CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

CASA PODEROSA DOS FILHOS DE YEMANJÁ

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Aganjú


Aganjú

Quero deixar claro que as opiniões aqui deixadas são com base em leituras e na própria vivência dentro da casa de santo, ou seja, não são verdades absolutas, estou explicando pois as vezes os yaô podem confrontar as informações que lêem aqui com o que aprendem dentro de suas casas. 

Então fique claro, a maior sabedoria é aquela que recebemos dentro de nossas casas!

Orixá Aganjú
Tido como uma qualidade de Xangô aqui no Brasil, Aganjú no aspecto histórico seria filho de Dadá Ajaka, sendo assim sobrinho de Xangô e quinto alafin de Oyó. 

Na natureza ele está ligado ao vulcão e em Cuba está ligado também ao deserto. Diz os mais velhos, que seu comportamento explosivo é explicado por sua criação, onde teria sido extremamente mimando por sua avó Yamassè.

Suas cores são o marron e o branco, e seu metal o cobre. Sendo da família de Oyó, também tem seu símbolo o Oxê (machado de dois lumes). 

Em seu assentamento estão presentes, o odú ara, o oxê, o xerê, a coroa, afinal ele foi um rei, e sua gamela é oval, ao contrário de Aira. 

Seu número característico é o 12.

Seu amalá é feito com quiabo em lascas, temperado com dendê, e por cima, você pode colocar, 12 abarás, 12 acarajés, 12 bolas de arroz e o orobo ralado para agradar Aganjú, assim como toda a família de Xangô, isso devido a uma lenda onde Xangô, rodiado de inimigos, teria se enforcado, e após isso retornado a vida, ou seja, "Aquele que recusa a vida, não tem direito de comer o fruto dela", então não come Obi, que em yorubá quer dizer Vida.

Espero ter ajudado nosso amigo Lobo, e até o mês que vem..hehehe...

Com novas postagem...Fiquem com Deus e Bom Final de Semana!

A Família de Xangô


Matéria Principal: A Família de Xangô

Muito se sabe sobre Xangô, orixá tão popular, mas o que pouca gente sabe é que ele é um eborá, ou seja, teria caminhado sobre a terra com os humanos, e sua família também ainda é cultuada nas mais antigas casas de candomblé e na África e é sobre eles que eu vou falar hoje.

Xangô, orixá yorubá,  teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyo", filho de Oranian e Yamasè, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian. Então vamos lá para entender melhor cada um:

Oranian
Oranyan (também conhecido como Oranmiyan) foi um rei Yoruba da cidade de Ife, Nigéria. Era o filho mais novo de Oduduwa e foi o mais poderoso de todos, e mais famoso em toda nação Yoruba. Famoso como caçador e pelas grandes e numerosas conquistas. Foi o fundador do Reino de Oyo por volta de 1400. Em Ifé existe um monolito que tem o nome Opa Òrànmíyàn em sua homenagem ( na foto).
Segundo uma lenda yorubá ele seria filho de uma prisioneira de Ogotún, de rara beleza chamada Lakanjê, que teria sido uma amante secreta de Ogun, e sido também cortejado por seu pai Oduduwa, que não sabia do envolvimento de Ogun com a linda prisioneira. Então após 9 meses, teria nascido Oranian, metade branco como Oduduwa e metade negro como Ogun. A mascará acima é uma presentação do orixá e é vista apenas uma vez por ano no festival de Oranian, na cidade de Ifé.

Iyamase

Chamada também de Torosi, é um orixá feminino (uma divindade do candomblé).  foi filha de Elémpe, o rei da nação Tapá (ou Nupê), esposa de Oranian.

No Brasil foi associada a Yemonjá, e segundo muitas casa de candomblé, era filha de Olokun. Podemos observar a sua importância, na fundação de um dos maiores terreiros do Brasil, que tem seu nome em homenagem a esse orixá o Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massê, mas conhecido como Gantois.

Dadá Ajaká

Dadá Ajaká, filho mais velho de Oranian, irmão consanguíneo de Xangô, reinava então em Oyo. Ele amava as crianças, a beleza, e as artes. De caráter calmo e pacífico, não tinha a energia que se exigia de um verdadeiro chefe dessa época. Dadá é o nome dado pelos yorubás às crianças cujos cabelos crescem em tufos que se frisam separadamente.
Xangô o destronou e Dadá Ajaká exilou-se em Igboho (Nigéria), durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de búzios, chamada adé baáyàni (pronuncia-se Adê Baiani), ou "Coroa de Dadá". No Terreiro do Gantois na Bahia é reverenciado e cultuado como Baiani, onde realiza-se uma festa anual e no Ilê Omorodé Orixa N´la onde tem um filho iniciado nesse orixa e também realiza uma festa anual. Aqui em São Paulo a Procissão de Dadá Ajaká é realizado nos Candomblés do Asé Obá Oru (Barra-Funda São Paulo) e no Asé Batistini do Babalorixá Pérsio de Xangô.
Depois que Xangô deixou Oyo, Dadá Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se agora valente e guerreiro, voltou-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacando os tapas.
Em seus assentamentos estão presentes aspectos como o odú ará (pedra de raio), o oxê e também símbolos de beleza e vaidade.

Eweká
Oranyan (também conhecido como Oranmiyan), um dos sete filhos de Oduduwa e filho da esposa Yoruba de Oduduwa Okanbi, concordou em ir para o Benin. Ele passou alguns anos em Benin antes de retornar à terra Yoruba e estabelecer um reino Yoruba em Oyo. Diz-se que ele deixou o local com raiva e chamou-o "Ile Ibinu' (que significa, "terra de aborrecimento e irritação) e foi esta frase que se tornou a origem do antigo nome da cidade Benin City 'Ubini'. Oranmiyan, em seu caminho de casa para Ife, interrompido brevemente em Ego, onde ele engravidou a princesa Erimwinde, filha de Enogie de Ego e ela deu à luz uma criança chamada Eweka, sendo assim meio-irmão de Xangô. Não existe sinais de culto desse orixá no Brasil e abaixo temos a figura de uma estátura do século 12 em bronze.



Esses orixás citados acima, são um dos muitos que são ligados a Xangô, afinal sabemos que o culto ao orixá, no Brasil foi fundado por escravos vindo de  Oyó e Ketu, Adetá ou Iyá Detá, Iyá Kalá, Iyá Nassô e Babá Assiká, Bangboshê Obitikô. Por isso essa proximidade tão grande com o Orixá Xangô. Outro falto interessante sobre Xangô, é o chamado titulos de Obá de Xangô, e o que pouca gente sabe é que esses títulos honorificos foi criado no Axé Opó Afonjá por Mãe Aninha em 1936, esses títulos de doze Obás de Xangô, reis ou ministros da região de Oyo, concedidos aos amigos e protetores do Terreiro. E são:


Obá Aré 

Obá Kakanfô 

Obá Aressá 

Obá Arolú 

Obá Telá 

Obá Abiodun 

Obá Oni Koy 

Obá Olugbon 

Obá Onaxokum 

Obá Erim 

Obá Odofin 

Obá Xorum 

Atpé

Esses são muito confundidos com os governantes  de Oyó, no sentido histórico, e não tem nada haver, os "Obás de Xangô", são títulos dados a homens que por algum motivos são nomeados pelos zeladores de Ketu, para fazerem parte do conselho que ajuda o regente da casa de santo, a tomar as decisões mais importantes. E os Obás de Oyó, são os reis que governaram  Oyó, e abaixo eu fiz uma lista com ano e nome desses Obás, sendo que alguns não se sabe a data exata do reinado, afinal são pouquíssimos os registros, sendo a maior fonte de informação, expressa na arte.

1400 -Oranyan, Alaafin 
-Ajaka, Alaafin 
-Sango, Alaafin 
-Ajaka Alaafin 
-Aganju, Alaafin 
-Kori, Alaafin 
-Oluaso, Alaafin 
c. 1500 -Onigbogi, Alaafin 
-Ofirin, Alaafin 
-Eguguojo, Alaafin 
-Orompoto, Alaafin 
-Abipa, Alaafin 
-Obalokun, Alaafin 
-Oluodo, Alaafin 
-Ajagbo, Alaafin 
-Odarawu, Alaafin 
-Kanran, Alaafin 
-Jayin, Alaafin 
-Ayibi, Alaafin 
-Osiyago, Alaafin 
c. 1728 -Ojigi, Alaafin 
c. 1730 -Gberu, Alaafin 
1746 Amuniwaiye, Alaafin 
1746 -Onisile, Alaafin 
1754 Labisi, Alaafin 
1754 Awonbioju, Alaafin 
1754 Agboluaje, Alaafin 
1754 to 1770 Majeogbe, Alaafin 
c. 1770 a1789 Abiodun, Alaafin 
1789 to 1796 Awole Arogangan, Alaafin 
1796 to 1797 Adebo, Alaafin 
1797 Makua, Alaafin 
1797 to 1802 vacant, vacant 
1802 to 1830 Majotu, Alaafin 
1830 to 1833 Amodo, Alaafin 
1833 to 1835 Oluewu, Alaafin 
1837 to 1859 Atiba Atobatele (at new capital), Alaafin 
1859 to 1875 Adelu, Alaafin 
1876 to 1888 Adeyemi I Alowolodu, Alaafin 
1888 to 1905 Adeyemi I Alowolodu (as British Vassal), Oba 

Ajaká AGANJÚ, TERRA FIRME E AJAKÁ SEU PAI


A história dessa situação é contada pela tradição Lucumi, não as histórias da Tradição mas pelo que se considera historias adicionais.

Antes de apaixonar-se pelo caçador, Odùdúwá deu a luz para seu marido Obatàlá, a um menino e uma menina, chamados respectivamente Aganjú e Yemojá. 

O nome Aganjú significa a parte não habitada do país, a região selvagem, terra firme, a planície, ou a floresta; e o nome Yemojá significa "mãe dos peixes" (yeye, mãe; eja, peixes). 

A prole da união do paraíso e da terra, isto é, de Obatàlá e de Odùdúwá, pode assim ser dita representar a união de terra e água.

Yemojá é a Deusa dos rios e córregos, e gere as dificuldades causadas pela água. 


É representada por uma figura feminina, sua cor é o amarelo, contas azuis e vestimenta branca. 

A adoração de Aganjú parece ter caído em desuso, ou ter-se fundido com a de sua mãe; mas diz-se existir um espaço aberto na frente da residência do rei em Oyo onde Aganjú foi adorado no passado e que ainda se chama Ojú-Aganjú - "Olhos de Aganjú".

Yemojá casou-se com seu irmão Aganjú, e teve um filho chamado Òrugán. 


Este nome é combinação de orun, do céu, e de gan, do ga, para ser elevado; e parece significar "na altura do céu." 

Parece responder ao khekheme, ou "à região livre de ar" dos povos Ewe, para significar o espaço aparente entre o céu e a terra. 

A prole da terra e da água seria assim o que nós chamamos de ar. 

Òrugán apaixonou-se por sua mãe, que recusou-se a ouvir de sua paixão culpada. 

Um dia Òrugán aproveitou-se da ausência de seu pai e a possuiu.

Imediatamente depois do ato, Yemojá levantou-se e fugiu, esfregando as mãos e lamentando. 

Ela foi perseguida por Òrugán, que a tentou consolar dizendo que ninguém precisaria saber do ocorrido. 

E declarou que não poderia viver sem ela. Pediu-lhe considerar que vivesse com dois maridos, um reconhecido, e o outro em segredo; mas ela rejeitou com horror todas suas propostas e continuou a fugir.

Òrugán, entretanto, alcançou-a rapidamente e quando estava ao alcance de sua mão, ela caiu para trás na terra então seu corpo começou imediatamente a inchar em uma maneira temível, dois córregos da água saíram de seus seios, e seu abdômen explodiu, abrindo-se. 


Os córregos dos seios de Yemojá uniram-se formando uma lagoa. 

E da abertura de seu corpo vieram:

Dadá 

Deus dos Vegetais

Sàngó

Deus doTrovão

Ògún 

Deus do Ferro e da Guerra

Òlokun 

Deusa do Mar

Òlosa 

Deusa da Lagoa

Oyá 

Deusa do Rio Níger

Òsun 

Deusa do Rio Òsun

Oba 

Deusa do Rio Oba

Òrìsà Oko 

Deus da Agricultura

Òsòósi 

Deus dos Caçadores

Oke 

Deus das Montanhas

Ajé 

Deus da Riqueza

Sàponà

Deus da Varíola

Òrun 

O Sol

Òsú 

A Lua

 Para comemorar este evento construiu-se uma cidade chamada Ifé (que significa distensão, aumento de tamanho, ou inchamento), no local onde rebentou o corpo de Yemojá, essa cidade transformou-se em cidade sagrada para os povos de fala Yorubá. 


O local onde seu corpo caiu costumava ser mostrado e provavelmente ainda o é; mas a cidade foi destruída em 1882, na guerra entre o Ifés contra os Ibadans e os Modakekes.

O mito de Yemojá explica assim a origem de diversos dos Deuses, fazendo-os netos de Obatàlá e de Odùdúwá. 

AJAKÁ


O Aláàfin de Òyó, o Oba Ajaká, meio irmão de Sàngó, era muito pacifico, apático e não realizava um bom governo. 


Sàngó, que cresceu nas terras dos Tapas (Nupe), local de origem de Torosí, sua mãe, e mais tarde se instalou na cidade de Kòso, mesmo rejeitado pelo povo por ser violento e incontrolável, mas sendo tirânico, se aclamou como Oba Kòso.

Mais tarde, com seus seguidores, se estabeleceu em Òyó, num bairro que recebeu o mesmo nome da cidade que viveu, Kòso e com isso manteve seu titulo de Oba Kòso.


Sàngó percebendo a fraqueza de seu irmão e sendo astuto e ávido por poder, destrona Ajaká e torna-se o terceiro Aláàfin de Òyó.

Ajaká, também chamado de Dadá, exilado, sai de Òyó para reinar numa cidade menor, Igboho ,vizinha de Òyó, e não poderia mais usar a coroa real de Òyó. 

E, com vergonha por ter sido deposto, jura que neste seu reinado vai usar uma outra coroa (ade), que lhe cubra seus olhos envergonhados e que somente irá tira-la quando ele puder usar novamente o ade que lhe foi roubado.

Esta coroa que Dadá Ajaká passa a usar, é rodeada por vários fios ornados de búzios no lugar das contas preciosas do Ade Real de Òyó, e esta chama-se Ade Bayánni. 

Dadá Ajaká então casa-se e tem um filho que chama-se Aganjú, que vem a ser sobrinho de Sàngó. 

Sàngó reina durante sete anos sobre Òyó e com intenso remorso das inúmeras atrocidades cometidas e com o povo revoltado, ele abandona o trono de Òyó e se refugia na terra natal de sua mãe em Tapa.

Após um tempo, suicida-se, enforcando-se numa árvore chamada de àyòn (àyàn) na cidade de Kòso. 

Com o fato consumado, Dadá Ajaká volta à Òyó e reassume o trono, retira então o Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin, tornando-se então o quarto Aláàfin de Òyó.


Após sua morte, assume o trono seu filho Aganjú, neto de Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto Aláàfin de Òyó.

 Como Aganjú não teve filhos, com ele acaba a dinastia de Odùdúwá em Òyó, assim termina o primeiro período de formação dos povos yorubanos. 

De Ifé até Òyó, de Odùdúwá a Aganjú, passando por Sàngó.

fonte:http://www.lendas.orixas.nom.br/ajaka.php



A Fogueira e a Roda de Xangô, Wilson D´Ògún - Babá Túàlágenã


                                                            
Durante a primeira fase das celebrações dedicadas a Xangô, isto é, aquelas realizadas junto à fogueira, são entoadas as rezas do "orixá do fogo", um dos títulos atribuídos ao antigo Alafin de Oyó. 

São inúmeras as rezas dedicadas a este orixá, destacaremos uma no presente trabalho em razão da sua expressividade: 

Na reza é saudado Aganju, o Alafin de Oyó, filho de Ajàká e sobrinho de Sangô. 

Yamassè, considerada sua mãe, é quem revela aos mortais, a pedra de raio, símbolo de seu poder, e encontrada ao pé da grande árvore. 

O brilho do raio e o barulho dos trovões lembram que Aganju vigia do Orum, a terra dos ancestrais, seus súditos e fiéis. 

O cântico permanecerá por muito tempo, e a cada vez, os vários nomes conhecidos de Xangô serão entoados. 

Sucedem a Aganju, no texto, Airá, depois Baru e outros doze no total. 

Um a um são saudados os "reis de Oyó". 

Após as rezas, também denominadas adura, geralmente é tocado o Alujá, ritmo específico de Xangô, onde o som do bailado do orixá é marcado pelas batidas de palmas e pelo som dos xeres, daqueles que, seguindo-o, executam este ritmo vibrante que marca o final deste primeiro momento do ritual. 

A "roda de Xangô", no entanto, ocorre no espaço do barracão. 

Geralmente são executados cerca de vinte cânticos cuja ordem pode variar em função das diferentes tradições que originaram as comunidades. 

Dentre estes, destacaremos dois, deste repertório belo e expressivo. 

O ritmo forte e cadenciado do batá louva Dadá ou Ajàká. 

Os dançarinos, voltados para o poste central, coluna que sustenta a cumeeira e, geralmente, onde se encontra a coroa de Xangô, executam um bailado próprio desta cerimônia, a roda de Xangô. 

A dança, no entanto, difere das anteriores pelo movimento contínuo da cabeça, que se volta repetidamente para os dois lados do ombro, num sentido inequívoco de negação, e perdura durante todo o cântico. 

Verger (1987: 32), citando um dos mitos de Dadá, informa que este fundou a cidade de Ixele e era muito rico. 

Quando se tornou rei de Oyó, trouxe parte de sua riqueza para o seu novo reino, esperando sempre novas provisões de sua antiga cidade. 

Acrescentando que, "quando Xangô quer possuir um dos seus sacerdotes, as pessoas cantam primeiro: 'Dadá ma sokun mon' - Dadá não chore mais", para que ele não se afligisse, pois novas riquezas chegariam logo. 

O canto ressalta a tolerância de Ajàká, o obá pacífico, o mecenas, que muitas vezes fingia não ver, "o ar insolente de seu irmão mais velho, Xangô", dado a disputas e turbulências. 

O texto também solicita ao rei que nos caminhos, quem sabe, da vida, vele pelos desafortunados. 

A coroa de Baiani, descrita no cântico, da qual é dito ser honrosa e pertencer a um obá, refere-se à Ajàká, terceiro rei de Oyó. 

A palavra òwò, significando dinheiro, riqueza, está relacionada a uma grande quantidade de búzios que ornam esta coroa e que antigamente serviam como moeda. 

No texto existe uma ligação de honra com riqueza, através da palavra w . 

Com referência aos termos: gidigidi, que é um superlativo, isto é, muito; e gìdigìdi, animal grande e forte. 

Tratam-se de trocadilhos (11) , ou jogo de palavras, recurso muito comum na língua yorubá.

 Essa associação foi feita quando buscávamos o sentido do canto, pelo sacerdote que nos relatou seu significado, que lembrou também o mito de Xangô com o carneiro: "O Oxe de Sangô, seu machado, pode trazer a forma do chifre do carneiro, pois Xangô um dia brigou com este bicho, que é o que ele mais gosta de comer... o motivo da luta ninguém sabe... O carneiro estava perdendo, foi até em casa e apanhou os chifres... foi aí que a coisa mudou, levando Xangô uma baita surra e, não conseguindo esquecer a humilhação... com um grande estrondo desaparece da terra, virando orixá, porém sempre come o carneiro por gosto e raiva..."
Postado por ILÊ AFRO-GAÚCHO XIRÊ DE OBÁ E IEMANJÁ às terça-feira, maio 08, 2012 


A RODA DE XANGÔ



Durante a primeira fase das celebrações dedicadas a Xangô, isto é, aquelas realizadas junto a fogueira, são cânticos, os oriki ( rezas ) do orixá do fogo, um dos títulos atribuídos ao antigo alafin de Oió. 

São inúmeros oriki ( rezas ) dedicadas a este orixá, mostrarei duas delas:

1
OBA IRÚ LOKÓ OBÁ IRÚ LOKÓ
YAMASSE KÓ WÁ IRÁ OJE
AGANJÚ KO MÃ NJE LEKAN
ARÁ LOKÓ LAAYÁ
TÓBI ORIXÁ OBA SÓ RUN
ARÁ OBA OJE O

Rei lançou uma pedra
Yamasse cavou ao pé de uma grande árvore e encontrou
Aganjú vai brilhar, então mais uma vez, trovão
Lançou uma pedra com força coragem
Grande orixá do orum , terra dos ancestrais
Vigia, o Rei dos trovões, no pé de uma árvore pedra de raio.

2

BEE NI JE NI A PA BO
JE BI O O NI A PA BO

TRADUCAO

Sim, comer (amalá) dentro (de uma gamela ), com satisfação de uma vez, adorando
Comer, nascer dele dentro ( de uma gamela ) com satisfação, de uma só vez, adorando

COMEÇANDO O XIRÊ DA RODA DE XANGÔ:

1

AWA DUPE O OBA DODE
A DUPE O OBA DODE

TRADUCAO

Nos agradecemos a presença do rei que chegou
Nos agradecemos a pessoa do rei que chegou

2

A DUPE NI MON OBA E KU ALE
A DUPE NI MON OBA E KU ALE
O WA WA NILE
A DUPE NI MON OBA E KU ALE

TRADUCAO

Nos agradecemos por conhecer o Rei
Boa Noite a Vossa Majestade
Ele veio, esta na terra

3

FE LE FE LE
YEMONJA WE OKUN
YEMONJA WE OKUN
AGO FIRE MON
AGO FIRE MON
AJAKA IGBA RU, IGBA RU
O WA E

TRADUCAO

Ele quer poder... ele quer poder (ver)

Iemajá banha com água do mar
De-nos licença para vermos através dos seus olhos e conhecemos ...
Ajaka traz na cabeça, traz na cabeça (água do mar )
Então estas de volta

4 SANGBA SANGBA DIDE O NI IGBODO
ODE NI MO
SYII O ONI

TRADUCAO

Ele executou feitos maravilhosos, feitos maravilhosos.
Pairou sobre Igbodo, os caçadores sabem disto.

5

ONI DADA, AGO LA RI
ONI DADA, AGO LA RI

TRADUCAO

Senhor Dada, permita-nos vê-lo
Senhor Dada, permita-nos vê-lo

6

DADA MA SOKUN MO
DADA MA SOKUN MO
O FEERE O NI FEERE
O GBE IORUN
BABA KINI LONON AA RI

TRADUCAO

Dada não chore mais.
E fraco tolerante, ele vive no orun, o pai que olha por nos nos caminhos.

7

BAYANNI GIDIGIDI
BAYANNI OLA
BAYANNI GIDIGIDI
BAYANNI OLA
BAYANNI ODE
BAYANNI OWO
BAYANNI ODE
BAYANNI OWO

TRADUCAO

Baiani (Ajaka) é forte como um animal e muito,muito rico.
A coroa de baiani é honrosa e muito rica

8

FURA TI NA
FURA TI NA
FURA TI NA
ARA LO SI SA JO
FURA TI NA
FURA T INA
FURA TI NA
ARA LO SI SA JO

TRADUCAO

Desconfie do fogo
Desconfie do fogo
Desconfie do fogo
O raio e a certeza de que ele queimara
Desconfie do fogo
Desconfie do fogo
Desconfie do fogo
O raio é a certeza de que ele queimara

9

IBA ORIXA
IBA ONILE
ONILE MO JUBA O

TRADUÇÃO

A benção dos orixás
A benção do senhor da terra
Ao Senhor da terra ( Onile) minhas saudações

10

ORAN IN A LOODE O
BARA ENI JA ENIA RO KO
OBA NU KOSO NU RE LE O
BARA ENI JÁ ENIA RO KO
O NIIKA WON BO LORUN
KEREJE AGUT ON
ITENU PADE WA LONA
O NIIKA SI RELE
IBO SI ORAN IN A LOODE O
BARA ENI JA ENIA RO KO
ONI MAA NI MO EJE
BARA ENI JÁ ENIA RO KO

TRADUÇÃO

Sim, a circunstãncia o colocou de fora
O mausoléu real quebrou ( não foi usado) o homem não se pendurou
O Rei sumiu no chão e reapareceu
O mausoléu real quebrou ( não foi usado ) , o homem não se pendurou .
Ele e cruel, olhou, retornou para orum deu um grito, enganando ( seus inimigos)
Ele e cruel, olhou, retornou para orum, deu um grito, enganando ( seus inimigos)
O carneiro mansamente procura e encontra o caminho.
Ele e cruel contra os que humilham
A consulta ao oráculo foi negativa.
Sim, a circunstancia o colocou de fora.
O mausoléu real quebrou ( não foi usado ) , o homem não se pendurou.
O verdadeiro senhor e contra juras (falsas)
O mausoléu real quebrou (não foi usado ) , o homem não se pendurou.

11

OBA SEREE LA FEHINTI
OBA SEREE LA FEHINTI
OBA NI WA IYE BE LORUN
OBA SEREE LA FEHINTI

TRADUÇÃO

Incline-se, o rei do xere salvou-se
Incline-se, o rei do xere salvou-se
Suplique ao rei que existe e vive no orum
Incline-se , o rei do xere salvou-se

12

EYE KEKERE
ADO OSI ARALE
IYA LODO MASE
EYE KO KERE IANU
SOKO IYAGBA LODO MASE

TRADUÇÃO

O pequeno pássaro na cabeça , e da esquerda , e perante da mãe do rio, mase.
Apanhou com gentileza , o pequeno e sofrido (pássaro), a grande mãe do rio mase.

13

AIRA OJO
MO PERE SE
A MO PERE SE

TRADUCAO

A chuva de Aira
Apenas limpa e faz barulho como um tambor
Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor.

14

A NIWA WURE
A WURE NIWA
A NIWA WURE
A WURE NIWA
OBA LUGBE OBALODO
OBALODO RI SO
OBALODO

TRADUÇÃO

Nos temos a existência e a boa sorte
Nos temos a boa sorte e a existência
Nos temos a existência e a boa sorte
Nos temos a boa sorte e a existência
O rei do pilão olha e arremessa os raios
O rei do pilão.

15

OLOWO
KO MA BO, MA BO
KO MA BO
OLOWO
KO MA BO , MA BO
ALAAFIN ORISA

TRADUÇÃO

Abastado Senhor , aquele que definitivamente da proteção
Aquele que definitivamente da proteção
Abastado Senhor, aquele que definitivamente da proteção da proteção senhor do palácio e orixá.

16

OMO ASIKO BERE EKO INON , EKO INON
OMO ASIKO BERE
EKO INON
LOODE ROKO
OMO ASIKO BERE
EKO INON, EKO INON
OMO ASIKO BERE
EKO INON
ERU NJEJE

TRADUÇÃO

Os filhos , com o tempo, iniciaram o culto do fogo de Eko ( lagos) , o culto do fogo de Eko.
Os filhos, com o tempo , iniciaram o culto do fogo de Eko, ao redor das plantações.
Os filhos com o tempo, iniciaram o culto do fogo de eko, o culto do fogo de Eko.
Os filhos , com o tempo, iniciaram o culto do fogo de Eko, com medo extremo.

FONTE: Babalorixá Paulo Diloiá
http://paulodiloia.blogspot.com.br/2005/09/roda-de-xango.html


Xangô



DIA: Quarta-Feira

CORES: Vermelho (ou marrom) e branco

COMIDA: Amalá

SÍMBOLOS: Oxés (machados duplos), Edún-Àrá, xerê

ELEMENTOS: Fogo (grandes chamas, raios), formações rochosas.

DOMÍNOS: Poder estatal, justiça, questões jurídicas.

SAUDAÇÃO: Kawó Kabiesilé!!

Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é a sua síntese. Xangô nasce do poder morre em nome do poder. Rei absoluto, forte, imbatível. 

O prazer de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. Xangô é rei entre todos os reis. 

Não existe uma hierarquia entre os orixás, nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. 

Contudo, se preciso fosse escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?

Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem seus devotos na África. Porém o desafio é feito sempre para ratificar o poder de Xangô.

A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder.

 Procure imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.

Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. 

O poder real, por exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. Xangô destronou o próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. 

A personalidade paciente e tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.

O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da cidade e de sua dinastia. 

Ele só fez apressar a sua ascensão. 

Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão, pela força, é merecido. 

Xangô foi o grande alafim de Òyo porque soube inspirar credibilidade aos seus súbditos, tomou as decisões mais acertadas e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.

Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não houver respaldo popular.

 Em outros termos, o déspota reflete a imagem de seu povo, e este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência, seja por assumir a postura de um pai. 

No caso de Xangô, sua retidão e honestidade superam o seu carácter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por maldade.

Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. 

Ele expressa autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. 

O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege, que ilumina o caminho. 

O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram seu nome. Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.

Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões históricas, seria terra de origem de sua família materna.

Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza, só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.

Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo ardente? Quem resiste ao olhar de “flirt” de Xangô?

Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. 

Iansã foi sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. 

È com ela que divide o domínio sobre o fogo.

Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. 

Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou.

A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. 

Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.

Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. 

Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti-símbolo.

Características dos filhos de Xangô

É muito fácil reconhecer um filho de Xangô apenas por sua estrutura física, pois seu corpo é quase sempre muito forte, com uma quantidade razoável de gordura, apontando a sua tendência à obesidade; mas a sua boa constituição óssea suporta o seu físico avantajado. 

Há também os magros e muito elegantes.

Com forte dose de energia e auto-estima, os filhos de Xangô têm consciência de que são importantes e respeitáveis, portanto quando emitem sua opinião é para encerrar definitivamente o assunto. 

Sua postura é sempre nobre, com a dignidade de um rei.

 Sempre andam acompanhados de grandes comitivas; embora nunca estejam sós, a solidão é um de seus estigmas.

Conscientemente são incapazes de ser injustos com alguém, mas um certo egoísmo faz parte de seu arquétipo. 

São extremamente austeros (para não dizer sovinas), portanto não é por acaso que Xangô dança alujá com a mão fechada. 

Gostam do poder e do saber, que são os grandes objectos de sua vaidade.

São amantes vigorosos, em seu lado negativo, pobre das mulheres cujos maridos são de Xangô. 

Um filho de Xangô está sempre cercado por amigos, auxiliares, no caso de governantes, empresários, mas a tendência é que aqueles que decidem ao seu lado sejam sempre homens.

Os filhos de Xangô são obstinados, agem com estratégia e conseguem o que querem. 

Tudo que fazem marca de alguma forma sua presença; fazem questão de viver ao lado de muita gente e têm pavor de ser esquecido, pois, sempre presentes na memória de todos, sabem que continuarão vivos após a sua ‘retirada estratégica’.

fonte: ocandomble.wordpress.com/os-orixas/xango/‎




terça-feira, 4 de junho de 2013

Qualidade de Orixá, Sim existem qualidades de Orixá.


Qualidade de Orixá

Eu não gosto de fazer polêmicas inúteis ou provocativas, mas, não tinha como comentar este assunto. 

A internet hoje em dia é muito incrível, ela se transformou em uma ferramenta comum e aberta e qualquer pessoa pode gerar conteúdo.  

Isso é positivo, mas, abre a possibilidade das polêmicas ou convivências de pontos de vista divergentes. 

Claro que também permite a publicação de muita bobagem.

Além disso hoje em dia convivemos com mais de uma tradição da mesma religião. 

São tradições estrangeiras que competem com a visão da tradição do Candomblé sobre temas religiosos. 

O Candomblé que nunca pode ser questionado agora possivelmente vai ter que se dar ao trabalho de explicar suas teses. Isso claro traz um problema porque os Babalorixás e Iyalorixas não se dão a trabalho de ser preparar para isso, sempre foram acomodados a falar coisas que ninguém questionava.

Mas o trabalho não é difícil. 

Tem que principiar por se entender primeira a própria religião e depois responder ao que as demais tradições falam. 

Tradições essas que serão os Lukumi e os Nigerianos. 

Os africanos são representantes de uma religião quase morta na terra deles. a Nigéria é dominada por Católicos e Islamitas, pouca gente lá sobrou da religião dos Orixás. 

Os que conhecem mesmo dificilmente vão vir aqui no Brasil, certamente ficarão lá cuidando de suas obrigações. 

Com certeza quem viaja para se aventurar aqui é quem sabe menos e quer ganhar mais. 

Por outro lado os brasileiros que se mentem nesta tradição não vão ter tempo para aprender nada e assim a tradição Yoruba vai ter muito pouca gente com propriedade para se manifestar aqui.

Os Lukumi tem uma tradição da diaspora muito influenciada pelo sincretismo. Além disso claramente o Candomblé é muito mais consistente e tem vínculos muito mais próximos e fortes com a tradição africana original. Para mim é muito sem noção brasileiros que tem acesso a uma tradição como o Candomblé se interessarem pelas teses Lukumi.

Mas, voltando ao tópico do texto, li recentemente uma posição contrária a existência de qualidade de Orixá. Claro que a colocação da pessoa era bem simples no sentido de dizer que isso não existe e que todo Orixá é o mesmo. Esta afirmação dificilmente seria contrariada por alguém do Candomblé, porque quem sabe o que é, sabe e a gente não se preocupa em explicar para quem não sabe. Basicamente a atitude é ouvir aquela afirmação e deixar para lá, afinal se ele entende assim, que fique com seu entendimento.

Eu penso que este tipo de atitude não contribui e também vi várias pessoas se manifestando concordando com a pessoa. Bom, como hoje em dia todo mundo pode dizer o que pensa, eu também posso.

O Candomblé não tem esse entendimento de que é tudo a mesma coisa. A mesma coisa são dois caminhões cheio de chineses, como a gente brinca no dia a dia. A qualidade de Orixá é um dos pilares do Candomblé e uma das partes mais importantes dos segredos da religião.

Sim existem qualidades de Orixá. 

Seria esta uma religião muito simples se tudo fosse igual, se a gente tivesse uma meia dúzia de Orixás e cada um fosse de um e por ser daquele Orixá corresponderia a um arquétipo de personalidade. A Umbanda que não entende nada pensa assim, mas, não é assim a religião de verdade de Orixá. Acho que as pessoas pensam que Orixá é igual a símbolo do zodíaco.

Neste sentido nós também poderíamos simplificar mais ainda e dizer que não tem Orixá, que é tudo a mesma coisa e que tudo é Olodumare e que Orixás são manifestações distintas de Olodumare.

A qualidade de Orixá é importantíssima para um iniciado e faz parte do processo de individualização da pessoa no Aiye. Não somos todos iguais, somos todos indivíduos únicos e diferenciados. Todos nascemos a partir de uma mesma base. A matéria fundamental que nos estrutura é a mesma, mas, no nosso caminho de vinda para o Aiye, o mundo físico, vindo do Órun, o mundo espiritual, nós trazemos a personalização.

A matéria elementar sofre a adição da matéria do nosso Orixá. Depois de nossa ancestralidade que nos liga com nossa linhagem. Depois das ferramentas necessárias para levarmos a cabo no nosso destino pessoal.  Devemos entender o nosso "destino" como um objetivo de vida que para ser atingido vai precisar de instrumentos. 

Um dos elementos é a energia espiritual que necessitaremos para o que pretendemos realizar, o nosso axé pessoal,  que será traduzido pela energia de um Odu. O Ori é também um desses instrumentos e que esta ligado a nossa capacidade de ser prósperos no Aiye mas que também traz um fator de aleatoriedade a nossa capacidade de ter sucesso em nossos objetivos ou destino.

O Orixá é outro desses componentes. Temos vínculo com um Orixá que é o Orixá de Ori. Além desse Orixá temos vínculos também com outros que compõe o que chamamos de "enredo" da pessoa. Observe que no Candomblé não existe a abordagem de Pai e Mãe espiritual. Isso é coisa da Umbanda que não entende NADA de Orixá. É coisa também de Lukumi, que entende do jeito deles....

Nós temos apenas UM Orixá de Ori. Esta é a visão correta porque é a do Candomblé e é também confirmada pelos versos. A escolha desse Orixá passou pela escolha de nosso próprio destino. Este Orixá existe para nos ajudar e proteger e esta ligado com o destino que escolhemos para nós mesmos. Ele será um Orixá cujo axé, ou capacidade de transformar axé, irá facilitar o nosso caminho.  A linhagem tem forte influencia na escolha de um Orixá. Primeiro vem o Orixá da família. Se ele é adequado, possivelmente será ele o nosso Orixá. O processo de escolha do Orixá no Órun não é aleatória como muitos dizem, é um processo direcionado para o nosso destino e para os nossos próprios vínculos de linhagem.

Pessoas de uma mesma família tendem a ter Orixás comuns.

Além do Orixá que escolhemos teremos um segundo Orixá, o juntó que poderá ser de qualquer gênero. Este é outro ponto importante e que distingue a abordagem do Candomblé que entende de fato de Orixá, das demais. O juntó pode ter o mesmo gênero do Orixá principal. . Esses dois formam o nosso principal pilar, mas além deles poderemos ter vínculos fortes com outros Orixás, seja por questões de família como também para compor o nosso enredo.

A qualidade de Orixá surge desta combinação. Tomando como exemplo para este texto o Orixá Oxun, a forma como uma Oxun se manifestará naquela pessoa será configurada através do enredo que compõe aquela pessoa, ou seja com a combinação de forças complementares, como o seu Odu de Ori, o seu juntó (fortemente) e os demais Orixás que participam ativamente do seu enredo e da nossa capacidade de transformar, emitir a manipular axé.

Assim, existe desta maneira, a individualização da pessoa no Aiye. A existência genérica passa a ser particularizada tornando o indivíduo um ser único. O seu axé de vida é composto por esta configuração espiritual feita para que ele possa a executar o seu destino de vida. A Oxun genérica, que é apenas uma matriz base, se torna uma Oxun particularizada, composta pelas energias que se adicionam a ela através do enredo.

Cada orixá vai adquirir uma qualidade que pode variar do fun-fun para o azul (negro), passando pelo vermelho ou como muitos dizem de Oxala a Exu. O axé de Olodumare, através do Odu vai trazer as coisas que a pessoa será mais bem sucedida em fazer e os elementos que deve se aproximar ou se afastar. Como elementos entenda cores, materiais e alimentos.

Estas combinação de energias e de axé gera a qualidade que é a forma como aquele Orixá se manifesta através daquele indivíduo. Assim o Orixá principal adquire a sua qualidade e o indivíduo tem ainda mais características de individualização através de seu enredo.

As proibições são as coisas que não somam energia ao seu axé e que inclusive enfraquecem o seu axé. Somos uma usina de transformação e geração de axé. cada usina é feita para gerar um tipo de axé e para isso processar um tipo de elemento. Os elementos, na forma de alimentos, podem ser os adequados, neutros ou contrários para gerar o nosso axé.

Isso influencia então fortemente também os materiais que usaremos no igba do nosso orixá, nos alimentos que usaremos nas suas oferendas, na forma de vesti-lo, etc..

Assim, no Aiye o Orixá sempre se manifesta através de uma de suas qualidades. cada elegun é uma pessoas distinta e o Orixá aqui no Aiye sempre será diferente. Ao olharmos um Orixá manifestado sempre estaremos vendo uma qualidade de Orixá e não um Orixá genérico. É claro que a informação de qualidade só interessa ao elegun, ao babalorixá e a casa, para o leigo, é tudo Oxun.

Oxun só é única nas nossas orações, mas imagens e figuras ou aos olhos do leigo.
Assim lamento contrariar as outras tradições, mas, sim existem qualidades de Orixá e, mais, tudo o que vemos no Aiye são qualidades de Orixá.