CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Lagdibá



O Lagdibá é feito de chifre de búfalo cortado em rodelinhas formando pequenos discos, normalmente é de cor preta, usados tradicionalmente pelos iniciados de Omolu/Obaluaiye e Sakpatá. 

Exclusivamente conforme um ítán de ifá ! 

Este fio, é a forma de Òmólú dominar todas as quizilas e mazelas das quais ele por arrogância, soberda, vaidade e avareza foi sua própria vítima.

Lagdibá é um fio-de-contas usado por Babalawos, Bokonon e outros sacerdotes africanos, no Brasil é usado por Babalorixás, Iyalorixás, Ogans, Ekedis, se estes forem filhos desta Divindade e pessoas de outros posto de graduação do Candomblé de todas as nações, jamais poderá ser usado por pessoas que não tenham cargo ou posto e filhos deste Orisá !!!!!



terça-feira, 3 de julho de 2018

Palha da costa



Palha da costa é a fibra de ráfia conhecida como ìko pelo povo do santo. 

É extraída de uma palmeira chamada Igí-Ògòrò pelo povo africano e que, no Brasil, recebe o nome de jupati, cujo nome científico é Raphia vinifera.

No candomblé, representa a eternidade e transcendência, como prova da imortalidade e reencarnação, sendo utilizado na confecção das roupas dos orixás, em especial Obaluayê e Omolu (Sakpata). 

Seu uso é indispensável na iniciação (feitura de santo) no sentido de proteger a vulnerabilidade dos neófitos.


Esta mesma palha trançada com espessura de um dedo mindinho e comprimento de um metro, chama-se Ikan, popularmente chamado de "contraegum" pelos leigos e até mesmo pelo povo de santo. 

Geralmente, é amarrado nos braços e cintura dos iniciados, com a finalidade de afastar as energias negativas e espíritos malévolos, impedindo a incorporação de eguns (espíritos de mortos).


Umbigueira (recebe este nome quando é amarrado na cintura).
Mokan (recebe este nome quando é ornado com búzio da costa): é um colar de palha trançada que é usado no pescoço junto com o delogun e seu comprimento é até o umbigo.

Contraegum (recebe este nome quando é amarrado na dobra da parte inferior da junção entre braço e ombro).





Deburu



Doburu - 

              é a comida ritual dos Orixás Obaluaiyê e Omolu, é o milho de pipoca estourado em uma panela, em alguns lugares com óleo (dende), em outros com areia. 

Nesse último caso, é preciso peneirar a areia dessa pipoca depois de pronta. 

Ao final, a pipoca é colocada em um alguidar (vasilha de barro) e enfeitada com pedacinhos de coco.




Olugbajé



O Olugbajé é a festa anual em homenagem a Obaluayê, onde as comidas são servidas na folha de mamona. 




Rememorando um itan (mito) onde todos os Orixás para se acertarem com Obaluaiyê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.

Nessa festividade, todos os Orixás participam (com exceção de Xangô), principalmente Osanyin, Oxumarê, Nanã e Yewá, que são de sua família. 

Oyá tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão de festas a esteira, sobre a qual serão colocadas as comidas.

Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluayê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé. 

No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada "Ewe Ilará" conhecida popularmente como mamona assassina, "altamente venenosa" simbolizando a Morte (iku).



terça-feira, 26 de junho de 2018

OS TRÊS ELEMENTOS QUE COMPÕE OS SERES HUMANOS:





O ser humano e composto de três coisas fundamentais em que as mesmas devem estar em harmonia para um sucesso expendido na caminhada terrestre:

PRIMEIRO: ORI (ser individual de cada ser) deve ser tratado devidamente de acordo com suas próprias individualidades, do contrário ele sofrerá sequelas que irá interferir no êxito de nossa vida material, familiar, social, espiritual etc, nos levando a fracassos contínuos nesses campos.

SEGUNDO: ORISHÁ ANCESTRAL (ex. SHANGÓ, OSHÚN, OYÁ, etc.) funciona como se fosse nosso anjo da guarda responsável por auxiliar o ORI e ajudar a guiá-lo no caminho de seu destino, dando suporte para vencer os obstáculos e assim encontrar a sorte em seu caminho.

TERCEIRO: ODÚ PESSOAL (destino, Karma, caminho de cada ser, ou seja, de cada ORI) sem ele não temos como cuidar dos pontos anteriores, pois dentro do nosso ODÚ é que está contido tudo que existiu, tudo que existe e tudo que existirá, dentro do contexto geral de nossas vidas seja positivo, ou negativo, é através do nosso ODÚ pessoal que encontramos as informações necessárias que nos possibilitará cuidar devidamente de nós mesmos. Sem o nosso ODÚ não temos a orientação real de nossa existência e se não temos as informações de nossas deficiências espirituais, não podemos nos medicar e assim estamos fadados a viver cegos diante de nossas próprias vidas! 

E isso poderá fazer com que vivamos em círculos, nunca chegando as metas de nossa existência.

Oluwó Siwajú Evandro Otura Airá Ifá Ni L’Óru

OS 401 ORISAS-IRUNMOLES





Os 401 orisas são ministros e administradores do universo. Antes de descer do Orun (céu) para Aiye (terra), Olodumare (Deus) entregou para Osala – o chefe das divindades, uma cabaça que continha terra, uma galinha de cinco dedos e um camaleão. Antes de posar na terra, (que era submersa pela água) a divindade soltou a terra e depois a galinha que espalhou terra formando terrenos sólidos. Camaleão foi enviado para inspecionar a solidez da terra. O local onde o camaleão pisou primeiro se chama Ile-Ife-(casa vasta).

A religião dos Orisas tem características de tolerância e sem fanatismo. Ela esta ligada à família. Orisa/Ancestral divinizado é um bem de família, transmitido pela linhagem paterna. O chefe da família – Bale, Baba-Awo (O Pai da família/Pai do segredo) delegam a responsabilidade do culto ao Orisa da família e Ancestral divinizado da família a um/uma Alase/Iya Ase – guardião/ guardiã do Ase, e para ser cuidado pelos Eleguns que serão possuídos pelo Orisa/Ancestral divinizado em certas circunstãncias.

Elegun é aquela pessoa escolhida pelo Orisa entre seus descendentes. (Ele – gun – aquela pessoa que tem o privilegio de ser montado por Orisa/Ancestral divinizado). Durante o processo de iniciação ou ritual, Orisa/Ancestral divinizado deverá ser invocado e evocado com cantos, danças etc. Após a iniciação a hierarquia deve ser seguida para mais conhecimento e firmeza religiosa.

A cada uma das divindades encarrega-se uma função especifica, vamos conhecer algumas:

Abata F – orisa das bahias das águas.
Abiku – orisa das crianças que nascem para morrer cedo
Abita M – orisa da ruas aliado de Seu
Abiye F – a divindade da gravidez e nascimento
Afefe/Ategun F– o vento, o ar. Acompanha Oya.
Aganju M – orisa do fogo, vulcões e desertos.
Aganna-Eri F – filha do Olokun
Agba-olode M – orisa do espaço.
Agbowujì F – Òrìsà da claridade e limpeza
Agemo M – orisa que fortalece a cidade
Aiku F – orisa que afaste a morte
Aina F – orisa de fogo e irma dos Ibejis.
Aiyelala F – orisa da verdade e bondade. Orisa de juramento.
Aja F – orisa que protege produtores do vinho
Àjálá M – orisa moldador de Ori
Aje shaluga F – orisa da riqueza, prosperidade material
Ajebu F – orisa do feitiço
Akitan F – orisa do lixão / aterro sanitario.
Aratunmi F – Orisa de ovulação feminina, esposa de Orisala
Aroni M – orisa de mistério da floresta
Ayan F – orisa protetor dos tocadores do tambor
Ayayo F- orisa da bruxaria, irmã mais nova de Oya.
Aye F – orisa da consciência e riqueza, filha do Obatala com Yemoja
Bayanni F – orisa que dá força a coroa dos reis, irmã de Sango
Boyuto F – Orisa de miragens e ilusões.
Dada M – orisa de crescimento, recém-nascidos, hotaliças e poder
Egungun – orisa de antepassado divinizado.
Ela M – orisa de mistério do mundo
Erinle M – orisa da firmeza da terra.
Erinle M – orisa da firmeza da terra.
Esu M – orisa mensageiro e Inspetor de Olodumare, guardião  do Ase para manter suas leis. Intermediário entre os orisas, os humanos e Olodumare.(Laroye/Esu-Odara/Elegbara/Esu-Laalu/Okiri-Oko/Esu-Ona/Oni-Bode/Esu-Ebora/Osetura/Esu-Latopa/Alago-Ija/Esu-Olopa/Idolofin/Esu-Oja /Esu-Alase)
Eyo M – orisa da cidade de Lagos. Mediador entre a terra e a água
Gelede F – orisa confortadora das mulheres
Ibeji – orisa dos gemeos. Primeiro/a representa a vida e outro o amor
IFA M – orisa de adivinhação, conhecimento, sabedoria e testemunho de destino.
Igunnuko M – orisa de união da cidade.
Ile (mãe terra) F – orisa que nos dá a sustentação
Irawo F – orisa das estrelas e astrologia.
Iroko F – orisa da árvore sagrada Iroko que é morada das Iyamis
Motawede F – Orisa do cobre,  esposa de Orisala
Nana F – orisa mais velha, da criação, dona da lama, pântanos e da transcendência. Mãe de Obaluaye, Osumare,(dentre outros).
Ori (força vital) M/F – Òrìsà que não abandona o seu devoto, mesmo após a morte, quando todos os demais Òrìsàs deixam seus devotos e voltam às suas origens. Orí é o mais importante na escolha do destino de cada pessoa. Ele é quem regerá a vida de cada indivíduo no ayé.
Oba F – orisa guerreira, esposa de Sango, da paixão, Orisa das esposas, respeitosa, obrigação conjugal, nutrindo maternidade e casamento.
Obaluaiye/Omolu/Soponna M – rei da terra, da varíola, doenças e cura.
- Obaluaiye – Senhor da Terra
- Omolu – Filho do Senhor
- Soponna – Aquele que pode nos matar com o fogo
Oduduwa M – Orisa Pai da humanidade, mito da criação, consciência e carater
Ogun F – orisa da guerra, ferro, mineração, agricultura, (armase?) abertura dos caminhos. MEJE LOGUN
- OGUN ALARA QUE PROTEGE A FAMÍLIA
- OGUN ONIRE QUE AJUDA OS AGRICULTORES
- OGUN IKOLA QUE AJUDA OS CIRURGIÕES
- OGUN ELEMONA QUE PROTEGE OS MOTORISTAS E AS ESTRADAS
- OGUN AKIRUN QUE PROTEGE OS FERREIROS
- OGUN GBENA-GBENA QUE AJUDA OS ARTESÕES
- OGUN MAKINDE QUE PROTEGE AS FRONTEIRAS E DIVISAS
Ogunte F – orisa feiticeira e dona da magia e esposa de Orisala
Oke – orisa da montanha
Ologun Ede F -  orisa filho de Oshun, pescador e cuida da beleza
Olokun M – Orixá do mar.
Olugbo M – orisa da mata
Olu-Iwa M – orisa de caráter e consciência
Orisa Oko M – Deus de agricultura e plantações
Orisanla/Obatala M – orisa da criação, pai dos orisas, moldou o ori dos primeiros seres humanos, administra o universo
Oro M – Deus da agitação, gestos; fúria; paixão desmedida, loucura
Oroina F – orisa do estrondo do Vulcão / terremoto avisando os humanos
Orungan M – deus da juventude, reflexão e o amor.
Orunmila M – divindade da sabedoria, adivinhação e prospectiva
Osa F – deusa de Rios e lagoas, esposa de Olokun.
Osalufon M – deus da cidade de Efon
Osanyin M – orisa das folhas, plantas, raízes, medicina e potencialidade.
Osowusi / Osoosi – Orisa da proteção dos animais e caça.
Osumare M – orisa regulador do tempo no céu e na terra, orisa da renovação e substituição
Osun F – orisa da cachoeira, da fertilidade, beleza, amor e do dinheiro, segunda esposa de Sango.
- Osún  Ìyá Ominíbú-Òsún, mãe das águas profundas
- Òsún  Olóòmi Ayè- Senhora das águas da vida
- Òsún   Léwà-Osún é linda, é bonita
- Òsún  kare-Aquela que pode nos fazer felizes.
- Òsún  Yéyé-Òsún, Mãe cuidadosa
- Òsún Apondá-Òsún é o vale das águas da criação.
- Òsún Òpàra-Òsún que usa uma espada.
- Òsún  Ààbòtó-Aquela que nos dá as nossas necessidades
- Òsún Ìjimu-é sua cidade natal.
- Òsún  Òsògbó-Òsògbó é a cidade onde o culto de Òsún é muito forte
- Òsún  Ìjèsà é  o habitante da cidade de Ilésà
Otin F – Orisa que apoia as mulheres tristes e ridicularizadas
Oya F – orisa das tempestades e ventos, terceira esposa de Sango, encamihadora das pessoas na morte
SANGO – orisa do raio, violência/justiça, incêndio e relâmpago
- Aláààfin (Sàngó, o Dono ou Senhor do Palácio, ou seja, o Rei).
- Afonja, que eram como uma espécie de generais
- Ògòdò – Sàngó mostrando sua força
- Aládó – o Senhor do Pilão e que ele costuma despedaçar o pilão com relâmpagos
- Airá – pedra – edun aira
- Káwò- saudação de Sango
Sigidi M/F – mensageiro de pesadelo, atormentador dos culpados
YEEWA F – Orisa da chuva, sentimento e cemitério
Yemoja/Oluweri F – mãe dos orisas, princesa do mar, da maternidade, mãe dos órfãos, da procriação e proteção das crianças. Orisa dos rios.
YEMÒWÒ F – Orisa da criação do meio de troca (moeda), esposa de Orisala
Os 401 Orisas / irunmalés são Deuses que nos fortalecem espiritualmente dando-nos equilibrio, paz, harmonia, amor. 

Que nós, seus filhos, tenhamos a um pouco de seus atributos para os fortalecer no dia-dia. 

Quando falamos dos nossos deuses, estamos exercendo a maior liberdade dos ritos religiosos. Para cada Orisa há rituais próprios que envolvem suas preferências por cores, alimentos, vestimentas, adornos, ferramentas, colares, animais.



Nossa Religião é baseada no amor, na doação, no sacrifício, na oferenda, no desapego, na obediência, em evitar vícios, no respeito e humildade.



terça-feira, 19 de junho de 2018

Quem foi Ajáká ?



Ajaká foi 2º Aláàfin de Oyó, o Oba Ajaká, meio irmão de Sàngó, que era muito pacifico, apático e não realizava um bom governo.

Sàngó cresceu nas terras dos Tapas (Nupe), local de origem de Torosí, sua mãe. Tempos depois, com seus seguidores se estabeleceu em Oyó, num bairro que recebeu o mesmo nome da cidade que viveu, Kòso e com isso manteve seu título de Oba Kòso. 

Sàngó percebendo a fraqueza de seu irmão e sendo astuto e ávido por poder, destrona Ajaká e torna-se o terceiro Aláàfin de Oyó.

Ajaká, também chamado de Dadá, exilado, sai de Oyó para reinar numa cidade menor, Igboho, vizinha de Oyó. 

Por ter sido deposto, não poderia mais usar a coroa real de Oyó, e passa então a usar neste seu outro reinado uma outra coroa (ade), que escondesse seus olhos envergonhados e jura que somente irá tirá-la quando ele puder usar novamente o ade que lhe foi roubado. 

Esta coroa que Dadá Ajaká passa a usar, é rodeada por vários fios ornados de búzios no lugar das contas preciosas do Ade Real de Oyó, e esta chama-se Ade Bayánni (ver fotos no site)*. 

Dadá Ajaká então casa-se e tem um filho que chama-se Aganju, que vem a ser sobrinho de Sàngó.

Sàngó reina durante sete anos sobre Oyó e com intenso remorso das inúmeras atrocidades cometidas e com o povo revoltado, ele abandona o trono de Oyó e se refugia na terra natal de sua mãe em Tapa. 

Após um tempo, suicida-se, enforcando-se numa árvore chamada de àyòn (àyàn) na cidade de Kòso. Com o fato consumado, Dadá Ajaká volta à Oyó e reassume o trono, retira então o Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin, tornando-se então o quarto Aláàfin de Oyó. 

Após sua morte, assume o trono seu filho Aganju, neto de Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto Aláàfin de Oyó.

1* - Em: IIê-Ifé: O Berço Religioso dos Yorùbá, de Odùduwà a Sàngó de Aulo Barretti Filho.


Dadá Ajaká



Dadá Ajaká, filho mais velho de Oranian, irmão consanguíneo de Xangô, reinava então em Oyo. Ele amava as crianças, a beleza, e as artes. 

De caráter calmo e pacífico, não tinha a energia que se exigia de um verdadeiro chefe dessa época. 

Dadá é o nome dado pelos yorubás às crianças cujos cabelos crescem em tufos que se frisam separadamente.

Xangô o destronou e Dadá Ajaká exilou-se em Igboho (Nigéria), durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. 

Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé baáyàni (pronuncia-se Adê Baiani), ou "Coroa de Dadá". 

No Terreiro do Gantois na Bahia é reverenciado e cultuado como Baiani, onde realiza-se uma festa anual e no Ilê Omorodé Orixa N´la onde tem um filho iniciado nesse orixa e também realiza uma festa anual.

Depois que Xangô deixou Oyo, Dadá Ajaká voltou a reinar. 

Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se agora valente e guerreiro, voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacando os tapas.



BAYANI



Baiâni (do iorubá Báyànni, nome dado à sua coroa de búzios peculiar), Dadá ("de cabelos anelados", em iorubá) ou Ajacá (Ajaka, nome próprio) é um orixá, filho de Oraniã (Òrànmíyàn, em iorubá), meio-irmão mais velho de Xangô e de Xapanã(Ṣànpònná, em iorubá).


Segundo a tradição, Dadá Ajacá ("Ajacá dos cabelos encaracolados") foi alafin de Oyó antes de Xangô. 

Soberano calmo e pacífico, que amava a beleza e a arte, aceitava a vassalagem ao reino vizinho de Owu e deixou a política militar ao meio-irmão Xangô, que então reinava como obá (rei vassalo) em Kossô. 

Xangô fez grandes conquistas, derrotou o olowu (soberano de Owu), estendeu o domínio de Oyó sobre os iorubás e acabou por depor o irmão.


Dadá Ajacá exilou-se como obá de Igboho durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão, passando a usar a característica coroa de cauris (búzios) que, ao contrário da usada pelo alafim (Ade Aláàfin), não chega a tapar os olhos, sinal de sua condição de soberano menor ou vassalo. 

Voltou a reinar em Oyó depois da queda de Xangô, mostrando-se então enérgico, valente e guerreiro. Voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô e atacou os tapas, seus aliados, sem grande sucesso.

No Brasil é chamado de Baiâni ou Dadá Ajacá e cultuado no Terreiro de Gantois. 

Sua festa, no domingo anterior ao 1º Domingo do Advento (que é o domingo mais próximo de 30 de novembro), marca o fim do ano ritual do candomblé nagô, assim como, na mesma data, a festa de Cristo Rei marca o fim do calendário litúrgico católico e do ano eclesiástico.

No Gantois, Dadá Ajacá é representado por uma coroa de búzios chamada Adê de Baiâni, enfeitada de búzios com diversas tiras pendentes. 

É cultuado com um ritmo forte e cadenciado chamado batá.


Alguns outros terreiros o consideram uma "qualidade" de Xangô, chamada Xangô Bane ou Xangô Bâni. 

Outros consideram Baiâni como uma personagem completamente diferente de Dadá Ajacá, uma mulher que é mãe ou irmã mais velha de Xangô e foi regente de Oyó depois de Dadá Ajacá.


O ritual do Ajere



Ajere é o nome de uma das cerimonias realizadas na festa de Sàngó.

Relembra uma passagem na qual Iyánsàn foi encarregada de levar o encanto do fogo para Sàngó, e  no meio do caminho resolveu experimentá-lo. 

Abriu o recipiente e provou um pouco do líquido. 

Quando foi falar com Sàngó, saiu fogo de sua boca. 

Foi então que Sàngó percebeu que ela lhe havia roubado o poder do fogo que era destinado somente a ele.  

Foi uma artimanha de Èsù para mostrar como as mulheres são curiosas.

As luzes são apagadas e a Iyánsàn mais velha entra com uma panela de barro cheia de brasa e fogo.

Ao toque do Alujá Sàngó e Iyánsàn dançam com a panela na cabeça. 

A panela passa de uma cabeça para a outra e só os Òrìsà é que conseguem tocá-la devido à quentura.

O tempo de duração da cerimonia é o necessário para que todos os Sàngó e todas as Iyánsàn tenho conseguido segurar pelo menos uma vez a panela. 

O ultimo a segurar o Ajere é Sàngó que sai do salão com a panela na cabeça.

Após a cerimonia as luzes são acesas e os orixás dançam suas cantigas separadamente.



As danças de Oyá são muito espetaculares. 

Ela manda nos Eguns. Com grandes movimentos nos braços, impede sua passagem e os afasta. Ela vai até os atabaques colocando a palma de suas mãos para frente e, apressada, dirige-se até a entrada do barracão. 

Agitada e nervosa, corre para todos os lados como se quisesse afastar o perigo;
depois pára e dança, balançando os quadris de maneira provocadora. 

Diz-se então que ela esta quebrando os pratos.