CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A corte do rei




A importância de Xangô na constituição do candomblé, que é brasileiro, pode ser identificada também quando examinamos as estruturas hierárquicas e a organização dos papéis sacerdotais do candomblé em comparação com o ordenamento dos cargos da própria corte de Oió, a cidade de Xangô. 

Não há dúvida que as sacerdotisas e sacerdotes que fundaram os primeiros templos de orixá no Brasil tinham grande intimidade com as estruturas de poder que governavam a cidade do Alafim. 

O candomblé é, de fato, uma espécie de memória em miniatura da cidade africana que o negro perdeu ao ser arrancado de seu solo para ser escravizado no Brasil.

Vejamos alguns dos cargos mais importantes da corte de Oió e sua correspondência com a hierarquia do candomblé de nação nagô.


Basorun – primeiro ministro e presidente do conselho real, que tinha mais poder que o próprio rei, exercendo também a função de regente quando da morte do rei até a ascensão do sucessor. 

No candomblé é título dado a homem que ajuda na administração do terreiro, um dos membros do corpo de ministros em terreiros dedicados a Xangô.

Alààpínní – chefe do culto de egungum. 

No Brasil, igualmente alto sacerdote do culto dos ancestrais.

Balògún – chefe militar. 

No candomblé, cargo masculino de chefia da casa de Ogum. O falecido oluô Agenor Miranda Rocha, foi, por mais de 70 anos, o balogum da Casa Branca do Engenho Velho.

Lágùnnòn – embaixador do rei que tinha como encargo o culto ao orixá Ocô, divindade da agricultura. 

No candomblé, espécie de ajudante do pai-de-santo na provisão do terreiro.

Akinikú – chefe dos rituais fúnebres. No Brasil, oficial do axexê, que pode ser um babalorixá ou ialorixá ou algum ebômi ou ogã especializado nos ritos mortuários.

Asípa – representante dos governadores das aldeias na corte de Oió e encarregado do culto ao orixá Ogum. 

No Brasil, dignidade masculina.

Isugbin – corpo de tocadores e musicistas do palácio. 

No candomblé são chamados alabês, nome que na África era dado aos escarificadores, os que faziam os aberês, as marcas faciais identificadoras da origem.

Ìlàrí – corpo de guardas da corte e de mulheres. Adoradores de Oxóssi e Ossaim, eram também uma espécie de mensageiros e provedores reais. 

No candomblé, sacerdotes que cuidam da casa de Ossaim.

Èkejì òrìsà – literalmente, a segunda pessoa do orixá, cargo sacerdotal da corte do Alafim, sacerdotisa que não incorpora o orixá, mas que cuida de seus objetos sagrados. 

No candomblé, equede, todas mulher não-rodante confirmada para cuidar do orixá em transe e de seus pertences rituais. 

O cargo, elevado na África, deu às equedes posição de relevo também no candomblé, onde têem o grau de senioridade.

Ìyá-nàsó – mãe do culto do Xangô do rei (divindade pessoal). No Brasil, nome de uma das fundadoras do candomblé e título feminino.

Ìyáalémonlé – encarregada de cuidar do assentamento pessoal do rei. Entre nós, quem cuida do assentamento principal do pai-de-santo.

Ìyá-lé-òrí – mãe dos ritos de oferecimento a cabeça do rei, mantém a representação material da cabeça do rei em sua casa. No candomblé preside o bori.
Ìyá mondè ou bàbá – Mulher que cultua os espíritos dos reis mortos. 

Chamam-na também de Bàbá. 

O alafim dirige-se a ela como “pai”, pois elas detêm a autoridade do “pai”, como as dirigentes da umbanda brasileira, também chamadas de babá.

Ìyá-le-agbò – prepara os banhos rituais do rei. 

No candomblé, mulher que cuida dos potes de amassi.

Ìyá-kèré – chefe das mulheres ilaris; é ela quem coroa o rei no ato de sua entronização. 

A atribuição, mantida, é hoje no candomblé da competência de pais e mães-de-santo que colocam no trono o novo chefe do terreiro nas ocasiões de sucessão.

Muitos outros títulos do candomblé foram tomados de outras cidades e instituições que não a corte de Oió, mas é inescondível a importância da cidade de Xangô na estruturação dos terreiros brasileiros de origem iorubá.

  De toda sorte, são variadas as adaptações, muitas vezes esvaziando-se o cargo de suas funções originais.

Com o sentido de reforçar a idéia do terreiro de candomblé como sucedâneo da África distante, para legitimar suas estruturas de mando e valorizar sua origem, cargos de tradição africana são recuperados e adaptados com certa liberdade pelos dirigentes brasileiros. 

Assim surgiram os obás ou mogbás de Xangô, conselho de doze ministros do culto de Xangô, instituído inicialmente no terreiro Axé Opô Afonjá na década de 1930 por sua fundadora Mãe Aninha Obabií, assessorada pelo babalaô Martiniano Eliseu do Bonfim, e depois reinstalado nos mais diferentes terreiros que têm Xangô como patrono. Os obás brasileiros de Xangô têm funções diversas daquelas africanas, mas os nomes dos cargos são referência constante à vida político-administrativa dos iorubás antigos. 

Eles são divididos em ministros da direita, com direito a voto, e ministros da esquerda, sem direito a voto. Cada um deles conta com dois substitutos, o otum e o ossi.

O conjunto dos obás da direita criados por mãe Aninha é constituído dos seguintes cargos: Abíódún (nome que designa aquele nascido no dia da festa); Àre (título que se dá a uma pessoa proeminente da corte); Àrólu (o eleito da cidade); Tèla (nome masculino da realeza de Oió); Odofun (cargo da sociedade Ogboni); Kakanfò (título do general do exército). Os da esquerda são: Onansòkun (pai oficial do obá de Oió); Aressá (título do obá de Aresá); Eleryin (título do obá de Erin); Oni Koyí (título do obá de Ikoyi); Olugbòn (título do obá de Igbon); e Sòrun (chefe do conselho do rei de Oió). 

Estes nomes designam hoje postos sacerdotais, dignidades religiosas; na África designavam cargos de homens poderosos que controlavam a sociedade ioruba e suas cidades.

Um rei africano era, antes de mais nada, um guerreiro. Guerras, conquistas, povoamento de novas terras, escravidão, descoberta e renascimento, tudo isso faz parte da história de Xangô, rei e guerreiro, como faz parte das memórias de nossa própria civilização de brasileiros. 

Mas Xangô é mais que história da África e mais que história do Brasil. 

Seu duplo machado visa a justiça para cada um dos dois lados que se opõem na contenda, suas pedras-de-raio são o santuário guardião das esperanças de tanta gente que padece em conseqüência das mazelas de nossa sociedade: desemprego, falta de oportunidades, incompreensão e dificuldade no trabalho, escassez de meios de sobrevivência, perseguição e disputas insanas, inveja, complicações legais de toda sorte, e tantas outras coisas ruins. 

Apelar a Xangô, para o devoto, é buscar alento, realimentar esperanças, prover-se de  forças para a difícil aventura da vida.


Mas no terreiro em festa, sob o roncar frenético dos tambores, a dança de Xangô não é tão somente demonstração de energia e de força marcial,  de cadência e de vitalidade, mas igualmente harmonia, graça e sensualidade. Xangô é duro, mas também se compraz com o bom da vida. 

O paladar de Xangô lembra as qualidades do bom glutão que não dispensa jamais o prazer da boa mesa, tanto que até nos faz pensar nele como um rei gordo e guloso. Tanto é assim que suas oferendas votivas devem ser sempre servidas em grande quantidade, pois Xangô aprecia que seus súditos comam muito e bem.

Seu prato predileto é o amalá, comida feita à base de quiabo, camarão, pimentas de várias qualidades, e tantos outros condimentos que são verdadeiras iguarias, utilizados pelas filhas-de-santo que muito apreciam e disputam a preparação da comida para os deuses. 

A comida  servida no terreiro serve também para “reunir gente”, e Xangô é o orixá que mais as acolhe, pois toda corte é repleta de súditos e não seria diferente no terreiro, onde há sempre muita gente, muita dança e muita comida.

Além de orixá comilão, Xangô também é o grande amante e teve muitas mulheres como contam seus mitos. Um deles relata que Xangô era um rei poderoso, um dia apareceu em seu reino um grande animal que devorava a todos, homens, mulheres e crianças. 

Xangô, acompanhado de suas três mulheres resolveu enfrentar o animal monstruoso. Xangô amava suas esposas, mas amava também todos os homens e mulheres que o acercavam, e nada mais natural do que defendê-los de tal criatura. 

O ser monstruoso rugia e toda a terra tremia. Xangô não quis soldados para vencer o animal. Xangô lançou chamas de sua boca e derrubou o animal matando-o depois num só golpe com seu oxé. 

Vitorioso, Xangô cantou e dançou, estava feliz. Dali em diante foi ainda mais amado pelos homens e mulheres de seu povo e por todos aqueles que ouviram falar de seu feito.

No Brasil, o aspecto erótico da representação de Xangô foi muito atenuado em comparação a Cuba, onde seus gestos de dança insinuam relações sexuais e seus objetos de forma fálica enfatizam seu gosto pelo sexo. Mas mesmo entre nós é o orixá de muitas esposas. Tantas mulheres e tantas paixões carnais não reforçam e são a confirmação de que a vida pode ser plena das doçuras e gozos do amor? 

O que queremos dizer é que Xangô não nos remete tão somente aos aspectos sérios, circunspectos e duros dos compromissos do dia-a-dia, mas nos faz lembrar, sim, o tempo todo, que a vida é muito boa para ser vivida, e por isso mesmo temos que lutar por ela sem descanso. 

É por essa razão que o fiel sempre pede passagem para o rei,   gritando para o povo reunido em festa: “Deixai passar, deixar passar Sua Majestade”, “Kaô, kaô Kabiessi”.

http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/xangorei.htm


Xangô no Novo Mundo




No seu auge, o império de Oió englobava as mais importantes cidades do mundo iorubá, tendo assim o culto a Xangô, que era o orixá do rei ou obá de Oió, portanto o orixá do império, sido difundido por todo o território iorubano, o que não era muito comum, pois cada cidade ou região tinha os seus próprios orixás tutelares e poucos eram os que recebiam culto nas mais diversas cidades, como Exu, Ossaim e Orunmilá. 

O fato é que o apogeu da dominação da cidade de Oió sobre as outras resultou numa grande difusão do culto a Xangô. 

Durante muito tempo a força militar de Oió protegeu os iorubás de invasões inimigas e impediu que seu povo fosse caçado e vendido por outros africanos ao tráfico de escravos destinado ao Novo Mundo, como acontecia com outros povos da África.

Quando o poderio de Oió foi destruído no final do século XVIII por seus inimigos, tanto a capital Oió como as demais cidades do império desmantelado ficaram totalmente desprotegidas, e os povos iorubás se transformaram em caça fácil para o mercado de escravos. Foi nessa época que o Brasil, assim como outros países americanos, passou a receber escravos iorubás em grande quantidade. 

Vinham de diferentes cidades, traziam diferentes deuses, falavam dialetos distintos, mas tinham todos algo em comum: o culto ao deus do trovão, o obá de Oió, o orixá Xangô.

Isso explica a enorme importância que Xangô ocupa nas religiões africanas nas Américas, pois foi exatamente nesse momento histórico da chegada dos iorubás que as religiões africanas se constituíram nas Américas, isto é, no século XIX. 

Particularmente no Brasil, os escravos recém-chegados eram trazidos não mais para o trabalho nas plantações e nas minas do interior, onde ficavam dispersos, mas sim nas cidades, onde eram encarregados de fazer todo o tipo de serviço urbano, morando longe de seus proprietários, vivendo em bairros com grande concentração de negros escravos e libertos, e tendo assim maior liberdade de movimento e organização, podendo se reunir nas irmandades católicas, com novas e amplas oportunidades para recriarem aqui a sua religião africana.

Nascido da iniciativa de negros iorubás que se reuniam numa irmandade religiosa na igreja da Barroquinha, em Salvador, o primeiro templo iorubá da Bahia foi, emblematicamente, dedicado a Xangô. 

Seus ritos, que em grande parte reproduziam a prática ritualística de Oió, acabaram por moldar a religião que viria a se constituir no candomblé, e cuja estruturação hierárquica sacerdotal em grande parte reconstituía simbolicamente a organização da corte de Oió, isto é, a corte de Xangô, como veremos adiante. 

Emblemas que na África eram exclusivos do culto a Xangô foram generalizados entre nós para o culto de todos os orixás, como o uso do colar ritual de iniciação chamado quelê.

Por estranha ironia, a nação de Xangô na Bahia acabou recebendo o nome de Queto, que é a cidade de Oxóssi, e não o nome de Oió, cidade de Xangô, como era de se esperar. Mas essa denominação deve ter ocorrido muito tempo depois da fundação da Casa Branca do Engenho Velho, o primeiro terreiro de Xangô, de cujo chão Oxóssi é o dono, e que serviu de modelo a todo o candomblé. 

A denominação nação queto deve ter se dado já no século XX, quando angariavam grande prestígio e visibilidade dois terreiros que também fazem parte do núcleo de templos fundantes do candomblé: o terreiro do Gantois, dissidente da Casa Branca, e dedicado a Oxóssi, que era o orixá da cidade do Queto, e o terreiro do Alaketu, cuja fundação é atribuída a duas princesas originárias da cidade do Queto, e que também eram do grupo da Barroquinha. 

A expressão “nação queto” para designar o ramo do candomblé de origem iorubá que se constituiu a partir da linhagem da Casa Branca do Engenho Velho é recente e não era usada antes de 1950. O nome mais comum era nação nagô, ou jeje-nagô. 

A própria Mãe Aninha, que fundou outro templo dissidente da Casa Branca, o Axé Opô Afonjá, e que, como o próprio nome indica, também é dedicado a Xangô, costumava dizer nos anos 1930: “Minha casa é nagô puro”.
Mas no Rio Grande do Sul, até hoje a expressão “nação Oió”, ou “Oió-ijexá” designa os terreiros de batuque de origem iorubá. 

A marca de Xangô continua ali muito presente.

Em Pernambuco, a primazia de Xangô acabou por dar nome a toda a religião dos orixás, que naquele e em outros estados do Nordeste é conhecida como xangô.

No Maranhão, dois templos de tradições diferentes disputam o posto de casa fundante do tambor-de-mina: a Casa das Minas, de culto exclusivo aos voduns dos povos fons ou jejes, e a Casa de Nagô, que, como o próprio nome aponta, dedica-se ao culto dos orixás, os deuses nagôs ou iorubás, além de cultuar também voduns e encantados. 

Ao contrário da Casa das Minas, que não teve terreiros descendentes e hoje se encontra em franco processo de extinção, a Casa de Nagô é a origem de vasta linhagem de terreiros, que se espalharam pelo Maranhão e Pará e chegaram até o Rio de Janeiro e São Paulo, ou mais além. 

A Casa das Minas de Tóia Jarina, de Diadema, é originária dessa matriz. Pois o patrono da Casa de Nagô não é outro senão Badé, nome pelo qual Xangô é reverenciado nos templos do tambor-de-mina.

Longe daqui, no Caribe, a palavra xangô também dá nome à religião dos orixás praticada em Trinidad-Tobago, nome que também pode ser observado entre populações americanas de origem caribenha na costa Atlântica do sul dos Estados Unidos.

Em Cuba, onde a santeria é tão viva e diversificada como o candomblé brasileiro, são muitos os indícios da supremacia ritual de Xangô. Talvez o mais emblemático seja o fato de que, durante a iniciação ritual, apenas os sacerdotes dedicados a Xangô, segundo a tradição cubana, têm o privilégio sobre todos os demais de receber na cabeça o sangue sacrificial, o que indicaria que o orixá do trovão tem precedência protocolar, e seu tambor é o mais sagrado instrumento musical da santeria.

Onde quer que tenha se formado alguma manifestação americana da religião dos orixás, seja o candomblé, o xangô, o batuque, o tambor-de-mina, a santeria cubana, ou o  xangô caribenho, a memória do orixá Xangô, o obá de Oió, manteve o realce que o orixá do império detinha na África. Como obá, Xangô também era o mais alto magistrado de seu povo, o juiz supremo. Sua relação com o ministério da justiça fez dele, entre os seguidores das religiões dos orixás, o senhor da justiça. 

Num mundo de tantas injustiças, desigualdades sociais, marginalização, abandono e falta de oportunidades sociais de todo tipo, como este em que vivemos, o orixá da justiça ganhou cada vez maior importância. 

Seu prestígio foi consolidado. 

Reiterou-se a posição de Xangô como o grande patrono do candomblé e grande protetor de todo aquele que se sente de algum modo injustiçado.
http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/xangorei.htm



O obá Xangô





Obá é palavra da língua iorubá que designa rei. Obá é também um dos epítetos do orixá Xangô (não confundir Obá, rei, soberano ( oba ),  com o orixá Obá ( Òbà ), que é uma das esposas de Xangô). 

Segundo a mitologia, Xangô teria sido o quarto rei da cidade de Oió, que foi o mais poderoso dos impérios iorubás. 

Depois de sua morte, Xangô foi divinizado, como era comum acontecer com os grandes reis e heróis daquele tempo e lugar, e seu culto passou a ser o mais importante da sua cidade, a ponto de o rei de Oió, a partir daí, ser o seu primeiro sacerdote.


Não existem registros históricos da vida de Xangô na Terra, pois os povos africanos tradicionais não conheciam a escrita, mas o conhecimento do passado pode ser buscado nos mitos, transmitidos oralmente de geração a geração. 

Assim,  a mitologia nos conta a história de Xangô, que começa com o surgimento dos povos iorubás e sua primeira capital, Ilê-Ifé, fala da fundação de Oió e narra os momentos cruciais da vida de Xangô:
“Num tempo muito antigo, na África, houve um guerreiro chamado Odudua, que vinha de uma cidade do Leste, e que invadiu com seu exército a capital de um povo então chamado ifé. 

Quando Odudua se tornou seu governante, essa cidade foi chamada Ilê-Ifé. Odudua teve um filho chamado Acambi, e Acambi teve sete filhos, e seus filhos ou netos foram reis de cidades importantes. 

A primeira filha deu-lhe um neto que governou Egbá, a segunda foi mãe do Alaqueto, o rei de Queto, o terceiro filho foi coroado rei da cidade de Benim, o quarto foi Orungã, que veio a ser rei de Ifé, o quinto filho foi soberano de Xabes, o sexto, rei de Popôs, e o sétimo foi Oraniã, que foi rei da cidade Oió, mais tarde governada por Xangô.


“Esses príncipes governavam as cidades que mais tarde foram conhecidas como os reinos que formam a terra dos iorubás, e todos pagavam tributos e homenagens a Odudua. 

Quando Odudua morreu, os príncipes fizeram a partilha dos seus domínios, e Acambi ficou como regente do reino de Odudua até sua morte, embora nunca tenha sido coroado rei. 

Com a morte de Acambi, foi feito rei Oraniã, o mais jovem dos príncipes do império, que tinha se tornado um homem rico e poderoso. 

O obá Oraniã foi um grande conquistador e consolidou o poderio de sua cidade.


“Um dia Oraniã levou seus exércitos para combater um povo que habitava uma região a leste do império. Era uma guerra muito difícil, e o oráculo o aconselhou a ficar acampado com os seus guerreiros num determinado sítio por um certo tempo antes de continuar a guerra, pois ali ele haveria de muito prosperar. Assim foi feito e aquele acampamento a leste de Ifé tornou-se uma cidade poderosa. Essa próspera povoação foi chamada cidade de Oió e veio a ser a grande capital do império fundado por Odudua. 

O rei de Oió tinha por título Alafim, termo que quer dizer o Senhor do Palácio de Oió.
“Com a morte de Oraniã, seu filho Ajacá foi coroado terceiro Alafim de Oió. Ajacá, que tinha o apelido de Dadá, por ter nascido com o cabelo comprido e  encaracolado, era um homem pacato e sensível, com pouca habilidade para a guerra e nenhum tino para governar. Dadá-Ajacá tinha um irmão que fora criado na terra dos nupes, também chamados tapas, um povo vizinho dos iorubás. 

Era filho de Oraniã com a princesa Iamassê, embora haja quem diga que a mãe dele foi Torossi, filha de Elempê, o rei dos nupes. 

Esse filho de Oraniã tinha o nome Xangô, e era o grande guerreiro que governava Cossô, pequena cidade localizada  nas cercanias da capital Oió.


“Xangô um dia destronou o irmão Ajacá-Dadá, e o exilou como rei de uma pequena e distante cidade, onde usava uma pequena coroa de búzios, chamada coroa de Baiani.


“Xangô foi assim coroado o quarto Alafim de Oió, o obá da capital de todas as grandes cidades iorubás.


“Xangô procurava a melhor forma de governar e de aumentar seu  prestígio junto ao seu povo. Conta-se que, para fortalecer seu poder, Xangô mandou trazer da terra dos baribas um composto mágico, que acabaria, contudo, sendo sua perdição. 

O rei Xangô, que depois seria conhecido pelo cognome de o Trovão, sempre procurava descobrir novas armas para com elas conquistar novos territórios. 

Quando não fazia a guerra, cuidava de seu povo. No palácio recebia a todos e julgava suas pendências, resolvendo disputas, fazendo justiça. Nunca se quietava. Pois um dia mandou sua esposa Iansã ir ao reino vizinho dos baribas e de lá trazer para ele a tal poção mágica, a respeito da qual ouvira contar maravilhas. 

Iansã foi e encontrou a mistura mágica, que tratou de transportar numa cabacinha.


“A viagem de volta era longa, e a curiosidade de Iansã sem medida. Num certo momento, ela provou da poção e achou o gosto ruim. Quando cuspiu o gole que tomara, entendeu o poder do poderoso líquido: Iansã cuspiu fogo!
“Xangô ficou entusiasmadíssimo com a nova descoberta. Se ele já era o mais poderoso dos homens, imaginem agora, que tinha a capacidade de botar fogo pela boca. 

Que inimigo resistiria? 

Que povo não se submeteria? 

Xangô então passou a testar diferentes maneiras de usar melhor a nova arte, que certamente exigia perícia e precisão.

“Num desses dias, o obá de Oió subiu a uma elevação, levando a cabacinha mágica, e lá do alto começou a lançar seus assombrosos jatos de fogo. Os disparos incandescentes atingiam a terra chamuscando árvores, incendiando pastagens, fulminando animais. 

O povo, amedrontado, chamou aquilo de raio. Da fornalha da boca de Xangô, o fogo que jorrava provocava as mais impressionantes explosões. De longe, o povo escutava os ruídos assustadores, que acompanhavam as labaredas expelidas por Xangô. 

Aquele barulho intenso, aquele estrondo fenomenal, que a todos atemorizava e fazia correr, o povo chamou de trovão.
“Mas, pobre Xangô, a sorte foi-lhe ingrata. Num daqueles exercícios com a nova arma, o obá errou a pontaria e incendiou seu próprio palácio. Do palácio, o fogo se propagou de telhado em telhado, queimando todas as casas da cidade. 

Em minutos, a orgulhosa cidade de Oió virou cinzas.


“Passado o incêndio, os conselheiros do reino se reuniram, e eviaram o ministro Gbaca, um dos mais valentes generais do reino, para destituir Xangô.
“Gbaca chamou Xangô à luta e o venceu, humilhou Xangô e o expulsou da cidade. Para manter-se digno, Xangô foi obrigado a cometer suicídio. Era esse o costume antigo. Se uma desgraça se abatia sobre o reino, o rei era sempre considerado o culpado. 

Os ministros lhe tiravam a coroa e o obrigavam a tirar a própria vida.
“Cumprindo a sentença imposta pela tradição, Xangô se retirou para a  floresta e numa árvore se enforcou.

"Oba so!", "Oba so!"
"O rei se enforcou!", correu a notícia.
“Mas ninguém encontrou  seu corpo e e logo correu a notícia, alimentada com fervor pelos seus partidários,  que Xangô tinha sido transformado num orixá. O rei tinha ido para o Orum, o céu dos orixás. 

Por todas as partes do império os seguidores de Xangô proclamavam:
"Oba ko so!", que quer dizer "O rei não se enforcou!"
"Oba ko so!", "Oba ko so!".


“Desde então, quando troa o trovão e o relâmpago risca o céu, os sacerdotes de Xangô entoam: "O rei não se enforcou!" "Oba ko so! Obá Kossô!" "O rei não se enforcou".”

(Cf. Prandi, Mitologia dos orixás.)


Assim narram os mitos, e a morte de Xangô nada mais é do que a afirmação dos antigos costumes africanos. Sua morte teria sido injusta e por isso o Orum o acolheu como imortal. 

A expressão “Obá Ko so” é evidentemente dúbia. Tanto pode significar “Rei da cidade de Cossô”, o que de fato Xangô também era, como “O rei não se enforcou”, frase que poderia ser também traduzida por “O Rei vive”, ou “Viva o Rei”, forma que é mais comum na nossa tradição ocidental. 

A versão verdadeira não importa: divinizado, transformado em orixá, o obá Xangô, o Alafim de Oió, alcançou a imortalidade, deixou de ser humano, virou deus. “Obá Kossô”, “Viva o Rei” é a fórmula pela qual, até hoje, em todos os templos dos orixás, é glorificado o nome de Xangô, o rei de Oió, o orixá do trovão, senhor da justiça.


De todos os orixás que marcam a saga da cidade de Oió, nenhum foi mais reverenciado que Xangô, mesmo quando Oió passou a ser apenas um símbolo esfumaçado na memória dos atuais seguidores das religiões dos orixás espalhados nos mais distantes países da diáspora africana do lado de cá e do lado de lá do oceano. 

E há muitos elementos para estribar essa afirmação.


Características dos filhos de Xangô




É muito fácil reconhecer um filho de Xangô apenas por sua estrutura física, pois seu corpo é quase sempre muito forte, com uma quantidade razoável de gordura, apontando a sua tendência à obesidade; mas a sua boa constituição óssea suporta o seu físico avantajado. 

Há também os magros e muito elegantes.

Com forte dose de energia e auto-estima, os filhos de Xangô têm consciência de que são importantes e respeitáveis, portanto quando emitem sua opinião é para encerrar definitivamente o assunto. 

Sua postura é sempre nobre, com a dignidade de um rei. 

Sempre andam acompanhados de grandes comitivas; embora nunca estejam sós, a solidão é um de seus estigmas.

Conscientemente são incapazes de ser injustos com alguém, mas um certo egoísmo faz parte de seu arquétipo. 

São extremamente austeros (para não dizer sovinas), portanto não é por acaso que Xangô dança alujá com a mão fechada. 

Gostam do poder e do saber, que são os grandes objectos de sua vaidade.

São amantes vigorosos, em seu lado negativo, pobre das mulheres cujos maridos são de Xangô. 

Um filho de Xangô está sempre cercado por amigos, auxiliares, no caso de governantes, empresários, mas a tendência é que aqueles que decidem ao seu lado sejam sempre homens.

Os filhos de Xangô são obstinados, agem com estratégia e conseguem o que querem. 

Tudo que fazem marca de alguma forma sua presença; fazem questão de viver ao lado de muita gente e têm pavor de ser esquecido, pois, sempre presentes na memória de todos, sabem que continuarão vivos após a sua ‘retirada estratégica’.



Xangô e seus elementos



DIA: Quarta-Feira

CORES: Vermelho (ou marrom) e branco

COMIDA: Amalá

SÍMBOLOS: Oxés (machados duplos), Edún-Àrá, xerê

ELEMENTOS: Fogo (grandes chamas, raios), formações rochosas.

DOMÍNOS: Poder estatal, justiça, questões jurídicas.

SAUDAÇÃO: Kawó Kabiesilé!!


Xangô (Sòngó)



Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é a sua síntese. 

Xangô nasce do poder morre em nome do poder. 

Rei absoluto, forte, imbatível. 

O prazer de Xangô é o poder. 

Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. 

Xangô é rei entre todos os reis. 

Não existe uma hierarquia entre os orixás, nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. 

Contudo, se preciso fosse escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?

Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem seus devotos na África. 

Porém o desafio é feito sempre para ratificar o poder de Xangô.

A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder. 

Procure imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.

Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. 

O poder real, por exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. 

Xangô destronou o próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. 

A personalidade paciente e tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.

O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da cidade e de sua dinastia. 

Ele só fez apressar a sua ascensão. Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão, pela força, é merecido. 

Xangô foi o grande alafim de Òyo porque soube inspirar credibilidade aos seus súbditos, tomou as decisões mais acertadas e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.

Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não houver respaldo popular. 

Em outros termos, o déspota reflete a imagem de seu povo, e este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência, seja por assumir a postura de um pai. 

No caso de Xangô, sua retidão e honestidade superam o seu carácter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por maldade.

Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. 

Ele expressa autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. 

O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege, que ilumina o caminho. 

O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram seu nome. 

Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.
Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões históricas, seria terra de origem de sua família materna.

Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. 

A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza, só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.

Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo ardente? 

Quem resiste ao olhar de “flirt” de Xangô?

Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. 

Iansã foi sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. 

È com ela que divide o domínio sobre o fogo.

Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. 

Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou.

A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. 

Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.

Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. 

Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti-símbolo.


fonte:http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/xango/

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Oriki ty Obara. Reza para Obara. 16 odu de Obara.




OBARA MEJI OBARA MEJI ONII OLABARA EJEBAM KIKATE AWO KOMAKATE ARAJE KOMOKATE ARA ORUN ADAFUM LOGBO EIEKO OROFO LORUGBO LOGBO TUNUYEN

OBARAOGBE/OBARABOGBE OBARABOGBE LANTOSI OMODU OMI KE EBOADA OKILANFIRU EKU OKILANFIRU EJA, OKILANFIRU JIO-JIO TO IBAN JOKOBONI ELEBO

OBARAYEKU OBARAYEKU KEKERE OMA AJE, ERI OMI, AJE AIBU, OMA AJE APUPARE APUPE GOGOIKU OPA WEWE, IKU APASHERE ORUNMILA LORUGBO IDAA AGUTAN EBEWA AKUKO LEBO

OBARAIWORI OBARA KORI ANKO NIBE ERANKO EKU IBA EWEFA ELEBO OBARAIWORI ADIFAFUM ESHU

OBARADI OBARADI BARA, BARADI, BARA, BARADI ADIFAFUM RAWO ELUBO OKOROKO OMA SHOKOJO EURE OWOLO MENI ELEBO

OBARAKOSO OBARAKOSO IFA DURO, IFA MURE IREKUN KAFEREFUM ORUNMILA ESHU ATI OGUN

OBARAWONRIN OBARAWONRIN OBARANIFE JUJU OMO OLUWO ATOPOLO OBARA KELEJI OBARA NI WANI ALEJO OLORI, LAYE SOSGBO ONI WANI ELEGBARA KULUIYE OBARA ONI WANI KUTO KUM

OBARAKANA OBARAKANA OLODAFUM ORUNMILA ONI PAREKI KODAPA ESHU IFA ELEGBARA LOTEMI PELE AWO ATI IWE ESSE NITASI ADIFAFUM OBARA IFA MI KAFEREFUM SHANGO ATI OYA

OBARAGUNDA OBARAGUNDA SHANGO ABITI INTORI OGUN OFE NI OMUM INTORI OTI NI OBINI OFO INA LOBA KAFEREFUM OSHUM LODAFUM SHANGO ATI OYA
OBARASA OBARA KUKUTE KUKU ADIFA JOKO, KUNIE ADIFA JOKO, KONI NIBOGELE ARORO LO URO SIKOTA EKODIDE, EIYELE MEJI

OBARAKA OBARA KASIKA LEGUN OMODE OLOFIN IKA LELE ARAMANAMA AKATAMPO ADIFAFUM AYE, ADIFAFUM ESHIYE OMO OLOFIN ABOROM LIMILE AKATI ASHE TE LEWA OLOFIN SHANGO UMBO WA BELEFUNADE OLOFIN LODAFUM AGUNGUN ORUN NI MALE OBARATRUPON

OBARA TUMBU NIENDI ADIFAFUM BABA LONTOBI OMA ARETO YU EBO OMA SUNEKE NANGA

OBARATURA OBARA KUSHIYO AKE EURE ASHO BONI BURO GULANDAA BARA BANIREGUN ORUNMILA LORUGBO ESHU ELEBO OUNKO EKODIDE EIYELE, AKUKO,OMI ELEBO OWO ELEBO

OBARAKEETE OBARA KETEIFA ONI RETEWA ADIFAFUN ASHE WITA INTORI AWA SHOLU LORI OKUNI SINI OLOKUN

OBARASHE OBARASHE OFUYERE, OBARASHEKE ODILONA KORUBO AGUSHE ABASHE, AWO EIYELE AWO AUN AWO KAFEREFUM OBA, KAFEREFUM ODU KAFEREFUM ORUNMILA

OBARAFUN OBARAFUN IKI AWO INLE ADO IREBE AWO IBA ASESI ADABA, AWO BO ETE ETA OBINI SHAWO IBA IRO ADIFAFUM OLOFIN LUBA OMO ADA ILU ABEBOADIE MEJI ELEBO.


Obàrá Meji



Obàrá Meji é um odu composto pelos elementos ar sobre terra, com predominância do primeiro, o que indica a evolução através da experiência adquirida na busca do objetivo pretendido. 

Corresponde ao ponto cardeal Su-Sudeste, e à carta n° 4 do Tarot (o “Imperador”), sendo o seu valor numérico o 8.

Suas cores são o azul claro e o violeta e é um ODU masculino, representado esotericamente por uma corda em referência ao poder que possui de tudo levantar. 

Exprime força e poder e a possibilidade de realização humana. 


OBARA. O MAIS RICO DOS ODUS- RIQUEZA- FELICIDADE- SAÚDE



LENDA DE OBARÁ

Dizem que no principio do mundo, 15 dos 16 odus seguiram todos à casa do Oluwo, afim de procurar os meios que os fizessem mudar de sorte, mas nenhum deles fez o que foi determinado pelo Oluwo. 

Obará um dos dezesseis odus existentes,não se encontrava no grupo na ocasião em que os demais foram consultar o oluô, pois os 15 odus nunca convidavam Obara, por ser ele muito pobre.

 Sendo ele, porém, sabedor do ocorrido, apressou-se em fazer o que o oluô determinara. É  que os demais odús não fizeram por simples capricho da sorte. Obará com afinco fez o máximo que pode para conseguir seu desejo, dada a sua condição precária (de pobreza).

Como era de costume, os 15 odús de cinco em cinco dias iam à casa de Olofin. Pois, então, foram a casa de Olofim, jogaram  até altas horas do dia, mas não tiveram respostas para as perguntas que fizeram para Olofin e todos eles se retiraram sem ter sido satisfeitas suas curiosidades.

Olofin, aborrecido com desprezo que os 15 odus tinham por obara, deu de presente uma abóbora a cada um deles, e eles, desdenhando o presente, mas para não serem indelicados levaram consigo as abóboras ofertadas.

No caminho, já cansados e com fome, reslveram parar na casa de obara, apesar de achar que não adiantaria dar semelhante honra a obará, pois ele era um homem simples e pobre. 

Mas um deles, mais liberal, atreveu-se a cumprimentar Obara-meji com estas palavras: -Obará, bom dia !  

Como vais de saúde? 

Será que tens comida para dar para nos?

 Imediatamente respondeu ele que entrassem e se servissem da comida que quisessem. 

Obara, imediatamente os fez entrar em sua humilde casa e mandou sua mulher fazer comida para todos . 

Eles  vinham com muita fome, pois estavam desde a manhã sem comer nada na casa de Olofim. 

A dona da casa foi ao mercado comprar carne para reforçar a pouca comida que tinha em casa e, em poucas horas, todos almoçaram à vontade.

Mais tarde, sem saber o que fazer com as aboboras que haviam ganhado, resolveram, com ironia, joga-las no quintal de obara , que as recebeu alegremente. 

E foram embora


  Sua mulher o censurou por sua fraqueza e liberalidade, dizendo que ele tinha querido, agradado a eles que nunca olharam para ele, e nunca ligaram nem deram importância ao colega. 

Obara respondeu que tinha dado a eles o que comer e beber e que certamente não haveria de lhe faltar.

No dia seguinte, quando Obara procurou por comida viu que não havia o que comer. so restavam as aboboras.   

Obará pegou uma faca e cortou uma abóbora, surpreendendo-se com a quantidade de ouro e pedras preciosas que haviam dentro dela. 

Surpreso, e com muita felicidade, viu que em uma abóbora havia lhe dado o título de odú mais rico, porém logo percebeu que haviam mais outras 14 abóboras a serem abertas e em cada uma delas haviam outras riquezas em igual quantidade.

Obará comprou tudo que precisava, palácio e até cavalos de várias cores. 

No dia para todos os odús irem novamente à conferência no palácio de olófim, como era de costume, já muito cedo, achavam-se todos no palácio, cada um no seu posto junto a Olofim. 

Surpresos, viram chegar obará  vindo de sua  casa com uma multidão que o acompanhava, até mesmo os músicos de uma enorme charanga. 

Enfim, todos numa alegria sem par.

De vez em quando, Obará mudava de um cavalo para outro em sinal à nobreza.

Os invejosos começaram a tremer e esbravejar, chamando a atenção de olofim que indagou o que estava acontecendo.


 Foi então que lhe informaram que era Obará. 

Então perguntou Olofim aos demais odús, o que tinham feito com as abóboras que ele presenteara a eles. 

Responderam todos que haviam jogado no quintal de obará.


 Disse então olofim que a sorte estava destinada a ser do rico e próspero obará.

 O mais rico de todos os odús


O PAÓ NÃO É UMA SUBMISSÃO E SIM UMA COMUNICAÇÃO.



O paó na língua Yorubá quer diz (bater palmas). 

Nos ritos do Candomblé é indispensável o Paó no início e término ou em seu encerramento. 

Assim como a palavra, o som emanado das palmas batidas dos punhos, a baqueta percutindo no couro dos atabaques, a vareta batendo no corpo do agogo, o pêndulo batendo no interior do àdjá são condutores do poder do àse. 

O ato de bater Paó não é uma submissão e sim uma interação, comunicação, harmonia e integração com as energias. 

Os três primeiras sons rítmicos representam o Orixá interior (àrá), Orixá do assentamento (àiyé) e o Orixá da natureza (òrun); seguido por seis sons curtos, num total de nove, fazendo alusão aos nove Orun (mensan orun). 

Òrun Rere. 

Espaço reservado para aqueles que foram bons durante a vida. 

Òrun Alàáfià. 

Espaço de paz e tranquilidade. 

Òrun Funfun. 

Òrun do branco e da pureza. 

Òrun Bàbá Eni. 

Òrun do pai das pessoas. 

Òrun Aféfé. 

Espaço da aragem. 

Òrun Ìsàlú ou Àsàlú. 

Local de julgamentos. 

Òrun Àpáàdì. 

Reservado para casos de impossíveis de reparações. 

Òrun Burúkú. 

Espaço ruim, reservado para as pessoas más. 

Orun Mare. 

Espaço para aqueles que permanecem, tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e são incomparáveis e absolutamente perfeitos, os supremos em qualidades e feitos, reservado à Olodumare, Olorun e todos os Orixás e divinizados. 

O Paó é a essência da vida, também a permanência dentro da impermanência e impermanência na permanência. 

O ciclo vital, que não muda com o transcorrer da eternidade. 

O ato de bater Paó é a garantia que a infinita e generosa oferta que a natureza nos faz, desde que saibamos reverencia-la e louva-la. 


O ato de bater palma está sendo ignorado por quase todos os filhos e adeptos nos ritos sagrado de uma casa de axé. 

Este ato tão simples, mas de grande importância para o Povo do Santo tem sido substituído por braços cruzados e bocas torcidas, prejudicado aos que ignoram o poder das mãos. 

Quando tocadas uma na outra, no atabaque, gan, adjá e xequere a harmonia e conforto interior são imediatos, pois usamos as mãos para entrar em sintonia com o Orixá interior e da natureza. 

As mãos tem cinco dedos, a mesma quantidade dos cinco sentidos e quando batemos palmas, desencadeamos um poder vibratório capaz de eliminar todas as tristezas, angustias, doenças e ao mesmo tempo, canalizamos a energia do amor, paz, alegria, saúde e longevidade, sem contar a alegria que todos orixás sentem em receber uma palma de um ser humano. 

As mãos são sagradas em todos os sentidos, tanto para dar e para receber, abençoar, acolher, acariciar, colocar o axé, retirar o ajé, para alimentar o outro, cuidar do sagrado, para jogar os búzios e quando temos um acidente ou qualquer parte do corpo dói, elas vão direto ao local de dor para controlar e curar. Por esta razão a procura de uma boa mão no universo do Candomblé seja tão procurada, pois é o mais significativo para seus crentes e adeptos. 

A mão de um Pai ou mãe de Santo é tão importante quanto o conhecimento e a sabedoria, pois sem uma boa mão não existe prosperidade nem equilíbrio na vida de seus filhos. 

Só uma boa mão desperta o sexto sentido e transforma a vida para melhor.






fonte: http://toluaye.wordpress.com/2013/08/10/o-pao-nao-e-uma-submissao-e-sim-uma-comunicacao/