CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

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quinta-feira, 6 de março de 2014

Pesquisadora defende mudança de perspectiva em relação ao outro

Carybé 
Cabra da Peste


Por Frederico Vreuls*

Uma das questões fundamentais do pensamento humano é o entendimento acerca da diversidade e variedade existentes no mundo. 

O trabalho da doutoranda do Curso de Teoria da Literatura, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura, na Faculdade de Letras/UFRJ, Waldelice Souza, aborda como o entrecruzamento de diferentes concepções auxilia as pessoas a lidar com esse fato.


Em simulação de entrevista coletiva para alunos do Laboratório de Comunicação Crítica, da Eco/UFRJ, Waldelice explicou que a pesquisa é uma área de estudo em que conhecimento não é fixo, e sim se busca apreender, com a mínima interferência, a verdade válida para determinado contexto sociocultural. 

Ela criticou a visão maniqueísta do ocidente versus o oriente, como tendência de polarização que gera exclusão de outros sistemas. Uma de suas referências é o escritor angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudônimo de Pepetela. 

O autor exerce grande influência na maneira de organizar o discurso da pesquisadora, para quem a leitura de Pepetela torna as realidades particulares mais apreensíveis ao conhecimento ocidental.

A doutoranda optou por se deter especificamente no sistema simbólico do Candomblé no Brasil, a significação das adivinhações, sacrifícios, rituais e experiências de transe promovidas.

 “O Candomblé não possui estruturas eclesiásticas, e sim sacerdócios compostos tanto por homens como por mulheres ilustres, que detêm o conhecimento e são responsáveis por conduzir os ritos. 

Exu permeia tudo, não sendo uma individualidade, mas sim energia de vida”, afirmou. De acordo com Waldelice, tal sistema possui uma disposição para a liberdade e o opõe à visão dita ocidental, eurocentrada.


Para ilustrar as diferenças, a convidada contrastou as esculturas mais representativas dos dois tipos de pensamento, o famoso O pensador de Auguste Rodin e O pensador Angolano, que não possui autoria. 

As imagens trazem significações correspondentes. 

O primeiro mostra um homem lutando com uma poderosa força interna, na verdade o próprio Dantes às portas do Inferno, reflexivo e de expressões retesadas. 

Já a segunda escultura, traz a imagem do africano, com as mãos na cabeça e o ventre no solo, passando a ideia de um pensamento que não é desvinculado do mundo terreno, portanto, demonstra maior equilíbrio.


“Existem outras lógicas não hegemônicas, mas não por isso antagônicas, inferiores ou superiores. 

É necessário o reconhecimento da diferença e o entendimento de que outros sistemas também possuem a sua eficiência.

 Estamos inseridos em um mundo com variações, e não há sentido em qualificações tão comuns como o rótulo de antigo”, esclareceu. 

Waldelice acrescentou ainda que o processo de imperialismo promovido pelas nações ocidentais instaurou uma invalidação de autênticas experiências humanas, tidas como aventuras criminosas, que passaram a ter seus discursos esvaziados. 

“É mais do que tempo, então, de passarmos a aceitar e sabermos conviver com o alternativo para que assim não caiamos em erros do passado. 

Afinal, não queremos ver repetidas atitudes que, por intransigência gerem guerras e que, por indiferença, gerem falta de amor”, concluiu.

*Aluno do Ciclo Básico do Curso de Comunicação da ECO/UFRJ

FONTE: http://leccufrj.wordpress.com/2011/10/18/pesquisadora-defende-mudanca-de-perspectiva-em-relacao-ao-outro/

Carybé ~ Cabra da PesteCarybé ~ Cabra da Peste