CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

YEMANJÁ ASHABÁ



É a maior de todas as YEMANJÁS. 

É a primeira filha de OLOKUN. 

É a dona das embarcações, a que dá direção a elas.

A esta YEMANJÁ se oferece pato de maneira especial. 

Ao lado se põe uma palangana de água do mar com anil (waji).

Vive em uma ânfora tipo grega. 

Cruza-se uma corrente sobre a ânfora e ao lado dela se coloca uma corda de barco forrada de azul, verde, amarelo, vermelho e branco.

Quando o “filho” de ASHABÁ tem apuros, oferece-se um galo branco na beira do mar, onde se localiza uma ponte ou um píer. 

Pode-se oferecer pato junto com OGUN.

Sua coroa se arremata com um barco que se trava uma âncora. 

Isto é para alcançar o poder da vida, a dominação de ASHABÁ.

Seu nome completo é YEMANJÁ ASHABÁ OGÚN FASOGUN ARALOTOYÉ.

Os Ararás a chamam de EWA HUGA.


Ifá Ni L’Órun


Agosto o mês de Yemanjá: MAYELEWÓ ou MAYELEÓ



YEMAYÁ (YEMANJÁ) MAYELEWÓ ou MAYELEÓ em suas características se assemelha a sua irmã OSHÚN IBU KOLÉ ou IKOLÉ. 

Tem relações muito estreitas com OZAIN, OGUN e OSHÚN IKOLÉ. 

Leva um boneco que tem função de seu ELEGUÁ. 

Conhecida também como OKUNJIMA. 

Tem um amplo conhecimento de ervas e medicinas.

YEMAYA MAYELEWÓ nasce no ODÚ IROSO FUN. 

É a filha favorita de OLODUMARÉ. 

Vive no fundo do oceano, onde se unem as 7 (sete) correntes marítimas. 

Sua característica fundamental é a estabilidade. 

Olha para as pessoas com grande orgulho, por isso as olha com desconfiança e meio de lado. 

É boa nos negócios.

MAYELEWÓ significa “a que ama os ganhos e os negócios”. 

Ela coloriu as águas do oceano. 

Foi a que pintou a Água de Azul com a ajuda de ASESÚ. 

Esta YEMANJÁ usa uma máscara e leva um OZUN pequeno, além do que se põe um guiro a OZAIN.

Leva como Carga Adicional:  um pato de chumbo, um pilão, um redemoinho, uma serpente e um pedaço de arrecife. 

Sua coroa se arremata por uma Bandeira que se pendura 7 (sete) pratos intercalados, dois remos, dois ides, uma serpente, uma cestinha, uma espada, um redemoinho, um porrãozinho, um espelho, um timão, um facão, um pincel e um anzol.


Sua coroa leva todas as ferramentas de OGUN. Vive em um porrão que se põe em cima de um cesto ou cesta de pratos, leva em cima um colar de Orunmilá e um EPKUELÉ. Sua cesta se adorna com 9 (nove) panos de cores diferentes. Em frente a ela se coloca uma cestinha pequena com um peso e mercadorias, dentro de seu porrão se coloca também uma corrente com 7 (sete) anzóis pelo Trato dos 3 (três) Pescadores que atiravam sua linha de pescar e dois deles não pescavam nada e um só PESCAVA, por isso é que também leva YAROKO (corda). Seu fio de conta é: 7 (sete) azuis claro, 7 (sete) rajadas de vermelho e branco, 7 (sete) rosas e 7 (sete) de água.

Ela se senta sobre as cordas dos botes. Os ARARÁS a chamam AGANIKOSHE.

YEMAYÁ MAYELEWÓ imperava em OYÓ e um mito desse povo diz que ela era comerciante na cidade de SHAKI. Ali se casou com OKEFE, que é o título real de ORISHAOKO e este a insultou por seus grandes seios e por isso começou a conhece-la com o nome de SOMU GAGA (seios grandíssimos).

Ela, envergonhada, submergiu no rio e foi sair no mar, onde vivia com OLOKUN sob no nome de SOMU GAGA e só sai do mar em raras ocasiões e em distintos pontos da costa.

YEMAYA MAYELEWO vive no meio do mar com as 7 (sete) correntes marítimas. Olha meio de lado, é comerciante e é a que diferenciou a cada ORISHÁ com a pintura por mando de OLÓFIN.

Ifá Ni L’Órun


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

OS GUACALOTES DE ASESÚ E YEWÁ



YEMANJÁ ASESÚ e YEWÁ sempre andavam juntas no mar, com um barco muito grande que elas tinham que foi feito de IGUI JOCUMA. 

Elas iam por toda a costa repartindo EWÉ AYÓ (fava de Oshósi) a todos os homens que se dedicavam a jogar com elas, pois ASESÚ e YEWÁ haviam feito um pacto para por meio dessa brincadeira, ter domínio sob todos os homens, pois por serem fanáticos e apegados ao jogo, eles entregavam tudo.



ASESÚ e YEWÁ foram se tornando donas de todas as riquezas daquelas terras e punham a ELEGUÁ como chefe.

Elas iam buscar GUACALOTES (fava de Oshósi) em toda terra de OMO AYÓ, que era muito próspera e tinha saída pelo mar, mas as pessoas daquelas terras não estavam de acordo com o que acontecia nessa terra, pois a maior riqueza que havia ali eram os GUACALOTES (favas de Oshósi), que eram de todas as cores.

Yemaya

Naquela terra vivia AWÓ ALAYÓ OTA, ao qual todos queriam bem, pois era filho de ORUNMILÁ que tinha muita sabedoria e ele sempre estava dando conselhos as pessoas daquela terra de OMO AYÓ, onde todos eram muito obstinados.

Eles foram ver AWÓ ALAYÓ OTA, o qual lhes fez uma consulta com IFÁ e lhes disse que teriam que esperar que YEWÁ e ASESÚ chegassem em seu barco para pegar os GUACALOTES e lhes dessem comida às duas e pegassem AGUTAN (Carneiro) e ETU (galinha D’Angola). Enquanto elas comiam, as pessoas da terra de OMO AYÓ saíram com o barco e começaram a pegar a todos os homens que estavam esperando a YEWÁ e ASESÚ com os AYÓ e os foram levando para a terra de OMO AYÓ, onde os esperava AWÓ ALAYÓ OTA e lhes fez as cerimônias de IFÁ (os tornou BABALAWÓS), mas também pegava os EWÉ AYÓ (fava de Oshósi) e os lavava com o IFÁ e dava de comer a YEWÁ.

Porém resultou que quando ELEGUÁ se inteirou daquilo, ficou bravo e começou a atrapalhar a cabeça e a vista de todos os homens que eram filhos da terra de OMO AYÓ e então AWÓ ALAYÓ OTA disse a YEWÁ e ASESÚ que teriam que ir buscar a ELEGUÁ para trazê-lo para aquela terra para consagrá-lo. Elas pegaram o barco e foram a caminho de ONI OKUN, para onde vivia ELEGUÁ e começaram a chama-lo.

Yewá

ELEGBARA MOTA BI AYE OMO AYÓ SOKUN

IRÉ ALAYÓ YEWÁ ALAYONIFA

ASESÚ MOKI OTA

ELEGUÁ quando as ouviu, subiu no barco e então YEWÁ e ASESÚ cantaram:

YEWÁ YEWÁ OMO ATO YEWÁ

YEWÁ YEWÁ OYO ELESE YEWÁ…OMO AYÓ ASESÚ.

Onde ELEGUÁ as agradecia muito, ficou tranquilo e foi com elas para a terra de OMO AYÓ e ali já estava tudo preparado e AWÓ ALAYÓ OTA lhe fez IFÁ (o tornou BABALAWÓ) e fez sacrifícios a ASESÚ e a YEWÁ junto com o IFÁ e disseram à ELEGUÁ que isto todos os dias o manterá ao lado de seu IFÁ, que lhe servirá para grandes poderes e segredos nessa terra. Que deve adorar muito a YEWÁ e a ASESÚ e que ALAYÓ, o GUACALOTE, além de ser o jogo de OLÓFIN na Terra, era o segredo daquela terra para o desenvolvimento e a saúde de seus filhos.

 Ifá Ni L’Órun


NASCE E MORRE O AMOR (ORISHAOKO E AGANA OKUN FILHA DO MAR) OGBE DI



Era um tempo em que ORISHÁOKO não tinha esposa e se encontrava sozinho, em união somente com suas ferramentas de cultivo da terra, com os quais buscava seu sustento. 

Além disso, tinha também um pé de frutas, mas como vivia muito sozinho decidiu ir à busca de uma esposa. 

Nesse tempo a terra era tomada pelo Mar, pois este não tinha área reservada. O mar penetrava nos domínios de ORISHÁOKO (terra) invadindo tudo.

Certo dia em que ORISHÁOKO caminhava pela beira do Mar, viu uma mulher extremamente bela, ficando profundamente apaixonado por ela.

Foi de novo outro dia e começou a namorá-la, mas esta lhe disse: Veja, eu me chamo ANAGA ERI e não penso em me casar, porque tenho um defeito que me impede. Ele respondeu: Não importa. Então ela disse: Está bem, mas vamos fazer um pacto. 

Que você nunca fale sobre o meu defeito, porque do contrário nos separaremos. Esta mulher tinha um defeito pelo qual havia ficado sozinha, afastada do mundo, pensando que alguém poderia comentar sobre sua condição, deixando-a assim muito envergonhada. 

AGANA ERI era uma mulher muito linda de rosto, mas seu corpo era completamente desforme. Tinha uma perna magra e outra grossa. Faltava-lhe um seio, tinha várias escamas na barriga, enfim, seu corpo era uma verdadeira ruína. 

ORISHÁOKO se encontrava profundamente apaixonado por AGANA ERI, filha de OLOKUN, pois essa mulher tinha um magnetismo sobrenatural, que todos que olhavam para ela ficavam apaixonados.

OLÓFIN vinha observando muito de perto essa relação e um dia mandou buscar ORISHÁOKO e AGANA ERI e lhes disse: Vocês têm que se casar, porque você, ORISHÁOKO está apaixonado dessa mulher que é minha filha na terra, para que ela não tenha que passar por dores e sacrifícios, eu lhe construí um Reino a parte da terra, produto de tudo isto, de seu defeito e para que ninguém a envergonhasse e nem a humilhasse. 

Por tudo isso lhe dei seu Reino nas profundidades do mar, assim tu tens que prometer que nunca jogará em sua cara isto que te conto.

ORISHÁOKO não pôs nenhuma objeção e jurou diante de OLÓFIN, nunca jogar na cara de AGANA ERI seus defeitos e assim começaram a viver juntos. 

Durante os primeiros três anos, o matrimônio seguiu bem, próspero e felizes decidiram estabelecer um comércio na terra onde as riquezas do mar poderiam ser expostas aos homens e ao mesmo tempo ORISHÁOKO trabalhava na terra semeando Agbado e Eres (milhos e grãos) e os levava até AGANA ERI e esta durante o dia os comercializava na terra.



Mas certo dia ao chegar ORISHÁOKO com seus fardos de grãos onde eram comercializados iniciou um grande desentendimento entre os dois, durante a qual ele jogou na cara todos os defeitos dela, quebrando o pacto que fez diante de OLÓFIN. Foi tão grande a vergonha que ela passou, que o rosto dela se transformou em traços de dor profunda e tristeza que o homem que ela havia escolhido por seu marido lhe fazia passar e que tanto havia suplicado em seu matrimônio e que agora ele fazia publicamente o que ela tão cuidadosamente havia escondido.

Então lhe disse: ORISHÁOKO, enquanto o mundo seja mundo te detestarei e viverás separado a distância de mim e cada vez que eu desejar, passarei por teus domínios e penetrarei neles e nunca mencionarei palavra alguma e todos terão que rogar-me e pagar-me todas as contribuições. Salvarei todos os meus filhos, nomearei um porteiro para que receba aos olhos da terra. A ti, ORISHÁOKO, te castigarei com tua própria arma. Teus animais te atacarão, tua terra se tornará hostil, teus filhos não serão teus. Não poderás colher o fruto que cultivas e pisarão em  tua terra.

Então Olófin desencadeou uma grande seca, onde as colheitas morriam, assim como o gado e a terra se ressecava e se rachava. O cavalo de ORISHÁOKO não queria mais trabalhar. Diante dessa sucessão de coisas, ORISHÁOKO foi ver ORUNMILÁ e este lhe disse: Colha todos os frutos que a terra produzir, algumas aves, um porco, etc. Construa um grande cesto que flutue e pagando o direito ao porteiro de Olokun, jogue tudo no mar. Depois pegue as sobras de comida e desperdícios e o lixo da praça e com dois Akukós (frangos) e dê ao poço e dos dois bois que tens, oferece um a Olófin, para que possas evitar uma grande epidemia que vem sobre a terra.

ORISHÁOKO fez tudo como havia orientado Orunmilá, onde OLÓFIN ao receber o boi, concordou com ORISHÁOKO e mandou buscá-lo. O perdoou por sua falta e lhe disse: Desde hoje tu serás o dono das sementes e da lavoura, a terra viverá separada do Mar enquanto o mundo seja mundo. To Eban Eshú.



NOTA: Nesse Odú explica o porquê muitos casamentos iniciam contagiados de muito amor e juras eternas e ao longo dos anos as ofensas cotidianas, o peso das palavras e as atitudes desonrosas do homem destroem o amor de uma mulher chegando ao ponto de se converterem em grandes inimigos no futuro. Também explica que a decepção é a maior causa da perda dos sentimentos de uma mulher dentro de um matrimônio e nenhuma fortuna material compra o amor verdadeiro de uma boa esposa.

Diz também que o segredo de uma união eterna e feliz esta na admiração, pois uma mulher só consegue estar ao lado de um homem por amor se admirá-lo de verdade e quando deixa de amar é para sempre.

Ifá Ni L’Órun


A TRANSFORMAÇÃO DE MAYELEWÓ EM IBU OKOTO



YEMANJÁ voltou com OGUN e fingiu sua felicidade, enquanto ela conspirou para abandoná-lo tão breve fosse possível.

YEMANJÁ, uns dias depois, enquanto OGUN estava trabalhando, saiu de sua casa uma vez mais.

Após o retorno de OGUN, ele virou a casa de cabeça para baixo em busca dela e logo depois começou a procurar fora.

Caminhando sem rumo, encontrou-se com um KUEKUEYÉ (pato). OGUN estava a ponto de arrancar-lhe a cabeça, quando o pato disse que se ele o matasse, ele nunca encontraria YEMANJÁ.

Perguntou OGUN: Então você sabe onde YEMAYÁ OMI LATEÓ (mãe do mundo) está?

O pato rapidamente disse: Sim, eu te digo onde está. Mas me darás metade de suas riquezas? OGUN apressadamente esteve de acordo. Na verdade estava pensando que tão breve se encontrasse com OMI LATEÓ, mataria o pato.

Aqui é onde nasceu a ganância e a má fé das pessoas.

O pato foi bamboleando até chegar às margens do oceano que era YEMAYÁ ILÉ (casa de YEMANJÁ) e rapidamente começou a nadar no mar.

OGUN tratou de fazer o mesmo, mas começou a afundar rapidamente até o fundo como chumbo. Foi YEMANJÁ que o salvou mantendo-o à tona. YEMANJÁ em seguida disse a OGUN:

Tu és maestro em tua casa e capaz de impor e obrigar os outros à tua vontade. Se você não deixar de me perseguir, vou permitir que você se afunde até o fundo.

OGUN, vendo que não tinha escolha, deixou o Ilé dela e voltou a seu ILÉ NIBU (bosques).

ibu okoto

YEMANJÁ sacrificou o KUEKUEYÉ (pato), por ele se intrometer em seus assuntos.  Sacrifiquei o pato para que ele nunca mais possa se meter de novo em meus assuntos ou contar meus segredos.

Vou utilizar suas penas como ABEBÉ (leque) para me abanar.

É aqui onde MAYELEWÓ se transforma em IBU OKOTO e é a primeira vez que alguém perde sua vida por intrometer-se nos assuntos dos demais.

Depois de seu tempo com OGUN, YEMANJÁ dedicou sua vida ao progresso do reino. Havia paz naquele lugar e OLODUMARÉ decidiu visitar a terra com a finalidade de dizer a YEMANJÁ o quanto ele estava feliz com a prosperidade dos reinos sob o seu governo, desde a época em que OBATALÁ se tornou um homem de idade e deixou o reino desatendido.
Ifá Ni L’Órun





terça-feira, 1 de agosto de 2017

Agosto o mês de Yemanjá: O PERDÃO DE YEMANJÁ



YEMANJÁ foi a uma festa e o dono da mesma deu UNJEN (comida) a todos os ORISHÁS, menos a ela. 

YEMANJÁ ficou ressentida por se sentir desprezada e começou a desprezá-lo também.

Daí em diante o atraso o persegui tanto, que o homem teve que ir parar à casa de um filho de ELEGUÁ.

O homem vendo-se tão atrasado, foi ver à ORUNMILÁ que lhe fez um OSODE (consulta com IFÁ) e este lhe mandou fazer alguns sacrifícios. Teria de fazer algo para ELEGUÁ e algo para YEMANJÁ e este assim o fez.

YEMANJÁ, por sua benevolência, o perdoou e ele voltou a progredir.

To Iban Eshú



Ifá Ni L’Órun



AS FILHAS DE OLOKUN



OLOKUN tinha cinco filhas com OLOSA e quatro com OLONA, elas se chamavam:

OMI LOSA ORUKO                        OMI LONA ORUKO

OMI LOSA LASHE                         OMI LONA LASHE

OMI LOSA BOKUN                        OMI LONA BOKUN

OMI LOSA ORUN                          OMI LONA ORUN

OMI LOSA FOSHE



Essas moças viviam com suas mães. 

No Rio as filhas de OLOSA e no Lago as filhas de OLONA. 

No fundo do mar com OLOKUN vivia outra de suas filhas chamada AGANA ERI, uma moça alta e bela, mas de corpo desforme, o que lhe causava uma grande tristeza. O pai lhe cobria de atenção para atenuar seus penares. 

Entretanto, as filhas de OLOKUN com OLONA e OLOSA eram moças muito belas e de corpos maravilhosos, despertavam a admiração de quantos as visse.

OLOKUN pediu as suas filhas que fossem em seu reino submarino para passar um tempo com ele. As jovens foram e chegaram cheias de alegria e felicidade naquele lugar. OLOKUN era muito afortunado com suas nove filhas, mas AGANA ERI sentia tristeza, inveja e ciúmes de suas irmãs e planejou uma forma de eliminá-las.

As filhas de OLOKUN tinha no pescoço um inshé (amuleto), que lhe havia feito o Awó do reino de seu pai, AWO NIFA OMOLOZAIN ORUN OKANA YEKU, um grande ozainísta e sacerdote de Egun. O amuleto mágico permitia as jovens viver na água e na terra e foi consagrado pelo Awó no Ozain que era de OLOKUN, fabricado pelo mesmo Awó.

AGANA ERI em uma noite escura saiu do reino e foi até a beira do mar e ali pactuou com os pescadores: Ela lhes entregaria as nove donzelas que seu pai queria se desfazer, mas sem que essas soubessem. Eles só tinham que devolver os amuletos mágicos que as jovens levavam em seus pescoços.

Voltou onde estavam OLONA e OLOSA e lhes assegurou que OLOKUN pretendia ficar com suas filhas e lhes persuadiu para que começassem a chamá-las e fazê-las regressar.

oceano_azul

AGANA ERI previamente havia combinado com os pescadores que na primeira lua nova, mandaria as donzelas para fora do palácio para que eles as capturassem, de igual forma pediu a OLOSA e a OLONA que na primeira noite de lua nova chamassem suas filhas. Os pescadores cheios de ganância pelo oferecimento de AGANA ERI foram à casa do Awó do povo, que ao consultá-los, marcou esse Odú OSÁ TRUPON e lhes disse que haveria algo que depois lhes pesaria e deixaria sequelas para gerações posteriores, porque assim estava escrito e decidido por OLODUMARÉ. Fez-lhes ebó com os anzóis, 10 pombas, um galo, cordas, linhas, agulhas, duas galinhas que deram a OSHÚN em um buraco onde havia aranhas aonde deixaram também as linhas e as cordas. As aranhas ao moverem-se com o odor do sangue, se enredaram nas linhas e formaram uma rede. O galo deram a Ozain e os anzóis e as pombas guardaram e atiram a rede ao mar. Chegou o dia da lua nova e OLOSA e OLONA começaram a chamar suas filhas:

“Laye Laye Omo Olokun

“Laye Laye Omo Olosa

“Laye Laye Omo Olokun

“Laye Laye Omo Olona”.

E elas respondiam:

“Iya Orioye Omo Losa Umbo Nitolode

“Iya Orioye Omo Lona Umbo Nitolode”.

Essa noite AGANA ERI convidou suas irmãs a contemplar a bela lua nova e assim escutaram o chamado de suas mães e se dirigiram até o lugar delas e caíram na rede atirada pelos pescadores, que capturaram as donzelas e entregaram os amuletos mágicos a AGANA ERI. As jovens foram levadas ao mercado para serem vendidas, mas pela falta dos amuletos, morreram. Os pescadores desanimados tiraram as moças da rede com os anzóis e as pombas e as atiraram ao mar.



OLOKUN ao notar a ausência de suas filhas mandou buscar o Awó de sua confiança, este jogou Opelé e fez uma consulta com Ifá e marcou o Odú OSÁ TRUPON e disse a OLOKUN que havia um enredo e uma traição dentro de seu próprio reino, que teria que fazer ebó com: Dois Etús (Galinha D’Angola), Oti (bebida alcoólica), Oti Pupua (vinho), Amalá Ilá e dar de comer a BROMU e BRONSIA.

Assim se fez e BROMU E BRONSIA formaram uma grande onda ao se unirem:

“BROMU LERI MAMU EYE ETU MAMU OTI

BRONSIA LERI AFEFE MAMU EYE ETU MAMU OTI PUPUA”.

A onda trouxe das profundezas do mar a rede com os corpos das donzelas e os anzóis. Os guardiões de OLOKUN pegaram a rede com seu conteúdo e a levaram diante dele.

AWO NIFA OKANA YEKU que estava ao seu lado, mandou tirar as moças da rede e as levou diante de Ozain do pai: os corpos das jovens, dois anzóis, os pedaços da malha e as pombas. Fez as cerimônias para as moças e colocou os amuletos mágicos no pescoço delas. Elas regressaram à vida, recuperaram suas faculdades, contaram ao pai o sucedido junto com a traição de sua irmã AGANA ERI.


OLOKUN, indignado, mandou buscar a sua filha desforme. Ela ao ver as suas irmãs vivas, caiu desmaiada diante da surpresa. O castigo do pai foi condená-la eternamente a viver trancada em um castelo e a levar em suas mãos uma serpente e uma máscara com sinal de falsidade e inveja para que ninguém mais fosse enganado por ela.

AWO NIFA fez a cerimônia nas filhas de OLOKUN com Leri Eya (cabeça dos peixes), os anzóis, a rede com que havia feito os amuletos, Omi de OLONA e transformou o corpo das moças em corpos de peixes com rostos de belas mulheres, cobertos com a rede que serviu para capturá-las.

As nove filhas de OLOKUN viveram dali em diante, um tempo com seu pai e um tempo com sua mãe, cada vez que mudava a lua, elas mudavam de lugar.

Os pescadores desde então, se orientam pela lua para a captura dos peixes, mas se lembram dos cantos de OLOSA e OLONA como cantos de mau agouro e ao ouvi-los se afastam e as filhas de OLOKUN passam sem problemas.

Ifá Ni L’Órun 


Agosto comemoramos Yemanjá em sua Casa:A DONA DO MAR PROFUNDO YEMANJÁ ABU AGANA



Esse caminho ou qualidade de YEMANJÁ é a esposa de ORISHÁ OKO. 

Seu nome significa “ A FURIOSA”.

Sua beleza é esplêndida, mas há 7 (sete) bolas na parte inferior do seu ventre e uma perna mais fina que a outra. 

É por isso que esse caminho ou qualidade de YEMANJÁ tem que ter uma bonequinha com sete bolas no ventre e uma perna mais fina que a outra, com dois chifrezinhos na cabeça. 

Esses chifres levam um fundamento (segredo). A boneca vive ao lado de YEMANJÁ. 

Além disso dentro de sua sopeira leva outra bonequinha.

Vive no mais profundo do oceano, onde está tudo escuro. Diz-se que quando vira na cabeça de seus filhos, o céu fica nublado e começa a chover.

Tem um fundamento que é coberto de contas azuis. 

Trabalha com OROIÑA. 

Sua sopeira deve estar coberta com um pano de 7 (sete) cores. 

Ela adora leques com penas de pato. 

Além de suas ferramentas normais, leva também um YUNKE (bigorna), 7 facões, 7 ganchos e uma pedra de arrecife.

Vive também entre os arrecifes e conchas.

Sua cor é o AZUL COBALTO, CORAL e ÁGUA. Seu fio de conta (ELEKE) é também AZUL, VERMELHO e VERDE, leva também 21 búzios.

EWÉ AYÓ, leva SHIBO (adornos de contas sobre seu porrão).

Adorna-se seu porrão com distintos tons de AZUL e um VERDE PÁLIDO.

Os ARARÁ (DJEDJE) a chamam de AGWARALÚ

Maferefun YEMANJÁ todos os dias



Ifá Ni L’Órun


Agosto o mês de Yemanjá no Terreiro de Yemanjá: A bondade de Yemanjá !



Olófin estava desgostoso com todos os povos da Terra, porque eles o haviam esquecido. 

Por isso tirou a chuva do mundo. 

Com tão prolongada seca, morriam os animais, secavam as plantações e não havia quase água para beber.

Vendo o rumo tão desagradável que tomavam as coisas no planeta, os Orishás a quem Olófin havia entregado o cuidado do mundo, se reuniram e a proposição de Shangó, decidiram enviar YEMANJÁ para que fosse ver a Olófin e lhe suplicasse o perdão.

YEMANJÁ seguiu o caminho da montanha onde Olófin tem o seu Palácio. 

Passou muito trabalho, subindo pela encosta estreita e por isso teve que caminhar por vários dias, mas ao final chegou.

Tinha tanta sede que ao chegar aos jardins de Olófin, não pode resistir mais e se ajoelhou e começou a beber água em um poço pestilento que ali encontrou.

Enquanto isso Olófin, que havia saído para dar o seu passeio matinal, viu de longe que alguém se atreveu a perturbar sua tranquilidade. 

Ao aproximar-se para ver quem era o intruso, ficou perplexo ao encontrar com YEMANJÁ que bebia ansiosa a água suja do charco.

Foi tanta a compaixão, que ele disse que se levantasse, que iria perdoar os homens, graças a esse ato dela e que lhes mandaria a água, pouco a pouco, para que não houvesse danos.

Por conta da benevolência e humildade de YEMANJÁ, que mesmo sendo ONI (Soberana), OLÓFIN teve compaixão para com os seres humanos novamente.

Maferefun YEMANJÁ todos os dias! Omi ô YEMANJÁ Ataramawá!

 Ifá Ni L’Órun



Agosto o mês de aniversário da Casa de Yemanjá: YEMANJÁ



YEMANJÁ é 
              Filha de OLOKUN, por isso é totalmente relacionada com o mar e toda sua superfície, foi esposa de OBATALÁ, ORUNMILÁ, AGANJÚ, BABALU AYÉ, ORISHAOKO e em um de seus caminhos também foi esposa de OGUN.

Irmã de OXUM, foi a mãe da maioria dos ORIXÁS e criou os demais.

YEMANJÁ é a mãe de todos os filhos na Terra e representa o útero em qualquer espécie como fonte de vida, fertilidade e maternidade. 

IYÁ OMO AIYÉ.

YEMANJÁ na natureza está simbolizada pelas ondas do mar, por isso sua dança se assemelha ao movimento das mesmas.

YEMANJÁ representa a intelectualidade, a sabedoria e os carácteres mutáveis como o mar.

YEMANJÁ é adivinha por excelência, roubou o opelé de ORUNMILÁ e este o recuperou e lhe entregou os caracóis (BÚZIOS). Ela é dona das águas do mar, fonte de toda a vida.

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Seu nome provém do YORÙBÁ YEMÒJÁ (Yeyé: mãe – Omo: filho – Eyá: peixes) literalmente mãe dos peixes. Se diz que todos somos filhos dela, porque por 9 meses nadamos como peixes na placenta de nossas mães. Recebe oferendas e sacrifícios sempre junto com XANGÔ (Oni, Soberano), exceto YEMANJÁ OKUTÉ (OKUTI) que o faz com OGUN.

Sua cor é o azul e suas tonalidades. Se saúda: OMIÓ ONI YEMANJÁ OMOLODÉ! OMINARÉO!

PATAKI:

YEMANJÁ estava casada com ORUNMILÁ, grande adivinho da cidade de IFÉ, que tinha muitos seguidores. Por isso, então ORUNMILÁ achava-se intimamente unido ao segredo dos caracóis (BÚZIOS), pois YEMANJÁ, dona do mar, peixes, caracóis e toda a vida marinha, se comunicava assim. Ele, por sua vez, interpretava esses segredos através dos ODÚS (OPELÉ e IKINS) e dos PATAKIS (fatos históricos). Um dia ORUNMILÁ teve de fazer uma viagem longa e tediosa para assistir a uma reunião dos AWÓS que havia sido convocada por OLÓFIN (DEUS) e como se demorou mais do que YEMANJÁ imaginava, ela começou a passar dificuldades, ficou sem condições de viver e então decidiu aplicar suas técnicas e sua sabedoria para consultar por sua conta a quem precisasse de ajuda. Quando alguém vinha procurar ORUNMILÁ para consultar-se, ela dizia para a pessoa não se preocupar que iria ajudar e jogava o OPELÉ. Como era adivinha de nascimento, suas profecias tiveram grande êxito e com isso ajudou muita gente. ORUNMILÁ de volta a sua casa, ouviu dizer que havia uma mulher adivinha em seu povo. Ele, curioso, perguntou onde encontrar aquela mulher e com isso descobriu o caminho de sua própria casa.

1 - yemaya

YEMANJÁ ao descobri-lo lhe disse:

“Você pensou que eu iria morrer de fome?” Enfurecido, ele a levou diante de OLÓFIN (DEUS), sábio entre os sábios, e este decidiu e determinou que ORUNMILÁ consultaria sempre com o OPELÉ, OS IKINS e o ATÉ de IFÁ e YEMANJÁ dominaria o MERINDILOGUN (BÚZIOS). Mas advertiu ORUNMILÁ que quando YEMANJÁ sair em seu ODÚ, todos os BABALAWÓS teriam que render homenagem a ela, tocar com a testa o tabuleiro e dizer:

“EBÓ FI EBOADA”

Logo depois disso ORUNMILÁ tirou o OPELÉ de YEMANJÁ e partiu, deixando-a sozinha.

 Ifá Ni L’Órun