreende parte da Nigéria e do Benin, antigo Daomé, habitada pelo povo iorubá.



Os nagôs ou iorubás - cujo território, a chamada Iorubalândia, apresentava notável grau de urbanização e apresentou ao mundo uma das mais belas e profundas tradições esculturais do planeta, com a estatuária de Ifé - não ficavam atrás.

Conheciam o comércio, a moeda, a escravidão. Possuíam vasta escravaria, na verdade. E o escravo requerido em sacrifício pelos orixás era degolado, enterrado vivo ou tinha os membros amputados.


fonte : Revista Nossa HistóriaAno 1 - n 4 - Fev 04
artigo : Escravos de escravos
por : Antonio Risério escritor e assessor especial do Ministério da Cultura do Brasil."


É difícil não admitir que a partilha colonial da África Ocidental constitui o fator isolado mais significativo dessa diferença gritante, observada ainda hoje, em vários níveis, entre a Iorubalândia daomeana e a nigeriana.

No seu estudo comparativo, Asiwaju assinalou que, antes da partilha, “a Iorubalândia Ocidental constituía uma entidade geográfica, cultural e histórica.

Os diversos grupos iorubas ocupavam áreas contíguas.”Mesmo que essa unidade cultural não se traduzisse numa unidade política, o sentimento de pertença a uma mesma família era profundo entre os povos iorubas ocidentais.

A atual dispersão dos grupos iorubas ocidentais, nos dois lados da fronteira Nigéria-Daomé é, portanto, o resultado da partilha colonial de 1889, que fragmentou antigos reinos e repartiu-os entre a França e a Grã-Bretanha, criando uma fronteira ou uma barreira que antes nunca havia existido.

Assim, o pouco interesse demonstrado, até recentemente, pelos especialistas iorubas, em relação a Iorubalândia daomeana, deve-se principalmente à fronteira colonial, que a elite culta, ao contrário dos camponeses, tende a equiparar a uma fronteira cultural.

Uma vez que a maioria dos falantes do ioruba se encontra na Nigéria, esse tipo de atitude e situação levanta a questão de se perguntar se o termo ioruba pode se aplicar aos grupos chamados de anagôs, no Daomé, e ana, no Togo. É por isto que – embora os primeiros textos e estudos tenham enfatizado as afinidades entre os falantes do ioruba – a questão foi retomada por Igue e Yai, particularmente, no que tange à historiografia da Iorubalândia daomeana.

O “conceito” de ioruba, observaram eles, é ambíguo.

No Daomé, assim como na Nigéria, os diferentes grupos de falantes do ioruba não se auto identificam como iorubas. Referem-se a si próprios como sabe, idaisa, ketu, ohori, etc., embora fixem sua origem em Ifé e Oduduwa.

Esse “conceito tradicional” de ioruba é dominante no Daomé, onde os diferentes grupos iorubas preservam ciosamente seus nomes tradicionais.

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