CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ossain


Aquele que vive nas árvores e que tem um rabo pontudo como estaca.


Aquele que tem o fígado trasparente como o da mosca.


Aquele que é tão forte quanto uma barra de ferro.


Ossain
Explicação: Oriki, Oriqui, Adura, Gbadura, Reza, Louvação, Louvar, Invocação, Saudação, Despertar, Acordar, etc..., normalmente utilizada no candomblé e no Culto Aos Orixás de nação (Keto, Alaketo, Engenho velho, Opojonjá, Nagô, Axé Oxumarê, Culto a Ifá, Santeria Cubana, (Los Orishas) etc... (santo, divindade, deuses, protetor, guardião, anjo da guarda, Pai de cabeça).

Praticado na hora em quer for pedir, oferecer, fazer, cultuar, agradar etc.. . Vários são os termos utilizados dependendo e variando de cada tipo de culto religioso, mas que não muda muito o sentido e sim muda o dialeto utilizado (a língua).


Para maiores Informações de Como utilizar ao certo o oriki, procure seu pai de santo (Babalorixá, Yalorixá, Mameto, Tateto, Babalawo, etc..), ou estude um pouco sobre a pronuncia do dialeto yoruba que não é difícil, particularmente aprendi lendo e ouvindo sozinho, dai você pode tirar um exemplo que força de vontade é um dos principais pontos para que na hora de louvar, reverenciar o Candomblé, orixás, santos, Deuses, vodun, etc..., você pode sim fazer, e dar o melhor de si, mesmo não tendo o yoruba como uma língua nata de nosso país.


Vamos Juntos no Candomblé!!!

Agbénigi, òròmodìe abìdi sónsó


Esinsin abedo kínníkínni;


Kòògo egbòrò irín


Aképè nigbà òràn kò sunwòn


Tíotio tin, ó gbà aso òkùnrùn ta gìègìè.


Elésè kan jù elésè méjì lo.


Ewé gbogbo kíki oògùn


Àgbénigi, èsìsì kosùn


Agogo nla se erpe agbára


Ó gbà wón là tán, wón dúpé téniténi


Aròni já si kòtò di oògùn máyà


Elésè kan ti ó lé elése méjì sáré


 tradução:


Aquele que vive nas árvores e que tem um rabo pontudo como estaca.


Aquele que tem o fígado trasparente como o da mosca.


Aquele que é tão forte quanto uma barra de ferro.


Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem.


O esbelto que quando recebe a roupa da doença se move como se fosse cair.


O que tem uma só perna e é mais poderoso que os que têm duas.




Todas as folhas têm viscosidade que se tornam remédio.


Àgbénigi, o deus que usa palha.


O grande sino de ferro que soa poderosamente.


A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças.


Àròni que pula no poço com amuletos em seu peito.


O homem de uma perna que exita os de duas pernas para correr.

O DESAFIO DE OSAIN





Aquilo que te cura é o que te escraviza.

Veneno e remédio são irmãos e moram no axé da mesma folha.

É desta forma que Ifá nos esclarece sobre a natureza do orixá Osain, o senhor das plantas medicinais e litúrgicas das matas cerradas e densas florestas.


Meditar sobre Osain coloca o homem diante de perguntas das mais pertinentes sobre a nossa condição e relação com o mundo: determinada coisa é a minha cura ou a minha condenação?

Me liberta ou escraviza?

Quem é o verdadeiro escravo, o cativo ou o seu dono?


Dizem que Osain - que vivia pelas matas ao lado de seu escravo Aroni - recebeu o poder de Olodumare para conhecer o mistério das folhas.

Guardou as folhas todas numa cabaça pendurada no galho de uma árvore.

Um dia Iansã, muito curiosa, enfeitiçou os ventos para que eles derrubassem o galho da árvore e espalhassem as folhas sagradas pela floresta.

Os demais orixás, então, recolheram determinadas folhas e passaram a considerá-las como suas.


Esse conto de Ifá, o corpo literário e filosófico dos iorubás que está em pé de igualdade com os mais belos sistemas de pensamento que a humanidade concebeu, é uma poderosa alegoria sobre a difusão do saber pelo mundo.

A curiosidade espalhou o conhecimento e difundiu o segredo.


Havia, porém, um problema.

A folha, para se transformar em remédio, tem que ser potencializada pela palavra e o canto.

Só o encantamento pelo verbo é capaz de dotar a folha de seus atributos de cura.

A ausência da palavra não potencializa a folha.

A utilização da palavra errada transforma em veneno o que era para ser o bálsamo.


Os orixás, então, mesmo tendo recolhido as folhas que o vento de Iansã distribuiu, precisavam ainda de Osain, porque só a ele Olodumare dera o conhecimento das palavras e dos cantos capazes de dotar as folhas do axé.

E é essa a função de Osain desde então, potencializar a folha pela palavra e dotar a planta da capacidade de vida e morte.


Osain é, portanto, dos orixás mais perigosos, sedutores e desafiadores.

É o senhor da expressão certa que nos cura e o conhecedor da palavra que, mal colocada, pode nos matar.

Veneno e remédio, afinal, são irmãos.


Osain mostra o poder da palavra que vira poema, canto, evocação do mistério, libertação e vitalidade.


Osain alerta para o poder da palavra que desarmoniza, é declaração de guerra, dureza de pedra, escravidão e perda do axé - a morte.


Osain ri e zomba dos homens que não sabem o que fazer com o verbo.

São estes, curiosamente, os que mais falam.

Encanta a folha com a tua palavra, mas não faz do teu verbo a serpente que envenena o mundo.

Eis o desafio poderoso que Osain nos lança todos os dias e está expresso em um dos seus mais famosos orikis.


É por isso, segundo a filosofia nagô, que os Babalosain [sacerdotes de Osain e conhecedores dos atributos do encantamento das plantas] são os mais calados dentre os sábios.

Eles sabem exatamente que o homem que diz sou, não é.

Por conhecer o teor de veneno e remédio que cada palavra guarda, os que reverenciam o senhor das folhas, se não podem encantar o mundo, preferem silenciar.