CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ
Mostrando postagens com marcador egun. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador egun. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de novembro de 2013

EGUN, ÒKÚ E ÌKÚ



Os povos de origem yorubá tem um nome especial de tratar seus antepassados,egun,esse termo identifica o antepassado masculino espíritos divinizados através de rituais específicos, aonde o morto passa a ser considerado de forma especial, ele recebe um novo nome e começa ser cultuado junto ao assentamento dos demais antepassados.

Os yorubas acreditam que o culto a egun serve para harmonizar a pessoa com o passado, mas principalmente para reverenciar aqueles que contribuíram para a nossa existência, pois como todos sabemos sem passado não existe presente e muito menos futuro.

 Os espíritos dos mortos na cultura yoruba recebem o nome de oku, não é todo oku que se torna egun ,mas todo egun um dia foi um oku.

 A diferença esta nos rituais próprios para tornar o oku um ser divinizado, esses rituais podem ser feitos somente para os espíritos de pessoas iniciadas no culto de orisa ou de egungun,é claro que existe outros pré requisitos para que esse processo de divinização seja efetuado o homem quando vivo deve ter um comportamento exemplar se pretender um dia ser cultuado como egun.

No Brasil existe uma diferença em relação ao que é feito no território yorubá, aqui se acredita que os eguns jamais devem ter contato direto com as pessoas, isso para a tradição yorubá não procede, os antepassados ficam felizes com esse contato,essa é uma das formas de harmonizar o espírito com seu descendentes. Não confundir contato com tocar no egun.

Quase todo espírito (oku) cria problema para os seu descendentes se não for cuidado de forma adequada,normalmente a falta de rituais fúnebres próprios e o despreparo das pessoas para cumprirem algumas exigências básicas nessa relação homem espírito terminam criando esse conflito.  

Na cultura yorubá existe uma sociedade secreta que se encarrega dos rituais fúnebres, esses sacerdotes cultuam uma divindade chamada Oro, que no Brasil ainda é um pouco desconhecida.

 No tocante aos espíritos dos antepassados femininos, é muito raro que seja cultuado de forma individualizado, normalmente é cultuado de forma genérica na sociedade secreta das Iya mi, exemplo iyami Osoronga,Iya mi Aiye,Iya mi Aje…

Exemplos de culto :

 1-Egungun,culto de espíritos masculinos individualizados
2-Oro,culto de espíritos masculino generalizado.
3-Iya mi ,culto de espírito feminino generalizado.

 Observação: Não confundir com o culto aos Orisas, espíritos divinizados,e com culto no Brasil relacionado as forças da natureza.

 Para melhor entendimento,não confundir com caboclos cultuados na Umbanda religião de origem Brasileira.

Texto: Iyalorixá Suami Portinhal


sábado, 29 de maio de 2010

Axexê

Axexê



                                                           Ritual de Axexe candomblé.



Axexê cerimônia realizada após o ritual fúnebre (enterro) de uma pessoa iniciada no candomblé.




Tudo começa com a morte do iniciado, chamado de ultima obrigação, este ritual é especial, particular e complexo, pois possibilita a desfazer o que tinha sido feito na feitura de santo, é bem semelhante com o processo iniciático chamado de sacralização, só que agora este procedimento é uma inversão chamada de dessacralização, no sentido de liberação do Orixá protetor do corpo da pessoa.











Com uma navalha o Babalorixá ou yalorixá raspa o topo do crânio do falecido e retira o Oxu, juntamente com todos os pós colocado na sua iniciação, em seguida quebra-se um ovo, oferece um obi Obi ritual, pintando-o com efun, wáji, e ossun, coloca-se um novo oxu, um pombo é sacrificado, o sangue que escorre é recolhido num pedaço de algodão, parte dos objetos é enrolado no pano branco e colocado na sepultura, e outra é levado para dar inicio ao ritual do Axexe propriamente dito.



Junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares, nem sempre os assentamentos dos orixas são desfeitos, se faz uma consulta oracular (jogo de búzio) "merindilogun" para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém.


Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com água sagrada e entregue aos herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos juntamente com o kelê, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo.



Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave a um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se tratar de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.



O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre.

As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado.



Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê.


 O Axexê nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral.



Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô, para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate.


Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, as mulheres devem estar com a cabeça e o pescoço cobertos e os homens com os pulços envolto na palha da costa.



Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respitosamente despedido.



Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus elegun.



Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá-Iansã, Obaluaiyê, Nanã e Ogum, etc. costumam se manifestar.



No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permanecerá ainda aberto, deverá ficar fechado ao público durante um ano ou mais conforme deteminação do jogo, mas as cerimônias internas continuam, costuma-se repetir o ritual de um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial.



O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques.



O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidá onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas abô e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um abano (leque de palha) dobrado em dois.



Quando se trata de uma pessoa especialmene antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego.


Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Axexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.