CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Orí


Não se fala nunca: Meus olhos são bons, se diz: Minha cabeça é boa!

Orí é sem dúvidas a Divindade mais importante para o Candomblé. 

Dizemos Divindade, pois Orí, que habita a cabeça do ser humano e que é a própria cabeça do ser humano, é considerado também um Òrìsà.

Orí é a primeira Divindade a ser louvada. Conforme excerto do Itan Ifá que ilustra essa postagem, Ori abençoa o homem antes de qualquer Divindade. Nenhuma Divindade abençoa uma pessoa sem o conhecimento de Orí.

Orí é a existência individual de cada ser humano. Quando uma pessoa é iniciada na Religião dos Òrìsàs, é no Orí, por meio do Òsù, que a Divindade que a rege será "posta". 

Essa ligação dar-se-á por meio do "gbéré". Esse vínculo é somente interrompido quando dá morte do iniciado, quando esse Òsù é retirado, para que a pessoa retorne ao Orun (Céu), da mesma forma que chegou no Aye (Terra). 

Uma antiga história africana ilustra a importância de Ori, na escolha que as pessoas realizam em suas vidas.

Não se fala nunca: Meus olhos são bons, se diz: “Minha cabeça é boa".

Quando Olhos e Cabeça chegaram ao mundo, Olhos era o primogênito e Cabeça (Orí) o caçula. Um dia o seu pai, Olodúnmarè, o criador de todas as coisas, encheu uma cabaça de carne de carneiro e de massa vermelha feita com azeite de dendê. Ele a embrulhou em um belo pano de seda e, numa segunda cabaça, ele colocou ouro, prata e pérolas preciosas, envolvendo-a em trapos sujos.

Olodúnmarè então convidou seus dois filhos para vir escolher cada um, uma cabaça a seu gosto. 

Olhos escolheu a cabaça envolvida no belo pano de seda, ficando admirado com o brilho. Orí (Cabeça) preferiu a outra, envolta em trapos sujos. 

Uma vez tirado o tecido de seda, Olhos abrindo a cabaça achou carne e massa, convidando seus amigos para comungarem daquela comida. 

Orí, por sua vez, desembrulhou a sua cabaça e depois de aberta achou uma camada de areia.

“Como! Pai colocou areia na cabaça! não tem nenhum alimento para que eu possa comer. 

Que seja! já que foi meu pai que me deu, vou conservá-la assim mesmo”, afirmou Cabeça. 

E levou-a com todo cuidado para casa. Uma vez em casa, Orí, intrigado, perguntou se a cabaça continha mesmo só areia. Abriu novamente e achou no meio da areia prata, depois achou ouro e muitas pérolas preciosas. “Minha cabeça vale muito mais do que os olhos do meu irmão”, afirmou Orí.

E assim, Cabeça ficou rico. 

Depois de algum tempo, Olodunmare chamou seus filhos para lhes perguntar: "Então! o que acharam nas suas cabaças?" Olhos respondeu: "Eu, o primogênito, achei somente carne de carneiro e massa". 

Cabeça respondeu: "Na minha cabaça tem tudo o que representa a riqueza". 

Então o pai disse: "Olhos, você foi muito ávido, a vista da seda te tocou e você quis tê-la, Cabeça, que refletiu, soube pegar a cabaça envolvida em trapos, mas cujo interior escondia uma riqueza. 

Doravante, é Cabeça que será o primogênito e você será o caçula.

Tinha-se o hábito de chamar você (olhos) em primeiro lugar, a partir de agora será Cabeça (Orí) que será chamado primeiro. Orí sempre será louvado primeiro. Desde então, quando se tem sorte, se diz: "Meu Orí é bom" e não mais "meus olhos são bons".

Além de nos mostrar a importância singular de Orí (Cabeça) em nossas vidas, mostra que jamais devemos nos encantar com tudo que aparece diante de nossas vistas.


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