CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quizilas – Preceitos Rituais (1ª Parte)



No que diz respeito à relação entre tabus alimentares dos orixás e proibições impostas a seus filhos a partir dos mitos africanos, é compreensível que, devido à proibição de “comer do mesmo material de que a cabeça é feita”, não se deva usar alimento algum que constitui oferenda votiva do orixá dono da cabeça.


O que mais chama a atenção é a universal proibição do sangue. 


“O sangue”, escreve Lépine (1982, p. 33), “é um poderoso veículo do axé, que deverá restituir aos orixás a força que despendem neste mundo e à qual devemos a existência”. 


Na matança, sangra-se o animal até a última gota. 


É através do sangue que, na cerimónia de assentamento, se estabelece a ligação entre a cabeça do iniciado, partes do seu corpo, e a pedra na qual o orixá se faz presente do mesmo modo que a água, fonte e origem da vida, é repetidamente vertida em todas as cerimónias propiciatórias e iniciáticas, por representar a fluida substancia de toda criação, o derramamento do sangue dos animais de dois ou quatro pés expressa a própria essência do sacrifício, pois junto com o sangue corre a vida. 


A água é origem, o sangue, circulação. 


As trocas reparadoras de axé incluem forçosamente, portanto, a realização do sacrifício. 


Nessa perspectiva, fica obvia a necessidade de proibir-se a ingestão de sangue (sob qualquer forma que seja, e nisso podemos incluir os miúdos, a fressura, sangue “compactado”por assim dizer) aos filhos de tudo quanto é orixá. 


É substancia por demais poderosa para ser ingerida em situações profanas.


Filho de santo jamais pode comer o que o santo dele come? 
Ou pode? 
em que circunstâncias?


Entre muitas, as respostas de S.M.E. são bastante esclarecedoras: “Tudo o que o orixá come faz bem ao filho, tanto que quando ele oferece a comida tem que comer junto, para que ele não se ofenda. 


Mas às vezes, fora do ilê orixá, é tabu. 


Ou seja, o filho deve e não deve comer. 


Nessa informação, fica claro que a interdição está ligada à situação, ou melhor dizendo, parece que o próprio da proibição é delimitar dois espaços, rigorosamente separados, que o momento do ritual permite juntar, e até mesmo, tornar permeáveis. 


É pela mediação do ritual, repetido inúmeras vezes no decorrer do tempo, que se abre o espaço sagrado. 


Na vida cotidiana do filho de santo, é proibido desfrutar as mesmas comidas que alimentam o orixá. 


Se desobedecer, “faz mal”.


Na casa do orixá, a ingestão de comidas votivas é não apenas permitida, mas sim obrigatória. 


É imprescindível participar do banquete sagrado. 


Se, naquele momento, o filho não comer do mesmo material de que sua cabeça é feita, o orixá oferecer-se-á. 


Ou, como já ouvi dizer, na hora da oferenda, “a gente precisa comer, que é para ele ver que não tem veneno”. 


Esse comentário aparentemente jocoso é bastante elucidativo. 


Não é somente o ilê orixá, espaço sagrado e portanto preservado, que garante a não nocividade da comida de santo para o iniciado, é também o adepto que, por sua vez, se torna fiador, junto ao orixá, da excelência da comida que lhe é oferecida.


Comer alimentos sagrados como bem sabiam os sacerdotes hebreus, é assegurar a sacralização do próprio corpo. 


No ilê orixá, o iniciado participa do banquete dos deuses, nutre-se do mesmo material de que é feita a sua cabeça, reforça a sua identidade como parente de determinada divindade. 


Fora do espaço sagrado, é-lhe proibido ingerir essas mesmas substâncias.


Mas o seu corpo também é um espaço sagrado, que pelo cumprimento dos preceitos é constantemente mantido em condições de se tornar receptáculo da divindade. 


Por isso tem de abster-se de ingerir comidas rejeitadas pelo seu orixá, e até mesmo aproximar-se delas. 


Quebrar quizila, nessa perspectiva, é praticamente uma autodestruição. 


Faz mal. 


A pessoa adoece. 


Mas, ao mesmo tempo, pode-se aplicar à construção do corpo a mesma visão dialéctica que se foi afirmado com tanta nitidez em relação à construção do mundo. 


Aqui também a transgressão destrói e reforça limites, de modo realmente tangível, porque passam pelo corpo, e simbólico também, pois redundam na afirmação de identidade mítica.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

O USO DO TORSO PELOS HOMENS NA TRADIÇÃO BANTU


Os árabes estiveram na África sub-saariana a partir do século VI e alcançaram a costa atlântica por volta do século VIII. 


Estiveram em África durante muitos séculos e por isso imprimiram seus hábitos e costumes em muitos povos. 


Os povos iorubanos de fala yorubá foram bastante influenciados pelos árabes e essa influência chegou com eles ao Brasil. 


Um desses usos é o gosto pelo torso, tão usado nos nossos candomblés e pelas mulheres tradicionais na Bahia. 


Aliás, o pano na cabeça das mulheres é comum em toda a África negra de norte a sul, com arranjos os mais diversos, e em alguns povos, de influência mulçumana também usado pelos homens. 


A influência mulçumana se faz sentir mais entre os povos chamados de nagô, e entre os bantu, só na costa oriental ela se faz sentir.


No candomblé do Brasil, todas as mulheres usam torso, em algumas casas há certas interdições, mas é regra geral de todas usarem. 


Todos os fiéis quando de obrigação costumam usar para cobrir a cabeça que está “comendo”.


No candomblé de ketu é comum os homens usarem torsos vistosos em dias de festa, ou no dia a dia da casa, por influência distante dos mulçumanos. 


E nos últimos anos, com a vinda de nigerianos comerciantes ao Brasil, lindas roupas africanas têm sido introduzidas no Candomblé, com algumas gafes é verdade, muitos homens usando roupas femininas e vice-versa, mas tudo é africano, colorido e brilhante, então vale.


O candomblé de congo-angola sempre se pautou por uma maior sisudez e simplicidade. 


Os homens no candomblé de congo-angola sempre usaram calça branca, camisa branca, às vezes paletó e gravata e um boné branco.


No entanto, por influência de outras nações, ou por vaidade desmedida, alguns angoleiros têm envergado trajes nigerianos em festas de angola, o que não condiz com os princípios da nação. 


Na África bantu, os homens usam calça, quando muito uma bata colorida, e na cabeça um bubu, ou seja, um simples bonezinho africano.


Se os angoleiros querem se vestir de africanos, porque não seguem o modelo bantu? 


Bem mais simples, mais prático e mais masculino. 


Claro que não é tão deslumbrante quanto o modelo nagô, mas muito mais condizente com a nação a qual pertencem.




O torso foi introduzido em África pelos mulçumanos, que não só ensinaram o uso do torso, como obrigaram a populações inteiras se tornaram mulçumanos e foram os primeiros grandes traficantes de escravos.


Preocupados com a perpetuação sobre o vestuário dos praticantes do Candomblé, bem como dos nossos Òrìsàs, o Terreiro Ilé Òsùmàrè Asè Ogodo, e seus descendentes diretos e indiretos como a casa do  Ilé Asè òmò Yemojà em São Paulo Brasil, vem por meio deste veículo, esclarecer alguns pontos, tendo como princípio a cultura que nos foi passada, ao longo de mais de um século de tradição.

Percebemos que o complexo código de ética relacionado às vestes dos praticantes do Candomblé, está sendo diariamente infringido, expondo a nossa religiosidade de forma profana em meio à sociedade. 


Dessa forma, esse artigo tem por objetivo, dirimir dúvidas de pessoas que não tiveram o acesso à informação e, também expor a opinião do Ilé Asè òmò Yemojà  sobre esse importante aspecto da nossa religiosidade.


Desatentos às hierarquias das indumentárias e vestimentas do Candomblé, muitos participantes (talvez pela falta de conhecimento) estão desrespeitando, não somente os seus mais velhos, mas também as nossas Divindades. 


Isso ocorre, principalmente, com a chamada “carnavalização” dos tradicionais paramentos dos Òrìsàs. 


A situação vem se agravando, ao ponto de recriarem os trajes, implantando assim, uma nova maneira de vestir os Òrìsàs e seus filhos, ignorando a tradições centenárias, originarias de uma Religião milenar e, desrespeitando, de forma muito preocupante, a essência de cada Òrìsà.


Com o cuidado de não ditar ou impor um código vestuário, apontaremos abaixo, apenas algumas violações (as mais recorrentes) que comprometem as tradições do Candomblé, descaracterizando de forma muito triste a nossa religião, bem como, algumas recomendações da nossa Casa.


ÌYÁWÓ
MOKAN: Uso indispensável
IKAN: Uso Indispensável
DILOGUN: Uso Indispensável:
“LAÇINHO” e “GRAVATINHA” ACIMA DO PANO DE COSTAS: Uso Indispensável
ROUPA DE SIRE: Até completar um ano de iniciada, deve-se dançar Sire de branco;
ÌYÁWÓ DO SEXO MASCULINO.


CALÇA DE RAÇÃO (NÃO É TOLERAVEL JEANS, BERMUDA, ETC.)
CAMISA DE RAÇÃO 
(NÃO É TOLERAVEL CAMISA DE CRIOULA – USO EXCLUSIVO PARA MULHERES, Também não se usa camiseta);


ÉKÉTÉ: – NÃO É TOLERAVEL O USO PANO DE CABEÇA – À exceção do recebimento de Asè, em Oro);
OGÁ (OGAN):


CALÇA DE RAÇÃO (NÃO É TOLERAVEL JEANS, BERMUDA, ETC.)
CAMISA DE RAÇÃO (NÃO É TOLERAVEL CAMISA DE CRIOULA – USO EXCLUSIVO PARA MULHERES, também não se usa camiseta);
ÉKÉTÉ, CHAPÉU OU BOINA (NÃO É TOLERÁVEL O USO PANO DE CABEÇA – À exceção do recebimento de Asè, em Oro);
EKEJI (EKEDE):
SAIA: Ekeji não usa saia com anáguas de baiana;
TOALHINHA: A cada dia é mais raro vermos uma Ekeji com uma toalhinha para “enxugar” o Òrìsà.
ADES, COROAS E PARAMENTAS DE ÒRÌSÀS:
DISCERNIMENTO E COERÊNCIA: Deve-se ter coerência ao vestir os Òrìsàs (Nossos deuses são elementos da natureza, que utilizam representações da natureza, POR ISSO NÃO DEVEM SER CARNAVALIZADOS);
MÁSCARAS: É inadmissível a utilização de máscaras na confecção da Roupa dos Òrìsàs;
ALTURA DOS ADES: Deve se ter discernimento, coroas são coroas e não paramentos carnavalescos gigantescos;


ÒSÀLÁ: ÒSÀLÁ SÓ USA BRANCO. Esse é um Òrìsà Fúnfún, não admite prata ou “azul clarinho”


PENAS.: Nossa religião é tribal, mas não indígena, a utilização de penas na confecção das roupas dos Òrìsàs deve ser ponderada e não excessiva;
SÀNGÓ: Não tolera roupas roxa ou preta;
ÀSÈSÈ:
HOMENS: Calça, Camisa de Ração (brancos) e Ékété;
MULHERES: Saia de ração e camisa de crioula (brancas);
PROÍBIDO: Brilho, Bordados, Vazados e Roupas Coloridas;
BATA:
QUEM PODE USAR: A utilização da bata é restrita as autoridades femininas da Casa (autoridade máxima, Ìyálásè, Ìyákekère, Ìyámaye, etc. – Se todas as Ègbón usarem batas, será impossível distinguir as autoridades);
CUMPRIMENTO: Bata é Bata e não vestido! 
Um ditado tradicional nos Candomblés da Bahia diz: Quanto Maior a Bata, Maior a Ignorância da Ègbón;
PANO DE CABEÇA:
QUEM PODE USAR: A utilização do Pano de Cabeça é restrita às mulheres (o Babalòrìsà “em sua casa” tem a autonomia de optar ou não pelo uso. 
O pano de cabeça, poderá ainda ser utilizado por homens, em obrigações internas em que o mesmo está “recebendo asè, como por exemplo Bori”);


ABAS: As abas do Pano de Cabeça, estão relacionadas ao Òrìsà da filha de Santo e a sua idade de santo (se seu Òrìsà for Oboro – masculino, você não poderá usar duas abas, sendo que essa ficou para as filhas de santo, que possuem Òrìsàs Ayabas – femininos);


ALTURA DO PANO: Deve-se ter discernimento ao usar o Pano de Cabeças. O pano de Cabeças não é turbante com diversas voltas e de altura desmedida; Seu pano de cabeça também não pode ser maior do que o da sua Ìyálòrìsà;
PANO DE COSTAS:
QUEM PODE USAR: A utilização do Pano de Costas é restrito às mulheres.
UTILIZAÇÃO: O pano da costa deve ser colocado na altura dos seios (somente as autoridades quando estão trajadas de Bata, podem usar o pano na cintura);
USO TRANSVERSAL DO PANO POR HOMENS: Indevido, à exceção das festividades do Pilão e durante o Pilão de Òsògíyàn;
FIOS DE CONTA.:


AFRICANOS/CORAIS/PEDRAS: de uso exclusivo para autoridades do Candomblé e as pessoas com obrigação de sete anos (obrigações arriadas);
BOLAS DE PLÁSTICO: Não pertencem ao Candomblé;
SAIAS:
QUEM USA: Uso restrito à mulheres (homem não usa saias, mesmo se seu Òrìsà seja ayaba);
CUMPRIMENTO: A saia deve ser longa, cobrindo o calçolão (o uso de saieta é cabível somente para Òrìsàs masculinos – em mulheres);
ROUPAS BRILHOSAS E BORDADOS:
ROUPAS BRILHOSAS: A utilização de roupas com muito brilho está condicionada ao Òrìsà e à determinados Òrìsàs (existem roupas para dançar o Sìré e roupas para vestir os Òrìsàs, sendo que alguns também não toleram o brilho);
BORDADOS: As roupas bordadas como Rechilieu, Asa de Mosca, Roda de Quiabo e panos mais elaborados, são de uso exclusivo para autoridades e pessoas com obrigação de sete anos arriada;
BRINCOS E PULSEIRAS:
Ìyáwò de Òrìsà Oboro (Santo Masculino), não deve usar brincos e/ou pulseiras.


 O Ilé Asè òmò Yemojà, pede que as pessoas reflitam sobre a essência de nossa ancestralidade, os Òrìsàs.

Uma Ìyáwò aguardar a conclusão de suas obrigações, para a utilização de determinadas vestes, não a coloca inferior à ninguém, muito pelo contrário, mostra somente sua resignação por um determinado período, em obediência às regras do Candomblé pelo seu Òrìsà. 


O cumprimento desses interditos, confere ainda mais valor à obrigação de sete anos, em que a então ìyáwò, poderá utilizar-se de outras indumentárias, estando desta forma, em outra fase de sua missão religiosa (torando-se uma ègbón).

No Candomblé, todos os passos são galgados, assim como na vida, afinal, a criança não nasce andando, existe um processo de aprendizagem. 


Uma mãe preservadora resguarda sua filha das maquiagens até a idade certa, etc. 


Assim é o Candomblé.


Um Ogá não pode se sentir desprezado por não vestir-se como um Babalòrìsà, ele sim, deve se sentir orgulhoso em pode estar preservando a cultura dos antigos Ogá. 


Um Ogà vestido como Ogà, é facilmente identificado em meio a multidão. 


O mesmo se aplica aos Babalòrìsàs, que não podem almejar as vestes femininas, pois nesse caso, ao invés de mostrar poder e distinção, evidência sua falta de conhecimento sobre a liturgia de cada elemento utilizado.

O Ilé Asè òmò Yemojà, não tem a intenção de ditar regras, mas sim, expor seus costumes, aprendidos ao longo de gerações, divulgado e esclarecendo muitas pessoas que jamais foram orientadas sobre como se vestir no Candomblé e por isso, cometem tantos erros.


Atenciosamente,
Ilé Asè òmò Yemojà.





Postura de Sacerdote evoluido ?






Existem alguns assuntos preferidos pelos candomblecistas, um deles é reclamar de outros candomblecistas. 


É uma mistura de pura fofoca, inveja, falta do que falar e um pouco de justificativa.


O caso é que problemas existem, mas, o que mais existe é apenas a mesquinharia e falta de educação e ética mesmo.


Assim, a palavra marmoteiro é presença fácil na boca de candomblecistas. 


Essa é uma palavrinha fácil e inconsequente. 


O discurso contra marmoteiros é o discurso fácil.  


A pessoa que fala, normalmente,  posa de inteligente e de ético. 


É impressionante ver as pessoas se acusarem de marmoteiros. 


Porque todo mundo ve a marmotagem no procedimento do outro mas se acha o totalmente certo.


Me impressiona a felicidade como as pessoas ouvem ou lêem as críticas aos marmoteiros. 


Elas festejam os críticos como heróis e todos sáo unânimes em acharem tudo um absurdo e todo mundo errado mesmo. 


Contudo, é muito simples se imaginar que, se todo mundo é contra os marmoteiros, como podem existir marmoteiros?


Não estou aqui defendendo pessoas erradas, pelo contrário, estou afirmando que em muitos casos o sujo fala do mal lavado. 


No Candomblé o dificil mesmo é ser certo. 


Falar que o outro é marmoteiro pode sair da boca de uma pessoa que sabe o que esta dizendo, mas, também pode ser de qualquer idiota fingindo que é sabido.


Vejam, pessoas corretas e éticas podem se aborrecer com essa minha visão simplista. 


Mas elas tem também que compreender que elas estão fazendo fileira com todo tipo de pessoa.


Esses dias, em um grupo de candomblé no Yahoo eu me deparei com uma dessas situações insólitas. 


Um pessoa se auto nomeando como Tata nkise qualquer coisa, como se fosse um respeitável e tradiconal sacerdote de angola,  postou uma mensagem falando mal de marmoteiros, aquele discurso cheio de adjetivos, mas, sem nenhum sujeito e nenhum substantivo. 


Mas, ao fim da mensagem a pessoa diz que na verdade, ele, o tata qualquer coisa, era também, ou de fato, fulano de tal de Oxossi, feito de Orixá por uma sacerdote de Angola, em uma casa dita de Angola e se justificando dizendo que essa pessoa, que o tinha feito, era o tal e que  tinha o conhecimento para fazer isso.


Vocês tem idéia do absurdo disso?


Observem, não estou chamando ninguém de marmoteiro, nem o feito nem o fazedor, aliás, não uso essa expressão. 


O que estou chamando a atenção é para essa cena insólita!


A pessoa feita de orixá por uma pessoa de angola? - Erro. 


Feito em uma casa de angola para um Orixá? - Erro. 


Usando oye de angola mas tendo sido feito, como ele mesmo disse, em Orixá? - Erro. Falando mal de marmoteiros? - Erro, primeiro seja certo depois fale dos outros.


E não faltou depois gente para bater palma e elogiar....


O que existe de fato é um monte de gente despreparada, que não sabe em que religião está, o que esta religião significa, por que estão nessa religião e que na maior parte das vezes querem: pular etapas; ter um cargo; ter uma casa só sua para fazer o que quiser.


 As pessoas querem levar o Candomblé como se levava um madureza ginasial.


Ao invés de ficar acusando uns aos outros de marmoteiros, o que elas devem fazer é ensinar o certo e aprender o que é certo. 


A realidade que vivemos é que as pessoas não gostam, não querem ou não sabem explicar o que é o certo. 


Se perdem em detalhes de feitura e esquecem qual o sentido da religião na vida delas, ai, caro, viram evangélicos.


As pessoas que conhecem a religião, que conhecem o Candomblé deveriam se dedicar dia e noite a ensinar outras pessoas. 


Esta é uma forma melhor de combater o errado. 


Esta é a abordagem positiva para os mal-feitos que corroem esta religião.


Essas pessoas que adoram apontar marmoteiros muitas vezes não sabem explicar sua religião para uma outra pessoa. 


Não sabem explicar o que fazem em um terreiro. 


Não sabem explicar com palavras simples o sentido de dogmas e ritos de sua religião. 


Não estou sendo elitista. 


Digo mesmo que existe uma cultura de desinformação atrás de um dogma de segredo e que esta pratica tem gerado mais malefício do que benefício.


Um outro exemplo foi um outro Tata qualquer coisa (esses "Tata", estão se especializando...), que foi dar uma entrevista no Jô Soares. 


Não sabia explicar a sua religião, não sabia explicar porque a sua religião era muito maior do que a preocupação das pessoas sobre sacrifícios de animais e não conseguiu justificar essa liturgia fundamental.


Este caso foi muito gritante para mim. 


Era uma pessoa esclarecida, desembaraçada mas que não conseguia desenvolver, e também não tinha a preocupação de fazê-lo, de maneira simples e objetiva os conceitos da sua religião de modo que a sociedade laica pudesse compreendê-la. 


Esta era a aspiração de muitas pessoas que haviam, inclusive, divulgado por e-mail a participação deste senhor no programa.


Essas pessoas, assim como muitas, gostariam de ver uma pessoa de posição e conhecimento na religião, tendo a oportunidade de estar em uma mídia importante e passar para as pessoas os aspectos positivos da religião fazendo frente aos mitos e críticas covardes que são feitas por evangélicos. 


Mas foi uma completa decepção.


Eu também conheci um babalorixá que se achava o máximo. 


Ele tem certeza que ele é o tal, que a casa dele é a melhor e que ninguém se compara a ele. 


Tudo dele é o bom, é o bem feito. 


O assunto preferido dele é falar mal de outros ou colocar defeito nas outras pessoas. 


Também apontar os absurdos dos outros. 


É muito chato porque esse é o assunto que ele gosta. 


Diz que senta na mesa de jogo dele e houve fofocas de arrepiar.


Mas essa pessoa ensina as pessoas da casa dele?  NÃO. 


Iyawo lá varre quintal, limpa janela, etc...  


Ele não gasta o tempo dele transformando os Iyawo e Abian da casa dele nos expoentes da religião. 


Ele não se orgulha das pessoas que tem na casa dele. 


Gasta o tempo dele falando dos outros ao invés de ter na sua casa a elite do Candomblé, já que é assim que ele se considera. 


Entendam que estou transcrevendo como ele se acha e não como ele é de fato, aliás, se enquadra bem mais na categoria do que falam dos defeitos dos outros e esquece dos dele. Dos defeitos e dos mal-feitos. 


Contudo a questão é que independente do que ele é, como ele se acha o máximo ele deveria estar formando pessoas assim.


Se você não é parte da solução de um problema, você é parte do problema!


Assim existe uma energia gasta falando mal de outros e apontando marmoteiros sem que seja gasto qualquer energia na pessoa mudar esta situação. 


Não existe esforço e vontade de ensinar, apenas de falar mal. 


Sou favorável que se mostrem pessoas sem ética ou com casa que não respeitam a religião. 


Sou favorável a um controle ético da religião. 


Mas as pessoas tem que ser ensinadas. 


Você ensina na sua casa que vai evitar a criação de novos marmoteiros na boca de outros. 


Mas também sou favorável a uma abordagem ortodoxa à religião.


 Nada de tolerância com sincretismos. 


Nada de misturar Candombé e Umbanda em uma casa. 


Candomblé é nação e Candomblé é Candomblé. 


Assim a gente define o que é certo e o que é errado.


As pessoas de Candomblé, no dia a dia, não gostam é de cumprir os seus 7 anos de obrigações pagando cada ano devido. 


Inventam que cumpriram os seus anos, mudam de cidade, mudam de bairro e de casa para apagar seu passado.


As pessoas não gostam é de fazer o seu orixá em uma casa e terminar as suas obrigações na mesma casa. 


Mudam de casa como se troca de roupa. 


Não querem se submeter a  disciplina e a hierarquia.


As pessoa não gostam é de se submeter e respeitar os mais velhos de uma casa, as pessoas não querem mais obedecer ordem assim como os mais velhos não querem saber de se dar o respeito e respeitar os mais novos.


As pessoas gostam é de receber e inventar cargos que não tem para não ter que obedecer regras.


As pessoas não gostam é de se dedicar a sua religião e a seu Orixá, pedindo no pé dele, de ori e de exu o que precisam ao invés de ficarem recebendo exu e pombo-gira.


As pessoa não gostam é de respeitar a sua nação fazendo misturas inaceitáveis.


Assim, na minha visão, as pessoas deveriam se preocupar em fazer o certo, ensinar o certo e cobrar o certo. 


Se você ve algo errado DIGA para essa pessoa que ela esta errada, mas diga PORQUE esta errada. 


Ensine para outros o que entende que é o certo para evitar que as pessoas se enganem. 


Esta com medo de se expor? 


Então vá aprender. 


As pessoas tem com razão uma grande insegurança na religião. 


Somente os Babalorixá e Iyalorixá é que se pronunciam porque eles tem a prerrogativa de sempre estarem certos na sua casa. 


Isso mesmo, a maior parte apenas covardes.


Antes de abrir a boca para chamar alguém de marmoteiro, tenha certeza absoluta que você é O CERTO sob qualquer aspecto que o vejam. 


Sendo dessa maneira, uma pessoa correta e seguidora da sua religião,  vai poder não só dizer quem está errado como também explicar o que é o certo.


Ser o CERTO é ser uma pessoa ética, dedicada e empenhada em aprender. 


É uma religião com muito detalhes e não estou tratando de detalhes meio secretos ou secretos. 


Estou tratando do básico de toda a religião. 


Tem pessoa que gostam de se aproveitar de festas em casa de Candomblé. 


Mas elas não  vão lá pelo Orixá. 


Vão para comer e lamentavelmente beber. 


Digo lamentável porque bebida é para ocasiões sociais e laicas. 


Não lembro de ver isso em eventos religiosos.


Mas, que direito tem uma pessoa que vai em uma casa, como da comida da pessoa e depois sai falando mal dela? NENHUM


Se você vai em um lugar e não gosta do que ve, vire as costas e vá embora, não fica lá batendo palma para maluco, usufruindo da hospitalidade dele e comendo da comida dele.


Chamar os outros de marmoteiros é muito fácil. 


Dificil é estar disposto para mudar essa situação, colocar a cara na janela, se arriscar, a acima de tudo aprender primeiro.


Vou voltar ao ponto que comecei. 


Pessoa com pouco conhecimento enchem a boca para chamar os outros de marmoteiros, mas, só para parecerem inteligente e conhecedoras. 


Dúvida que tenham gasto o seu tempo para aprender e se dediquem para mudar esse estado de coisas.


As pessoas deveriam aprender e ensinar deixando então o adjetivo de marmoteiro para os poucos que vão restar.


Mudar o errado passa por ignorar o errado e desprezar o errado. 


Ignorar não é fingir não ver o errado e sim não aceitar o errado. 


Você não deve ir lá para ver o errado em função, fazendo presença, número e batendo palma para ele.




O acordo de Ygimu e Xangô.


Um amigo e sumo sacerdote do Candomblé o senhor Valdemiro Costa Pinto mais conhecido como Baiano sempre contava que esta Oxun caminhava com Omolu, Ibualama,  Nanã, Onilé e Ikú. 

Mas com o passar do tempo e o aprendizado, fui saber que não era muito mais profundo o caminho dessa qualidade de Oxun.

Uma Yalodê, ou melhor a primeira dama da Sociedade secreta do culta das Yami Oxorongá, uma bruxa poderosíssima ela é a
mãe por excelência de todos os mistérios da alta magia negra, velha  e mãe dos espíritos das águas, das pessoas que perdem suas vidas afogados.



            AS BRUXAS AFRICANAS FILHAS DE OXUM.

Ygimun é de grande importância dentro da casa de santo. 

Está ligada à Xangô por se tratar de um acordo do culto aos Deuses africanos
o, pois esse Deus das rochas detinha o mineral e ela Ygimum detinha os espíritos e todas as essências iniciais  da natureza. 

O acordo foi em que ela necessitava de um corpo sólido para embutir e guardar os espíritos ou as Essências Divinas da Natureza ( Os Orixa ) porém, ele queria dominar os últimos os últimos espíritos livres que residiam nas águas profundas e misteriosas de Ygimum.

O acordo deu-se quando a barganha foi selada, pois o rei Xangô lhe ofertou um otá e Ygimum o usou como recipiente (corpo),  o otá, pode abrigar qualquer ser , espírito, energia, elemental e até mesmo um Orixá. 

Xangô passou a ser o chefe dos espíritos em toda a sua natureza, na água, no fogo, mo ar, na terra e em todos os campos e elementos.

E é ela quem guarda as pedras (16 + 1) 17 Okutás, que serão doados por ela, para os assentamentos de todas as outras Oxuns e outros seres e Orixás que serão preparadas no Axé.

É importante, é que no caso de falecimento, esta Iya (Assentamento) não pode ser despachada, pois o mito continua e, é daquele assentamento que continuará saindo os Okutas  para as outras feituras de Oxun no Ilê axé.

Se não houver ninguém para dar continuidade ao mito, ninguém para herdar ou tomar conta do Axé, cabe ao sacerdote que estiver fazendo as obrigações do Axexê, devolver aqueles Okutas as águas da cachoeira.

Para isto, deve-se ter um Xangô virado, para que ele com suas próprias mãos devolva às águas os Okutas que sobraram.



ÈSÚ ÒLÓJÁ E A IMPORTÂNCIA DO MERCADO

“Esu é o dono do mercado, o seu guardião, por isso todo comerciante e aqueles que lidam com venda devem agradar a Esu. As vendedoras de acarajé, por exemplo, sempre oferecem o primeiro bolinho a Esu, atirando-o a rua, não só para vender bem, mas também par afastar as perturbações, evitar assaltos etc., ou seja, pra que Esu seja de fato um guardião e proteja o seu negócio.

É evidente que Esu não precisa pagar no mercado, porque lá recebe muitas oferendas; nenhum comerciante deixa de agradar a Esu, A não ser os que desejam conhecer o seu lado perverso. É importante ressaltar que Esu não tem amigos nem inimigos. Esu sempre protege aqueles que o agradam e sabem retribuir os seus favores”.



"Desde quando o homem começou a organizar-se em sociedade, a necessidade do comércio passou a existir, pois a fixação numa terra deu origem à agricultura e tudo o que sobrava era comercializado, seja por troca ou venda. Partindo desse pensamento com a evolução humana o comércio expandiu. Para muitos religiosos o mercado tem importância vital porque ele simboliza o movimento da vida, a fartura, a igualdade social e racial, enfim todos vão às compras.


No Rio de Janeiro um dos mercados mais populares encontra-se no bairro de Madureira e sua história começa no inicio do século XIX. 


O interior da cidade era composto por propriedades rurais, conhecido como “sertão carioca”. Existia uma fazenda situada na Freguesia do Irajá (a do Campinho) tendo como proprietário o capitão Francisco Ignácio do Canto, e o arrendatário um boiadeiro de nome Lourenço Madureira. 


Com a morte do capitão houve uma disputa judicial entre Lourenço e a viúva Rosa Maria dos Santos, que perdeu a causa para o boiadeiro. 


Lourenço Madureira permaneceu na propriedade até seu falecimento em 1851. Em 1896 foi construída uma estação de trem na localidade que recebeu o nome de Madureira em homenagem ao boiadeiro.


No ano de 1914 foi inaugurada uma pequena feira livre, um ponto de venda de produtos agropecuários, localizado onde é hoje a quadra do Império Serrano ao lado da linha férrea junto à Estação de Magno. 


Esse pequeno comércio se transformou em 1929 no maior distribuidor de alimentos do subúrbio graças a uma obra de ampliação, com as vendas realizadas direta do produtor ao consumidor.


Em 18 de dezembro de 1959, no governo de Juscelino Kubitscheck em plena expansão do progresso que o Brasil atravessava, o mercado teve suas instalações e infra-estrutura ampliada e sua localização transferida para o local que até hoje se encontra. 


O bairro de Madureira se tornou um dos maiores arrecadadores de impostos do Rio de Janeiro e o Mercadão de Madureira como passou a ser chamado tornou-se símbolo do comércio da cidade. 


O Mercadão já não possuía as mesmas características do início, o que antes era destinado só a produtos alimentícios, abrigava todo o tipo de produtos como a demanda exigia. 


Desde sua criação o mercado funcionou como se esperava, um local de reunião, ponto de encontros e referências além do comércio é claro.


Mas no ano de 2000 uma calamidade veio interromper toda essa atividade, um incêndio destruiu por completo todas as dependências do mercado. 


Em 05 de outubro de 2001 o Mercadão surpreende e reabre suas portas, com uma nova estrutura, com uma variedade ainda maior de produtos atendendo o comércio local e fora do estado. 


 Uma história interessante e acreditamos ser pouco divulgada sobre o Mercadão, é contada por Luiz Antonio Simas sobre um episódio ocorrido na inauguração em 1959, ele fala da característica marcante do mercado que é a concentração de lojas de artigos religiosos como bodes, galinhas, patos, codornas, ervas diversas, obis, orôbos, pembas, efuns, sabões da costa trazidos da Guiné, atabaques, ibás, roupas de santo. Refere-se ao mercadão como o principal ponto do país de venda de artigos religiosos afro-brasileiros. 


Ele conta que no dia da inauguração estava o então presidente Juscelino Kubitscheck e sua comitiva e entre os cumprimentos foi surpreendido por uma entidade conhecida como boiadeiro que para espanto de todos o presidente aproximou-se, ouviu seus conselhos, tomou passes e seguiu com sua comitiva acompanhada dos jornalistas. 


Um dos jornalistas preferiu entrevistar a entidade, que se identificou como boiadeiro Lourenço Madureira e que estava ali para abençoar o mercado, e contou um pouco de sua história e da cidade. 


Luiz Simas diz que a matéria com o boiadeiro que deu passe em JK foi publicada na revista Umbanda de Luz e no jornal A Luta Democrática e comenta sobre o relato da entidade: O curioso - e impressionante - de tudo isso é que parte da sede da fazenda do boiadeiro foi destruída por um incêndio no dia 15 de janeiro de 1850. 


Exatamente 150 anos depois, em 15 de janeiro de 2000, o Mercadão de Madureira foi semi destruído por um incêndio de proporções catastróficas - e suspeitas, diga-se de passagem. Com certeza várias explicações surgem de acordo com a filosofia de cada religião.


O fato é que após os incêndios, no local ressurgiu um comércio mais próspero reforçando a mitologia africana que o Orixá Esu é quem governa e habita nos mercados, pois o mesmo é a força propulsora, simboliza o próprio movimento de tudo o que tem vida. 


Prova disso é a homenagem realizada todos os anos a “mãe” de Esu, como mostra uma reportagem do Jornal das Organizações Globo. -Há seis anos comerciantes do Mercadão de Madureira prestam homenagens à Iemanjá, a Rainha do Mar. 


A festa surgiu como uma forma de agradecimento à reabertura do Mercadão depois de um incêndio. Por isso, todo ano, no dia 29 de dezembro, uma carreata percorre as ruas do bairro. (RJTV 1ª Edição > 29/12/2008 > Reportagem) 


Como podemos concluir o mercado tornou-se essencial para sociedade não importando se tenha ou não conotação religiosa, ele faz parte da cultura de um povo". 

Mandamentos para viver bem no candomblé


Cego, Surdo e Mudo.


Nem tudo que se vê pode ser comentado, nem tudo que se ouve pode ser dito.

Um único mandamento pode garantir sua integridade em todos meios sociais.


Com certeza você já ouviu as pessoas mais antigas dizerem: (-meu filho seja cego, surdo e mudo), realmente é um bom conselho a ser seguido, principalmente para pessoas que convivem em grandes comunidades.


A convivência cotidiana dos adeptos no candomblé abre espaço para que a vida particular dos filhos e filhas de santo seja pauta de conversa daqueles que gostam de cuidar da vida alheia.

Engana-se quem pensa que é só no candomblé que isto acontece.

Em verdade quando existe uma convivência diária entre um determinado grupo as relações se estendem e como consequência sua vida pessoal fica vulnerável aos fofoqueiros de plantão.


Portanto a melhor blindagem é este antigo ditado que deve ser visto como mandamento para aqueles que não querem ver suas vidas expostas.

E não esqueça: fofoca só vai para frente quando alguém da ouvidos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A importancia que devemos dar às liturgias





Uma das questões mais importantes e mais renegadas pelas pessoas que desejam participar de Ifá ou do Candomblé é a questão da importância da seleção de quem faz ou onde se faz as liturgias. 


Escolhas erradas vão trazer consequencias para o resto da vida daquela pessoa.


Mas para não trazer confusão ao tema vou tentar abordar isso de forma estruturada.


O primeiro elemento que todos devem ter atenção é a questão da religião iniciática. 


Existem religiões que não exigem iniciações, basta você entrar no tempo e rezar e sair a hora que quiser. Muitas religiões são assim. 


A religião católica é uma misto. 


Claro que você pode entrar na igreja a hora em que quiser, mas para participar da religião você passa por iniciações. 


A religião católica é iniciática. 


O islamismo, outra religião da mesma raiz e do mesmo Deus, tem uma pratica comum e uma iniciática. 


Os sufistas representam a parte profundamente mistica da religião.


No caso das religiões africanas que conhecemos elas são iniciáticas, assim, existem liturgias que são feitas para a pessoa iniciar sua participação. 


Essa liturgias visam a estabelecer ligações da pessoa com as divindades e também com a casa em que elas participam. 


Tudo isso é feito através de um sacerdote de maneira que a pessoa estará ligado à divindade ou a casa através de um sacerdote ou iniciador.


Este é o primeiro aspecto a ser observado. 


Ifa e Candomblé são religiões iniciáticas. 


Esta é a realidade de hoje. 


A pessoa não pode usar o mesmo modelo mental que usa para o catolicismo no qual todo mundo se batiza e depois faz da vida o que quer. 


Não se sente ligado a nada e a ninguém. 


Apenas acha que cumpriu uma obrigação social.


Essas religiões africanas não são assim, você não entra e sai como quiser sem que isso tenha consequencias para você. 


A coisa é muito séria.


As pessoas tomam a decisão de se iniciar por diversos motivos, nenhum deles os corretos ou nenhum deles no momento correto. 


Acho que no fundo existe uma vaidade muito grande, porque só isso explica uma pessoa decidir de iniciar com uma pessoa, em uma casa ou em uma religião que mal conheceu. 


Mas do lado do sacerdote também existe muita imposição. O participante é empurrado para uma iniciação.


No meu pensamento, isso deveria ser diferente. 


As casas deveriam ter formatos para permitir a participação de pessoas com diversos níveis de envolvimento. 


A pessoa deveria poder ser um membro da casa com privilégios distintos. 


O formato hoje é muito restritivo e a pessoa pu é cliente ou é filho de santo, sendo abian (noviço, não iniciado) uma condição temporária que rapidamente deve ser mudada.


A existência da condição "cliente" é péssima. 


Nenhuma religião merece isso e somente tendo muita cara de pau você consegue achar que é normal um babalorixá chamar pessoas de clientes dele. 


Os simpatizantes deveriam ser em grande número e incentivados. 


Eles deveriam ter acesso a atividades da casa, públicas que não fossem apenas festas e Xirês. 


Eles deveriam ter informação e ter contato com os Orixás. 


Hoje em dia assistir a um Xire é ótimo, o axé esta em movimento, mas, poucos entendem o que esta ocorrendo lá. 


Poucos compreendem o formato, as musicas e as danças.


O status de uma pessoa na religião deveria evoluir com sua participação. 


Cada degrau deveria ser natural e ninguém tem que ser motivado a trocar de degrau. 


A cada degrau corresponderia um nível de envolvimento om a religião e com a casa.




Hoje já existem alguns tipos de iniciação. 


A feitura de Orixá é a mais definitiva e profunda, mas outras liturgias podem ser feitas sem gerar um vínculo tão extremo como a feitura. 


Isso pode ir de uma lavagem de contas a um bori e ainda com variações incrementais, assentamentos, sem que se faça uma feitura.


Mas tenham cuidado, ao se envolver com o Candomblé você será levado a uma iniciação e muitas pessoas nem entendem o que isso significa.


Cada tipo de liturgia determina o tipo de ligação que a pessoa estabelece com a religião. 


Como eu citei a feitura é a mais radical delas e NUNCA deve ser a primeira opção de ninguém. 


Uma pessoa deve passar por outros tipos de liturgia antes de decidir fazer uma feitura. 


Uma feitura é uma violência se feita para uma pessoa que nunca fez nada antes. 


Ninguém deveria sair da rua pisar em um terreiro e decidir ou ser decidido a fazer uma feitura.


A vida religiosa deve ser uma evolução. 


A pessoa deve frequentar uma casa, se envolver com a religião, aprender o que ela tem a transmitir, sentir que aquilo muda a vida dela e naturalmente dar um ou outro passo em algum tipo de iniciação. 


Os passos devem sempre ser pequenos e cuidadosos. 


A pessoa inteligente deve preservar a capacidade de se mover de lugares caso não goste da casa ou das pessoas da casa que decidiu frequentar.


A primeira coisa que se busca em uma religião é conforto e orientação. 


Você busca uma forma de ver a vida. 


Para isso é preciso informação, orientação e ternura. 


Todo mundo quer ser bem tratado.


O que menos se encontra em uma casa de Candomblé é informação, educação e ternura. 


O que mais se encontra é arrogancia, ignorância e pedantismo. Assim pense bem antes de entrar em um "quartel do mal". 


A religião é ótima e os Orixás são puro amor. 


Mas a natureza humana é a mesma e alguma coisas são exacerbadas ali dentro, assim, avalie bem se o ambiente que você esta frequentando faz bem para você.


Não bastam os Orixás. 


Eles estão em todo o lugar. 


Avalie as pessoas, a educação delas e o respeito ao próximo que elas demonstram. 


Essa tem que ser a primeira avaliação.


A seguir vem a questão do axé. 


O que ser recebe em uma casa além do que já falei é axé. 


Axé é a energia de vida que esta em tudo que nos rodeia e em todo o ser vivo. 


Em uma casa temos a oportunidade de equilibrar o axé e de recebermos o axé que necessitamos para compensar o que perdemos.


O fato de estarmos na casa participando de liturgias e Xires já nos permite isso. 


Claro que uma casa para preservar o seu Axé a proteger seus membros estabelece algumas barreiras para entrantes e não é qualquer pessoa que poderá participar de suas liturgias. 


Para você se habilitar deverá então dar os passos de iniciação.


Essa exigência é natural, as casa querem pessoas que se comprometam com ela e que estebeleçam uma frequencia contínua. 


Fora o Xirê, no qual todos podem participar, as demais liturgias serão restritas aos membros da casa.


Através dos passos iniciáticos você deverá estabelecer os vínculos com a casa e assim poder participar das liturgias de louvação a orixás mais profundas.


Nesse momento começa as suas grandes preocupações. 


No meu modo de ver, como já disse,  deveriam existir passos menores de iniciação e uma hierarquização de participação em liturgias baseado nesses passos. 


Isso não ocorre. 


Os babalorixás só pensam em si mesmos. 


Com passos menores a pessoa terá tempo para se acostumar a casa, as pessoas, as regras e à própria religião e seu estilo de vida.


Sim a religião vai implicar na mudança do estilo de vida da pessoa.


Essa é a primeira parte desse texto. 


Eu espero que as pessoas entendam que o Candomblé é uma religião iniciática e que elas devem tomar muuuito cuidado com iniciações. 


Tudo deve ser muito devagar e lento. 


E elas tem que estar atento ao ambiente e a pratica da religião que decidiram participar.


Iniciações e liturgias não são coisas bobas. 


Estamos lidando com o super-natural. 


Iniciações e liturgias geram ligações da pessoa com a casa e com o iniciador. 


Esqueçam a parte do Orixá. 


O grande problema é a ligação que é feita com a casa. 


Uma vez que passa por essas liturgias suas energias e sua vida passa a ser influenciada pela casa e pelo iniciador. 


Ignorar isso é a primeira bobagem que as pessoas fazem.


Tomem muito cuidado, as pessoas acham que  tudo é simples e artificial  não é. 


Essa ligação pode te ajudar como também pode te afundar. 


Ninguém esta acima disso e não ha força que vai impedir essa ligação depois de feita.


Pessoas gastam muito tempo e dinheiro desfazendo ligações que fizeram e se arrependeram. 


Isso é como uma tatuagem. 


Dolorosa de fazer e quase impossível de desfazer.


A segunda parte do texto é para aqueles que já conhecem algo de liturgias.


No mundo real as pessoas são levadas muito rápido a fazer um Bori que é uma liturgia muito bonita e profunda, não gera vínculo e traz um bem muito grande a pessoas sendo muito indicada para todos.


O problema é que o Bori é uma liturgia muito séria. Se uma pessoa tem um desequilíbrio de axé, existe muita coisa para se fazer antes. 


Em Ifá é assim. Muita coisa é feita antes de se indicar um Bori e este fica como ultimo caso para os casos mais sérios.


No Candomblé, vira e mexe o Babalorixá logo quer fazer um Bori. Claro, ele cobra caro por isso. 


Tudo é pago no Candomblé, o comercio esta na frente de tudo e Bori é algo valorizado e caro. 


Uma vergonha.


Tanto no Bori como em outras cerimonias, mas, muito forte no caso do Bori existe um problema muito sério que é a exposição que a pessoa tem. 


Claro que na feitura é muito maior, mas no Bori já é muito sério.


Um Bori é uma injeção de Axé na veia, bem radical e forte, mas para isso ocorrer a pessoa tem que baixar todas as suas defesas. 


Assim é como se a pessoa no Bori desativasse o seu sistema imunológico espiritual para que possa receber o axé. 


Se a pessoa que estiver fazendo o Bori, ou a casa ou mesmo as pessoas que estão presentes no Bori não estiverem muito bem preparadas e "limpas" essa pessoa com a sua cabeça no chão ao invés de receber coisas boas, axé, vai receber negatividade.


Além disso intencionalmente a pessoa que dá o Bori pode incluir elementos de ligação com ele e com a casa que não deveriam ser incluidos.


Muita gente sai de um Bori muito bem, outros desandam sua vida.


Dessa maneira muito cuidado com o que fazem. 


Toda liturgia é muito séria. 


Você pode estragar a sua vida se ligando a uma casa e a uma pessoa ruim ou se ligar a uma pessoa boa e quando decidir sair daquele lugar conhecer o lado negativo dessa pessoa.


Uma feitura é algo muito mais pesado e sério é uma liturgia completamente intrusiva na sua vida e vai te afetar profundamente. 


O seu nível de exposição é muito grande. Sua vida literalmente pode desabar.


Sim, os Babalorixás são todos iguais. 


Raros, muito raros são os diferentes. 


A maior parte te enche de atenção enquanto você é um cliente interno. 


Quando decide sair por qualquer motivo aquilo vira uma ferida no ego dela e você vai pagar os seus pecados para se livrar dele.


Dependendo do tipo de iniciação você nunca vai se livrar. 


Assim se fizer uma feitura, jamais vai se livrar daquela mão.


Assim vou chamar muito a atenção disso. 


Não estamos lidando no Candomblé de liturgias que tem o famoso efeito placebo. 


Não são coisas que ou não te afetam ou te melhoram. 


Não são coisas que só vão funcionar se você tiver fé.  Você corre um RISCO.  


O risco de dar certo ou de dar errado. 


No caso de dar certo você tem um benefício conforme esperado. 


Algo positivo ou sutilmente positivo. 


No caso de der errado é problema mesmo. 


Pode prejudicar sua vida fisica e espiritual, seu trabalho, seus relacionamentos e seu emocional.


Você esta preparado para esse risco real?


É como você colocar todo o seu dinheiro na bolsa. Você esta preparado para ganhar ou também perder todo o seu dinheiro?


Pessoas que fazem investimento de risco, esportes radicais e profissões de risco sabem o que estão correndo. Mas você sabe disso?


Tenham atenção. 


Existem boas casas e existem excelentes pessoas. 


Existe uma enormidade de casas ruins e pessoas despreparadas, mentirosas e fingidoras. 


Gente que nunca teve iniciação, nunca foi iyawo e nunca teve formação de Candomblé.


Tanto em Ifá como no Candomblé você esta lidando com o super-natural. 


Esta lidando com energias que existem nesse mundo e que você não ve. 


Você pode fazer uam coisa achando que vai melhorar ou então não ter efeito nenhum e pode acontecer o pior. 


Sua vida desandar e se você estava bem vai ficar mal. Se achava que estava ruim não sabia que podia ficar muito pior. 


Valorizem o que é bom. 


Sejam críticos e atentos. 


É claro que para participar de uma casa a primeira coisa que a pessoa deve entender é humildade, hierarquia e respeito. 


Mas é a humildade do bem, a hierarquia do bem e o respeito do bem. 


Se habituar a seguir orientações e regras é uma coisa básica e ninguém entra em uma casa para dar ordens, mas, não sejam idiotas.


Não façam liturgia sem saberem o que estão fazendo e a consequencia para vocês daquilo. 


Se informem com mais de uma pessoa. 


É igual ir a um médico. 


Se alguém te recomenda uma cirugia você vai procurara opinião de outros até ter a certeza de que não tem outro jeito.