CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Outubro o mês de Ossanym: Ossain - Osaín Escrito por Okanbi / Omo Aggayú

Ossain - Osaín


Escrito por Okanbi / Omo Aggayú


A palavra Osaín significa conhecedor, médico, começo da vida e eternidade.

Isto é assim, porque ele é o espírito que vive em tudo que tem vida na terra e porque é o médico desta religião.

Ele é o dono de todas as plantas, ervas, animais de este mundo.

Não há nada de Santo se não passa pelos banhos de ewes (ervas) de Osaín.


Osain tem uma só perna, um só braço e um só olho.

Este espírito não é visível para nada, só a traves das suas plantas e animais, e numa só palavra, a vida na terra.

Ele se comunica com os seus filhos da terra mediante um guizo bem confeccionado e elaborado.

O asseguro a quem o receba ele falará e comunicará com ele, pois esta é a virtude de Osaín.

A pessoa que prepara Osaín é considerado Osainista e tem que ter um conhecimento muito amplo das plantas, ervas e insectos da terra. Se diz que Osaín é um caminho de Changó, por isso os filhos de Changó tem o ache para dar a Osaín.


Dia da semana…………Quinta-feira
Cores……………………Verde e rosa, ou amarelo, marron
Animais…………………..Pássaros
Domínio…………………..O axé das ervas
O que faz……………….Dá força curativa às ervas medicinais.
Quem é………………….O curandeiro, o mago dono da força das plantas.
Onde recebe oferendas…………..Na floresta
Saudação……………………………Euê ô !
Presentes predilectos……….Frutas, velas, suas comidas e bebidas.


Lendas
Desde garoto, Osaín gostava mais de ficar sozinho vagando pela floresta do que na companhia da família. Muito cedo, ele saiu de casa e foi morar no meio da floresta, onde se dedicou a estudar os poderes mágicos e medicinais das plantas. Depois de algum tempo, ele sabia tudo sobre o assunto e, quando alguém precisava de um remédio ou feitiço, recorria a ele. Mas ele guardava as folhas numa cabaça e não mostrava para ninguém. Os outros Orichas ficaram aborrecidos por dependerem dele. Decidiram fazer alguma coisa, e Iansã se dispôs a resolver o problema. Foi ao encontro de Ossain e fez soprar uma ventania que derrubou a cabaça e espalhou as folhas. Então, cada Orixá correu e pegou um pouco para si. Ossain só conseguiu guardar as mais secretas, mas continuou dono do poder mágico, e por isso todos têm de lhe pedir licença para usar as folhas.


Lendas (2)
Houve um rei que tinha três filhas muito bonitas. Quando elas chegaram à idade de casar, o rei disse que a mais velha casaria com quem adivinhasse o nome das três. Muitos pretendentes apareceram mas todos fracassaram; até que um dia chegou à cidade um rapaz que todos chamavam de Aroni, o aleijado, porque tinha uma só perna. O aleijado se apaixonou pela filha do rei e se apresentou como pretendente. O rei lhe deu um prazo de três dias. Passeando perto do palácio, o aleijado descobriu um arvoredo onde as princesas passeavam. Subiu num pé de obi e, quando elas apareceram, fingiu ser o deus da árvore e deu a cada uma noz de cola em troca delas dizerem seus nomes. No dia marcado, foi à presença do rei, matou a charada e casou com a princesa. Só então revelou que era Ossain, o deus das folhas.


Lendas (3)
Quando Osaín nasceu, os pais o deixaram nu. Por isso, ele cresceu cheio de ressentimento contra eles. Vivia mais na floresta que em casa, e assim aprendeu os segredos das folhas. Um dia, jogou um feitiço sobre o pai, que não conseguia respirar, e só o curou quando o pai lhe deu uma roupa e um gorro; e assim Ossain não precisou mais se vestir de folhas. Depois, jogou um feitiço na mãe, que ficou com dor de barriga; e só a curou quando ela lhe deu um pano listado. Quando teve um filho, Ossain teve medo de que ele o tratasse como ele tratara o pai; então, matou-o e fez um pó de seu corpo. Mais tarde, usou esse pó para curar o rei, que em recompensa o cobriu de honrarias.




Lendas (4)
Quando Osaín trabalhou para Olorum, recebeu a função de ajudante do adivinho Orumilá. Mas como ele sabia muito sobre ervas medicinais, não quis ser inferior ao outro. Para testá-los, Olorum resolveu enterrar os filhos dos dois por 7 dias; o que respondesse primeiro quando fosse chamado, venceria. Orumilá consultou Ifá, que o aconselhou a fazer oferendas a Exú. Orumilá obedeceu e Eshú mandou um coelho levar comida para Sacrifício (o filho de Orumilá) e Remédio, o filho de Ossain, usou seu poder mágico para falar com Sacrifício, a quem pediu comida; este lhe deu, com a condição de que Remédio não respondesse quando o chamassem. Ele assim fez e Orumilá venceu a prova. Em agradecimento, compartilhou o poder de adivinhação com Exú.


O Senhor das Folhas e das Ervas
Ossain é Orichá masculino de origem nagô (Iorubá) que, como Oxossi habita a floresta. É bastante respeitado e adorado na Venezuela e Brasil, recebendo diversos nomes como Ossânin, Ossonhe, Ossãe Ossanha, uma das formas mais populares. Por causa do som feminino é frequentemente confundido como figura feminina. É um Orixá cujos filhos são raros, bem menos numerosos do que Oggún, Changó ou Ochún. É Oricha da cor verde, do contacto mais íntimo com a natureza. As áreas consagradas a Ossâim não são os jardins cultivados de maneira tradicional, mas sim os recantos, onde só os sacerdotes podem entrar, nos quais as plantas crescem de maneira selvagem, quase sem controle. Orixá de grande significação, pois todos os rituais importantes utilizam o “sangue-escuro” que vem dos vegetais, seja em forma de amassis, infusões ou para uso de bebida ritualística. É comum dentro da Santaria existir um certo preconceito com dois Orichas que muitas vezes são esquecidos, mais existem, e se faz necessário o culto: Osaín e Ochumare. O primeiro está presente em todos os rituais através das folhas e o segundo presente em quase todos os rituais por ser o Orixá das cores e dos aromas.

Dois Orichas de grande valia dentro do culto da Santeria. Segundo lendas, Ossâim era o dono de todas as folhas e era necessário que os Orixás dependessem dele para obter certas folhas e certos sumos. Como os Orichas raramente se submetem a qualquer tipo de autoridade, a rebelião se fez e Oyá Iansã com seus ventos espalhou as folhas de Osaín, fazendo com que cada Oricha pegasse a sua de acordo com sua esfera de atribuições. Mas muitas ervas e plantas ainda continuam sob o domínio de Osaín, e mesmo as que hoje estão sob domínio dos outros Orichas, ainda necessitam de certas rezas e preceitos que só Ossâim conhece. Nesse contexto o poder de Osaín foi dividido, mas permanece paradoxalmente com ele, realçando outra característica do Panteão Africano: a dependência dos Orixás. Apesar de cada Orixá reinar sobre uma área específica do conhecimento e da actividade humana, acaba influindo genericamente sobre os domínios dos outros Orichas. Por isso um filho de Iansã deve manter boas relações espirituais com Osaín para poder realizar os trabalhos e obrigações devidos à própria Iansã ou a Eshú, como também deve invocar Oxum quando tiver problemas sexuais ou relativos a paternidade ou maternidade. Se cada ser humano é individualizado pela soma das características e presenças energéticas de seus próprios Orixás – o primeiro (eledá) e o segundo (ajuntó) Orixá, também troca energias com as outras fontes de Axé que regularizam e ditam as normas de seu relacionamento com outras áreas do conhecimento.


É a convivência dos diferentes, mas complementares, que viabiliza a mitologia dos Orichas e a existência do ser humano em sociedade. Não é Orixá das lutas, do fogo, dos grandes amores e das guerras incontroláveis. É Orixá da técnica, do uso das folhas que são empregadas quando necessárias, usadas de forma condutora da busca do equilíbrio energético, do contacto do homem com a sua divindade, que nada mais é do que a sua essência. Não faz parte das lendas de Osaín um número de relações familiares e sexuais de destaque, pois geralmente é apresentado como um ser solitário, vagando nebulosamente pela floresta e não habitando lar específico. Em algumas histórias é apresentado como uma figura de uma perna só. Em outras é chamado de Aroni, um anãozinho que como o saci pererê da mitologia, traz sempre na boca um cachimbo. Para alguns pesquisadores, a diferença existente entre Osaín e Omolu-Obaluaiê, seria de que um traz a doença e o outro traria a cura. Mas tal definição não é adequada já que Omulu-Obaluaiê também traz a cura. Classificar Ossâim como Orixá da medicina seria uma visão parcial de sua real potencialidade mítica. Ossâim seria aquele a quem se pede a ajuda para libertação de diferentes problemas, seja a doença, sejam os encantamentos. Asowuano (ou Omulu-Obaluaiê) é a quem se pede a cura, depois que ele mesmo muitas vezes envia a doença.


Outra diferença seria que Ossâim é mais invocado nas doenças e problemas individuais enquanto Asowuano é o que castiga socialmente, dizimando colheitas ou populações inteiras. Osaín seria também o curandeiro do ponto de vista da magia e dos encantamentos, enquanto Asowuano seria o curandeiro do ponto de vista das rezas e da manifestação de espíritos curadores que trabalhariam a seu mando. Como tantos outros magos, vive sozinho, em estreita e diária ligação com as plantas, com os pássaros com quem parece se comunicar, é misterioso e solitário ermitão.


O Arquétipo dos seus filhos


O arquétipo dos filhos de determinado Oricha, é um estudo profundo e que muitas das vezes não condiz com o que o Orixá apresenta. Vale lembrar que os Arquétipos são dados a essa ou aquela pessoa por características que são predominantes nos seus Orixás (eledá e ajuntó). Para facilitar o entendimento, geralmente o tipo físico é dado a partir do físico do Orixá (Ochún, Yemanjá – Predominância por gorduras localizadas e alguma tendência a engordar – Oggún, Ochosi – Pessoas esguias e ágeis que tem no pisar o silêncio dos guerreiros que se faz necessário para não afastar a vítima ou a presa). Do ponto de vista emocional e psicológico, Ochún e Yemanjá seriam pessoas mais controladas e menos dadas a rompantes e combates, como seria Oggún, Ochosi e Oyá Iansã. Changó seria a figura do homem velho que nem sempre resolve tudo a ferro e fogo. Mas essas características são contra balanceadas pelos ajuntós. Geralmente o Eledá ou Eleri (cabeça) traz alguma característica que muitas das vezes são acentuadas, desacentuadas ou mudadas pelas características do ajuntó. Portanto pode se ver uma filha de Yemanjá magra, visto que o ajuntó é Ochosi e vice-versa.


Os filhos de Osaín são aqueles que não permitem que suas simpatias e antipatias subjectivas e individuais intervenham em suas decisões ou influenciem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos. Ossâim é reservado, pouco intervindo em questões que não lhe digam respeito. Não é introvertido, mas não se faz notar pela actividade social. Os filhos de Osaín são individualistas no sentido de não se preocuparem com o que acontece fora da sua esfera. São pessoas muito ligadas a religiosidade e pelos aspectos ritualistas. A ordem, os costumes, as tradições e os gestos marcados e repetitivos o fascinam. São pessoas meticulosas, nunca se deixando levar pela pressa ou pela ansiedade, pois é caprichoso. Por isso as profissões dos filhos de Osaín são aquelas que não requeiram pressa. São pessoas que não gostam de trabalhar em conjunto, há não ser quando somente o conjunto pode gerar o resultado esperado. Pela necessidade de isolamento e independência, os filhos de Osaín podem abraçar profissões artesanais, que exijam o trabalho lento e meticuloso, como um ritual que quando não feito de maneira correcta e meticulosa podem deitar tudo a perder.


Em termos físicos, são pessoas elegantes e esguias, mesmo quando tem como ajuntó Yemanjá ou Oxum. Não aparentam grande força física, mas detém uma grande energia reservada para uso quando necessário. Uma particularidade física muito comum são os cabelos lisos e compridos. São capazes de amar, mas não o tempo todo. O silêncio, porém, não pode ser entendido como sinónimo de falta de carinho: é apenas seu gosto pela ausência de sons, pois, quando há algum problema, ele dificilmente esconde seu ponto de vista.


O Culto ao Oricha
Assim como os Orixás das florestas, Osaín é adorado nas quintas-feiras, se bem que alguns santeiros apresentem seus dias de culto de maneira diferente. Como é um Oricha voltado ao culto em si e à religião como forma organizada de comunicação entre os homens e o sobrenatural, todos os seus ritos exigem muitos detalhes e inúmeros cuidados para não se quebrar as regras de como se colhe uma folha de uma árvore ou se arrumam os ingredientes para uma obrigação de Ossâim.


Em algumas áreas do Brasil, Ossâim é sintetizado em São Benedito, alguns zeladores e zeladoras dão a este Orixá o sincretismo de Santo Expedito, visto que o mesmo segura um ramo de folha em uma das mãos. Mas em geral é sintetizado na figura do Saci Pererê, figura mitológica que traduziria a função de encantado da mata, aquele que existe e ao mesmo tempo não. Sua filiação é Yemanjá e Obatalá (alguns historiadores dão Nanã e Obatalá), sua actuação seria na cura e na liturgia, suas cores variam de vermelho e azul, verde e branco e preto e amarelo (mais comum).


Okanbi
Com a bênção de Meu Pai Aggayú e Yemanjá


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Outubro o mês de Ossanym:ERVAS


Na Umbanda, utiliza-se litúrgica e ritualisticamente, as ervas de nossa flora para amacís, imantações, banhos de descarga, etc. As Plantas dos Orixás se dividem em 3 grupos primordiais, à saber: POSITIVAS, NEGATIVAS e NEUTRAS.


Elas são assim catalogadas, conforme a fase lunar da colheita.


Positivas - deverão ser colhidas na fase Crescente ou Cheia


Neutras - deverão ser colhidas na fase Nova


Negativas - deverão ser colhidas na fase Minguante


Entretanto a sua polarização final vai sempre depender das seguintes condições explícitas:


Vibração de quem vai usá-la


Vibração das demais ervas utilizadas


Vibração da intenção com que serão usadas


POSITIVAS: são ervas que, quando usadas, só positivam, não podendo ser intrinsecamente usadas para outro tipo de trabalho.


NEUTRAS: são todas as ervas que servem para, material ou espiritualmente, neutralizar o efeito de outras ervas, o efeito de doenças, assim como o efeito de vibrações negativas e/ou positivas.


NEGATIVAS: são ervas usadas explicitamente para negativar.


A erva é sempre positiva quando colhida nos dois primeiros dias da lunação respectiva; a dita erva torna-se neutra quando colhida nos 3o , 4o e 5o dias da lunação, e negativa quando colhida nos 6o e 7o dias da lunação. Diz-se Dia de Lunação, porque as ervas devem ser colhidas das 6hs às 18hs, portanto sob o efeito dos raios solares (apesar de regidas pelas fases da lua). Jamais deve-se colher uma erva antes das 6hs ou depois das 18hs, como também, nunca se deve plantar qualquer erva no mesmo período.


As ervas devem ser usadas de três formas diferentes:


Para efeito medicinal


Para efeito litúrgico


Para efeito ritualístico


A) Para efeito medicinal, as ervas podem ser usadas:


Como tratamento preventivo


Como tratamento normal da doença


Como abortivo rápido e definitivo da referida doença


I) Para uso preventivo, as plantas devem ser colhidas nos 1o e 2o dias da lunação respectiva.


II) Para uso no tratamento normal da doença as plantas devem ser colhidas nos 3o ,4o e 5o dias da lunação respectiva.


III) Para uso como abortivo as plantas devem ser colhidas sempre no 6o e 7o dias da lunação respectiva.


B) Para efeito litúrgico, as ervas podem ser usadas:


Como imã, para atrair as vibrações do Orixá desejado.


Como neutralizante entre duas forças ou Orixás.


Como ação repulsiva ao Orixá não desejado.


I) Como imã, as ervas devem ser colhidas nos 1o, 2o e 3o dias da lunação respectiva.


II) Como neutralizante, as ervas devem ser colhidas nos 3o, 4o e 5o dias da lunação respectiva.


III) Para efeito repulsivo, as ervas devem ser colhidas nos 6o e 7o dias da lunação respectiva.


C) Para efeito ritualístico, as ervas podem ser usadas:

Como afirmação ou concordância de efeito litúrgico.


Como equilíbrio entre as forças vibratórias implantadas durante a ação litúrgica.


Como discordância com as forças imantadas.


Entende-se por força imantada, toda a vibração atuante no Ser, mesmo que seja à revelia do mesmo.


I) Como afirmação, as ervas devem ser colhidas nos 1o e 2o dias da lunação respectiva.


II) Como equilíbrio, as ervas devem ser colhidas nos 3o, 4o e 5o dias da lunação respectivo.


III) Como discordância (descarga), as ervas devem ser colhidas nos 6o e 7o dias da lunação respectiva.


RELAÇÃO DAS ERVAS POR ORIXÁS


LINHA DE OXALÁ: arruda, arnica, laranja da terra (folhas), hortelã, poejo, girassol, vassoura branca, erva de Oxalá, erva cidreira, alecrim do campo, levante, alecrim miúdo, bambu (folhas), erva quaresma.


LINHA DAS SENHORAS: lágrimas de Nossa Senhora (folhas), mastruço, rosa branca (folhas), pariparoba, orirí de Oxum, erva-de-santa-luzia, espada-de-santa-bárbara, trevo (folhas), quina roxa, abóbora dantas, vitória-régia, açucena, erva-de-santa-bárbara, malva rosa, suma roxa.


LINHA DE IBEJI: amoreira (folhas), alfazema, salsaparrilha, manjericão, ipecacuanha, anil (folhas), capim pé-de-galinha, arranha gato.


LINHA DE XANGÔ: limoeiro (folhas), erva lírio, café (folhas), saião (folhas), erva-de-são-joão, abre caminho, quebra mandinga, erva de Xangô, quebra-pedra, Rui Barbo, louro, aperta ruã, Maria Nera, erva Moura, Maria Preta, erva de bicho.


LINHA DE OGUM: comigo ninguém pode, espada de Ogum, lança de Ogum, flecha de Ogum, cinco folhas, jurupitã (folhas), jurubeba (folhas), musgo (marinho), ipê (folhas), losna, romã (folhas), sabugueiro, erva-de-coelho.


LINHA DE OXÓSSI: picão do mato, cipó caboclo, barba de milho, mil folhas, funcho, fava de quebranto, gervão roxo, tamarindo (folhas), alecrim do mato, boldo, malvarisco, sete sangrias, unha de vaca, azedinha, chapéu de couro, grama barbante.


LINHA DAS ALMAS: café (grão), guiné pipíu, arruda (folhas), cambará, sete folhas, aroeira (folhas), erva grossa, vassoura preta, cravo de defunto, mal com tudo, cipó cabeludo.


ALQUIMIA DA UMBANDA


Na Alquimia da Umbanda, utiliza-se derivados de 3 reinos, à saber:


Reino Mineral


Reino Vegetal


Reino Animal


I) REINO MINERAL: São utilizados, a pedra viva (Otá), ferro, cobre, latão, alumínio, zinco, assim como uma série de metalóides.


II) REINO VEGETAL: É utilizado um número incalculável de ERVAS, sendo que as principais já foram vistas acima.


III) REINO ANIMAL: Através de sacrifícios e também com os animais vivos, são efetuados na Umbanda diversos rituais.

É um engano pensar que na Umbanda só utilizamos animais sacrificados, muito pelo contrário a maior parte dos rituais de uma Umbanda Racional, utiliza o animal vivo, que permanece vivo, sendo de mais ou menos (+/-) 10% o número de animais sacrificados.

Outubro o mês de Ossanym: Lendas ( Ossanyn )


Ossain recusa-se a cortar as ervas miraculosas.

Ossain era o nome de um escravo que foi vendido a Orunmila.

Um dia ele foi à floresta a lá conheceu Aroni, que sabia tudo sobre as plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Ossain e ensinou-lhe todo o segredo das ervas.

Um dia, Orunmilá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Ossain que roçasse o mato de suas terras.

Diante de uma planta que curava dores, Ossain exclamava: "Esta não pode ser cortada, é as erva as dores".

Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada".

Em frente de uma planta que curava a febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo". E assim por diante.


Orunmilá, que era um babalawo muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Ossain ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas.

E assim Ossain ajudava Orunmilá a receitar a acabou sendo conhecido como o grande médico que é.
[ Lenda 71 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]



Ossain dá uma folha para cada Orixá.


Ossain, filho de Nanã e irmão de Oxumarê, Euá e Obaluayê, era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, o orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida.

Todos os orixás recorriam a Ossain para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossain na luta contra a doença. Todos iam à casa de Ossain oferecer seus sacrifícios.

Em troca Ossain lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abô, beberagens.


Curava as dores, as feridas, os sangramentos; as disenterias, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, órgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.


Um dia Xangô, que era o deus da justiça, julgou que todos os Orixás deveriam compartilhar o poder de Ossain, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura. Xangô sentenciou que Ossain dividisse suas folhas com os outros Orixás. Mas Ossain negou-se a dividir suas folhas com os outros Orixás.

Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossain para que fossem distribuídas aos Orixás. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Xangô. Ossain percebeu o que estava acontecendo e gritou: "Euê Uassá!".


"As folhas funionam!"


Ossain ordenou às folhas que voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossain. Quase todas as folhas retornaram para Ossain. As que já estavam em poder de Xangô perderam o Axé, perderam o poder da cura.


O Orixá Rei, que era um orixá justo, admitiu a vitória de Ossain. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossain e que assim devia permanecer através dos séculos. Ossain, contudo, deu uma folha para cada Orixá, deu uma euê para cada um deles. Cada folha com seus axés e seus efós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam. Ossain distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem.

Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Ossain não conta seus segredos para ninguém, Ossain nem mesmo fala.

Fala por ele seu criado Aroni. Os Orixás ficaram gratos a Ossain e sempre o reverenciam quando usam as folhas.
[ Lenda 72 do Livro Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi ]




Como Òsanyìn descobre o nome das folhas.


Òrúnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas.

Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ?


Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra.


Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.


Perguntou: Òsanyìn onde vai?


Òsanyìn disse; "Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios".


Òrúnmílá disse, muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes.


Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia.


Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos.


Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.