CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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quarta-feira, 2 de março de 2011

* Iemanjá, perdoai-nos




Iemanjá, perdoai-nos



Cedo da manhã do 1º de janeiro de 2011 tive o privilégio de passear na orla da praia de Rainha do Mar, no litoral gaúcho. Mas o privilégio, ao final, me deixou um amargor: na areia, o mar havia “vomitado” centenas de objetos das oferendas a Iemanjá.


Afora as flores, havia frascos de perfume, sabonetes (embalados, inclusive), pentes de plástico, adereços de isopor, entre outros materiais altamente poluentes, nem um pouco biodegradáveis.

Não bastasse a agressão ambiental que perpetramos no dia a dia aos oceanos, destruindo tantos seres vivos maravilhosos que vivem nessas águas, justamente na homenagem a Senhora das Águas, Soberana do Mar, Rainha do Mar pratica-se uma barbaridade ambiental.

Se num pequeno trecho de praia havia centenas de objetos, imagine-se o quanto haverá espalhado por tantas outras e, muito mais terrível ainda, quanto está por lá vagando e depositado no fundo das águas?!



Claro que há a boa fé respeitável nessas oferendas. Mas já adentrando na segunda década do século 21, com tantos conhecimentos sobre a situação do planeta, porque manter-se um ritual com "homenagens" que conspurcam um ecossistema tão miraculoso. Há aí uma contradição: a "Homenageada" assiste seu devotos poluindo a sua “casa”, o seu “mundo”, o seu “meio”, o seu "elemento"...


Acredito que as entidades espirituais não aprovam tal ritual poluente/poluidor e devem receber com tristeza essas deferências. Será que tais "seres" retribuem com algo bom? Será que, pelo contrário, aí sim fecham caminhos a devotos tão inconscientes?


Espero que os babalorixás e outros líderes religiosos ligados ao cultos de Iemanjá – e também por ocasiões de homenagens a Rainha dos Navegantes – apurem os rituais e sigam a evolução sobre a compreensão do que está acontecendo ao planeta, onde tanta agressão ao meio ambiente natural está pondo em xeque a própria sobrevivência da humanidade, e estabeleçam outras formas de se fazer oferendas.



Que as manifestações não poluam. Quem sabe, ao contrário, sejam momentos de contribuição à educação ambiental e limpeza dos mananciais e seu entorno. Assim, cultuar Iemanjá ou Nossa Senhora dos Navegante será de fato sacralizar o mar, os rios e toda a Sagrada Natureza.



Longe de mim (embora não seja imune) o preconceito contra as religiões de matriz afro e outros cultos de devoção envolvendo as águas. Tenho respeito e simpatia a muitos rituais afro-brasileiros e apóio com entusiamo a valorização da cultura e da comunidade negra em nosso país e mundo. Mas isso não significa abrir mão à crítica de atitudes que julgo equivocadas, feitas em nome da fé – qualquer que seja o credo.