CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

A escravidão


A escravidão

(denominada também escravismo, esclavagismo e escravatura) é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, ao qual é imposta tal condição por meio da força. 

Em algumas sociedades, desde os tempos mais remotos, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria. 

Os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, a idade, a procedência e o destino.

O dono ou comerciante pode comprar, vender, dar ou trocar por uma dívida, sem que o escravo possa exercer qualquer direito e objeção pessoal ou legal, mas isso não é regra. 

Não era em todas as sociedades que o escravo era visto como mercadoria: na Idade Antiga, haja visto que os escravos de Esparta, os hilotas, não podiam ser vendidos, trocados ou comprados, isto pois ele eram propriedade do Estado espartano, que podia conceder a proprietários o direito de uso de alguns hilotas; mas eles não eram propriedade particular, não eram pertencentes a alguém, o Estado que tinha poder sobre eles. 

A escravidão da era moderna está baseada num forte preconceito racial, segundo o qual o grupo étnico ao qual pertence o comerciante é considerado superior, embora já na 

Antiguidade as diferenças raciais fossem bastante exaltadas entre os povos escravizadores, principalmente quando havia fortes disparidades fenotípicas. 

Na antiguidade também foi comum a escravização de povos conquistados em guerras entre nações. 

Enquanto modo de produção, a escravidão assenta na exploração do trabalho forçado da mão-de-obra escrava. 

Os senhores alimentam os seus escravos e apropriam-se do produto restante do trabalho destes.

A exploração do trabalho escravo torna possível a produção de grandes excedentes e uma enorme acumulação de riquezas, contribuindo assim para o desenvolvimento económico e cultural que a humanidade conheceu em dados espaços e momentos: construíram-se diques e canais de irrigação, exploraram-se minas, abriram-se estradas, construíram-se pontes e fortificações, desenvolveram-se as artes e as letras. 

Nas civilizações escravagistas, não era pela via do aperfeiçoamento técnico dos métodos de produção (que se verifica aquando da Revolução Industrial) que os senhores de escravos procuravam aumentar a sua riqueza; e os escravos, sem qualquer interesse nos resultados do seu trabalho, não se empenhavam na descoberta de técnicas mais produtivas.
Opinião oposta sobre a produtividade do escravo teve o economista Molinaire, citado pelo deputado Pedro Luís, na sessão de 10 de maio de 1888, na Câmara dos Deputados do Brasil:

Molinaire diz que, em geral, o trabalho do liberto é um terço menos produtivo que o trabalho do escravo, sendo necessários dez libertos para os serviços que eram feitos por sete escravos. Dá as razões deste fato e conclui que, na melhor das hipóteses, continuando os libertos todos nos estabelecimentos rurais, teremos uma diferença de 1/3 para menos na produção!

História
História da escravidão

Há diversas ocorrências de escravatura sob diferentes formas ao longo da história, praticada por civilizações distintas.

No geral, a forma mais primária de escravatura se deu na medida em que povos com interesses divergentes guerrearam, resultando em prisioneiros de guerra. 

Apesar de na Idade Antiga ter havido comércio de escravos, não era necessariamente esse o fim reservado a esse tipo de espólio de guerra. 

Ademais, algumas culturas com um forte senso patriarcal reservavam à mulher uma hierarquia social semelhante ao do escravo, negando-lhe direitos básicos que constituiriam a noção de cidadão.



Revolta dos Malês


A chamada Revolta dos Malês foi uma mobilização de escravos de origem muçulmana, a qual registrou-se na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil.


Constituiu numa sublevação de caráter social, de escravos africanos das etnias hauçá, igbomina e Picapó, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos que fossem muçulmanos.


 "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos.


Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.

O plano de ação dos malês


Planejada por elementos que possuíam experiência anterior de combate, na África, de maneira geral, os malês propunham o fim do catolicismo - religião que lhes era imposta -, o assassinato e confisco dos bens de todos os brancos e mulatos e a implantação de uma monarquia islâmica, com a escravidão dos não muçulmanos (brancos, mulatos e negros).
De acordo com o plano de ataque, assinado por um escravo de nome Mala Abubaker, os revoltosos sairiam da Vitória (atual bairro da Barra) "tomando a terra e matando toda a gente branca". 


De lá rumariam para a Água dos Meninos e, depois, para Itapagipe, onde se reuniriam ao restante das forças.


Tinham como objetivo tomar o governo,e com isso professar suas crenças religiosas, conquistando seus direitos.

O passo seguinte seria a infiltração dos engenhos do Recôncavo e a libertação dos escravos.



A repressão pelas autoridades e o fim da revolta


Ao mesmo tempo, as autoridades também se organizaram com rapidez, conseguindo repelir os ataques aos quartéis de Salvador, colocando em fuga os revoltosos. 


Ao procurar sair da cidade, um grupo de mais de quinhentos revoltosos, entre escravos e libertos, foi barrado na vizinhança do Quartel de Cavalaria em Água dos Meninos, onde se deram os combates decisivos, vencidos pelas forças oficiais, mais numerosas e bem armadas.


No confronto morreram sete integrantes das tropas oficiais e setenta do lado dos revoltosos. 


Duzentos e oitenta e um, entre escravos e libertos, foram detidos no Forte do Mar e levados aos tribunais. 


Suas condenações variaram entre a pena de morte para quatro dos principais líderes, os trabalhos forçados, o degredo e os tacos.


Entre os pertences dos líderes foram encontrados livros em árabe e orações muçulmanas.


À época, os africanos foram proibidos de circular à noite pelas ruas da capital e de praticar as suas cerimônias religiosas.


Apesar de rapidamente controlada, a Revolta dos Malês serviu para demonstrar às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime liberal, ameaça que esteve sempre presente durante todo o Período Regencial e se estendeu pelo Governo diário de D. Pedro II.


VÉUS SOBRE A RUA HALFELD: UM ESTUDO SOBRE AS MULHERES MUÇULMANAS DA MESQUITA DE JUIZ DE FORA E O USO DO VÉU (PDF) pp. 39-40. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal de Juiz de Fora (Agosto de 2006). Página visitada em 16 de outubro de 2011. "No Brasil, os escravos muçulmanos ficaram conhecidos como Malês e, segundo Reis (2003), a origem desse termo tem sido muito discutida. Alguns autores sugerem que o termo derivasse de 'má-lei', que seria como os católicos consideravam o Islã; outros associam a palavra malê, com Malan, que significa mestre ou clérigo. Autores como Rodrigues (1982) e Bastide (1971) colocam que o termo malê vem de Mali para identificar os fundadores do Império Mali, reino muçulmano no vale do rio Niger. No Brasil, mas especificamente na Bahia, onde se concentrou a maioria dos escravos muçulmanos, malê denominava o africano que adotasse o Islã. Esses negros são assim descritos por Ramos (1972, p. 45): "Era altos robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como outros negros muçulmanos, um pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros escravos". Os malês procuraram, mesmo que de forma discreta, preservar aqui no Brasil a sua religião. Promoveram secretamente atividades de alfabetização e memorização do Alcorão. Foram esses escravos, agentes de revoltas e de movimentos de libertação na Bahia do século XIX. Para historiadores como Reis (2003), a identidade étnica e uma combativa religião convergiram na mobilização dos escravos malês como líderes rebelados. A insurreição de maior proporção ocorreu, em 1835, na Bahia e ficou conhecida por Levante Malê. Os insurgentes foram subjugados. Muitos muçulmanos foram deportados para a África a fim de diminuir sua influência sobre os outros negros. Muitos foram condenados à morte. Para sobreviver, alguns se mantiveram na clandestinidade. A religião islâmica passou por uma severa repressão, após 1835, diminuindo a possibilidade de difundir-se. Segundo Reis (2003, p. 180), antes da devassa havia um "forte movimento de proselitismo e conversão em curso na Bahia". Depois da supressão das revoltas, os cultos malês foram desestruturados."



Bibliografia


REIS, João José. Rebelião Escrava no Brasil - A história do levante dos Malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 680p. il. ISBN 9788535903942
FREITAS, Décio. A Revolução dos Malês. Porto Alegre: Movimento, 1985. 106p. il. ISBN?
FARELLI, Maria Helena. Malês: os Negros Bruxos. São Paulo: Madras, s.d.. 96p. il. ISBN 8573742402






Quizilas – Preceitos e Rituais (2ª Parte)



Alimentos de origem animalKetuIjexáJeje
OrixáOrixáVodum
Bichos de dois pésGalinhaOxum, Euá
Galinha brancaObá
Galinha, pedaços (carcaça e pescoço)Todos os filhos de “santo homem”
Galinha d’angolaObaluaiê, NanãObaluaiê, NanãSapatá (Obaluaiê)
Galinha d’angola (cabeça)TodosTodos
GaloLogunedé
PatoOssaim
PerdizGu (Ogum)
PomboOxalá, Oxum
OvosOxum, OxumaréOxumOxum, Bessém (Oxumaré)
Ovos, farofa de cabeça e pés de qualquer aveNanã, ExuExuLegba (Exu)
Bicho de quatro pésBode, cabritoOxóssi, OgumOxóssi, LogunedéOdé (Oxóssi)
Caça em geralOxóssi, Odé, Ossaim, Ogum, LogunedéOxóssi, LogunedéOdé (Oxóssi)
CarneiroXangô, IansãXangôSobô (Xangô)
PorcoObaluaiêObaluaiêSapatá (Obaluaiê)
Cabeça e pés de qualquer bichoExuExuExu
RépteisCágadoXangôXangôSobô (Xangô)
Lagarto (inclusive o corte de boi com esse nome)Oxóssi
“Tudo o que rasteja”OxumaréOxumaréBessém (Oxumaré)
Bichos de águaArraiaTodosTodosTodos
BagreOxaláOxaláLissa (Oxalá)
Camarão vermelhoIemanjá, Oxum
CaranguejoTodosTodosTodos
CavalinhaOxumOxum
Lula e assemelhadosTodosTodosTodos
Peixe de peleTodosTodosTodos
Peixe vermelhoIemanjá
RãNanãNanãNanã
SardinhaOxalá, ObaluaiêTodos
Sangue, miúdosFígadoIansã, Ossaim
Miúdos em geralIansã, Nanã
RabadaXangô
SangueTodosTodosTodos
TutanoNanã
OutrosMelOxóssi, Logunedé


Alimentos de origem vegetalKetuIjexáJeje
OrixáOrixáVodum
AbóboraIansãtodosTodos
AbacaxiObaluaiêObaluaiêSapatá (Obaluaiê)
AbobrinhaBessém (Oxumaré)
AmendoimOxumaré
Banana-d’águaOxóssiLegba (Exu)
Banana-figoIemanjá
Banana-maçãOxóssi
Banana-prataOxóssi, Obaluaiê
Batata-doceOxumaréBessém (Oxumaré)
BerinjelaNanã
BeterrabaNanã, IansãLegba (Exu)
CachaçaExu, OxaláExu, OxaláLissa (Oxalá)
Cajá-MangaOxóssi, OgumTodosTodos
CanaExu, Ogum
CarambolaOxóssi
CocoOxóssi, OssaimOxóssi
DendêOxaláOxaláLissa (Oxalá)
Feijão fradinhoOxum, Iansã, OxumaréOxum,IansãOxum
Feijão “mulata gorda”Oxóssi
Feijão pretoOgum
Folhas em geral (alface, salsa, etc.)Oxóssi, OssaimOxóssi,OssaimOdé (Oxóssi), Agué (Ossaim)
Frutas ácidas ( limão, etc.)ExuExuLegba (Exu)
Fruta-do-condeBessém (Oxumaré)
Fumo de roloOssaimOssaim
Grão de bicoBessém (Oxumaré)
InhameOgum, IemanjáOgum
Manga-espadaOgumOgum, Logunedé
MelanciaObaluaiê
Milho vermelhoOxóssi, OssaimOxóssiOdé (Oxóssi)
Milho derivados (fubá, etc.)OxóssiOxóssiOdé (Oxóssi)
Milho, pipocaObaluaiê, OxumaréObaluaiê, NanãBessém (Oxumaré)
Mostarda, folha deObaluaiê
OitiOxóssi
PolvilhoOxum
SapotiExu
TaiobaObá
TangerinaOxóssiTodos
TapiocaOxum
Uva brancaIemanjá
Uva pretaNanã